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segunda-feira, 11 de novembro de 2024

15 anos e um desabafo


Este último ano na Esteira, tem sido particularmente difícil.

Passado um ano, as três guerras que mencionei aqui (Sudão, Palestina e Ucrânia) ainda persistem. 
Já mal são notícias nas televisões e rádios.
As pessoas tornam-se indiferentes, alheias e habituam-se rapidamente à morte e ao sofrimento de dezenas e dezenas de pessoas. Uma cobertura jornalística, em todas as suas formas, tem habilmente, e deliberadamente, esquecido ou suavizado o inenarrável sofrimento e total ausência de condições de vida. De facto, não se trata de condições de vida, mas de condições de sobrevivência.

Das três guerras, a de Israhell contra a Palestina assumiu proporções pessoais que nunca tinha experimentado antes ou algo de comparável.
Mais de um ano depois continuo incrédulo com o que se passa em Gaza, Palestina, território ocupado, roubado e colonizado por um país predatório, governado por um assassino e genocida, Benjamim Netanyahu. O que se assiste ao que se passa e acontece em Gaza e Cisjordânia é de uma atrocidade sem limites. O que li em livros de história, relatos de sobreviventes, vi nos diversos memoriais de vários países que experimentaram o genocídio, vejo agora em directo no ecrã do meu telemóvel.

Em ano que se assinalou trinta anos do Genocídio Ruandês e setenta e nove anos sobre o Genocídio Judeu e dos Roma, o Ocidente que tantas vezes invoca "nunca esquecer para nunca mais voltar a acontecer" vira costas, fica em silêncio e dá até o seu apoio declarado ao genocídio do povo Palestiniano e deixa, permite que o crime de todos os crimes aconteça livremente, sem restrições económicas, físicas e morais.

O Ocidente, o paladino dos direitos humanos, dos valores humanitários, da defesa da vida, da paz, da liberdade de expressão e do mundo livre, tornou-se um assassino, cúmplice e participante activo deste genocídio, através do silêncio conivente e do fornecimento de armamento deste genocídio.

Sinto uma grande vergonha em ser ocidental, em ser português. O meu país também é cúmplice da bestialidade sionista israhellita. Coloca-se debaixo das patas negras de um crime hediondo e tal como o restante mundo ocidental, excluindo os irlandeses, curva-se subservientemente perante um estado que ignora, quebra, contorna, todas as regras que norteiam a dignidade do ser humano.

É frustrante, profundamente triste, uma sensação de profunda incapacidade, de inutilidade, viver nestes dias. Dias em que os nossos políticos são profundamente nojentos, repelentes, vendidos, ausentes de alma e de qualquer tipo de dignidade.
E continuamos a votar neles, como se a invocação da liberdade fosse condição sine qua non, uma obrigação.
Não é. Não votar neles é um grito de revolta e de indignação. Diz-se que podes votar branco, nulo, não na abstenção. Mas enquanto votarmos, seja de forma seja, enquanto os políticos não perceberem que são rejeitados, olhados de lado, repudiados, nunca perceberão o quanto indignos são de nós.






segunda-feira, 7 de outubro de 2024

um ano de genocídio palestiniano


"Se mexe, morre", eis a filosofia israhellita. Animais incluídos.
Faz hoje um ano que o genocídio palestiniano começou às mãos de Israhell e com as armas, o silêncio, a conivência e consentimento do líderes mais rascos e merdosos de sempre: os ocidentais.

Tão merdosos e reles que me fazem vergonha de ser ocidental.
A Europa, que sempre se considerou a paladina dos direitos humanos, anti-corrupção, da democracia, o farol dos valores morais, o último lugar da Terra onde existe paz, de repente torna-se assustadoramente, cúmplice e voz activa do genocídio do povo palestiniano.
O dinheiro flui torrencialmente para financiar um "estado" terrorista, uma potência ocupante e colonialista, tal como aqueles que o financiam, e nada democrático, com as mais poderosas e assassinas armas, utilizadas abundantemente contra inocentes e civis.

Os números são horrendos, indiscritíveis. 
De acordo com a prestigiada revista de medicina inglesa, Lancet, o conflito terá causado - não uns muito estáticos e mal estimados 42000 mortos como aparece em todo o lado - qualquer coisa como cerca de 210000 (duzentos e dez mil) mortos, incluindo feridos.

