Mostrar mensagens com a etiqueta ciência e tecnologia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ciência e tecnologia. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

o som do campo magnético da Terra (ESA Swarm)



Swarm é uma missão, composta por três satélites, da ESA (European Space Agency), que tem por objectivo estudar o campo magnético da Terra.
Nomeadamente a sua intensidade, direcção e variação geográfica ao longo do tempo ao mesmo tempo que investiga como este é criado no núcleo da Terra. Adicionalmente recolhe igualmente informação sobre o que se acredita que esteja em curso actualmente: uma inversão dos polos magnéticos. De que forma esta inversão pode alterar a geometria do campo magnético, a sua distribuição, impacto sobre os equipamentos de navegação e localização, animais que se orientam com base no magnetismo terrestre e até como pode afectar a exposição à radiação em quem está no espaço ou viaja em aviões.

Ao longo deste tempo a ESA tratou os dados obtidos pelos três satélites e traduziu-os em sons.
Apesar de o som não ser o mas tranquilo ou sereno, mas longe de ser assustador, o facto é que sem este campo magnético, sem este som, a vida não seria possível. É portanto um som muito protector.
É ele que bloqueia e suaviza a intensidade de raios gama, ultravioleta, partículas altamente energéticas do vento solar e protege a nossa atmosfera da erosão que todas elas podiam provocar. É o que poderá ter acontecido com Marte que tem um campo magnético muito fraco e portanto ineficaz.
E é ele também que causa um dos espectáculos mais belos que o nosso planeta tem para oferecer aos nossos olhos: as auroras boreais (próximas do Polo Norte) e as austrais (próximas do Polo Sul). É quando o campo magnético deflecte as partículas eléctricas emanadas pelo Sol.

O campo magnético, a magnetosfera, é criada pelo núcleo interno metálico (ferro e níquel em estado sólido) da Terra envolvido por uma núcleo externo igualmente de ferro e níquel mas em estado líquido.
Por o núcleo interno girar a uma velocidade superior à rotação da Terra, por este estar rodeado por um fluido, esta diferença origina o campo magnético da Terra.






Aqui podem ouvir o som de um buraco negro










quinta-feira, 25 de agosto de 2022

o som de um buraco negro (NASA)


A NASA há poucos dias mostrou ao mundo o som de um buraco negro.

Há quem diga que é assustador, que é o som de milhões de almas a gritarem no inferno, o encontrar o bicho-papão debaixo da cama ou ainda o som de fantasmas a assombrarem-nos. 
Pessoalmente, considero poesia. É o Universo a falar connosco e nós termos a capacidade de o escutar.
Em breve seremos capazes de perceber o que ele nos diz. E nessa altura vamos compreender um pouco melhor uma das forças mais poderosas, mais misteriosas, mais nos atrai e fascina do Universo: um buraco negro.

O som que se ouve representa o estertor da matéria a ser esmagada e aquecida de uma forma que vai para além da nossa compreensão. Resulta de uma amplificação e de tratamento de dados para que resulte algo reconhecível para nós. O som original é demasiado baixo para poder ser ouvido, daí a necessidade de o amplificar.

Sabe-se desde há mito tempo que o som não se propaga no vazio. A pergunta será então foi possível captar este som? A NASA explicou na nota que acompanhou esta divulgação que nestas zonas há uma elevada concentração de poeiras e gases fornecendo portanto um meio para a propagação do som e logo para este em particular.

Um buraco negro representa o resultado final do colapso de uma estrela, quando morre, com uma massa que vai de algumas dezenas a mais de mil milhões vezes a massa do nosso sol. Quando a estrela colapsa sobre ela própria, a massa final é tal maneira grande e densa que nem a luz consegue escapar à sua gravidade. Estamos então na presença de um buraco negro.
Este, localiza-se no centro do aglomerado de galáxia de Perseus a 250 milhões de anos luz de nós - imagem que ilustra este post.

Para os mais curiosos a massa do Sol (massa solar) é qualquer coisa como 2×1030kg ou seja, é um dois seguido de trinta zeros alinhados - 2000000000000000000000000000000 kg.
Dividindo este numero por mil terão a conversão em toneladas - 2000000000000000000000000000 ton.
É um dois seguido de vinte sete zeros.

