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segunda-feira, 22 de setembro de 2025

abraço-te Outono com um abraço só teu



Outono

Outono vem em fulvas claridades...
Vamos os dois esp’rá-lo de mãos dadas:
Tu, desfolhando as rosas das estradas,
E eu, escutando o choro das saudades...

Outono vem em doces suavidades...
E a acender fogueiras apagadas
Andam almas no céu, ajoelhadas...
E a terra reza a prece das Trindades.

Choram no bosque os musgos e os fetos.
Vogam nos lagos pálidos e quietos,
Como gôndolas d’oiro, as borboletas.

Meu Amor! Meu Amor! Outono vem...
Beija os meus-olhos roxos, beija-os bem!
Desfolha essas primeiras violetas!...

Florbela Espanca








domingo, 22 de setembro de 2024

Tu chegaste, Outonoooooooooo!


Não há dia mais bonito, mais acarinhado e desejado por mim, do que aquele em que o Outono chega. Um dia de libertação, de rejuvenescimento, de leveza.
Os próximos seis meses, anunciados por este dia, serão mais sossegados, pacificadores, tranquilos, macios, mesmo que estejam imersos na mais agreste das tempestades.

Não sei quantas vezes já terei colocado esta canção - Autumn Leaves - no palco da Esteira, ao longo de todos estes anos. Gosto mais dos covers instrumentais, mas na versão cantada (a original) podemos apreciar a beleza e a delicadeza da sua letra.
O original, cujo título é Feuilles Mortes, remonta a 1945, escrita por Joseph Kosma, nascido húngaro e depois naturalizado francês.

De qualquer maneira aqui vai mais outro cover deste maravilhoso tema outonal. A versão de, cantada em jeito de blues, Eric Clapton, um mago da guitarra. Uma versão adequada para uma estação repleta de magia.












sábado, 23 de setembro de 2023

uma música para o fim de semana (no início da estação mais bela do ano) - Autumn Leaves


A canção original é francesa e data de 1945. Chama-se Les Feuilles Mortes (As Folhas Mortas) e foi cantada pela primeira vez por Yves Montand.
Quando a canção foi transcrita para inglês por Johnny Mercer ganhou o nome de Autumn Leaves.
Bob Dylan, Eric Clapton, Frank Sinatra, Nat King Cole, Edith Piaf, Eva Cassidy e Sarah Vaughn uma miriade de outros cantores tocaram e cantaram este tema.

Mas é na versão instrumental que mais aprecio este tema tão querido a min e a quem ama e deseja a chegada do Outono durante um ano inteiro.
De novo os músicos que executaram Autumun Leaves são de eleição. Entre eles Bill Evans, Cannonball Alderley, Stan Getz, Ahmad Jamal e Miles Davis fizeram o mundo parar com as suas interpretações.

Recentemente andava mais uma vez a ouvir este tema, sou um perdido por ele, encontrei uma versão que me surpreendeu verdadeiramente tocada pelos Layers Classic.
São três músicos coreanos, violoncelo (Dae-You Kim), violino e piano (DMK). Dependendo do tema que vão tocar, esta formação base pode ser extendida que nesta versão de Autumn Leaves acrescentaram um baterista (Jung-Hyun HB).
A interpretação é maravilhosa. Jovial, simples, manter-se focada na essência, muito expressiva, com o trio a ligar-se entre si intuitivamente, sem qualquer tipo de esforço.
Mas o violoncelo... 🥰🥰🥰

Bom fim de semana 🎻e apreciem cada um dos três maravilhosos meses de Outono que se estendem à nossa frente🍁🍂🌰










sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Outono, belo Outono, que bom que chegaste


Outono. A estação mais bonita, mais doce e gentil do ano. Caiem as grilhetas do sol intenso e das temperaturas abrasadoras. O sono torna-se mais profundo e retemperador.
O conforto das mantas a saírem das gavetas, a contemplação das cores, a folhas caducas a forrarem o alcatrão, os riachos começam a cantarolar e a ganhar vida que o verão lhes roubou. 
O fumo esbranquiçado e aroma das castanhas assadas dançam no ar e nos nossos narizes. A cerveja gelada é substituída pelos vinhos aromáticos e mais subtis.

