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sábado, 23 de dezembro de 2023

uma música para o fim de semana (na véspera de natal) - Christmas Time is Here (Vince Guaraldi)


!965

Estou longe de ser um admirador de canções de Natal apesar de gostar de uma ou duas canções. Nomeadamente Little Drummer Boy e Silent Night.

Mas nada como o jazz para criar as melhores melodias de Natal. Jazz e Natal são duas palavras que usualmente se fundem num pianista norte-americano chamado Vince Guaraldi.
O álbum chama-se A Charlie Brown Christmas e foi lançado há 58 anos, em Dezembro de 1965

O álbum tem o mesmo nome de uma banda desenhada, bem famosa para todos os nós, chamada Peanuts criada por Charles Schulz
Sendo uma das personagens principais, e bem querida, chamada Charlie Brown com o inseparável e não menos famoso beagle Snoopy.







quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Nick Cave, só porque sim




Red Right Hand, do álbum Let Love In, editado em !994
Verdadeiramente nunca há um motivo para explicar porque um determinado tema de Nick Cave mexe connosco ou porque gostamos dele.
É só porque sim. Porque fala connosco. E é isto.

Fica a curiosidade de o título da canção simbolizar o castigo divino, uma ameaça sempre presente, ou até como já sugerido, a mão de Satanás. 
Para quem segue séries poderá reconhecer esta canção em duas que se tornaram de culto: a série, já longínqua no tempo, X-Files de 1993 e outra, bem mais recente, de nome Peaky Blinders.









Take a little walk to the edge of town 
and go across the tracks 
Where the viaduct looms, 
like a bird of doom 
As it shifts and cracks 
Where secrets lie in the border fires, 
in the humming wires 
Hey man, you know 
you're never coming back 
Past the square, past the bridge, 
past the mills, past the stacks 
On a gathering storm comes 
a tall handsome man 
in a dusty black coat with 
a red right hand 

He'll wrap you in his arms, 
tell you that you've been a good boy 
He'll rekindle all the dreams 
it took you a lifetime to destroy 
He'll reach deep into the hole, 
heal your shrinking soul, 
but there won't be a single thing 
that you can do 
He's a god, he's a man, 
he's a ghost, he's a guru 
They're whispering his name 
through this disappearing land 
But hidden in his coat 
is a red right hand 

You don't have no money? 
He'll get you some 
You don't have no car? 
He'll get you one 
You don't have no self-respect, 
you feel like an insect 
Well don't you worry buddy, 
'cause here he comes 
Through the ghettos and the barrio 
and the bowery and the slum 
A shadow is cast wherever he stands 
Stacks of green paper in his
red right hand 

You'll see him in your nightmares, 
you'll see him in your dreams 
He'll appear out of nowhere 
but he ain't what he seems 
You'll see him in your head, 
on the TV screen 
And hey buddy, I'm warning you to turn it off 
He's a ghost, he's a god, 
he's a man, he's a guru 
You're one microscopic cog 
in his catastrophic plan 
Designed and directed by his 
red right hand





terça-feira, 12 de setembro de 2023

uma ida ao baú - I Feel Love (Donna Summer)


!977

Nos finais da década de 60, inícios de 70, dançava-se nas discotecas um ritmo de música muito particular cujo género ganharia o nome precisamente dos locais era dançado: disco music.
Bee gees, Boney M, Chick e Gloria Gaynor, entre inúmeros outros, imperavam nas pistas.

Para muitos Donna Summer, cujo nome verdadeiro era LaDonna Adrian Gaines, era considerada a rainha do disco. Temas como Bad Girls, Hot Stuff, Spring Affair e MacArthur Park eram obrigatórias nas pistas de dança das discotecas.
Pessoalmente, e outro do seus maiores sucessos, se não o maior deles, é I Feel Love que imortaliza Donna Sumer.
Produzido por Pete Bellote e pelo lendário Giorgio Moroder, o tema surge no álbum de 1977, Remember Yesterday. Tornar-se-ia autêntico marco na história do Disco.

A cantora norte-americana nasce no último dia de 1948 e morre a 17 Maio de 2012 com 63 anos. 
Apesar de a causa da sua morte ter sido cancro do pulmão, a artista estava convencida que terá sido por causa das poeiras inaladas nos atentados que derrubaram as torres gémeas de Nova Iorque em 9 de Setembro de 2001 que este terá surgido. Vivia na altura num apartamento situado muito próximo do local.