E para percebermos (que não somos) o que significa a distância da Terra ao buraco negro que podemos ouvir, a coisa fica extraordinariamente mais difícil.
A luz percorre no vácuo cerca de 300 000 quilómetros por segundo.
Convertendo um segundo-luz para um ano-luz, o valor obtido é 9.460.800.000.000. Ou seja, é 9 biliões 460 mil milhões e 800 milhões de quilómetros percorridos percorridos pela num ano. É um número insano.
Mas com esta distância percorrida ainda não chegámos ao buraco negro que fala connosco. Nem de longe, nem de perto. Temos que a multiplicar por 250 milhões de anos-luz Esqueçam! É mesmo muito, muito, muito longe. E a sua luz é mesmo muito, muito, muito antiga.

Entretanto, apreciemos a sua voz. O que tem para nos dizer. E admiremo-lo.









quarta-feira, 6 de abril de 2022

série "vencedores" - Jorge Munoz Torrero


Nos tempos merdosos que se vivem que envergonham e nada abona a humanidade, algo de maravilhoso aconteceu nos nossos vizinhos espanhóis.
Ontem pela primeira vez no mundo, uma criança madrilena de 12 anos, Jorge Munoz Torrero de Madrid, sofrendo paralisia cerebral conseguiu andar pelos seus próprios pés, usando também pela primeira vez no mundo, um exoesqueleto pediátrico da Marsi Bionics.
Não sendo invasivo, este exosqueleto, através de sensores, é capaz de potenciar os movimentos do menino.

Um grande, grande vencedor. Um feito incrível. 😍








quarta-feira, 14 de março de 2018

Stephen Hawking (1942-2018)


A poluição, a ganância e a estupidez são as maiores ameaças ao planeta.

Stephen Hawking


Stephen Hawking morreu. Arrepiei-me quando soube disto. Existem poucas pessoas no mundo da ciência pela qual tenha uma admiração sem limites, como a que tenho pelo astrofísico britânico.
Quase tudo o que rodeia este cientista é conhecido: a sua história, a sua vida, a sua doença, a sua obra.

Mas o que me faz admirar incondicionalmente Stephen Hawing é a sua genialidade.
A coragem que o fez questionar (factualmente) a existência de Deus, a determinação em explicar o Universo, a sua origem e o seu funcionamento através de Santo Graal da física: a Teoria do Tudo, a junção da teoria da gravidade com a teoria da mecânica quântica.
Que mostrou que ao contrário do que se pensava, que um buraco negro para além de esmagar irremediavelmente, de atrair para si tudo o que está na sua área de influência, é capaz de fazer o impossível: gerar partículas e radiação.

Um homem que conseguiu colocar por palavras aquilo que o pensamento empírico não consegue imaginar: a Breve a História do Tempo é um dos livros de ciência mais comprados de sempre.
Não sei se será o mais lido, mas garantidamente que não será o mais compreendido.
A propósito

Nas datas de nascimento e morte, Stephen Hawking foi igualmente grandioso.
Nasceu a 8 de Janeiro de 1942 exactamente 300 anos depois da morte de Galileu e morreu no mesmo dia em que Albert Einstein nasceu (14 de Março 1879).
Para além que o dia de 14 de Março é conhecido, e celebrado, como o dia do PI. Pela notação americana da data, 03.14 (Março, 14) este número representa o valor mais conhecido do PI com duas casas decimais- 3.14.
O que para um matemático e físico não deixa de ser um dia simbolicamente especial.

Uma das imagens de marca do astrofísico é estar sentado numa cadeira de rodas, para onde a doença Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), detectada quando tinha apenas 21 anos, o atirou de vez para uma cadeira, que equipada com um computador, que lhe sintetizava a voz ao ler o movimento do seu olhar por um teclado.
Fujo intencionalmente a esta imagem clássica e dolorosa.
Gosto particularmente do momento em que Stephen Hawking experimentou a gravidade zero, em Abril de 2007: tem um sorriso do tamanho do Cosmos. O sorriso de alguém que mais que ter conseguido completar uma teoria complicadíssima, foi o de ter concretizado um sonho.

Como li algures...

Rest in Physics





terça-feira, 5 de setembro de 2017

série "vencedores" - Voyager 1


Faz hoje quarenta anos que a sonda Voyager 1 deixou o nosso planeta para partir à descoberta dos maiores planetas do nosso sistema solar: Júpiter e Saturno.
A ideia era aproveitar um raro alinhamento dos planetas interiores do sistema solar e usar as suas gravidades como fisga para ir saltando de planeta em planeta até chegar ao dois gigantes.

