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sábado, 27 de dezembro de 2025

uma música para o fim de semana - Palestinian Soul (Ashot Danielyan)

Nos quase cerca de três mil reels e stories que publiquei no meu
IG foi sobre as atrocidades que os Israehellitas cometeram, continuam a cometer e cometerão - com a aceitação, aquiescência, silêncio, apoio nojento efectivo do mundo árabe e ocidental e do geral falhanço moral da humanidade - sobre o povo palestiniano.

Na última sugestão de 2025 para Uma Música para o Fim de Semana não podia pensar no que mais me ocupou os meus pensamentos, preocupou, feriu, fez chorar a minha alma e os meus olhos: o GENOCÍDIO do povo Palestiniano.

Desses posts, eu usei muitas das música que vinham com ele, outras foram escolhas pessoais 
Umas das mais usadas por todos os que amam a Palestina e os palestinianos, foi Palestinian Soul.
Este tocado maravilhosamente tocado por Ashot Danielyan foi lançado a 30 de Dezembro de 2023. Faz um ano, na próxima terça-feira.
Ashot é um músico de russo cujas raízes são arménias. Um pianista que se movimenta nas águas do neo-clássico e new age, mas recorre frequentemente às suas origens para tocar instrumentos como o duduk e o alaúde que soam maravilhosamente étnicos e místicos.

Místico, o nome certo para um povo que existe há milhares de anos, cujos direito à sua nacionalidade, à sua cultura e tradições estão-lhe a serem negados e usurpados pelo ocidente desde o início do século 20 e que continua furiosamente pelo século 21, desta vez através de um GENOCÍDIO em curso por Israhell e pelo Ocidente.

Palestinian Soul é muito belo e triste, tal como o povo a quem este tema é dedicado. 


Bom fim de semana e Feliz Ano Novo 🎉🍸











domingo, 10 de agosto de 2025

Agosto

O encontro "casual" dos dois saxofonistas, soa mal logo no início. Grandes músicos mas péssimos actores.
Gosto muito de ouvir dois saxofones à "desgarrada". Paul Desmond e Gerry Mulligan fazem-no maravilhosamente bem no álbum Two of a Mind, lançado no longínquo ano 1962.
Além de serem saxofonistas de eleição, cada um toque saxofones bem distintos: o primeiro, toca alto, o segundo, barítono. Consequência, o diálogo entre os dois é fenomenal, rico e cheio. Atraente e ouvir 

Ben Wendel e Mark Turner, neste tema dedicado ao mês de Agosto, tocam tenores.
Franzi o sobrolho. Há um álbum grandioso onde dois lendários tenores tocam juntos: Sonny Rollins e Sonny Stitt.
O álbum é liderado por outro épico sopro, o trompete de Dizzy Gilespie. O nome é dedicado aos dois Sonny, chama-se Sonny Side Up

Nenhum dos músicos que lideram este dueto de Agosto, se tornará lendário, nem o seu diálogo entre tenores.
O tema dura cerca de 6 longos minutos. A abertura não cativa e o desenvolvimento do tema carece de algum carisma e variedade. Os tenores parecem demasiado restringidos, contidos, sempre no mesmo registo. Pouco explorados.











sábado, 26 de julho de 2025

uma música para o fim de semana - Julho (Ben Wendel)


Curioso. Ouvir este dueto entre guitarra (Julian Lage) e fagote (Ben Wendel) transporta-me para vários meses do ano excepto os veranis. Particularmente, Julho.
Óbvio que estou a presumir que a música que se ouve em determinado mês retrata a personalidade desse mês. É também muito possível que tal assunção não terá necessariamente que ser a correcta. Ainda assim vou correr o risco.

Julho é o mês da cerveja gelada, das conversas em tom alto e entusiasmado em restaurantes e esplanadas de praia. As conversas começam e não são acabadas e os temas das sucedem-se ao mesmo ritmo das imperiais.
Dito isto, Julho, é uma conversa pensada, harmoniosa e orgânica, com um propósito e um fim. Nenhum se sobrepõe ao outro. É portanto agradável de se ouvir.
Ou seja nada que se possa remotamente, associar a um mês plenamente estival. Apontaria para um Setembro ou Outubro. Para Julho, é de facto excelente. Um prazer de ouvir.