Não consigo deixar encontrar um paralelo entre o actual genocídio palestiniano e o ruandês em 1994.
Em ambos, o Ocidente, a ONU (a organização mais inútil do mundo), assistiu a tudo, a uma carnificina desenfreada, um horror sem limites, corpos acumularem e a apodrecerem nas ruas, famílias inteiras assassinadas, hospitais, escolas, igrejas atacados por assassinos sedentos de sangue que actuam de forma impune e bárbara.

Hoje faz um ano que o genocídio palestiniano começou. Hoje faz um ano que a "civilização" ocidental voltou aos seus dias mais negros, mais cínicos, mais hipócritas e mais sangrentos.
Um gigante com pés e moral de barro.











terça-feira, 9 de janeiro de 2024

22 mil mortos


Na altura em que lanço este post, o número de mortos estimados já passa dos 22 mil (em menos de três meses). Falta adicionar o número dos corpos que permanecem debaixo dos escombros, número esse que permanece desconhecido.

Que a Palestina recupere a sua independência, deixe de ser uma prisão ao ar livre, um apartheid é um sonho para muitos e muitos palestinianos e para pessoas verdadeiramente humanas - excluo os abjectos líderes do mundo ocidental que apoiam e validam o genocídio que está em curso perpetuado por sionistas israelitas, desde a Nakba de 1948.

Sou pessimista por natureza. Não acredito que o mundo ocidental, subserviente de Israel, que os palestinianos recuperem aquilo que é seu desde há milénios.
Pensar que 2024 é um ano de esperança, talvez seja demasiado. Na melhor das hipóteses, estas vinte e duas mil pessoas que foram, até ao presente dia, assassinadas por Israel e pelo mundo ocidental, constituam um leito sagrento onde algo de positivo, para os palestinianos, possa ser contruído.
Uma espécie de esmola para aquilo que lhes foi robado: a solução dois estados. 
E que deixem a Palestina para os palestinianos, não permitindo que os hediondos genocidas sionistas ponham a sua pata negra na gestão do seu estado.











quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

não é surpresa para ninguém


E Israel está a fazer um excelente trabalho em prol do Hamas.

Cada vez que uma criança fica órfã, uma família perde os seus membros, a sua casa, é obrigada a ser deslocada para zonas supostamente seguras e depois é bombardeada nessas mesmas zonas. 
É retirada à retirada população, água, alimentação, os seus hospitais sistematicamente destruídos, sem medicamentos, torturar civis, a prender crianças sem qualquer tipo fundamento e snipers a divertirem-se a matar inocentes, são elementos, centenas deles, angariados para o Hamas. 
Isto para além de sete décadas e meia de matanças e massacres, abusos, ocupação de terras e casas, desrespeito básico pelos direitos humanos.












domingo, 10 de dezembro de 2023

o veto genocida dos EUA

Erro em erro até à derrota final.
EUA continuam a suportar, a apoiar e a financiar o genocídio da Palestina debaixo das abjectas negras patas israelitas.
O veto do ao cessar-fogo votado no conselho de segurança na passada sexta-feira, isolou, ainda mais os EUA na comunidade internacional. Torna-os, ainda mais, cúmplices e responsáveis pelo crime contra humanidade que está decorrer na Palestina à frente do nossos olhos.
O Reino Unido refugiou-se cobardemente na abstenção.

A chacina irá continuar, o mundo continuará a vê-la diariamente nas televisões e redes sociais, por muito que estas a censurem, e não se esquecerá que o Biden e companhia permitiram mais uma vez que o genocídio prossiga.
Quem semeia ventos colhe tempestades. Os EUA cada vez mais serão o alvo dos países árabes, talvez salvo pelo petróleo, e a Europa se não se cuidar, acabará tão cínica e patética quanto eles. Que aliás é um caminho que já começou a trilhar. É só ouvir as declarações de patetas como Ursula von der Leyen, Emmanuel Macron, Olaf Scholz, Rishi Sunak e o béu béu de todos eles, Josep Borrell.