A sua vida estava longe de ser um glamour. Foi abusada em criança e alvo de violência racista em jovem. Sofrendo de uma depressão, uma relação abusiva e acusando a indústria discográfica de a canibalizar e sexualizar, Donna Summer em 1976 tentou o suicídio num hotel em 1976. Sentia que tinha perdido totalmente o controlo sobre a sua vida. Terá sido a intervenção no último instante por parte de uma das funcionárias do hotel que evitou que a tentativa que concretizasse.

É considerada uma das maiores artistas de sempre da música com um número de vendas de álbuns estimado em 100 milhões.









sexta-feira, 12 de maio de 2023

uma ida ao baú - Robert De Niro's Waiting (Bananarama)


!984


Bananarama foi um trio formado em 1980 três amigas: Sara Dallin, Siobhan Fahey e Keren Woodward.
Elas são mundialmente famosas por terem cantado Venus, mas é outro tema que procuro, e não por acaso, no baú das memórias.

Robert De Niro's Waiting, uma canção editada em 1984, conta o sonho de uma rapariga - provavelmente de Sara Dallin que escreveu a canção - que imagina que o actor norte-americano Robert De Niro é o seu namorado.

Uma curiosidade desta canção é que havia duas possibilidades, dois actores preferidos pelo trio, para o  seu título: Al Pacino e Robert De Niro. Não há dúvidas sobre quem a escolha final recaiu.
Quando Robert De Niro soube que as três inglesas tinham escrito e cantado uma canção sobre ele, este quis conhece-las. O encontro aconteceu num bar em SoHo, Londres.

Agora porquê este tema? Porque o muito admirado actor das Bananarama  anunciou há dois dias que tinha sido pai do seu sétimo filho, neste caso uma filha, aos 79 anos. Ou seja, não esteve para esperar mais tempo. Piada fácil 🙄
A mãe é uma instrutora de artes marciais chamada Tiffany Chen, de 45 anos.





Hopes dashed to the floor
Like shattered teenage dreams
Boys livin' next door
Are never what they seem
Ooh

A walk in the park can become a bad dream
People are starin' and followin' me
This is my only escape from it all
Watchin' a film or a face on the wall

Robert De Niro's waiting
Talking Italian
Robert De Niro's waiting
Talking Italian
Robert De Niro's waiting
Talking Italian (talking Italian)
Robert De Niro's waiting

I don't need a boy
I've got a man of steel
Don't come any closer
I don't wanna feel
Ooh

You're breathing, you're touching, but nothing's for free
I never want this to happen to me
Don't try to change me you're wasting your time
Now I've got somethin' much better in mind

Robert De Niro's waiting
Talking Italian
Robert De Niro's waiting
Talking Italian
Robert De Niro's waiting
Talking Italian (talking Italian)
Robert De Niro's waiting

Talk, talk, talk, talk (talk, talk, talk, talk)
Talking
Ooh
Talk, talk, talk, talk (talk, talk, talk, talk)
Talking
A walk in the park can become a bad dream
People are starin' and followin' me
This is my only escape from it all
Watchin' a film or a face on the wall

Robert De Niro's waiting
Talking Italian (talking Italian)
Robert De Niro's waiting
Talking Italian (Italian)
Robert De Niro's waiting
Talking Italian (talking Italian)
Robert De Niro's waiting
Talking Italian (Italian)

Talking Italian (talking Italian)
Talking Italian (Italian)
Robert De Niro's waiting
Talking Italian (talking Italian)
Robert De Niro's waiting







sábado, 6 de maio de 2023

uma música para o fim de semana - Moonlight Shadows (Mike Oldfield)

!983

Inevitavelmente Moonlight Shadow tinha que estar presente em Uma Música para o Fim de Semana. 
Faz hoje quarenta anos que esta música saiu, preparando a chegada ao mercado do álbum onde ela estava incluída: Crisis.
A voz tão cativante quanto uma lua cheia num límpido céu nocturno é de Maggie Reilley. 

A letra, de uma forma não assumida e romanceada, conta a história da Bess Houdini, a mulher do mágico escapista Harry Houdini, que durante dez anos após a sua morte o tentou contactar.
Ambos tinham combinado um código secreto e entre eles e Houdini disse que se morresse antes de Bess, que esta o tentasse encontrá-lo no após vida.