E de caminho fica como uma (excelente) música para o fim de semanas.

Bom fim de semana 😉🎷🎵










sexta-feira, 6 de junho de 2025

uma música para o fim de semana - Junho (Ben Wendel)

Não conheço os duetos que os próximos meses trazem, mas este de Junho é uma delícia.
A voz de Luciana Souza ganha, pessoalmente e certamente não por acaso, o palco sonoro e o protagonismo deste tema.
Ben Wendel materializa, e acompanha, a voz da cantora brasileira no seu saxofone de uma forma perfeita.
Ouvir este tema é uma delícia. É como querer repetir um pouco mais uma refeição que se revelou mais saborosa do que esperávamos.
De caminho fica como sugestão para uma música para o fim de semana

Bom fim de semana 😉 🎷








sábado, 10 de maio de 2025

uma música para o fim de semana - Papa Americano (Tony Canario)


Deve ser uma das músicas que mais deve ser tocada e enviada para o pessoal nos últimos dias nas redes sociais Na rádio, creio que nunca a ouvi.
Não resisto, em colocá-la como sugestão para a rubrica Uma Música para o Fim de Semana.
A eleição do primeiro papa norte-americano de nome Robert Francis Prevost, conhecido agora como Leão XIV, é o motivo para a escolha.
É um cliché, eu sei, mas que se lixe.
A música não tem nada que saber. Letra, arranjo musical, coreografia, é do mais básico possível mas também super divertida.

Falando de papas. Dos últimos três, João Paulo II, Bento XVI (Ratzinger) e o Papa Francisco, só este último ganhou o meu respeito.
O primeiro foi o principal responsável pelo encobrimento dos escândalos sexuais da igreja que atingiram todo o mundo, o segundo ia mandando a Igreja de volta à vil Santa Inquisição enquanto que Papa Francisco de facto apregoou a igualdade entre todos, mesmo aqueles que a Igreja relesmente tem marginalizado e relegado para segundo e terceiro lugar.

Quanto a Leão XIV, fico desconfiado se bem que lhe dê o benefício da dúvida por agora. O que é justo.
Espero que saiba manter a distância; e condenar veementemente, para além de qualquer dúvida, o genocídio e holocausto do povo palestiniano; sobre o que se está a passar relativamente à ameaça global que Trump representa e se apresenta como um dos principais genocidas do povo palestiniano.


Bom fim de semana 🎶😉










sábado, 6 de janeiro de 2024

uma música para o fim de semana - um amor para toda a vida (Inês Soares)



Quem diria que um anúncio, um jingle, da Toyota poderia dar um tema completo, uma canção por si própria?
A complexidade da letra é nula, naturalmente apelativa. A música, estereótipo dos anos 70 (1971). 
A voz de Inês, directa, simples, embrulha tudo num pacote que resulta muito bem.

Curiosamente, desde quase sempre, fundada em 1937 por Kiichiro Toyoda, que a marca nipónica se tem caracterizado pela sua fiabilidade, pela sua resistência, durabilidade e qualidade de construção.
Aos dias de hoje, e décadas após décadas, este objectivo da Toyota continua a ser atingido.
É uma referência para todas as outras marcas fabricantes de automóveis. 


Bom fim de semana 😉









sábado, 30 de dezembro de 2023

uma música para o fim de semana - Leve Palestina (Kofia)


Para fechar o ano de 2023, não podia ser outro tema que não aquele que mais se ouve nas redes sociais: Leve Palestina.
É surpreendente que este tema tenha surgido pela primeira vez, há quase cinquenta anos, em 1976. O álbum chama-se Palestina mitt Land (Palestina, meu País).

Igualmente surpreendente que a canção que se tornou um hino à resistência da Palestina à hedionda e assassina ocupação israelita, tenha tido origem não no país que celebra, mas sim na Suécia, na cidade Gotemburgo. 
A canção foi composta por uma banda sueca de nome Kofia, liderada por George Totari, um activista pró Palestina.