A minha admiração (neste momentos), a António Guterres, secretário geral das Nações Unidas, que claramente é o mais esclarecido e que mais coragem demonstra ter em enfrentar os assassinos israelitas e a correspondente corja norte-americana.











quinta-feira, 16 de novembro de 2023

O pai tem o filho que merece


Exactamente o meu ponto de vista.
Ao verem destruídas, arrasadas, as suas vidas, as suas casas, as suas famílias, os seus filhos, condições insalubres de vida, os seus valores morais e religiosos desrespeitados sistematicamente, o que sobra a um palestiniano que há decadas, e muito particularmente neste último mês e meio, vê a sua vida diariamente violentada?
Nada. Nada. Nem esperança. E o que sobra no meio desse nada? Raiva, frustração, desespero e tudo isto leva a uma das forças mais motivadoras, e destruidoras, que podem surgir no interior de um ser humano: ódio por quem lhes causou, causa, tudo isto.
E é assim que surge um operacional Hamas. Israel, um estado terrorista, está a criar novos e ainda mais poderosos, mais motivados e mais determinados elementos Hamas.

O Hamas existe porque Israel os criou. Sangue do seu sangue. E o pai tem o filho que merece.
 









terça-feira, 14 de novembro de 2023

uma epifania tardia


Passados poucos dias de ter passado um mês, no conflito entre e Israel e Hamas, mais de onze mil vidas palestinianas foram assassinadas, o chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, teve um momento epifânico e considerou que "foram mortos demasiados palestinianos".
Israel afirmou que no mesmo período de tempo matou cerca de... 60 elementos do Hamas.

Significa que Israel matou, destruiu mais de 183 vidas inocentes por cada elemento do Hamas morto.
Israel está empenhado, é este o seu verdadeiro objectivo, em matar mais palestinianos que terroristas (como os próprios israelitas).
Digo-vos, é preciso fazer um tremendo esforço de racionalização para não ter que simpatizar com o Hamas e considerar que eles são os bons da fita neste filme atroz onde a humanidade falha em toda a linha.

Os únicos bons da fita são os que estão a ser massacrados às centenas pelos israelitas todos os dias, os palestinianos.
São massacrados nas escolas, massacrados nos hospitais, massacrados nas suas casas, nas ruas, dentro de ambulâncias, enquanto se deslocam para zona ditas seguras, nos campos de refugiados que foram montados para a sua "segurança". Não têm água, alimentação, combustível, electricidade, cuidados básicos ou a possibilidade de enterrar dignamente os seus (incontáveis) mortos, e tratar, cuidar dos seus (inumeráveis) feridos.
E o ocidente, impávido e sereno, a permitir, a financiar, a incentivar e a aceitar o genocídio do povo palestiniano.
Neste momento, ser europeu, ser ocidental é algo que me faz sentir uma imensa vergonha. Embaraço.







sexta-feira, 13 de outubro de 2023

hipocrisia, cinismo e uma despudorada falta de moral


Este vídeo faz-me recordar porque não voto nas eleições europeias.
Sinceramente, enquanto um voto, qualquer que ele seja, implica interesse pelas instituições, a ausência do mesmo, a abstenção é a melhor forma de protestar: revela indiferença, distanciamento, descrença.
E que crença devemos ter quando as manifestações pro-palestina são proibidas em vários países da Europa como França e Alemanha?

Ouvir esta contradição, este acto de subserviência, do ajoelhar e rastejar da líder da União Europeia - Ursula Von der Leyen - perante um estado que desonra tudo o que a Europa, supostamente, defende, é frustrante.
As vidas de milhões de inocentes estão em jogo. Fome, doença, sede a serem impostos selvaticamente com a dita civilização ocidental a assistir no camarote e a bater palmas.
Convenientemente ninguém fala agora em genocídio ou holocausto. Não se ouvem protestos contra a morte de inocentes, e ninguém menciona as centenas de bebés chacinados pelos bombardeamentos cegos israelitas - será que um bebé ou criança morta pelo Hamas é mais chocante ou horrorizante do que se for por Israel?) - da morte de funcionários da ONU e do Crescente Vermelho que foram igualmente assassinados pelos ataques indiscriminados e desproporcionais de Israel.

Está tudo contra o ataque execrável do Hamas, mas ninguém fala em voz alta dos execráveis ataques que Israel anda cometer desde 1948, ano em que o estado de Israel foi criado. São 75 trágicos anos para os palestinianos. 75 anos consecutivos de morte, de ocupação, discriminação, de total falha de respeito pelos direitos humanos.
A Faixa de Gaza tornou-se um gueto, um enorme campo de refugiados acossados por todos os lados, a maior das prisões a céu aberto.

