sábado, 1 de agosto de 2015

uma música para o fim de semana - Radio Royale (Royalettes)





Agosto é definitivamente o mês mais palerma do ano. O mês da Silly Season por excelência.
Tentei encontrar algo que fosse digno deste mês

E foi fácil - Radio Royale com as Royalettes.

O que é curioso neste projecto é que as três Royalettes têm uma formação musical de base muito séria.
A Ana Cláudia, uma contralto, Maria Inês, mezzo soprano e Sara Badalo, soprano.
A formação e o canto clássico está por detrás de cada uma delas.

Se pensarmos bem, no fundo, as Royalettes representam uma ideia diferente de música.
Elas representam as sonoridades dos anos 30 e 40, que poderíamos chamar, por analogia ao cinema, música de época, incluindo toda a sua envolvência: guarda-roupa, adereços, letras, grafismos e coreografias.
O que requer uma boa dose de coragem. O que está longe de ser silly.

O tema chama-se Radio Royale, A Melhor de Portugal.


Bom fim de semana :)





sexta-feira, 31 de julho de 2015

dois focinhos a não esquecer


Toda a gente gostava do da direita, e agora toda a gente odeia o da esquerda, por covardemente ter assassinado o da direita.

O da esquerda intitula-se ser humano, o da direita deixou de ser um leão.
O da esquerda, chama-se Walter James Palmer, o da direita chamava-se Cecil.
O da esquerda vivia nos EUA e deixou de ter um lugar para viver, porque ao matar o da direita fez com que este deixasse de viver no seu lugar, o Zimbabwe.

Infelizmente criaturas como o da esquerda não estão em riscos de extinção, enquanto que seres vivos nobres como o da direita estão.

Não esqueçam estes dois focinhos. Nenhum deles merece isso.




domingo, 26 de julho de 2015

pintado de preto mate






pintado de preto mate

Não reconheço este reflexo ausente e persistente que paira e me olha no
espelho brilhante profundamente pintado de preto mate.

Tuas cordas, cordas, invisivelmente apertadas, sufocam a inspiração do ar que não expiro.
Que fazes tu para que não caias???
Fujo do poço negro que me atrai e atiro-me para os braços alvos escurecidos 
da sereia negra do abismo que me encanta 
com o seu chamamento de palavras numéricas de zeros absolutos atiradas para o 
espelho brilhante profundamente pintado de preto mate.

Quem és tu, que me atiras da escuridão confortável para a luz que me inquieta?
Como és tu, que insistes em não insistir de me reflectir nos espelhos irreflectidos, desmaiados 
e aturdidos de formas raiadas?
Diz-me tu, ser mudo, deformado e amolecido que vives no reflexo que me olha no 
espelho brilhante profundamente pintado de preto mate??

Quem sou eu?? 
Sou quem não sou da imaginada realidade dos sonhos não desejados. 
Quem sou eu?? 
Sou tu que não és no espelho brilhante profundamente pintado de preto mate!


Inkheart