O vídeo abaixo, mostra um grupo de resistentes palestinianos a dançarem Dabke. Uma dança tradicional da cultura do Médio Oriente. É dançada na Palestina, Síria, Líbano e Jordânia.
A letra está traduzida para inglês.

Bom fim de semana, bom e (tão pouco provável) pacífico Ano Novo de 2024 🎉🥂🎵🏳️
 




Long live Palestine! 
Crush Zionism! 

And we have tilled the earth 
And we have reaped the wheat 
And we have picked the lemons 
And pressed the olives 
And the whole world knows our land 

Long live Palestine! 
Crush Zionism! 

And we have thrown rocks on 
Soldiers and policemen 
And we have fired rockets 
Against our enemies 
And the whole world knows our struggle 

Long live Palestine! Crush Zionism!

And we will free our land 
From imperialism 
And we will rebuild our land 
For socialism 
And the whole world will witness 

Long live Palestine! 
Crush Zionism!





sábado, 23 de dezembro de 2023

uma música para o fim de semana (na véspera de natal) - Christmas Time is Here (Vince Guaraldi)


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Estou longe de ser um admirador de canções de Natal apesar de gostar de uma ou duas canções. Nomeadamente Little Drummer Boy e Silent Night.

Mas nada como o jazz para criar as melhores melodias de Natal. Jazz e Natal são duas palavras que usualmente se fundem num pianista norte-americano chamado Vince Guaraldi.
O álbum chama-se A Charlie Brown Christmas e foi lançado há 58 anos, em Dezembro de 1965

O álbum tem o mesmo nome de uma banda desenhada, bem famosa para todos os nós, chamada Peanuts criada por Charles Schulz
Sendo uma das personagens principais, e bem querida, chamada Charlie Brown com o inseparável e não menos famoso beagle Snoopy.







sábado, 23 de setembro de 2023

uma música para o fim de semana (no início da estação mais bela do ano) - Autumn Leaves


A canção original é francesa e data de 1945. Chama-se Les Feuilles Mortes (As Folhas Mortas) e foi cantada pela primeira vez por Yves Montand.
Quando a canção foi transcrita para inglês por Johnny Mercer ganhou o nome de Autumn Leaves.
Bob Dylan, Eric Clapton, Frank Sinatra, Nat King Cole, Edith Piaf, Eva Cassidy e Sarah Vaughn uma miriade de outros cantores tocaram e cantaram este tema.

Mas é na versão instrumental que mais aprecio este tema tão querido a min e a quem ama e deseja a chegada do Outono durante um ano inteiro.
De novo os músicos que executaram Autumun Leaves são de eleição. Entre eles Bill Evans, Cannonball Alderley, Stan Getz, Ahmad Jamal e Miles Davis fizeram o mundo parar com as suas interpretações.

Recentemente andava mais uma vez a ouvir este tema, sou um perdido por ele, encontrei uma versão que me surpreendeu verdadeiramente tocada pelos Layers Classic.
São três músicos coreanos, violoncelo (Dae-You Kim), violino e piano (DMK). Dependendo do tema que vão tocar, esta formação base pode ser extendida que nesta versão de Autumn Leaves acrescentaram um baterista (Jung-Hyun HB).
A interpretação é maravilhosa. Jovial, simples, manter-se focada na essência, muito expressiva, com o trio a ligar-se entre si intuitivamente, sem qualquer tipo de esforço.
Mas o violoncelo... 🥰🥰🥰

Bom fim de semana 🎻e apreciem cada um dos três maravilhosos meses de Outono que se estendem à nossa frente🍁🍂🌰










sábado, 22 de julho de 2023

uma música para o fim de semana - Black Magic Woman (Carlos Santana)


Na quinta feira passada,  Carlos Santana, um guitarrista americano nascido no México, fez 76 anos.
Os temas que alcançaram sucesso deste música que fundiu perfilam-se num longa fila e necessariamente incompleta: Soul Sacrifice, Maria Maria, Corazon Espinado, Smooth, Oye Como Va, The Game of Love e Samba Pa Ti. 
Curiosamente, ou não, várias desta lista pertencem ao álbum Supernatural, lançado em 1999.
Longe de ser um acaso guardei a minha preferida para fora desta lista, Black Magic Woman.
Não há como fugir a este ícone da música.