Quem semeia ventos colhe tempestades. Israel está colher ataques de uma organização terrorista que foi criada por este estado não menos terrorista.
Se o Hamas existe, foi porque Israel lhe deu motivos, oportunidades e ódio suficiente para que este exista.
Recordo-me do título do segundo álbum dos Ornatos Violeta: O Monstro Precisa de Amigos.
Israel estava a sentir-se sozinho.














quinta-feira, 22 de junho de 2023

parafraseando George Orwell


É ultrajante, e inconcebível, a desproporção de meios utilizada para salvar cinco pessoas que desceram aos 3800 metros de profundidade no submarino Titan para ver os restos do Titanic que naufragou há mais de cem anos versus a displicência com que se ignorou, e por isso se matou, centenas de pessoas que pagaram para salvarem as suas vidas e que naufragaram no mar Mediterrâneo, ao largo da costa grega de Pylos.

Os primeiros cinco são multimilionários, as cerca de setecentas pessoas que naufragaram na costa grega e à frente dos olhos da respectiva guarda costeira, são pessoas desesperadas que estão entre a vida e morte nos seus países de origem.
Os primeiros cinco foram à procura de divertimento e adrenalina, os refugiados estavam à procura de esperança e de dignidade humana.

Cinco vidas fizeram deslocar barcos, aviões, ROVs dos EUA, Canadá, Reino Unido e França, enquanto que as largas centenas de vidas que estavam a bordo do barco naufragado estiveram mais de três horas a tentar sobreviver nas águas gregas do Mediterrâneo com os barcos de socorro a poucos minutos deles.
Os sobreviventes do naufrágio afirmaram que estiveram mais de quinze horas a pedir ajuda para que os ajudassem. 
Este naufrágio poderá representar a maior perda de vidas desde sempre no Mediterrâneo.

Vidas são vidas. Os esforços para salvar os cinco tripulantes do submarino Titan que ia descer ao Titanic devem ser os mais adequados possíveis e disponibilizados da forma mais urgente possível mas as quase setecentas vidas que estavam no barco, e ignorados pela guarda costeira grega, merecem igualmente que sejam salvos com todos os meios, e urgência, necessários para o fazer. E tal devia ter acontecido antes de o naufrágio acontecer.
Esta disparidade de meios de socorro, empenho e cobertura mediática a favor de cinco pessoas comparado com a ausência dos mesmos para com centenas de pessoas é um desrespeito total pelo valor da vida humana. 

Parafraseando George Orwell no seu livro O Triunfo dos Porcos - Todas as pessoas são iguais mas há umas mais iguais que outras
















terça-feira, 10 de janeiro de 2023

foleirices


Não sou adepto de Ronaldo e desagrada-me que use e fale no número 7 até à exaustão. Ao contrário de Ronaldo, gosto mesmo deste número e ele deve ser preservado e não vulgarizado.

A machadada final, na pouca admiração que tenho por este jogador de futebol, foi a caricata pretensão de querer assumir a autoria do golo marcado por Bruno Fernandes, por a bola ter-lhe tocado no... cabelo. Verdadeiramente patético. Demonstrou que não lhe interessa o colectivo, a equipa, mas sim o ego.

Que ele vá atrás de centenas de milhões para a Arábia Saudita, é-me indiferente. Agora se de facto se tornar embaixador deste país para o mundial de Futebol de 2030, tal incomoda-me.
Não por concorrer contra a candidatura conjunta de Portugal e Espanha, esta candidatura é-me completamente irrelevante, mas sim por advogar um evento mundial num país que, tal como o Qatar, não respeita os direitos humanos, os direitos das mulheres, dos trabalhadores e com um regime totalitário. 
Isto, para um jogador de futebol, principalmente com o estatuto de Ronaldo, é descer muito baixo.

Neste momento, em que dificilmente acabará carreira com dignidade, a única coisa que lhe interessa é apenas ganhar muito, muito, muito, dinheiro. O que é muito pouco.














quarta-feira, 19 de outubro de 2022

atenção, perigo!!!


Diria que quase todos os grandes livros religiosos são perigosos mas a bíblia é demais.
Dizem que é um livro de amor, de paz e sacrifício. Não é.
Não promove a tolerância ou a diversidade religiosa. É um livro fanático, violento e vingativo.
Tipo quem não é por mim é contra mim. Ou acreditas em mim ou estás na merda. Inferno garantido.