Tempo das vindimas. De abrandar o tempo e os pensamentos. Tempo dos sentidos. Tempo de ouvir as nossas melhores e mais introspectivas músicas. As gargalhadas superficiais secam-se e começam os sorrisos sinceros e com mais significado.

Outono, belo Outono, que bom que chegaste.







quarta-feira, 22 de setembro de 2021

meu adorado Outono


É a estação que mais se insinua nos nossos sentidos. É a mais repleta de texturas. É a mais introspectiva.
É bela nas cores que forram as vinhas já vindimadas, suave como a queda das folhas que as árvores derramam sob o cinzento do alcatrão, terna e aconchegante como as mantas que saem das gavetas, aromática como as primeiras chuvas que libertam o mais envolvente dos perfumes quando estas batem nas estradas e na terra. Eis a estação do Outono.

Alexandre Glazunov, compositor russo de escola romântica, no seu ballet As Estações, de 1899, evoca cada uma delas. Em Outono, Glazunov começa com festividade e majestosidade, as danças, as vindimas e a festa do vinho são celebradas com exuberância, para depois descrever o Outono mais avançado, mais melancólico, bucólico e sereno onde as temperaturas vão gradualmente baixando, castanhas começam a ser assadas e as lareiras fazem crepitar as primeiras fagulhas tornando as conversas mais amenas e mais reflectidas.
No fim, conclui de novo de forma apoteótica e jovial recuperando o tema inicial.

Especial atenção por volta dos 03.50 min onde começa o Petit Adagio, uma das peças mais bonitas que constituem todo o bailado e particularmente o Outono, terminando por volta dos 08.19 min. Sublime.

O meu adorado Outono começa hoje. Benvindo 🥰🎻🍁🍂








segunda-feira, 23 de setembro de 2019

o dia mais bonito do ano: chegaste Outono


Se há dia desejado em todo o ano, é o dia de hoje. O dia da chegada do Outono.
Aquele dia incrível em que dia e noite se igualam para depois a noite prevalecer sobre o dia até à chegada do solstício de Inverno.

É um dia de liberdade. O verão deixa cair as suas grilhetas. As grilhetas do calor excessivo, da luz forte que nos obriga a usar óculos escuros que tudo mascara e esconde, das noites mal dormidas e desconfortáveis.
Agora a natureza mostra as suas cores mais belas e liberta os seus melhores aromas. Hoje é o dia mais bonito de todos, o mais cheio de música, de poesia,

E não conheço melhor género músical mais capaz de ilustrar este dia que o jazz.
A nostaslgia mas não a tristeza, o tempo que corre sem pressa, sem obrigações, a suprema beleza das cores outonais, o lento cair das folhas amarelo alaranjadas, num fogueado sem perigo, o conforto das roupas mais acolhedoras.

O saxofonista alto Lou Donaldson e o seu quarteto com Herman Foster no piano, Peck Morrison em contrabaixo e Dave Bailey atrás da bateria, são maravilhosos na sua descrição de uma noite de Outono.
Que bom que chegaste, Outono

 






domingo, 23 de setembro de 2018

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

... e o Outono chegou


É hoje! É hoje!

Caiam as grilhetas.
De tudo! De todos!
Soltem os aromas amarrados!
Cores queimadas, renascei!
Sons amordaçados, libertai-vos! Regressem!
Acordai, sentidos adormecidos e letárgicos!

Rejubilai, cantai!
Dancem porque a música vai regressar
Sosseguemos porque o tempo vai abrandar
Os ribeiros florescerão nos leitos
E cascatas cantarão com fragor
Ninfas e faunos jogarão às escondidas em florestas mágicas

Soem os gongos,
Toquem os sinos,
Recolhei os bobos e chamai os bardos
E que anunciem a todo o mundo:
Ele acordou!
Ele acordou!
É hoje!
É hoje!
O belo Outono chega hoje!