É raro acontecer mas por vezes os covers ultrapassam os originais e ficam reféns do músico que o tocou.
Foi o que aconteceu com Black Magic Woman. Carlos Santana "apropriou-se" deste tema. Na realidade é um cover de um original escrito por Peter Green, um dos fundadores dos Fleetwood Mac. Foi editada pela primeira vez em 1968, no álbum I Loved Another Woman.

Carlos Santana lançou o álbum Abraxas, o seu segundo trabalho, em 1992.
Deste impera o Oye Como Va, Samba Pa Ti e claro em jeito de rock latino, o extraordinário Black Magic Woman.


Bom fim de semana 😉🎸





Got a black magic woman
Got a black magic woman

I've got a black magic woman
Got me so blind, I can't see
That she's a black magic woman
She's trying to make a devil outta me

Don't turn your back on me, baby
Don't turn your back on me, baby

Yes, don't turn your back on me, baby
Stop messing 'round with your tricks
Don't turn your back on me, baby
You just might pick up my magic sticks

Got your spell on me, baby
You got your spell on me, baby

Yes, you got your spell on me, baby
Turning my heart into stone
I need you so bad, magic woman
I can't leave you alone








sábado, 1 de julho de 2023

uma música para o fim de semana


Ana Lua Caiano é uma cantautora subversiva, ousada e criativa. Musicalmente e nas suas letras bem ritmadas mas muito pouco imediatas ou directas. 

É uma fusão muito bem conseguida entre a música tradicional e a electrónica.
Pessoalmente, umas das melhores e bem mais conseguidas fusões da música tradicional portuguesa com outros géneros musicais, desde que os Diabo na Cruz o fizeram com o rock.

Adormeço sem Dizer para Onde Vou é um exemplo fantástico deste cruzamento de géneros com uma mistura cativante entre a luz e a sombras, onde talvez estas últimas, felizmente, se passeiam com mais à vontade.

É a última faixa do seu segundo EP com seis títulos que se chama Se Dançar é Só Depois que sugiro para este fim de semana
O primeiro álbum não deve demorar a chegar, é a própria Ana que o afirma.





Adormeço sem dizer para onde vou
E fico lá correndo, dormindo, morrendo
Mas não me acordes meu amor, nunca me acordes
Nem que grite e que chore
Sou uma afónica elegante

Acordo e não digo onde vou
E ando às voltas, fugindo e recuando
Mas não me encontres, meu amor, nunca me encontres
Nem que grite e que chore
Gosto de monologar

Leio sem dizer onde еstou
E ando às voltas, desprezando e pеnsando
Não me atrapalhes, meu amor, não me atrapalhes
Nem que grite e que chore
Gosto de monologar

Desta vez não vieste atrás de mim
P'ra me arrumares
Desta vez doas-te me
Ao ar que encontro
Desta vez não vieste atrás de mim
P'ra me arrumares
Desta vez doas-te me
Ao ar que encontro
Desta vez não vieste atrás de mim
P'ra me arrumares
Desta vez doas-te me
Ao ar que encontro
Desta vez não vieste atrás de mim
P'ra me arrumares
Desta vez doas-te me
Ao ar que encontro

sábado, 6 de maio de 2023

uma música para o fim de semana - Moonlight Shadows (Mike Oldfield)

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Inevitavelmente Moonlight Shadow tinha que estar presente em Uma Música para o Fim de Semana. 
Faz hoje quarenta anos que esta música saiu, preparando a chegada ao mercado do álbum onde ela estava incluída: Crisis.
A voz tão cativante quanto uma lua cheia num límpido céu nocturno é de Maggie Reilley. 

A letra, de uma forma não assumida e romanceada, conta a história da Bess Houdini, a mulher do mágico escapista Harry Houdini, que durante dez anos após a sua morte o tentou contactar.
Ambos tinham combinado um código secreto e entre eles e Houdini disse que se morresse antes de Bess, que esta o tentasse encontrá-lo no após vida.

Independentemente do significado da letra, esta tem um significado obscuro e misterioso, a começar pelo próprio título - Moonlight Shadow.
Contudo a voz de Maggie, com uma subtil sonoridade celta, afasta o tom escurecido da canção e torna-a em algo positivo e vibrante.