Quem pragueja contra o islão e o seu livro sagrado, o Corão, é porque não conhece a Bíblia ou a Torá. Em nome de qualquer um deles muita gente morreu, muita gente sofreu (e sofrerá), muita gente foi ostracizada e discriminada (e continuará a ser).

Pela bíblia, pela imposição que só ela deve ser seguida e que dela vem a última palavra (inclusive no conhecimento e ciência), a Inquisição - durante séculos - matou milhares de pessoas, mandou para as masmorras outros tantos e obrigou a renegar convicções, vontade própria e a levantar falsas denúncias para que também muitos outros pudessem ter uma hipótese de sobrevivência. 
Provocou um atraso no conhecimento científico de séculos.
Sem a ignorar o especial carinho e aptência que a igreja tem demontrado ao longo de décadas... para crianças.

Se a bíblia é melhor que outros livros sagrados? Não. Se é pior? Também não. Mas não é flor que se cheire. É profundamente cínica. A verdade é que também não emana nenhuma santidade saudável. Se é que a palavra santidade seja minimamente saudável.

Sim, propositadamente deixei o budismo para último. Pessoalmente será a religião mais equilibrada (identifico-me com ela), mais tolerante, até porque não depende de um deus etéreo e inatingível. Mas a verdade é que em nome do budismo já foi feita, e continua a ser feita (pensemos na antiga Birmânia no que diz respeito à minoria Rohingya de etnia muçulmana), muita asneira. 

Mas a bíblia, tudo o que a rodeia, os que a interpretaram e os que a interpretam... medo.








terça-feira, 30 de agosto de 2022

linhagem e gerações


Li recentemente num livro de antropologia que a nossa existência (individual) resulta de uma probabilidade de sobrevivência da nossa linhagem.
A nossa existência deve-se a todos os nossos antepassados que sobreviveram a acidentes, tentativas de assassinatos, guerras, fomes e doenças no momento da concepção.

Deram amor, tomaram decisões (muitas difíceis), choraram, sofreram, riram, desesperaram, sentiram a frustração e o sucesso.
Cada vez que descemos um grau (uma geração) na nossa linhagem, o número de pessoas envolvidas duplica - por exemplo temos 4096 undecavós e 8192 dodecavós - e os séculos acumulam-se. Sendo, provavelmente, o anterior sempre mais duro que o seguinte.
Quanto mais descemos, melhor percebemos o quanto raro somos, a enorme quantidade de familiares que tiveram de ter sucesso para que eu me tornasse no Pedro.
Frequentemente penso nisto. 

É (quase) consensual que há 74 mil anos, uma erupção de um super vulcão, o Toba, localizado na actual Indonésia, levou quase à extinção a humanidade. A população humana na altura poderá ter ficada reduzida a um milhar de indivíduos. Há quem defenda umas centenas.
Isto pode explicar a baixa diversidade genética humana. que se regista ainda hoje no nosso ADN.
No limite, e por causa desse escassos sobreviventes, todos nós somos parentes, partilhamos laços familiares uns com os outros. 
Ou seja, quem estiver a ler este post poderá partilhar comigo uns quantos genes e portanto existir uma relação familiar distante 😊









sexta-feira, 12 de agosto de 2022

tudo arde, que merda de país


A Serra da Estrela ardem já há seis dias. No restante território milhares de incêndios eclodem por todo o lado. 10% do património da Serra da Estrela perdida. E é património mundial da Unesco. Que desrespeito por aquilo que temos de melhor.
Perde-se fauna e flora. Biodiversidade. Animais morrem às centenas, perdas de habitat, espécies únicas em perigo.
Os danos são irreparáveis. Fala-se em décadas para recuperar o que arde em horas. 

Área ardida o dobro do ano passado e estamos no início da ignominiosa época de incêndios. 
Uma estafada, miserável, desculpa política que que o combustível nunca esteve tão seco como agora. Como se isto não acontecesse ano, após ano. Como se não soubéssemos que para o ano vai ser pior e que no ano seguinte será ainda pior num crescendo infindável. 
Os privados têm de fazer a limpeza dos seus terrenos, mas é nos terrenos do Estado que os grandes incêndios surgem.
Como se os meios não fossem inadequados, insuficientes ou estejam avariados. Planos de vigilância, contingência, emergência e outros que tais não acionados de propósito ou não. Fundos insuficientes. Excepto para passadiços. Prevenção insuficiente, eucaliptos e outros que tais cada vez mais em maior profusão.
Ordenamento território, zero, respeito pela floresta autóctone, zero. Lições aprendidas de anos anteriores, zero.
Entidades a mais, falta de coordenação, extinção da função de guardas florestais.
Somos um país pobre a tornar-nos cada vez mais pobre. Principalmente de espírito.