Independentemente do significado da letra, esta tem um significado obscuro e misterioso, a começar pelo próprio título - Moonlight Shadow.
Contudo a voz de Maggie, com uma subtil sonoridade celta, afasta o tom escurecido da canção e torna-a em algo positivo e vibrante.

De qualquer maneira há quarenta anos, ouvia este tema, este álbum - na verdade quase todos os álbuns de Mike Oldfield - até à exaustão.
Agora a sério. Passaram quarenta anos sobre este álbum?? Pior, sobre mim??


Bom fim de semana 😉🎸





The last that ever she saw him
Carried away by the moonlight shadow
He passed on worried and warning
Carried away by the moonlight shadow

Lost in a riddle that Saturday night
Far away on the other side
He was caught in the middle of a desperate fight
And she couldn't find how to push through

The trees that whisper in the evening
Carried away by the moonlight shadow
Sing a song of sorrow and grieving
Carried away by the moonlight shadow

All she saw was a silhouette of a gun
Far away on the other side
He was shot six times by a man on the run
She couldn't find how to push through

I stay, I pray
See you in heaven far away
I stay and I pray
See you in heaven one day

4 a.m. in the morning
Carried away by the moonlight shadow
As I watched your vision forming
Carried away by the moonlight shadow

Stars move slowly in a silvery night
Far away on the other side
Will you come to talk to me this night
But she couldn't find how to push through

I stay, I pray
See you in heaven far away
I stay, I pray
See you in heaven one day

Caught in the middle of a hundred and five
The night was heavy and the air was alive
She couldn't find how to push through

I stay, I pray
See you in heaven far away
I stay, I pray
See you in heaven one day

I stay, I pray
See you in heaven far away
I stay, I pray
See you in heaven

See you in heaven
See you in heaven
See you in heaven one day






quinta-feira, 13 de abril de 2023

uma ida ao baú - Everywhere (Fleetwood Mac)


!987

O álbum é considerado um dos melhores de sempre da carreira dos Fleetwood Mac. Chama-se Tango in the Night e faz hoje 36 anos que foi editado - 13.04.1987
A voz doce e aveludada, mas bem presente, pertence a Christine McVie que morreu em Novembro do ano passado, marca todo o tema.

Três músicas se destacam deste álbum: Everywhere, Little Lies e Seven Wonders.
Everywhere é a minha preferida e talvez a mais reconhecida e com mais covers da banda formada em Londres.

Duas curiosidades desta canção.
É uma canção de amor escrita e dedicada por McVie ao seu segundo marido na altura, o português Eddy Quintela, o teclista e compositor dos Fleetwood Mac.
Eles estiveram casados entre 1987 e 2003, ano em que se divorciaram. 
A segunda é o clip vídeo deste tema. Ele foi realizado pelo australiano Alex Proyas. Bem conhecido pelos filmes que realizou como O Corvo, Dark City, Deuses do Egipto e Eu, Robot




Can you hear me calling
Out your name?
You know that I'm falling
And I don't know what to say
I'll speak a little louder
I'll even shout
You know that I'm proud
And I can't get the words out

Oh, I
I want to be with you everywhere
Oh, I
I want to be with you everywhere
(Wanna be with you everywhere)

Something's happening
Happening to me
My friends say I'm acting peculiarly
Come on, baby
We better make a start
You better make it soon
Before you break my heart

Oh, I
I want to be with you everywhere
Oh, I
I want to be with you everywhere
(Wanna be with you everywhere)

Can you hear me calling
Out your name?
You know that I'm falling
And I don't know what to say
Come along, baby
We better make a start
You better make it soon
Before you break my heart

Oh, I
I want to be with you everywhere
Oh, I
I want to be with you everywhere
Oh, I
I want to be with you everywhere
Oh, I
I want to be with you everywhere
(Wanna be with you everywhere)





terça-feira, 24 de janeiro de 2023

uma ida ao baú - Hotel California (Eagles)


!976

Os solos das guitarras, a letra misteriosa e sombria, a bateria, a voz de Don Heley. Tudo em Hotel California bate certo, é perfeito. Nada está está a mais. Podemos pensar que é uma canção "feita por Deus". Mas não é. Felizmente, não é.

A letra é dubia, obscura, joga com as sombras dos significados, dá azo a variadas questões e a interpretações. Acredito que por isso, seja uma das letras mais fascinantes que podemos ouvir desde 1976, ano em que foi lançada no álbum Hotel California.

