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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Eles adoram touros e depois... torturam-nos


Os toureiros e a tauromaquia adoram realmente o touro. Fazem muitas festinhas, carícias e cantam canções de embalar.

Picam o touro com lanças na ganadaria, são mal tratados no transporte para arena. São desidratados, dão-lhe laxantes, turvam-lhe a visão e dificultam a sua respiração. 
E os carinhos prosseguem. Serram os seus cornos a sangue frio, ferem-lhe as patas e os testículos, e ainda os colocam em lugares escuros sem luz para quando forem para arena estarem cegos e investirem perigosamente quando o que eles querem é fugir porque estão cheio de dores e encadeados.

Entretanto na lide o seu amor aos touros é bem evidente. 
Espetam-lhe ferros que lhe rasgam os músculos do cachaço e pescoço. Perfuram~lhe os pulmões, sofre hemorragias, perdendo cerca de seis litros de sangue.
Confundem-no com os volteios das capas enquanto as bandarilhas vão rasgando ainda os seus músculos.
O rabujador aquele que puxa pela cauda, provoca-lhe luxações da coluna a um animal em sofrimento e enfraquecido pelas continuas perdas de sangue. Este rabujador e os forcados são uns valentes porque conseguem pegar de caras um animal que já está tão enfraquecido que por vezes não consegue correr e até cai de exaustão.

Depois da lide as farpas são retiradas com facas cortando de novo os músculos rasgados, cauterizam as feridas com maçaricos mais uma vez a sangue a frio e o tour desenvolve febres e infecções que não são tratadas e ainda esperam vários dias para irem para o matadouro, onde este infeliz ser vivo finalmente tem o descanso final.

Sem esquecer os outros bichinhos de estimação deles, os cavalos.
Ao fim, literalmente, meia dúzia de espectáculos macabros, morrem por causa das feridas infligidas pelo touro e pelas esporas dos toureiros que os forçam a fazer algo que eles não querem, aproximar-se de um touro ferido de morte.

Esta merda de gente, inútil, cheia de sadismo e covardia, ama mesmo muito os seus touros e os cavalos, claro.




domingo, 29 de junho de 2014

José Saramago e as touradas


Se carregarem nos títulos de cada texto encontrarão a fonte dos mesmos. Pertencem ao blog http://abolicionistastauromaquiaportugal.blogspot.pt/.

Leiam-nos. É doloroso e triste, mas leiam-nos. É inacreditavelmente muito mais para o touro e para os cavalos. 
Quem não ler está a favorecer a manutenção de uma actividade inútil para a sociedade, praticada e vista por potenciais psicopatas. Exactamente o que esta criminosa, abjecta, indústria de morte e tortura e os sádicos que a praticam e assistem pretendem: manter as pessoas na ignorância.

Leiam. Pelos touros e por nós, seres humanos.


"O touro vai morrer..."




"O touro entra na praça. Entra sempre, creio. Este veio em alegre correria, como se, vendo aberta uma porta para a luz, para o sol, acreditasse que o devolviam à liberdade. Animal tonto, ingénuo, ignorante também, inocência irremediável, não sabe que não sairá vivo deste anel infernal que aplaudirá, gritará, assobiará durante duas horas, sem descanso.
O touro atravessa a correr a praça, olha os “tendidos” sem perceber o que acontece ali, volta para trás, interroga os ares, enfim arranca na direcção de um vulto que lhe acena com um capote, em dois segundos acha-se do outro lado, era uma ilusão, julgava investir contra algo sólido que merecia a sua força, e não era mais do que uma nuvem. Em verdade, que mundo vê o touro?" (…)

"O touro vai morrer. Dele se espera que tenha força suficiente, brandura, suavidade, para merecer o título de nobre. Que invista com lealdade, que obedeça ao jogo do matador, que renuncie à brutalidade, que saia da vida tão puro como nela entrou, tão puro como viveu, casto de espírito como o está de corpo, pois virgem irá morrer. Terei medo pelo toureiro quando ele se expuser sem defesa diante das armas da besta. Só mais tarde perceberei que o touro, a partir de um certo momento, embora continue vivo, já não existe, entrou num sonho que é só seu, entre a vida e a morte."