É triste, é revoltante, é cansativo, doloroso assistir a mais do mesmo. Sofrimento, perdas vida de animais, pessoas e bens. Ano após ano, ano após ano, ano após ano.
Afirma-se que há outros países a passarem pelo mesmo. E depois? Terão esses países décadas de histórico de incêndios e respectivas perdas como o nosso?
Merda de país, merda de autarcas, merda de políticos. Cinismo, inépcia, palavras ocas, incompetência a rodos. Certamente que temos o que merecemos.

Ecoansiedade, sim ela existe. E é séria. E sim, sofro disso.
 






terça-feira, 12 de julho de 2022

mais um ano, mais uma voltinha

Os incêndio recomeçaram em força.
Para variar continuamos a não estar preparados para eles e pior, não nos preparámos para eles com antecedência.

As ondas de calor sucedem-se, a seca é cada vez mais preocupante, já o era em anos anteriores, e a plantação de árvores de crescimento rápido e que dá lucro às industrias da celulose continua ano após ano.
Estudos sobre o que correu mal em anos anteriores, entenda-se Pedrogão, são inúteis por não serem aplicados no terreno. Lições não aprendidas, por muito que se diga o contrário, com tragédias passadas e a criação de comissões sobre tudo e mais alguma coisa relacionadas com o planeamento das nossa florestas são tão incompetentes e inconsequentes quanto os nossos políticos.
A restauração da floresta autóctone é uma miragem e pouco desejada pelas madeireiras, pelas celulósicas e pelo Costa que precisa de dinheiro imediato (e que pretende dar lições aos portugueses sobre fogos na televisão).

Até lá sofrem florestas, bombeiros, populações e os seus ecossistemas.
Mais um ano, mais uma voltinha.










terça-feira, 31 de maio de 2022

incompreensível


Num país que pura e simplesmente quer proibir o direito ao aborto, pela defesa da vida e dos seus direitos fundamentais, em contrapartida, defende com unhas e dentes o direito constitucional da posse de arma.
Aos 18 anos qualquer um pode comprar armas e munições sem que ninguém lhe faça perguntas.

Em 2021 foram registados cerca de 700 tiroteios em escolas. Estes causaram cerca de 1560 mortes de criança e mais de 4100 feridos. Este ano, 2022, já são cerca de duzentos tiroteios com cerca de 650 mortes de menores e praticamente 1600 feridos.
O tiroteio deste mês em Uvalde matou 21 pessoas. 19 alunos e duas professoras.
O loby das armas (NRA) defende que em vez de aumentar o controlo de aquisição de armas, devem ser instalados detectores de metais, e os professores e seguranças andar armados para além que as portas das escolas devem estar... fechadas!
Nos Estados Unidos, a defesa vida mede-se pelo valor das armas.

Este cartoon espelha a realidade das casas americanas. Onde o acesso às armas é mais fácil que o acesso à cultura. Quem já lidou com o americano médio sabe que estes conseguem ser culturalmente nulos.
Preciso não esquecer que mais de 10% dos norte-americanos pensa que o leite com chocolate vem das vacas castanhas... Sim, isto é mesmo verdade.

Trump - o tal que recomendou beber lixívia para combater o Covid 19 - e Ted Cruz, e respectivo séquito incluindo o governador do Texas, Greg Abbott, conseguem fazer parecer portas e botas da tropa inteligentes.








terça-feira, 17 de maio de 2022

Dia Internacional Contra a Homofobia, a Transfobia e Bifobia


Não deixa de ser surpreendente que numa altura em que nunca fomos tão informados como agora, que as vidas são despudoradamente plasmadas nas redes sociais como nunca, numa sociedade que se afirma tolerante, civilizada e aberta à diferença, seja tão, e cada vez mais, necessário invocar um dia como o de hoje: o Dia Internacional contra a Homofobia, a Transfobia e Bifobia.