De qualquer maneira há quarenta anos, ouvia este tema, este álbum - na verdade quase todos os álbuns de Mike Oldfield - até à exaustão.
Agora a sério. Passaram quarenta anos sobre este álbum?? Pior, sobre mim??


Bom fim de semana 😉🎸





The last that ever she saw him
Carried away by the moonlight shadow
He passed on worried and warning
Carried away by the moonlight shadow

Lost in a riddle that Saturday night
Far away on the other side
He was caught in the middle of a desperate fight
And she couldn't find how to push through

The trees that whisper in the evening
Carried away by the moonlight shadow
Sing a song of sorrow and grieving
Carried away by the moonlight shadow

All she saw was a silhouette of a gun
Far away on the other side
He was shot six times by a man on the run
She couldn't find how to push through

I stay, I pray
See you in heaven far away
I stay and I pray
See you in heaven one day

4 a.m. in the morning
Carried away by the moonlight shadow
As I watched your vision forming
Carried away by the moonlight shadow

Stars move slowly in a silvery night
Far away on the other side
Will you come to talk to me this night
But she couldn't find how to push through

I stay, I pray
See you in heaven far away
I stay, I pray
See you in heaven one day

Caught in the middle of a hundred and five
The night was heavy and the air was alive
She couldn't find how to push through

I stay, I pray
See you in heaven far away
I stay, I pray
See you in heaven one day

I stay, I pray
See you in heaven far away
I stay, I pray
See you in heaven

See you in heaven
See you in heaven
See you in heaven one day






sábado, 22 de abril de 2023

uma música para o fim de semana - Time Square (Marc Ribot, The Jazz-bins)


No dia 14 deste mês fui a um concerto de jazz no Auditório de Espinho. Um duo de nomes bem sonantes e consolidados no jazz internacional: Dave Douglas (trompete) e Joey Baron (baterista). As minhas expectativas eram mesmo altas. Pareceu-me um concerto imperdível até porque conheço bem os trabalhos de cada um.
O que vi foi dois músicos que alardear vedetismo tornando o concerto sofrível, sem carisma, sem grande empenho, principalmente por parte de Douglas, quase um frete.

Esta sexta no âmbito do Ovar em Jazz 2023, fui a outro concerto. Desta vez o trio The Jazz-bins, liderado pela guitarra de Marc Ribot, a bateria Joe Dyson e Greg Lewis sentado ao orgão Hammond.
Os seus nomes, à excepção de Ribot, no que me diz respeito, não são tão sonantes ou tão conhecidos quanto Douglas ou Baron, por isso não levava as expectativas tão altas para este concerto, mas o empenho que colocaram no concerto foi tremendo.
Tudo o que faltou no duo Baron/Douglas esteve presente no trio: intensidade, empenho, ritmo, virtuosismo, uma audiência cativada e desejosa de mais.
Joe Dyson, curiosamente, foi o elemento mais forte do trio. 

É pena não haver gravações deste trio. Fica a (enorme) satisfação de os ter ouvido ao vivo.


Bom fim de semana 🎸









sábado, 8 de abril de 2023

uma música para o fim de semana - Zure (Ryuichi Sakamoto)


aqui o tinha escrito. Não sou um particular fã do pianista e compositor nipónico Ryuichi Sakamoto mas a sua morte é de facto uma grande perda para os amantes de música e principalmente do piano.

A sua música é difícil de categorizar. Sakamoto é conhecido pela utilização pioneira da electrónica na música, pelas parcerias com músicos influentes no mundo da pop como David Bowie, David Byrne e Iggy Pop, ou por ter incorporado nas suas obras variados géneros musicais que vão desde o New Age, Ambient, Techno à pop electrónica. Em parte é por causa desta fusão de estilos que não sou apreciador do seu trabalho nestas áreas.

Talvez seja enquanto compositor de bandas sonoras, e elas foram incontáveis, mais de três dezenas, que a maior parte de nós o conheça. São suas as bandas sonoras de Merry Christmas Mr Lawrence (1983), O Último Imperador (1987) onde ganharia um Oscar para melhor banda sonora, o belíssimo Chá no Deserto (1990), Babel (2006) e o mais recente The Revenant (2015).