Inkheart







terça-feira, 27 de setembro de 2016

o que fazer no Outono?? tanta coisa!! :)


Falta ouvir o estalar da casca das castanhas assadas, o cheiro que se liberta delas e ainda o maravilhoso aroma a terra que se solta quando as primeiras chuvas lavam a atmosfera e o chão.





quinta-feira, 22 de setembro de 2016

um poema de... Ricardo Reis (vem doce Outono)


15:18h; 15:19h; 15:20h; 15:21... Outonoooooooo!!!!




Quando, Lídia, Vier o Nosso Outono

Quando, Lídia, vier o nosso outono
Com o inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa
O amarelo atual que as folhas vivem
E as torna diferentes.


Ricardo Reis, in "Odes"


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Ele chega hoje :)





Outono, belo Outono
cores quentes de meditação
não penses no abandono
das flores que pousam no chão

Outono, colorida melancolia
pousada nos dias pensativos
dolente vai a minha poesia
a laçar os meus fugitivos

Outono, minha cama
algodão de olhos a fechar
liberta-me da minha trama
nos teus castanhos aconchegar

Outono, acolhe-me em abraço
embala-me no teu restolhar
adormeço no morno regaço
numa canção de embalar

Outono, altura de abrandamentos
ar puro pela graça da chuva
doma e amansa os tormentos
d’ uma alma que se tornou viúva

Outono, não me deixes fugir
convence-me que é bom ficar
querer que não devo partir
para o teu rosto poder acariciar

Outono não te vás embora
Quero que estejas por aqui
cores macias de tardia aurora
é bom gostar tanto de ti.


Inkheart


terça-feira, 23 de setembro de 2014

cinco Haikais de Outono





1

 folha amarela
cai sem pousar,
Ri-te e parte com ela.

2

Olha - Lua pálida
 Outono que surge
na melodia cálida

3

Outono - belas cores
iluminam o mundo
e pousam no fundo

4

neblinas a partir 
ramos de flores a passar
orvalho a fingir

5

noite húmida assim
em ti confio 
nas folhas do jardim 


Inkheart



Enfim...Outono :)


Ou-to-no.

Cada sílaba desta palavra tem algo que não encontramos juntas em mais nenhuma outra.
Elas tornam o Outono único.

Nelas encontramos, as tonalidades das cores quentes das folhas, aquele aroma a terra que as primeiras chuvas da estação arrastam e encontrar a paz que o calor de verão não permite ter verdadeiramente.

As temperaturas baixam, mas não desagradam. As folhas caem no alcatrão preto ou voam pelos jardins de relva verde mas ainda não é agora que as árvores se despem completamente. Elas exibem finalmente as suas cores mais belas que o inclemente verão as impediu de fazer.

Os rios despertam do seu torpor estival, enchem os leitos secos e ouvimo-los cantar de satisfação.
Os céus ganham outra luminosidade e o sol chega atrasado ao seu descanso. Relutante por deixar mesmo que por algumas horas as belas cores que ele próprio ajuda a criar e iluminar sublimente.
As nuvens que julgávamos desaparecidas surgem e tomam as formas que nós quisermos. Um campo de possibilidades infinitas aberto à imaginação e um convite para levantarmos os olhos ao alto.

Até à noite podemos continuar a olhar para o alto. As constelações de Inverno começam a desenhar-se no Outono enquanto algumas de verão ainda permanecem nas noites lavadas de fresco. As suas histórias podem ser ouvidas, sopradas por ventos e brisas outonais.

As neblinas matinais erguem-se pouco acima do solo. Não existem no verão. As suas temperaturas altas não permitem que surjam. Quando baixam as neblinas surgem e com elas um mundo feérico.
Fadas, duendes, gnomos e faunos, cruzam-se entre eles nos afazeres da fantasia, até que o seu efémero mundo seja dissipado e se volte a erguer numa outra manhã.