Sou dos que alinham que a letra aborda uma instituição mental, uma das hipóteses colocadas. Tem tudo para essa interpretação. 
A campainha que toca, a dúvida entre o Céu e o Paraíso, a mulher que à entrada mostra o caminho com uma vela, as vozes que se ouvem ao longo do corredor, a forma como o Hotel Califórnia é apresentado e descrito. O facto de ninguém conseguir sair do Hotel, hóspedes que são prisioneiros. Uma insituição onde uma vez entrando, já não se sai mais.
Os Eagles, quando questionados sobre a validade desta interpretação sempre afirmaram que não se inspiraram em nenhuma instituição mental.

Mas que se referem ao hedonismo e a busca do prazer, o vício do álcool e da droga, do dinheiro e fama.
Um autêntico círculo vicioso de excessos e prazer em que uma vez entrando já não se sai.

Pessoalmente, sabendo que não é esta a interpretação da banda, vejo-a sempre como uma metáfora, uma abordagem às instituições mentais e ao pesadelo, físico, mental e social, de quem as sofre.

Como iniciei este post, se a ubiquidade da letra traz consigo um fascínio a este tema que está a caminho de celebrar os cinquenta anos, reduzi-la apenas à letra é quase criminoso. Repito, tudo nesta canção é perfeito.






On a dark desert highway
Cool wind in my hair
Warm smell of colitas
Rising up through the air
Up ahead in the distance
I saw a shimmering light
My head grew heavy and my sight grew dim
I had to stop for the night

There she stood in the doorway
I heard the mission bell
And I was thinking to myself
"This could be Heaven or this could be Hell"
Then she lit up a candle
And she showed me the way
There were voices down the corridor
I thought I heard them say

Welcome to the Hotel California
Such a lovely place (such a lovely place)
Such a lovely face
Plenty of room at the Hotel California
Any time of year (any time of year)
You can find it here

Her mind is Tiffany-twisted
She got the Mercedes Benz
She got a lot of pretty, pretty boys
That she calls friends
How they dance in the courtyard
Sweet summer sweat
Some dance to remember
Some dance to forget

So I called up the Captain
"Please bring me my wine"
He said, 'We haven't had that spirit here
Since 1969"
And still those voices are calling from far away
Wake you up in the middle of the night
Just to hear them say

Welcome to the Hotel California
Such a lovely place (such a lovely place)
Such a lovely face
They livin' it up at the Hotel California
What a nice surprise (what a nice surprise)
Bring your alibis

Mirrors on the ceiling
The pink champagne on ice
And she said, 'We are all just prisoners here
Of our own device"
And in the master's chambers
They gathered for the feast
They stab it with their steely knives
But they just can't kill the beast

Last thing I remember, I was
Running for the door
I had to find the passage back
To the place I was before
"Relax" said the night man
"We are programmed to receive
You can check out any time you like
But you can never leave"











quarta-feira, 30 de novembro de 2022

uma ida ao baú - Everybody Wants to Rule the World (Tears for Fears)


!985

Há dois factos curiosos com esta música.
O primeiro envolve o título e a respectiva letra. 
Foi uma alteração de última hora ao que estava pensado.  O alinhamento do álbum já estava decidido quando Everybody Wants to go to War foi acrescentado. Uma decisão politicamente mais correcta. A letra descreve a grande vontade, a ganância e desejo que o homem tem pelo poder e pelo controlo do mesmo.

O outro facto é que a canção foi abordada numa mesa de restaurante durante a Guerra Fria numa altura em que os Estados Unidos e a União Soviética se digladiavam pela intimidação, pela corrida ao armamento e pela superioridade tecnológica a todos os níveis. Que dado os dias que correm em que as relações Estados Unidos/ Rússia, Estados Unidos/ Coreia do Norte e Estados Unidos/ China andam de novo nas ruas da amargura fazia todo o sentido que esta canção voltasse para cima da mesma mesa de restaurante.

Este tema surge no álbum Songs From Big Chair que tem por sua vez um outro tema que gosto imenso e bastante conhecido que arrasou nas playlists da rádio e na MTV: Shout.
Fiquei indeciso sobgre qual canção trazer ao de cima do baú das memórias mas Everybody Wants to Rule the World é tão icónica desta banda inglesa formada em 1981 que a escolhi para trazer para a luz do dia. Se bem que esta canção, trinte e sete anos depois do seu lançamento, nunca chegou a ficar esquecida quer das rádios, quer mais jovens e principalmente dos menos jovens. 
Shout, a canção que abre o álbum, fica para outra oportunidade.