A missão estava planeada para durar cinco anos... já vamos em quarenta e ambas as Voyager (a 2 foi lançada primeiro que a 1, a 20 de Agosto do mesmo ano, 1977) ainda funcionam e fazem chegar os seus sinais à Terra. Devido à distância percorrida por elas, estes sinais chegam à com um atraso de 36 anos!

As duas deixaram os limites do sistema solar, chamada de heliopausa ou heliosfera e entraram no espaço profundo em 2012.
A heliopausa é a zona onde a energia cinética dos fotões solares, radiação solar, é anulada pela energia do espaço sideral.

Em cada uma delas vai um disco de cobre revestido a ouro. Carl Sagan foi o eleito para pensar no seu conteúdo. Foram escolhidas músicas de Bach, Mozart, Beethoven, Chuck Berry, Beatles, folclore, diversos sons da natureza, como vento, trovoadas, água a cair, pássaros. Também sons produzidos pele ser humano foram contemplados: os nossos passos, vozes, risos, choro, beijos, aviões a voar.
Estão incluídas mais de uma centena de fotografias do nosso planeta, saudações em cinquenta e cinco línguas diferentes e diversos discursos de referência.
A riqueza, a diversidade, a informação que estes discos contêm sobre nós, o nosso planeta, as nossas ciências, as artes, conhecimento, é assombrosa.

E também nas duas Voyager, está a mesma mensagem assinada pelo presidente norte-americano em 1977, Jimmy Carter.
Não deixa de ser curioso reparar que nós, habitantes do planeta Terra, há quarenta anos, éramos 40 mil milhões.





quarta-feira, 14 de setembro de 2016

sem eira nem beira



Uma vez disseram-me que de certeza que eu tinha genes dos povos germânicos visigodos ostrogodos (os godos) e na brincadeira ainda acrescentaram que era viking.
Fiquei a pensar nisso. Esta possibilidade atraiu-me fortemente.

Sei que uma percentagem da nossa herança genética, tem origem nos neandartais. Esta percentagem pode oscilar entre 1 a 4%.
Isto é extraordinário. Neandartais e homo sapiens cruzaram-se entre si, partilharam genes com descendentes viáveis, e nós herdamo-lo.
Os caucasianos devem a cor da sua pele a eles. É uma das mais evidentes presenças genéticas oriundas dos neandartais.

Esta mistura sempre me agradou. É como os cães rafeiros ou os gatos de rua. A sua mistura de genes torna-os mais robustos e também mais fascinantes. Olho para eles e consigo imaginar sem dificuldades milhares de gatos a cruzarem-se. Muitos deles provindo de vários países, partilhando várias culturas com os seres humanos. A sua história é longa.
Não foram criados ou aperfeiçoados pelo homem, seleccionados, ou o resultado do capricho e vaidade humana.


Não sei exactamente que genes, para além dos neandartais, me tornam eu, mas espero que sejam variados. Quanto mais variados eles forem, mais fascinante serei geneticamente.
Espero que venham de comunidades antigas, que tenham vadiado por esse mundo fora. Que tenham atravessados planícies geladas, atravessado desertos e subido montanhas para se aventurarem no horizonte que não conseguiam ver. Que tenham pintado cavernas com as suas mãos e ramos de árvores carbonizadas e esculpido totens e amuletos de argila e madeira. Que com os troncos ocos apodrecidos das árvores tenham descoberto que podiam fazer música, comunicar, fazer embarcações e atravessar mares.

Sou um cidadão do mundo. Mas espero, desejo, que a minha genética esteja ancorada em muitos milhares de anos, esteja impregnada de culturas e vivências diferentes, tornando-me mais que num vagabundo do mundo, também do tempo.






quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

série "vencedores" - Sobrinho Simões


O que é um patologista??
É alguém que se dedica ao estuda das doenças, causas, sintomas e como as diagnosticar.

Quem é Sobrinho Simões??
Sobrinho Simões é o actual professor catedrático da FMUP na área de patologia e chefe de serviço, da mesma especialidade, do Hospital de São João,
É o pai do IPATIMUP criado em 1989 - Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto.
Um dos melhores da Europa na área de investigação e diagnóstico do cancro.

