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quarta-feira, 14 de março de 2018

Stephen Hawking (1942-2018)


A poluição, a ganância e a estupidez são as maiores ameaças ao planeta.

Stephen Hawking


Stephen Hawking morreu. Arrepiei-me quando soube disto. Existem poucas pessoas no mundo da ciência pela qual tenha uma admiração sem limites, como a que tenho pelo astrofísico britânico.
Quase tudo o que rodeia este cientista é conhecido: a sua história, a sua vida, a sua doença, a sua obra.

Mas o que me faz admirar incondicionalmente Stephen Hawing é a sua genialidade.
A coragem que o fez questionar (factualmente) a existência de Deus, a determinação em explicar o Universo, a sua origem e o seu funcionamento através de Santo Graal da física: a Teoria do Tudo, a junção da teoria da gravidade com a teoria da mecânica quântica.
Que mostrou que ao contrário do que se pensava, que um buraco negro para além de esmagar irremediavelmente, de atrair para si tudo o que está na sua área de influência, é capaz de fazer o impossível: gerar partículas e radiação.

Um homem que conseguiu colocar por palavras aquilo que o pensamento empírico não consegue imaginar: a Breve a História do Tempo é um dos livros de ciência mais comprados de sempre.
Não sei se será o mais lido, mas garantidamente que não será o mais compreendido.
A propósito

Nas datas de nascimento e morte, Stephen Hawking foi igualmente grandioso.
Nasceu a 8 de Janeiro de 1942 exactamente 300 anos depois da morte de Galileu e morreu no mesmo dia em que Albert Einstein nasceu (14 de Março 1879).
Para além que o dia de 14 de Março é conhecido, e celebrado, como o dia do PI. Pela notação americana da data, 03.14 (Março, 14) este número representa o valor mais conhecido do PI com duas casas decimais- 3.14.
O que para um matemático e físico não deixa de ser um dia simbolicamente especial.

Uma das imagens de marca do astrofísico é estar sentado numa cadeira de rodas, para onde a doença Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), detectada quando tinha apenas 21 anos, o atirou de vez para uma cadeira, que equipada com um computador, que lhe sintetizava a voz ao ler o movimento do seu olhar por um teclado.
Fujo intencionalmente a esta imagem clássica e dolorosa.
Gosto particularmente do momento em que Stephen Hawking experimentou a gravidade zero, em Abril de 2007: tem um sorriso do tamanho do Cosmos. O sorriso de alguém que mais que ter conseguido completar uma teoria complicadíssima, foi o de ter concretizado um sonho.

Como li algures...

Rest in Physics





segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Dispensando Deus


A afirmação

Quando o físico inglês, Stephen Hawking, contundentemente afirma que não pode ter sido Deus a criar o universo, está naturalmente a fazer uma declaração de fé.
Uma declaração que substancialmente não difere da fé religiosa. Apenas muda o objecto da crença. É a crença na Ciência em vez da crença em Deus.

Apesar de a afirmação me agradar, não creio que tenha empurrado os limites da ciência, através da física teórica, ao ponto de esta expulsar Deus da criação, ou de o tornar desnecessário.
Admitindo que se chegava a esse ponto, seria sempre possível para os defensores da Criação Divina contra-argumentar dizendo que foi Deus quem criou a física, que por sua vez permitira explicar a origem do universo. Ou seja, uma variante à estéril questão de quem apareceu primeiro, o ovo ou a galinha.


O argumento

A argumentação de Hawking baseia-se em duas premissas.
A primeira, foi o ter-se descoberto pela primeira vez em 1992, um planeta orbitando um sistema solar exterior ao nosso. Neste momento, já se terão descoberto cerca de 412 planetas nestas condições. O que torna a existência do nosso próprio sistema solar mais vulgar e comum do que se poderia pensar, anulando o conceito de que o nosso universo foi desenhado e concebido, com o propósito de favorecer o surgimento do Homem, condição que está subjacente ao Princípio Antrópico.
A segunda premissa, e provavelmente a mais polémica e espectacular, é o facto de acordo com este físico, a lei da gravidade permitir per si o surgimento do próprio universo a partir do nada.

“Por haver uma lei como a da gravidade, o Universo pode e irá criar-se a ele próprio do nada. A criação espontânea é a razão pelo qual algo existe ao invés de não existir nada, é a razão pela qual o universo existe, pela qual nós existimos”, escreve Stephen Hawking.
Acrescenta igualmente que “Não é necessário evocar Deus para iluminar as coisas e criar o universo”.


The Grand Design

Estas afirmações constam do próximo livro de Stephen Hawking, The Grand Design, escrito em co-autoria com o físico norte americano Leonard Mlodinow que vai ser lançado já este mês.

Por coincidência, este livro surge numa altura em que se considera haver condições para testar algumas previsões da Teoria das Cordas, também chamada Teoria do Tudo.
Esta teoria propõe-se unificar as quatro forças do universo - o Santo Graal da física - a gravidade, electromagnética, nuclear forte e nuclear fraca.  
Se este objectivo fosse alcançado, eventualmente poderia ser explicada a origem do universo.
Ou para quem preferir, conhecer o Pensamento de Deus.