Os fãs de Hunger Games certamente repararão que este tema surge na sequela 2, Em Chamas.






Welcome to your life There's no turning back Even while we sleep We will find you Acting on your best behaviour Turn your back on mother nature Everybody wants to rule the world It's my own design It's my own remorse Help me to decide Help me make the most Of freedom and of pleasure Nothing ever lasts forever Everybody wants to rule the world There's a room where the light won't find you Holding hands while the walls come tumbling down When they do I'll be right behind you So glad we've almost made it So sad they had to fade it Everybody wants to rule the world I can't stand this indecision Married with a lack of vision Everybody wants to rule the world Say that you'll never never never never need it One headline why believe it? Everybody wants to rule the world All for freedom and for pleasure Nothing ever lasts forever Everybody wants to rule the world







quinta-feira, 3 de novembro de 2022

uma ida ao baú - Aquarela (Toquinho)


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Aquarela de Toquinho de 1983. Uma das minhas música preferidas de sempre da MPB.

É de uma ternura imensa. Remete para os tempos em que éramos felizes e não sabíamos.
Crianças sendo crianças, onde o mundo pode ser descrito por linhas simples e cores soltas e descontraídas, onde as formas do mundo são descritas por linhas e curvas.
Uma altura, uma idade, uma inocência, em que a imaginação é mais importante e real que a própria realidade. Onde para viajar era apenas necessário um conjunto de lápis de cor, uma folha de papel branca, um banco de madeira e uma simples mesa de madeira.

A canção foi uma criação dos músicos Toquinho (António Pecci Filho) e Maurizio Fabrizio. O primeiro brasileiro, o segundo italiano. A canção teve duas versões com letras dos respectivos países e em ambos o sucesso foi aconteceu mais rapidamente que um pau de fósforo a arder.

A entrada da canção, os primeiros versos agarram-nos logo da mesma forma que o algodão doce se agarra aos nossos lábios quando nos aproximamos daquela nuvem feita de fiapos entrelaçados de açúcar.

Tão bonita esta canção.





Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo
Com o lápis em torno da mão
E me dou uma luva
E se faço chover
Com dois riscos tenho um guarda-chuva

Se um pinguinho de tinta
Cai num pedacinho azul do papel
Num instante imagino
Uma linda gaivota a voar no céu

Vai voando
Contornando a imensa curva, norte, sul
Vou com ela viajando
Havaí, Pequim ou Istambul
Pinto um barco à vela branco, navegando
É tanto céu e mar num beijo azul

Entre as nuvens vem surgindo
Um lindo avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo
Com suas luzes a piscar

Basta imaginar e ele está partindo
Sereno indo
E se a gente quiser
Ele vai pousar

Numa folha qualquer
Eu desenho um navio de partida
Com alguns bons amigos
Bebendo de bem com a vida

De uma América a outra
Eu consigo passar num segundo
Giro um simples compasso
E num círculo eu faço o mundo

Um menino caminha
E caminhando chega num muro
E ali logo em frente
A esperar pela gente o futuro está

E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença, muda a nossa vida
E depois convida a rir ou chorar

Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar

Vamos todos numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim descolorirá

Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo (que descolorirá)
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo (que descolorirá)
Giro um simples compasso
E num círculo eu faço o mundo (que descolorirá)






terça-feira, 13 de setembro de 2022

uma ida ao baú - Addicted to Love (Robert Palmer)


!986

O que terá mais marcado este tema, tão típico do pop da década de 80, terá sido talvez a sensualidade e o glamour dos(as)s músicos(as) que o acompanham.
Vestidas de uma forma sóbria mas sofisticada, tendo em atenção o "dress code" em vigor na música desta década, mas no entanto visualmente marcantes, as acompanhantes têm claramente o protagonismo do vídeo. Nessa altura a MTV, recente e que ainda cumpria o desígnio para o qual foi criada, ajudou a popularizar. 