Porque está na série "vencedores"??
Porque é absolutamente fantástico que este cientista português tenha sido considerado, o patologista mais influente do mundo!!
Particularmente se tiver sido eleito pelos seus pares, numa lista dos cem melhores patologistas do mundo, numa votação, durante dois meses, levada a cabo por uma das melhores revistas do mundo de patologia: a The Patologist.

E porque ele é tão reconhecido internacionalmente??
Tem um percurso internacional fora de série, para além dos prémios, das investigações e descobertas que fez ao longo do tempo no seu ramo e particularmente na área do cancro, Sobrinho Simões está em lugares chave das principais organizações da patologia.
Está presente na Sociedade Europeia de Patologia, do Colégio Europeu de Patologia e da Associação Europeia de Prevenção do Cancro.
Faz parte do Comité Redactorial da Associação de Directores de Patologia Cirúrgica dos E.U.A.
Ganhou os prémios Bordalo, no ano de 1996, Seiva, no ano 2002 e Pessoa, no ano 2002.
Foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique em 2004 e tornado Comendador da Ordem do Mérito Real da Noruega em 2009.

É igualmente considerado, internacionalmente, um formador por excelência de outros patologistas.


Definitivamente... um vencedor!






terça-feira, 24 de novembro de 2015

a avozinha Lucy


Lucy é uma senhora encarquilhadinha, com cerca de 1m de altura, entre os 14 e 15, que talvez pesasse aproximadamente 50 kg anos, pela qual nutro um grande respeito e carinho. Apesar de não o ser, penso nela como a avozinha de todos nós.

Sempre pensei que ela seria um dos motivos que me levaria à Etiópia. E foi.
No ano passado fui visitá-la.ao Museu de História Natural da Etiópia.




Ela é o australopitecos - macaco do sul - mais antigo que se conhece.
Foi descoberta em 1974, faz hoje 41 anos - o doodle da Google, recorda-nos essa data - na Etiópia, na vila Hadar, região de Afar e terá vivido há cerca de 3.2 milhões de anos.
Deu origem à espécie Austrolopitecus Afarensis.
Ao longos dos anos foram sendo descobertos outras espécies que ganharam os nomes de onde foram descobertos ou de quem os descobriu.

Caminhavam erectos, eram bípedes, usavam utensílios, os seus braços era maiores que as pernas, portanto estavam muito adaptados à vida nas árvores e dominaram o planeta durante mais de três milhões de anos.


Eu sei que Lucy pertenceu a um ramo evolutivo, entre vários, que deu num beco sem saída, que foram extintos. O Homem Sapiens, não descende deste ramo. É um ramo independente, com uma evolução distinta, o ramo "homo". Lucy pertence ao ramo "macaca".
Mas quando olhei para ela, silenciosamente, dei por mim a pensar nela enquanto pessoa, que contribuiu para a experiência suprema que daria origem ao Homo Sapiens.

No estado actual, o Homo Sapiens, deixa muito a desejar. Não é lá um grande motivo de orgulho para a evolução...
Se bem que a avozinha Lucy, que deve o seu nome à famosa canção dos Beatles - Lucy in the Sky with Diamonds - e os seus colegas de espécie, deixaram estragos valentes no ambiente, com algumas extinções pelo meio, incluindo eles próprios.







terça-feira, 11 de agosto de 2015

série "vencedores" - Hospital Santa Maria, Miroslava Gonçalves e Ruben Fortes


O que Ruben Fortes passou desde que foi atropelado por um camião há cerca de um ano, consegue ser maior que a lista de crimes do preso 44 de Évora e do Ricardo Salgado juntos.


Foi transferido de urgência do Hospital de Portimão para o Hospital de Santa Maria de helicóptero.
Esteve dois meses em coma induzido, precisou de fazer morfina para suportar as dores, por isso criou dependência, teve que a largar, fez vários excertos de pele, desarticulou a anca esquerda e por causa disso sofreu uma amputação total da perna esquerda.

Isto tudo porque lhe apareceu uma miosite ossificante. Um espécie de toque de Midas mas mais pernicioso.
Em vez de ouro, transforma todos os tecidos, incluindo músculos afectados, em osso.
A única maneira de salavar Ruben era através de um cirurgia.
Quarenta e cinco hospitais internacionais foram contactados para ajudar, nenhum aceitou o caso de Ruben.

O Hospital de Santa Maria resolveu fazê-lo para tentar salvar a vida de Ruben.
A cirurgia durou dez horas. Nela participaram, para além da pediatria, a especialidades de ortopedia, cirurgia plástica, cirurgia vascular, oncologia, hematologia e anestesiologia.
Contra todas as expectativas e probabilidades a cirurgia correu bem.