Se o verão ofusca-nos os sentidos e corta cerce a imaginação, o Outono desperta-los e traz-nos de volta mais apurados que nunca, embrulhados em fantasias e sons que de novo se fazem ouvir.
Tudo isto em três sílabas.




Mas quem conhece melhor que ninguém a beleza e as cores que essas três sílabas encerram é Vivaldi.
Das famosas Quatro Estações, a do Outono é a mais bonita. E não é triste. Pelo contrário. É festiva, alegre e por vezes convida-nos à reflexão. 
Tal como o Ou-to-no.


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

folhas de Outono


É numa estreita mas razoavelmente longa marginal que contorna o rio, o sítio onde costumo estacionar o carro.
Do lado direito existe um passeio também ele estreito, porque ao longo dele e a preencher uma parte do seu espaço existe uma fileira de carvalhos.

Por este dias, as suas folhas começam a cair cada vez mais e de manhã e à tarde elas cobrem o passeio e uma parte do alcatrão da estrada. Parecem beijos de verão caídos no cinzento escuro de uma estrada anónima. Dá-me um prazer imenso arrastar os meus pés e ouvir o restolhar das folhas secas e olhar para trás e ver o rasto criado por eles, tal como um dedo traça a água quando ele desliza sobre ela.

Quando pego no carro, tenho frequentemente na parte do meu vidro da frente, o de trás nem tanto, coberto pelas folhas que foram caindo ao longo do dia. Não as retiro de lá. Deixo-as estar.
Com a deslocação do carro e à medida que vou andando de volta para casa elas vão-se soltando. Mas de vez em quando há uma ou outra que resiste até ao fim da viagem.
Ou porque ficam presas nos limpa para-brisas ou por ficarem retidas nas dobras do capot, ou então por capricho do destino resistiram à deslocação do ar sobre o vidro.

Mário Quintana, um poeta e pensador brasileiro questionava-se sobre as folhas de Outono sob a forma mais elementar da poesia japonesa (Hai-Kai):


Uma borboleta amarela?
Ou uma folha seca
Que se desprendeu e não quis pousar?


Então, essas folhas que se desprenderam mas que decidiram resolutamente pousar no vidro do meu carro indo nele até minha casa, guardo-as numa caixa. São as minhas Folhas de Outono.

Se o poeta Mário Quintana meditava sobre as Folhas de Outono, os músicos de jazz, Cannoball Adderley (saxofone alto) e Miles Davis (trompete) em 1958 no álbum Somethin' Else tocavam sobre elas - Autumn Leaves.

Quer um, quer os outros e à sua maneira, sabem perfeitamente como expressar e dar a saborear o quanto bonito o Outono é.







domingo, 22 de setembro de 2013

um poema de... Miguel Torga (bom dia Outono)





Outono

Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.

Miguel Torga, Diário X


sábado, 21 de setembro de 2013

uma música para o fim de semana - Marta Ren


O grande dia chega amanhã, o primeiro dia do Outono, do meu Outono.
Mas hoje celebro o último dia do verão. Acabou.
Acabou o calor opressivo que nos torna apáticos e desinteressados. Acabou o brilho sufocante do sol que nos obriga a usar óculos de sol.
Chega das noites mal dormidas, da roupa que é sempre demasiada, dos interiores quentes dos carros, dos preços caros e inflacionados da época alta. É o fim da silly season.

As cores veranis, monótonas e queimadas pelo sol, são substituídas pela rica e vibrante palete dos tons outonais.
O sol duro e intenso, está agora amenizado. O céu azul, monótono e cansativo passa agora a ter nuvens. Pedacinhos de algodão doce derramados numa infinita toalha azul.
Chegam os aromas das castanhas assadas, dos vinhos novos. Os melhores filmes chegam aos cinemas.
Lêem-se mais livros e a disponibilidade para a música aumenta.
O ar está mais fresco., respira-se melhor e mais profundamente.