Recordo-me, ainda hoje, de ouvir esta canção na rádio e mesmo assim "vê-las" a tocar mentalmente.
Na net consta o nome das intervenientes da formação:  Julie Pankhurst (keyboard), Patty Kelly (guitar), Mak Gilchrist (bass guitar), Julia Bolino (guitar), and Kathy Davies (drums).

Para além de Addicted to Love, o cantor tem vário temas que marcaram a sua carreira e a década de 80: Simply Irresistible, Some Like it Hot e o lendário tema, de 1979, chamado Bad Case Loving You (Doctor, Doctor)

Robert Palmer morreu em 2003 de ataque de coração. 
Addicted to Love consta do seu álbum Riptide.





The lights are on, but you're not home
Your mind is not your own
Your heart sweats, your body shakes
Another kiss is what it takes
You can't sleep, you can't eat
There's no doubt, you're in deep
Your throat is tight, you can't breathe
Another kiss is all you need

Whoa, you like to think that you're immune to the stuff, oh yeah
It's closer to the truth to say you can't get enough
You know you're gonna have to face it, you're addicted to love

You see the signs, but you can't read
You're running at a different speed
Your heart beats in double time
Another kiss and you'll be mine
A one-track mind, you can't be saved
Oblivion is all you crave
If there's some left for you
You don't mind if you do

Whoa, you like to think that you're immune to the stuff, oh yeah
It's closer to the truth to say you can't get enough
You know you're gonna have to face it, you're addicted to love

Might as well face it, you're addicted to love
Might as well face it, you're addicted to love
Might as well face it, you're addicted to love
Might as well face it, you're addicted to love
Might as well face it, you're addicted to love
Might as well face it, you're addicted to love
Might as well face it, you're addicted to love
Might as well face it, you're addicted to love

You're addicted to love
You're addicted to love
Might as well face it, you're addicted to love
Might as well face it, you're addicted to love
Might as well face it
Might as well face it
Might as well face it
Might as well face it, you're addicted to love
Might as well face it, you're addicted to love

The lights are on, but you're not home
Your will is not your own
Your heart sweats, your teeth grind
Another kiss and you'll be mine

Whoa, you like to think that you're immune to the stuff, oh yeah
It's closer to the truth to say you can't get enough
You know you're gonna have to face it, you're addicted to love

Might as well face it, you're addicted to love
Might as well face it, you're addicted to love
Might as well face it, you're addicted to love
Might as well face it, you're addicted to love
Might as well face it, you're addicted to love
Might as well face it, you're addicted to love
Might as well face it, you're addicted to love
Might as well face it, you're addicted to love

Might as well face it
Might as well face it, you're addicted to love
Might as well face it
Might as well face it
Might as well face it
Might as well face it, you're addicted to love
Might as well face it, you're addicted to love
Might as well face it, you're addicted to love





terça-feira, 23 de agosto de 2022

uma ida ao baú - Come On Eileen (Dexys Midnight Runners)


!982

Para quem cresceu nos anos 80, Come On Eileen, dos ingleses Dexys Midnight Runners, é um tema incontornável.
Em Junho deste ano fez 40 anos de edição. O álbum era o Too Rye Ay.

Os Dexys formam-se em 1978 pela mão do seu mentor, Kevin Rowland. Apesar de o seu passado estar alicerçado no punk, o conjunto tinha um largo pendor para a soul, pop e música celta.
Com uma vida algo atribulada ao longo da sua vida, muito por causa da personalidade do seu fundador e da "visão" que tinha para a sua banda, a formação foi sendo alterada frequentemente nos seus membros e nos instrumento utilizados. 
Para Too Rye Ay a adição de três violinistas fez com que os sopros da banda se sentissem diminuídos na sua força da formação. Entre saídas e o adiamento de outras saídas, Kevin conseguiu produzir o seu melhor e mais conhecido álbum.
A banda desfaz-se em 1987.

Uma característica marcante dos Dexys Midnight Runners são os seus visuais, parte integrantes da visão do fundador. Vestiam-se iguais entre si, mas variando ao longo do tempo e dos álbuns.
Última nota. Dexys?? Abreviatura da droga dexedrine que em finais da década da década de 70 bombava entre o pessoal da noite e discotecas para obter energia ao longo das noites de dança, o que lança a luz para o resto do nome.




Come on, Eileen
Come on, Eileen

Poor old Johnnie Ray
Sounded sad upon the radio
Moved a million hearts in mono
Our mothers cried
Sang along, who'd blame them?