Todas as equipas do Hospital de Santa Maria, coordenadas por Miroslava Gonçalves, directora de pediatria do Hospital de Santa Maria são vencedores,
Mas Ruben para além de vencedor é também um herói.

De todos Vencedores que por aqui passaram este, creio que este é o único que não se relaciona com desporto, e juntamente com os paraolímpicos é também este que maior admiração tenho.


Ruben Fortes, és um monumental vencedor.


domingo, 9 de agosto de 2015

Hiroshima e Nagasaki - 70 anos do belo horrível


No dia 6 de Agosto de 1945 foi largada a bomba de Hiroshima, três dias depois, a 9 de Agosto de 1945, caia a segunda bomba nuclear em Nagasaki.
Faz nestes dois dias de 2015 setenta anos que o Estados Unidos se tornaram tristemente, o único país no mundo a largar bombas atómicas sobre um país.

O número de mortes, mais de duzentos mil entre os que morreram directamente devido explosão das bombas e os morreram como consequência dos ferimentos e radiação que se depositou no solo e infraestruturas.


Independentemente dos infames argumentos que foram invocados pelos americanos para fazerem detonar a bomba atómica - eu sou dos que pensam que foi um genocídio e logo um crime contra a humanidade - há algo extremamente perturbante do meu ponto de vista nesta bomba. Ela é bela.


O deflagrar do cogumelo atómico é algo de extraordinariamente elegante e belo.
A forma do cogumelo, a altitude que alcança - a bomba de Nagasaki atingiu os 18 quilómetros de altura e era mais fraca que a de Hiroshima - o calor que gera é mais quente que a superfície do sol, a inacreditável luminosidade, as suas cores, a velocidade das ondas de compressão tremendas que são libertadas, são de uma beleza horrível, fúnebre, porque causam devastação, caos, morte, destruição, mas ao mesmo tempo não deixam de ser belas.

E o que mais impressiona é a monstruosa energia libertada por algo tão minúsculo com um átomo a quebrar e a sua posterior reacção em cadeia.

Não coloco imagens do horror de Hiroshima ou Nagasaki, são por demais conhecidas, mas sim, o quanto belo pode ser o horrível.

A fotografia é da bomba de Nagasaki, o vídeo é do detonar da bomba nuclear mais poderosa de sempre, a soviética Tsar bomb.





sexta-feira, 20 de março de 2015

eclipsa-te Privamera


Não consigo deixar de pensar nisto. A Primavera começa hoje com um eclipse solar, que em Portugal, pode atingir os 70%.
Que melhora maneira há de celebrar a Primavera, uma antecâmara do verão, quase sem sol??
Só um eclipse solar a 100%.

O que é um eclipse solar?
É quando os diâmetros aparentes do Sol e da Lua coincidem através da distância do Sol relativamente à Lua e a distância desta relativamente à Terra.
Um eclipse solar total é a sombra projectada da lua na Terra quando iluminada pelo sol, nas condições do parágrafo anterior.
Uma vingança da minúscula Lua sobre um poderoso Sol que ocorre sensivelmente de dez em dez anos.

Ele vai ser visível em Portugal entre as 08.00h e 10.00h devendo atingir o máximo de obscuridade volta das 09.00h.

Atenção! Nunca olhar directamente para o Sol com os olhos descobertos ou até mesmo com óculos de sol. As lesões nos olhos podem ser graves e irreversíveis.




sábado, 25 de agosto de 2012

Neil Armstrong



That's one smal step for man, one giant leap for mankind




Neil Armstrong o primeiro homem a pisar a Lua, morreu hoje com 82 anos vítima de complicações cardíacas após a colocação de um bypass.

Nascido a 5 de Agosto de 1930, Neil Armstrong sabia o que queria, voar. Estudou engenharia aeroespacial, em 1949 era aviador da marinha, participou na guerra da Coreia como piloto de caça. onde ganharia várias condecorações.
Após a guerra tornou-se piloto de testes e ensaios de vários aviões e protótipos experimentais.

Tornou-se astronauta pela NASA em 1962 e em Dezembro de 1968 foi-lhe oferecida a hipótese de se tornar comandante da missão Apolo 11.