É quando se senta à frente de um solitário piano que a magia se espalha, fazendo-nos levitar, onde a alma ultrapassa a materialidade do corpo. 
Curiosamente, não é um trabalho de piano que consta no lugar mais alto das minhas preferências. Esse lugar está dedicado a Async, onde a fusão com a electrónica está presente. Um álbum editado em 2017, ele assenta numa lógica reflexiva baseada numa electrónica discreta e sofisticada, urbana e ambiental. Profundamente texturado, cada tema é construído por várias camadas onde cada uma delas é um pequeno mundo sonoro. É um álbum que considero profundamente metafísico, existencial e ocasionalmente distópico como por exemplo a faixa que dá nome ao álbum.
É esta complexidade acessível, que pessoalmente, torna este álbum tão atraente.

O seu último trabalho, consciente da proximidade da sua morte é 12. O seu décimo segundo álbum de estúdio editado a 17 de Janeiro deste ano.
No que me diz respeito é difícil escapar ao encanto e delicadeza dos temas Merry Christmas Mr Lawrence, de Blu ou The Sheltering Sky.

Mas é em Async que o encontro (e reencontro) com Sakamoto resulta sempre num abraço franco de boas vindas e onde sei que os próximos minutos me trarão paz e abrandará esta inquietude permanente em que vivo mergulhado.
Zure é uma das faixas que mais atenção dedico precisamente pelas razões que acima descrevi:  urbanidade, as texturas, a reflexão, o ambiente que cria à nossa volta. Uma bolha protectora de tudo e todos.

Ryuichi Sakamoto, morreu no passado dia 28 de Março de 2023. 
No entanto a sua morte, já esperada, só foi anunciada ao mundo 02 de Abril de 2023.












sábado, 11 de março de 2023

uma música para o fim de semana - I Still Haven't found What I'm Looking For (U2)



Anteontem, no dia 9 de Março, fez 36 anos do lançamento (em 1987) de um dos álbuns seminais da história da música pop/rock e dos U2: Joshua Tree. Vendeu cerca de vinte e cinco milhões de cópias.
Nunca fui um grande fã deles, continuo a não ser, mas se tivesse que escolher um álbum preferido da discografia desta banda irlandesa, seria Joshua Tree.

Tenho lido que a critica não o considera como um dos seus melhores álbuns. Mas enquanto não fã dos U2, o facto de quase todas a músicas terem passado até à exaustão nas rádios e alguém me ter gravado uma cassete com o álbum integralmente gravado fez com que ele se tornasse o mais conhecido de todos para mim.
War e Unforgettable Fire estão também entre os meus favoritos, mas após Joshua Tree desinteressei-me dos U2.

O tema que abre o álbum -  Where the Streets Have no Name - é talvez o meu preferido. 
Conta a história deste trabalho que o seu produtor, o enorme Brian Eno, nunca gostou da forma como este tema estava arranjado e que se preparou para as regravar tendo sido o engenheiro de som que terá salvo as gravações originais ao não permitir que isso acontecesse.

Uma outra curiosidade associada a Joshua Tree é a árvore que aparece nas fotos que compõem o álbum não está como usualmente se pensa no parque nacional Joshua Tree, deserto do Mojave, mas sim na Route 190, próximo de uma localidade chamada Darwin, quase afastada do parque Joshua Tree cerca de 322 quilómetros. 
Quando esta árvore caiu em 2000, foi colocada no seu lugar uma placa com a frase em inglês" Have you found what you’re looking for?" 
É uma referência directa à segunda faixa deste disco que se intitula "I Still Haven't Found What I'm Looking For".

E é por esta curiosa razão que escolho este tema para Uma Música para o Fim de Semana.


Bom fim de semana 😉🎤
 





I have climbed the highest mountains
I have run through the fields 
Only to be with you 
Only to be with you.

I have run, I have crawled
I have scaled these city walls
These city walls
Only to be with you.

But I still haven't found
What I'm looking for.
But I still haven't found
What I'm looking for.