Como se nos dias que correm ainda tenha que existir uma obrigação, uma imposição, de o ser humano ser normalizado, de ter que perder a sua identidade.
Um maniqueísmo social onde se é preto ou branco, ou és um de nós ou não és, ou és homem ou és mulher, ou és heterossexual ou és algo que não queremos e não permitimos, onde as zonas cinzentas não são compreendidas.

Tempos onde a diferença ainda é assustadora, mete medo e portanto não é aceite.
A diferença, ser fora da caixa, é uma mais avalia, um alargar de horizontes que tão precisamos e continuaremos a precisar. 
Quando todos são iguais, quando todos pensam da mesma maneira, quando todos agem da mesma maneira, algo está profundamente errado. Não há evolução.










quinta-feira, 12 de maio de 2022

temos aquilo que merecemos, que é muito pouco


A opacidade, a falta de respeito e de escrutínio no escândalo vergonhoso da câmara de Setúbal, e do seu presidente André Martins numa autarquia gerida pela CDU (que se mantém caladinha) que colocou a receber refugiados ucranianos nas mãos de russos pro-Kremlin.
O parlamento nacional suportado por uma conveniente maioria absoluta, que descuidadamente o povo portugês concedeu nas últimas eleições legislativas, chumba a audição e o inquérito do Primeiro Ministro para esclarecer quais as suas eventuais responsabilidades. 
O MAI que assobia para o lado, o possivelmente envolvimento do Alto Comissariado das Migrações que assume que foi avisado mas que afirma que não tem protocolos que ninguém sabe exactamente com quem e nem quais são, o CNPD que não se ouve falar e a irrelevância do "papagaio mor do reino", é revoltante.
Entretanto vão-se jogando com vidas desprotegidas e emocionalmente frágeis de refugiados que fugiram de um país selvaticamente invadido pela Rússia e que tem a conivência do partido comunista português (com a ajuda do parlamento socialista), o tal que gere a câmara de Setúbal que tem sido tão "amiga" dos ucranianos que acolheu.
Curiosamente, largos meses depois, ainda nada está decidido sobre o fornecimento de dados activistas anti-Putin por parte da câmara de Lisboa - na altura sob a égide do socialista Fernando Medina, outro amigo do peito de Costa - à Rússia. E alguém acredita que se irá decidir algo??

A nódoa que se chama Cabrita, que é muito amigo do Costa, safou-se das responsabilidades do acidente do carro que seguia em excesso de velocidade quando matou um trabalhador na A6. 
Por acaso o trabalhador atropelado não é amigo do Costa se fosse não teria morrido. 
Mais fácil e inócuo é culpar o motorista da nódoa, que certamente estava a seguir instruções da mesma. 
Na família do trabalhador morto pelo carro que onde nódoa ia é que ninguém pensa.

E agora a Temido num acto de pura epifania considerou que os abortos deviam ser contabilizados na avaliação da performance (com impacto salarial) dos médicos de família. Acredito que a Temido se esqueceu que era uma mulher e que esta decisão tinha impacto na saúde feminina e no direito das mesmas. Preferiu a penalização ao invés de apostar na melhoria do planeamento familiar. De qualquer forma, já retrocedeu na posição depois de toda a gente ter-lhe caído em cima. Menos mal.
Também num acto de raro iluminista decidiu que era tempo de acabar com a gratuidade dos testes covid nas farmácias. Numa altura em que se desenha a sexta vaga, e a obrigatoriedade das máscaras em espaços fechados cessou, esta foi uma decisão que revela um elevado sentido de oportunidade e de discernimento por parte da diligente ministra.

Sem esquecer a questão dos custos das energias, da forma como o governo lidou com o autovoucher (um absurdo político) e o patético pouco esforço em fazer baixar a factura dos combustíveis no bolso da população, com confusões com ISP, ASAE, gasolineiras, termos que olhar para facturas e outros que tais.

Isabel Meireles, antiga vice-presidente do PSD, na noite desastrosa noite eleitoral das legislativas, disse que “o povo português falhou, que preferiram acreditar na falácia da mentira do Doutor António Costa.” Acreditava igualmente que as promessas eleitorais do Costa nunca se iriam concretizar. Apesar de serem sábias e óbvias palavras, elas vêem de alguém cujo partido que não soube ser capaz de fazer melhor que o PS.
Mesmo na altura das eleições em que já era tão necessário que houvesse bom senso, diálogos e escrutínio público, nós fomos dar poderes absolutistas a primeiro ministro chico esperto.
Temos aquilo que merecemos, que é muito pouco.




sexta-feira, 29 de abril de 2022

o PCP em poucas e simples palavras


Tentarei resumir como vejo a posição do PCP relativamente a todas as questões que envolvem a Ucrânia e a sua invasão em palavras simples.