E foi assim que se tornaria uma lenda e faria parte da História quando a 20 de Julho de 1969, Neil Armstrong com trinta e oito anos, foi o primeiro homem a pisar solo lunar.

Talvez agora definitivamente livre da gravidade terrestre que certamente lhe limitava e prendia os movimentos, mas não o seu espírito, Neil Armstrong nos pisque um olho ou nos diga adeus da Lua, ou de outro ponto qualquer do universo.





sexta-feira, 6 de julho de 2012

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Higgs e o seu bosão





Se pegarmos em qualquer coisa à nossa frente e começarmos a dividi-la em pedaços cada vez mais pequenos, chegaremos a um ponto em que deixamos de ter matéria para passarmos a ter os seus constituintes.
E na essência encontraremos três: protão, neutrão e electrão.

Se tentarmos por sua vez dividirmos estes três constituintes, descobriremos que não conseguimos "partir" mais o electrão e por isso chama-se uma partícula elementar.
Por sua vez, o protão e neutrão podem de novo voltar a ser partidos e encontraremos uma partícula chamada quark. E a divisão pára por aqui porque ele é uma partícula elementar.

Mas não se encontra só um quark, mas sim, seis quarks com propriedades diferentes entre si.
Entre as quais a mais significativa e também a mais intuitiva e fácil de perceber é a sua massa.

A diferença de massas entre partículas elementares pode ser gigantesca. Um desses seis quarks, pode pesar 350 000 vezes mais que um electrão. E a grande questão que se coloca é: porquê?

Em 1964, Peter Higgs, um físico inglês juntamente com outros físicos, propõe uma solução.
As partículas estão imersas num campo - pensar numa analogia com o mar - que nós não conseguimos ver e a variação da sua massa, varia com a intensidade com que essa partícula interage com esse campo, com esse mar.
Da mesma maneira que uma baleia pesa mais que um arenque quando nada no oceano, ou, um miúdo franzino atravessa uma multidão num concerto dos Metallica mais facilmente que um adulto bem nutrido.
Esse mar, esse campo, ganhou o nome de Campo de Higgs e como a um campo está associada uma partícula, a que foi prevista por Higgs ganhou igualmente o seu nome, Bosão de Higgs.
Será ela a responsável por conferir massa à matéria que nos rodeia. Toda ela. Desde a pulga que vive no pelo do nosso gato que dorme enroscado num cobertor a um crepitante e maciço buraco negro devorador de mundos.

Encontrar e provar a existência do Bosão de Higgs tem sido quase o Santo Graal da física dos últimos 50 anos. A sua descoberta permite compreender e explicar muitos fenómenos associados à gravidade.
Permite também olharmos para os primeiríssimos instantes da origem do universo.

Para que este bosão possa ser observado, é necessário atingir as mesmas altíssimas energias que o universo atingiu imediatamente após o seu nascimento, o evento que ficou conhecido por Big Bang.

Para tal aceleram-se feixes de protões a velocidades muito, muito próximas (qualquer coisa como 99.9999%) da velocidade da luz (aproximadamente 300 000 km/s) provocando depois a sua colisão.
A energia obtida nestas colisões é da mesma ordem de grandeza das energias que estariam presentes no início do Big Bang.

Mas na verdade não se consegue observar a sua formação. É tão instável que ele decai de imediato, desintegra-se, antes de poder ser detectado.
Apenas os rastos, os traços, a assinatura que deixa após a sua desintegração é que permite dizer que ele existiu.


Logo após o surgimento do universo, as energias envolvidas eram tão grandes que as quatro grandes forças da natureza, a força nuclear forte e a nuclear fraca, o electromagnetismo e a gravidade estavam unificadas numa única força. Há quem chame a esta força, a Superforça.
À medida que o tempo passava e as temperaturas foram baixando, estas forças separaram-se uma das outras. A última a surgir foi a gravidade.

Das três primeiras forças conhece-se os campos e as respectivas partículas mensageiras, excepto a gravidade.
E é aqui que o Bosão de Higgs entra e adquire a importância que sempre teve desde que foi proposto por Peter Higgs.
Se se provar que se encontrou a partícula mais procurada da história da física, ela vem completar a lacuna que a força gravítica apresenta até ao momento, a prova da existência de um campo gravitacional e de uma partícula a ele associado.