I have kissed honey lips
Felt the healing in her finger tips
It burned like fire
(I was) burning inside her.

I have spoke with the tongue of angels
I have held the hand of a devil
It was warm in the night
I was cold as a stone.

But I still haven't found
What I'm looking for.
But I still haven't found
What I'm looking for.

I believe in the Kingdom Come
Then all the colours will bleed into one
Bleed into one.
But yes, I'm still running.

You broke the bonds
And you loosed the chains 
Carried the cross of my shame
Oh my shame, you know I believe it.
  
But I still haven't found 
What I'm looking for. 
But I still haven't found 
What I'm looking for.
  
But I still haven't found 
What I'm looking for. 
But I still haven't found 
What I'm looking for.




 

sábado, 18 de fevereiro de 2023

uma música para o fim de semana - Batata Frita (Inês Apenas)


Se a música pimba se afirma e se assume como sendo o que é, ouvir esta Batata Frita é de uma estupidez a toda a prova. Mesmo disfarçada de uma pretensiosa e inexistente sofisticação de uma batida electrónica, Inês Apenas não consegue ir a lado nenhum. 
Li algures que se trata de pop alternativa. Pois. Nem de longe, nem de perto.
A inteligência musical (arranjos e letra) consegue ir mesmo pelo cano abaixo.

Ainda pensei em postar o tema Bloqueada, onde Inês Apenas consegue baixar ainda mais, de uma forma gloriosa, o nível de Batata Frita. O que podia ser curioso ver o quanto desinteressante esta música consegue ser. O problema é que quando se aborda o tema do vegetarianismo tem que ser feita de uma forma digna e séria. Que é algo que não acontece.

Batata Frita são três minutos e onze segundos de música parola. Assim como o vídeo.


Bom fim de semana 😉














sábado, 11 de fevereiro de 2023

uma música para o fim de semana - Estado de Doença Permanente (Fred)


Uma estética New Age mas bastante soporífera.
Mãos no fogo é um conjunto de textos, ou poemas, que pretendem ser metafísicos e meditativos mas que no fundo se tornam superficiais e pouco consistentes. Oscilam entre o mundano, imaginário e spiritual.

A música ecoa distante, em segundo plano, dando palco à voz que está mais presente neste trabalho de Fred.
Os textos/ poemas são escritos e lidos pela própria escritora delas, Regina Guimarães.

Penso neste álbum como uma excelente banda sonora para uma sessão de ioga. Tenho dificuldade em o ver mais além do que isto.
Este é um álbum bem quentinho. Saiu das prensas e chegou às prateleiras praticamente na última semana de Janeiro deste ano. Fred já tinha pisado anteriormente o palco da Esteira, aqui, na altura com um tema bem mais cativante e atraente, Road of Lonenly Ones.


Bom fim de semana 😉












sábado, 14 de janeiro de 2023

uma música para o fim de semana - Alfama, Texas (Expresso Transatlântico)


Remete-nos (intencionalmente e em homenagem) de imediato para os tons escurecidos dos Dead Combo e que permanecem ao longo de todo o tema.
A guitarra portuguesa ilumina, rompe a solenidade obscura dos graves do baixo, sem no entanto rasgar a cortina escurecida do ambiente que o tema Alfama, Texas deposita em nós.
É como uma vela que ilumina o caminho por onde passamos mas sem desvendar o que está ao lado desse caminho.
É este jogo de luz e sombras que mais me atrai neste tema.

O Expresso Transatlântico é composto por:

Sebastião Varela - Guitarra Elétrica e Teclados 
Gaspar Varela - Guitarra Portuguesa
Rafael Matos - Bateria e Percussão 
com o convidado Paulecas - Baixo

Curiosidade: os Varela, são irmãos (sentados na fotografia), o Rafael Matos (em pé na fotografia), é filho do baixista Paulecas.