A primeira palavra que me ocorre no imediato é abjecta.
Depois é subserviência. À Rússia, claro. Há quem fale o nome correcto mais correcto seria... PZP.
Penso agora em cristalizado. No passado, no tempo, na ideologia. Vive ainda nos tempos de Estaline, Lenine e de outras personalidades macabras da história russa e soviética, incluindo o actual facínora Putin.
Uma outra palavra que definitivamente não se aplica ao PCP: Decência. Completa ausência. Nem um pingo dela.
Extinção ou próximo disso. É o que muitos antevêem ao PCP em quaisquer eleições a que se apresente a partir de agora.
Finalmente a última palavra, aquela que actualmente sinto pelo PCP: inqualificável.






sexta-feira, 15 de abril de 2022

inutilidade I


O cinismo e inutilidade de uma NATO manietada, a completa inutilidade da ONU (para que serve?) e a quase inutilidade da UE.
Ou como as palavras, as sanções à Rússia e as visitas a Kiev são ocas e essencialmente uma masturbação mental para consumo próprio e fraca consolação de consciências que espero durmam mal à noite.

Entretanto a Ucrânia, sozinha, retarda bravamente, aquilo que que parece inevitável no médio prazo: perda de soberania e de território.
De caminho, a Europa nunca mais estará segura, terá uma paz na corda bamba e a inquietação será um estado permanente no ocidente.










sábado, 5 de março de 2022

NATO, para que serves?


A covardia de a NATO não querer apoiar a Ucrânia sairá bem mais caro que do que não o fazer.
Estará sempre em posição mais fraca que a Rússia. Estará sempre manietada e refém. Chantageada. Esta poderá fazer o que quiser sempre quiser e de uma forma quase incólume. A NATO será uma organização inútil e amorfa.

Perderemos a paz de qualquer forma. Viveremos permanentemente sobressaltados. A economia sairá sempre muito por baixo, afectará todos os povos europeus sem excepção, incluindo Estados Unidos.
A Rússia já impõe a sua vontade sobre outros países soberanos e independentes como a Finlândia e Suécia. 
Terá a NATO a coragem de acolher, de aceitar um potencial pedido de entrada destes dois países?
Melhor, será que a Rússia autoriza a NATO??

O cinismo da vanglória de bloquear a economia russa através de sanções, de isolar a Rússia em tudo e mais alguma coisa (estamos de acordo!) mas depois, talvez naquilo que mais poderá doer, bloquear o comércio do petróleo e do gás russo não se concretizar porque não interessa causar danos à economia ocidental. Como se esta não estivesse já profundamente afectada. Como se impedisse uma recessão económica generalizada, desemprego, inflação elevadas taxas de juro, tudo que mais tarde ou mais cedo irá acontecer inevitavelmente. Ou que já está a acontecer.

Durante décadas dormimos com o inimigo, convivemos com um déspota e deixámos que um ditador instável e imprevisível entrasse na nossa economia e que nos tornasse dependentes dele. Agora acordámos para a vida, e em vez de nos mexermos rapidamente e a uma só voz e vontade, andamos a espreguiçarmos lentamente, a perguntar ainda o que se está a passar, tentando trazer a besta até à nossa porta quando ela já entrou em nossa casa.

Salvar-se-ão vidas certamente por não se enfrentar a Rússia ou apoiar activamente a Ucrânia, perder-se-ão outras. Perder-se-á a dignidade humana e outros valores que o ocidente tanto gosta de apregoar e se considera paladino: paz, democracia, liberdade de expressão, liberdade de imprensa, liberdade de circulação, tolerância religiosa, etc..., etc...

Não apoiamos abertamente a Ucrânia, abandonado-a e mantendo-a sozinha, para não provocarmos a Rússia, mas a partir do dia 24 de Fevereiro, viveremos na sua escura e inquieta sombra. E isto vai sair-nos caro. Inevitavelmente seremos arrastados para uma espessa lama quando a Ucrânia já não for capaz de enfrentar o alienado do Putin.

Que raiva, NATO!!! 😠