No estado actual do conhecimento da física, existem duas grandes teorias.
Uma que explica como a matéria se comporta ao nível do infinitamente pequeno, a mecânica quântica e a outra que explica o outro extremo da escala, a teoria da relatividade que é na prática uma teoria gravítica.
Unificar estas duas grandes teorias é a grande demanda da física desde os tempos de Einstein.

O anúncio da descoberta de uma partícula com as características do Bosão de Higgs ontem, mas sem a confirmação que era ela, mas se provar vir a ser, poderá conduzir a avanços espectaculares sobre as origens do universo.
Pode ser uma das peças que está em falta para dar mais um passo na direcção da tão desejada unificação da mecânica quântica com a relatividade.


É tentador pensar que será a resposta para tudo e será o fim da física.
Naturalmente que não. Por cada resposta que se obtém, formulam-se novas perguntas e surgem novas dúvidas. Além que há áreas da física às quais a eventual descoberta do Bosão de Higgs não dará resposta.
Compreender a misteriosa matéria escura e avaliar a validade do conceito teórico de supersimetria., está para já fora do âmbito da descoberta da nova partícula.

Mas sem dúvida nenhuma que a comunidade cientifica e os físicos em particular, por estes dias, vivem tempos excitantes e têm as expectativas e a ansiedade em alta.
Provavelmente desde há cinco décadas que não havia nada que agitasse a física de uma maneira tão forte como o anúncio que o CERN fez ontem.


quarta-feira, 14 de março de 2012

dia do Pi


Hoje - ler aqui - celebra-se o mais famoso e conhecido número da matemática, o Pi
O célebre número que define a razão do círculo com o seu diâmetro.

Evidências mostram que este número já era conhecido dos gregos há cerca de dois mil anos atrás.
Existem documentos concretos do valor de Pi encontradas em tabelas mesopotâmicas datadas de 2000 a.C. que apontavam o valor do Pi como sendo igual a 3.
E há historiadores que afirmam que já havia este conhecimento, pelo menos de uma maneira indirecta, ainda mais cedo na história ao recuar a sua origem no Vale do Danúbio há cerca 4000 a.C.

Quanto ao primeiro descobridor rigoroso do nº de Pi, atribui-se ao Hippokrates de Chios em 430 a.C. por intermédio de um comentário feito pelo filósofo Simplicius ao trabalho de Hippokrates. Mas o referido trabalho está perdido no tempo e portanto não há comprovação efectiva desta atribuição.

Assim é atribuído a Euclides, onde demonstra e enuncia no seu tratado de geometria Elementos, o mais antigo documento existente com referencia a Pi, escrito cerca de 300 a.C., a descoberta deste número.


E quanto ao cálculo do nº de casas decimais de Pi?
Para o quotidiano sabe-se que o valor 3.14 é suficiente, se quisermos ir para valores mais exactos, utiliza-se o valor de 3.1416 e para trabalhos realmente avançados em termos de cálculo matemático vai-se para as dez casas decimais, ou seja 3.1415926535.

Actualmente o Pi, usando super computadores, já tem determinadas pouco mais de dez triliões (10.000.000.000.050) de casas decimais (absolutamente inúteis), calculadas em Outubro de 2011 pela dupla Alexander Yee e Shigeru Kondo.

Ler mais aqui




E ainda há quem pense que em inglês - foneticamente as duas palavras soam iguais - o inverso de Pi é... Pie (tarte). 
O que vale é que eles são inocentes  :D




quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Carl Sagan Day


"A ideia de que Deus é um gigante barbudo de pele branca sentado no céu é rídicula. Mas se, com esse conceito, você se referir a um conjunto de leis físicas que regem o Universo, então claramente existe um Deus. Só que ele é emocionalmente frustrante: afinal, não faz muito sentido rezar para a lei da gravidade."
Carl Sagan

"Se não existe vida fora da Terra, então o Universo é um grande desperdício de espaço."
Carl Sagan


Se fosse vivo, o astrónomo norte-americano Carl Sagan faria hoje 77 anos. Comemora-se todos os anos, neste dia o Carl Sagan Day.
Nasceu a 9 de Novembro de 1934 e morre a 20 de Dezembro de 1996, vítima de cancro na medula óssea.

É difícil explicar a importância que Carl Sagan teve e tem em mim e certamente em muitos de nós.
Vejo-o como um professor. Ensinou-me a olhar menos para o chão e mais para o céu e melhor do que isso, ensinou-me a deslumbrar-me com ele, com a sua beleza e com as suas histórias e segredos escondidos.