You've grown (you're grown up)
So grown (so grown up)
Now I must say more than ever
(Come on, Eileen)
Too-ra-loo-ra
Too-ra-loo-rye-ay
And we can sing just like our fathers

Come on, Eileen
Oh, I swear (what he means)
At this moment
You mean everything
You in that dress
My thoughts, I confess
Verge on dirty
Ah, come on, Eileen

Come on, Eileen
These people 'round here
Were beaten down, eyes sunk in smoke-dried face
They're so resigned to what their fate is
But not us (no never)
But not us (not ever)
We are far too young and clever
(Remember)
Too-ra-loo-ra
Too-ra-loo-rye-ay
And you'll hum this tune forever

Come on, Eileen
Oh, I swear (what he means)
Ah, come on, let's
Take off everything
That pretty red dress
Eileen (tell him yes)
Ah, come on, let's
Ah, come on, Eileen, please
That pretty red dress
Eileen (tell him yes)
Ah, come on, let's
Ah, come on, Eileen, please

Now you're full grown (too-ra)
And now you have shown (too-ra, ta-loo-ra)
Oh, Eileen
Said, come on, Eileen (come on, Eileen) (you've grown)
These things they are real and I know (ta-loo-rye-ay) (so grown)
How you feel (come on, Eileen, ta-loo-rye-ay)
Now I must say more than ever (too-ra, ta-loo-ra)
Things 'round here have changed
I said, too-ra-loo-ra (come on, Eileen, ta-loo-rye-ay)
Too-ra-loo-rye-ay (come on, Eileen, ta-loo-rye-ay)
(Too-ra, ta-loo-ra)

Come on, Eileen
Oh, I swear (what he means)
At this moment
You mean everything
You in that dress
My thoughts, I confess
Verge on dirty
Ah, come on, Eileen
Come on, Eileen
Oh, I swear (what he means)
At this moment
You mean everything
In that dress
Oh, my thoughts I confess
Well, they're dirty
Come on, Eileen
Come on, Eileen
Whoa (what he means)
Whoa

Ah, come on, Eileen
Oh, believe me
If all those endearing young chums
That I gaze on so fondly today
Were to suddenly leave you, oh fly in the night
Just like fairy gifts gone in the sky




terça-feira, 5 de julho de 2022

uma ida ao baú - La Mer (Chantal Chamberland)


Desta vez não tive que vasculhar fundo no meu baú das memórias musicais.
Chantal Chamberland é canadiana francófona nascida no ano de 1965, em Montreal.
La Mer (O Mar) é o seu tema de carreira, aquele que faz levar o seu nome bem alto nos  ouvidos do grande público.
De voz doce, macia e afectuosa, esta canção de sonoridade jazzística embala-nos de imediato.
Tem, talvez não por acaso, o encanto do marulhar das pequenas ondas que arribam nas areias praia nas noites de verão.

La Mer surge em 2008 no álbum The Other Woman.






La mer
Qu'on voit danser
A des reflets d'argent
La mer
Des reflets changeants
Sous la pluie

La mer
Au ciel d'été
Confond ses blancs moutons
Avec les anges si purs
La mer
Bergère d'azur, infinie

Voyez
Près des étangs
Ces grands roseaux mouillés
Voyez
Ces oiseaux blancs
Et ces maisons rouillées

La mer
Les a bercés
Le long des golfes clairs
Et d'une chanson d'amour
La mer
A bercé mon cœur pour la vie

Voyez
Près des étangs
Ces grands roseaux mouillés
Voyez
Ces oiseaux blancs
Et ces maisons rouillées

La mer
Les a bercés
Le long des golfes clairs
Et d'une chanson d'amour
La mer
A bercé mon cœur pour la vie
A bercé mon cœur pour la vie

La mer
La mer
La mer





sábado, 18 de junho de 2022

uma música para o fim de semana - Take on Me (A-Ha)

!985


Em 1982, três noruegueses juntam-se para formar uma banda pop: Paul Waaktaar-Savoy na guitarra, Magne Furuholmen em teclas e também na guitarra e o vocalista Morten Harket. O nome da banda que formaram? A-Ha.
E de onde vem o seu nome? Era o título que de uma canção que o guitarrista Waaktaar-Savoy escreveu e que o vocalista Morten Harket considerou que dava um bom nome da banda.