Especial atenção à maestria de Gaspar Varela, um puto de 19 anos, na guitarra portuguesa. É uma tremenda mais valia nestre trio de lisboetas que se juntaram em 2021.
O álbum de apresentação está previsto para inícios de Fevereiro deste ano,


Bom fim de semana 😉🎵🎸











sábado, 7 de janeiro de 2023

uma música para o fim de semana - Chasing Contradictions (Ricardo Toscano)


Diz o povo que até ao lavar dos cestos é vindima. E nesta coisa de provérbios, o povo usualmente é sábio. 
No penúltimo dia de 2022, comprei um dos discos mais interessantes do jazz nacional deste ano - Chasing Contradictions de Ricardo Toscano.
O saxofonista alto lidera um trio com bateria (João Lopes Pereira) e o contrabaixo de Romeu Tristão.

Chasing Contradictions, da etiqueta portuguesa Clean Feed (uma das melhores no mundo jazz), é o tema que abre o álbum. 
Começa uma introdução a solo de Ricardo, entrando depois a secção rítmica em simultâneo de uma forma rápida e densa mas sem esconder todo o trabalho que vai sendo desenvolvido pelo saxofonista. Contrabaixo e saxofone alto silenciam-se para passar testemunho à bateria para brilha num solo fantástico, para depois o saxofonista dar um breve sinal para o contrabaixo entrar e juntamente com a bateria retomar o apoio ao líder do trio.
Este tema dá uma excelente ideia do que vamos ouvir ao longo deste álbum.

Chasing Contradictions, com cinco faixas, é um álbum muito equilibrado, contudo variado e super interessante, com os três músicos a articularem-se muito bem e em diferentes registos, estando, pessoalmente, a bateria de João Pereira perfeita no suporte dado ao saxofone. 
Espero que este trio continue a tocar junto porque a sua estreia foi bastante promissora. Curioso para saber se haverá um segundo trabalho deles.
Lançado no cair do pano deste ano, é um dos melhores álbuns que comprei ao longo de 2022. Faz todo o sentido que comece 2023 com ele.

Ricardo Toscano já o tinha ouvido ao vivo com João Barradas, aqui, e não tinha ficado com uma boa impressão dele. Soou algo mortiço, sem sal. 
Gostava de o voltar a ouvir, desta vez apresentando este seu novo trabalho. 


Bom fim de semana 😉🎷🎵








sábado, 31 de dezembro de 2022

uma música para o fim de semana - Her First Dance (Misha Alperin)


Hoje é último dia de 2022. Foi um ano "absurdamente" musical para o que é normal em mim. Comprei qualquer coisa como cerca de 140 álbuns ao longo de todo este ano e creio que (quase) todos eles sobre jazz. 
E tenho a certeza que cerca de 97% deles foram da minha etiqueta de eleição: a germânica ECM.

Escolher um, o melhor de todos eles, é igualmente particularmente difícil. Se hoje escolho um, provavelmente amanhã escolheria outro.
A minha escolha recai sobre um álbum que comprei em Outubro, do pianista ucraniano (nascido soviético) Misha Alperin que morreu cedo demais, em 2018 com 61 anos. O álbum chama-se Her First Dance, editado em 2008, e é profundamente belo desde o primeiro tema (Vayan) até ao último (Via Dolorosa).
Toca em trio com a violoncelista alemã, Anja Lechner e o trompetista russo Arkady Shilkloper.

Com temas que variam entre o solo, duo e o trio completo. Uma oportunidade única para compreender as diversas combinações entre os três instrumentos, Sua música gentil e delicada, sempre, sombria e melancólica, por vezes. As notas são elegantes, agradavelmente esparsas, sustentadas, a soarem  silenciosas e distantes, num minimalismo tranquilo e convidativo.

Her First Dance é um álbum do coração para a nossa alma. Um lenitivo para dias difíceis, exigentes e ásperos. Uma manta sonora para dias de chuva com um chá de jasmim na mão, a cabeça apoiada no colo de quem nós gostamos e um gato (ou mais) ao nosso lado. 
É um álbum verdadeiramente especial, um dos que pode definitivamente ostentar o epitome de primus inter pares.

A música para o último fim de semana deste ano chama-se Her First Dance. Dá o nome ao trabalho de Misha e é um duo de piano e trompete. Sublime.


Bom fim de semana, bom fim de ano velho, excelente começo de Ano Novo 2023 e que a música, entre outras coisas boas, não pare de fluir nas vossas vidas 🎵🎉🍸😉