Carl Sagan mostrou-nos sem margem para dúvidas e da maneira mais elegante possível a nossa verdadeira dimensão no cosmos - um grão de poeira suspenso num raio de sol.
Somos pequenos nas dimensões, mas grandiosos nas conquistas do saber.
Mostrou e demonstrou igualmente um conceito maravilhoso (e absolutamente glorioso) para mim e que está descrito no cartaz que escolhi para ilustrar este post: somos feitos de matéria estelar, somos todos filhos das estrelas.

Pertence a Sagan um dos livros mais importantes na minha vida, Contacto. É um daqueles livros que eu levaria na minha nave se um dia o mundo acabasse e tivesse que escolher os livros que representam o melhor da Humanidade. Escrevi sobre ele aqui a propósito do Dia Mundial do Livro.

É com a série televisiva Cosmos e o respectivo livro que comprei na feira do livro em 1985 me deixei fascinar até hoje pela astronomia.
Com o livro Cometa, comprado de propósito para a passagem do cometa Halley no ano de 1986, ganhei conhecimentos e um grande respeito e admiração por estes viajantes siderais que nos honram com as suas passagens próximas do sol que lhes custa, por cada passagem efectuada um pouco de si próprios.

Cérebro de Broca, Os Dragões do Éden e Ligações Cósmicas, são outros dos seus (grandes) tesouros que estão na minha posse.

Se poderia viver sem Carl Sagan? Poder, podia, mas não seria a mesma coisa.




quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Laika


Diz-se que o cão é o melhor amigo do homem, mas há 54 anos a cadela soviética Laika - cujo nome significa ladrar - uma cadela abandonada nas ruas de Moscovo, ao dar a sua vida pela exploração espacial, mostrava que além do homem, o cão é o melhor amigo da Humanidade.

A 3 de Novembro de 1957, ela subia a bordo do Sputnik 2, tornando-se o primeiro ser vivo a partir para o espaço.
Já se sabia que ela não voltaria viva da sua missão. Estava previsto que ela seria eutanasiada através de ingestão de comida envenenada ou através de uma injecção letal.
No entanto Laika encontraria a sua morte em condições muito mais cruéis. Ela terá morrido de pânico causado pelo stress e de sobreaquecimento por avaria do sistemas térmicos da cápsula, entre 5 a 7 horas depois do lançamento do Sputnik 2.

Foi através de Laika, da violência dos treinos a que foi submetida e das condições da sua morte que se colocou pela primeira vez em causa o tratamento e o uso de animais em condições laboratoriais.

Um agradecimento meu e uma festinha na tua cabeça, Laika. E um biscoito, claro.:)



quinta-feira, 6 de outubro de 2011

"A morte é muito provavelmente a melhor invenção da vida" - Steve Jobs


Se há pessoas que se podem gabar de ter mudado o mundo, Steve Jobs, o fundador e criativo da Apple, está claramente entre elas.
Com a sua morte quase sinto a dúvida se o mundo vai conseguir desenvolver sem ele.
Claro que vai, mas os seus passos serão mais pequenos e hesitantes.

É uma grande dentada na Maçã e na vida de todos os nós.




segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Mas... qual é a cor do Universo??


É fácil ver que a cor do céu é azul, que a noite tem cor preta, que o nosso sangue é vermelho e por aí fora.
Mas... qual é a cor do Universo??

Quando li aqui esta pergunta, intuitivamente liguei a cor preta ao Universo. Afinal todas as imagens que nos chegam do Espaço têm essa cor. Como se o Universo fosse uma gigantesca extensão da nossa noite, um grande manto de veludo negro.

Mas afinal não. O Universo tem um cor própria bem diferente do negro. É uma cor média que resulta de todas as cores das estrelas. É bege.
Um bege clarinho que provavelmente muitos de nós terão nas nossas casas a pintar ou a forrar paredes.
Em inglês ficou com a designação oficial de Cosmic Latte após uma votação entre alguns nomes propostos.

Para cor do Universo até é bonita. É calma, serena e até convida à reflexão o que lhe fica bem, mesmo sabendo que Ele está longe de ser pacífico e que encerra em si algum dos fenómenos mais violentos que alguma vez o Homem virá na sua existência.




Mas para quem quiser perceber um pouco como foi determinado o Cosmic Latte pode ler em inglês aqui, aqui e em alguns comentários colocados no post inicial do astroPT.