Após várias vicissitudes que incluiria duas versões (1984 e 1985) diferentes do tema, igualmente dois vídeos e três edições publicadas, os A-Ha finalmente subiram ao pedestal daqueles que conseguiram lançar um tema universal. Quase quarenta anos depois ainda continua a atrair e a fazer cantar, primeiro os menos-novos e depois os mais novos.

Se a música se tornou viral, o seu vídeo ajudou ainda mais a que tal acontecesse. Foi preciso um animador, um director criativo da Warner e alguns milhares de esboços para tornar possível aquilo que torna o vídeo tão apelativo: o rotativo alternar entre a imagem real e a imagem animada.

Take on Me, na versão que hoje todos conhecemos, surge em 1985 ao abrigo do álbum de estreia que os noruegueses lançaram, Hunting Hi and Low.
Os fãs de James Bond, e dos A-Ha, reconhecerão como deles, o tema do filme do espião britânico de 1987, The Living Daylights.
 
Mais de trinta anos depois, com os membros já quase todos acima dos sessenta, vão daqui a uma semana, tocar no Rock In Rio, em Lisboa, a 25 de Junho.
Para quem prestar atenção aos contadores do Youtube, verá que a marca já passou dos 1.4 mil milhões de visualizações. Consta que é apenas o quinto vídeo a conseguir ultrapassar a mítica marca dos mil milhões.
Vão ensaiando 😉


Bom fim de semana 🎸





We're talking away
I don't know what
I'm to say I'll say it anyway
Today's another day to find you
Shying away
I'll be coming for your love, okay?

Take on me (take on me)
Take me on (take on me)
I'll be gone
In a day or two

So needless to say
I'm odds and ends
But I'll be stumbling away
Slowly learning that life is okay
Say after me
It's no better to be safe than sorry

Take on me (take on me)
Take me on (take on me)
I'll be gone
In a day or two

Oh, the things that you say, yeah
Is it life or
Just to play my worries away?
You're all the things I've got to remember
You're shying away
I'll be coming for you anyway

Take on me (take on me)
Take me on (take on me)
I'll be gone
In a day

I'll be gone (take on me, take on me)
In a day (take me on, take on me)
(Take on me, take on me)
(Take me on, take on me)
(Take on me)








quarta-feira, 27 de abril de 2022

uma ida ao baú - Baby the Stars Shine Bright (Everything But the Girl)


!986

Os Everything But the Girl são um duo inglês formado em 1982. 
Ela chama-se Tracey Thorn e era a voz principal dos EBTG e dava umas voltas nas guitarras, ele chama-se Ben Watt e tinha sob sua responsabilidade as guitarras, teclas, produção e dava umas voltas nas vozes.
O nome deriva de um slogan de uma loja de mobiliário na localidade onde se conheceram, Hull.
Deixam de tocar por volta do ano 2000, mas mantiveram-se juntos e em 2009 casam-se.

Não me recordo exactamente quando Baby the Stars Shine Bright, editado em 1986, chega às minhas mãos. Talvez finais da década de oitenta, primeiros anos da década de noventa. 
Mas sei que o desvalorizei completamente mas durante... pouco tempo. Rapidamente este álbum rodava frequentemente, na altura, no meu quarto e tornava-se uma grande companhia para mim nos meus tempos de estudo. A voz de Tracey é profundamente sedutora e os arranjos orquestrais perfeitos. Conhecia este trabalho de uma ponta a outra.

Curiosamente no que respeita a esta formação fiquei-me por aqui. Não explorei mais álbuns deles, apesar de uma outra ter sido mais orelhuda. Creio que foi do tipo "este é tão bom que daqui para a frente é sempre a descer".





Baby come home, I miss the sound of the door
Your step on the stair's not there to wake me no more
And every day's like Christmas Day without you
It's cold and there's nothing to do
And it's mighty quiet here now that you're gone
I've been behaving myself for too long
'Cause I don't like sleeping
Or painting the town on my own
So please 
come on home
come on home
come on home
baby come on home

Baby, what's keeping you all this time
You're wasting your days out there in the sunshine
And who can I turn to if you believe still
That England don't love you and she never will
For it's mighty quiet here now that you're gone
And I've been behaving myself for too long
'Cause I don't like sleeping
Or watching TV on my own
So please 
come on home
come on home
come on home
baby come on home
please
come on home
come on home
come on home
baby come on home
please
come on home
come on home
come on home
baby come on