Que tema poderia escolher para o fim de semana em que o Outono chega e o verão acaba???
Escrevo a plenos pulmões num alívio quase incontido, o título da canção que a voz da portuguesa Marta Ren canta: Summer's Gone!
O verão foi-se! Encontra-se fechado. Só regressa para o ano. Uff!!!

Apreciem e tenham um belo Outono que dá o seu primeiro passo amanhã. Os próximos três meses serão deslumbrantes.


Bom fim de semana e bom Outono!!!!  :))))





sábado, 22 de setembro de 2012

Outono, esperei um ano inteiro por ti


Para muitos é o fim do calor, o início das sombras, dos dias tristes, das noites frias e longas, o pré-anúncio do Inverno.
Longe disso!


Eu vejo o Outono como a estação das cores quentes e suaves. 
É a estação dos laranjas, dos vermelhos, dos castanhos e dos amarelos.
É quando a natureza acorda, espreguiça-se e solta-se do torpor e abrandamento que a canícula do verão impõe.
É quando o colorido da queda das folhas esconde o cinzento do alcatrão das ruas e estradas e a monotonia das colinas forradas por folhas verdes é substituída pelas esplendorosas cores outonais das mesmas folhas. 
A luz do dia é mais bonita e suave, as neblinas são mais frequentes e conferem tons de mistério às cidades, aos parques, aos edifícios. 


Eu vejo o Outono como a estação dos sentidos. 
O aroma a terra - o melhor perfume do mundo! - que se liberta, quando as primeiras chuvas caem e arrastam as poeiras suspensas no ar para o chão, o cheiro das castanhas assadas, quentes a saírem dos assadores ou então as nuvens de vapores carregados do aroma de erva doce que nos inunda mo nariz quando destapamos a tampa de uma panela de pressão onde elas foram cozidas.
É altura do aroma a mofo que a roupa solta quando sai da escuridão prolongada das gavetas onde estiveram escondidas e fechadas durante vários meses e nos diz que uma nova estação chegou.

São os fabulosos sons do restolhar das folhas caídas no chão quando são pisadas, os sons da chuva que cai nos vidros da nossa casa e o estalar dos troncos que ardem na lareira. 
As cascatas começam a cantar alegremente as suas melodias nas encostas montanhas e os rios vão acordando da sua entediante secura.
Redescobrem-se sabores que se comem à dentada. As maçãs redondas, a pêra alongada, os elegantes cachos de uva, as castanhas que cabem na palma da mão, as pesadas abóboras e as laranjas e tangerinas de gomos bem desenhados e finos. Delícia!


Eu vejo o Outono como a estação da libertação.
Libertamo-nos do calor sufocante que faz colar a roupa à pele húmida, do cansaço que nos assola e torna os nosso passos pesados e lentos,
Libertamo-nos da tirania dos ares condicionados, libertamo-nos das noites mal dormidas, dos interiores tórridos dos carros estacionados ao sol,
Libertamo-nos dos óculos escuros que nos protegem do brilho agressivo da luz veranil e as praias reganham a sua quietude e sossego e o mar canta só para nós.


Outono é poesia e música. Celebram-se as colheitas. É confortável e aconchegante. É a preparação para o Inverno. É a calmia antes da tempestade. É a melhor estação de todas.

Ele chegou hoje. Estava a ver que nunca mais vinhas. Esperei um ano inteiro por ti Outono. :)))





sexta-feira, 23 de setembro de 2011

um poema de... Fernando Pessoa (no dia do Outono)


Começou hoje a estação mais bonita, suave e aveludada do ano, o Outono. :)




Canção de Outono

No entardecer da terra,
O sopro do longo outono
Amareleceu o chão.
Um vago vento erra,
Como um sonho mau num sono, 
Na lívida solidão.

Soergue as folhas, e pousa
As folhas volve e revolve
Esvai-se ainda outra vez.
Mas a folha não repousa
E o vento lívido volve
E expira na lividez.

Eu já não sou quem era;
O que eu sonhei, morri-o;
E mesmo o que sou hoje
Amanhã direi quem era
Volver a sê-lo! mais frio.
O vento vago voltou.


Fernando Pessoa