José Saramago, Cadernos de Lanzrote, Vol II


É isto cultura? É isto civilização?




"(...) Refiro-me a essas vilas e cidades onde, por subscrição pública ou com apoio material das câmaras municipais, se adquirem touros à ganaderias para gozo e disfrute da população por ocasião das festas populares.
O gozo e o disfrute não consistem em matar o animal e distribuir os bifes pelos mais necessitados. Apesar do desemprego, o povo espanhol alimenta-se bem sem favores desses. O gozo e o disfrute têm outro nome. Coberto de sangue, atravessado de lado e lado por lanças, talvez queimado pelas bandarilhas de fogo que no século XVIII se usaram em Portugal, empurrado para o mar para nele perecer afogado, o touro será torturado até à morte. As criancinhas ao colo das mães batem palmas, os maridos, excitados, apalpam as excitadas esposas e, calhando, alguma que não o seja, o povo é feliz enquanto o touro tenta fugir aos seus verdugos deixando atrás de si regueiros de sangue.

É atroz, é cruel, é obsceno.Mas isso que importa se Cristiano Ronaldo vai jogar pelo Real Madrid? Que importa isso num momento em que o mundo inteiro chora a morte de Michael Jackson? Que importa que uma cidade faça da tortura premeditada de um animal indefenso uma festa colectiva que se repetirá, implacável, no ano seguinte? É isto cultura? É isto civilização? Ou será antes barbárie?"

José Saramago, Caderno de Saramago, Vol II, 29 de Junho de 2009





quarta-feira, 1 de agosto de 2012

touradas - a arte e a cultura da tortura e do sofrimento


Chamam à tourada, arte, cultura e festa brava.
Como se cultura fosse ver um touro a agonizar, a espumar sangue da boca, com a sua carne rasgada por bandarilhas espetadas por covardes que pensam que são valentes.
Como se a cultura fosse torturar atrozmente um ser vivo, até à exaustão, até um ponto em que morte, que lhe é negada e tardará, pode ser libertadora.

Como se a festa brava não fosse um acto covarde e selvático de um touro que é lançado numa arena já diminuído fisicamente e a agonizar.

Onde já não é capaz de respirar porque os seus pulmões estão sufocados por ter as vias respiratórias obstruídas com algodão e os olhos besuntados com vaselina para lhe turvarem a visão.
Está desidratado e a pouca água que lhe dão tem purgantes e laxativos para o enfraquecerem com diarreias prolongadas.
E antes da saída para a arena de tortura, a procurar a saída para uma liberdade que não existe, são golpeados nos rins e nos testículos.

Na arena, na lide, os sanguinários e pouco bravos toureiros rompem-lhe os tendões e ligamentos dos pescoço que aos poucos e poucos o impedem de suportar o pescoço e a cabeça.
A extensão e profundidade das feridas provocadas, com os ferros, em média é da ordem dos 20 cm e há casos reportados de quarenta (!) cm.

Dependendo da direcção e profundidade com o estoque podem perfurar o fígado, o baço, pâncreas e o estômago.
Perfuram igualmente os pulmões e provocam-lhe hemorragias que põem o touro a espumar e babar sangue. A sua exaustão e agonia é tão grande que muitas vezes caiem ou ajoelham-se no chão.
Durante uma lide, um touro perde em média 6 litros de sangue.

Mas a morte libertadora, tardará a chegar.
Morrerão dias mais tarde, sozinhos, agonizando, sem tratamento ou alívio, resultante dos ferimentos recebidos e das infecções que surgiram em consequência deles.




Aos cavalos são retiradas as cordas vocais para não se ouvirem os relinchos de terror e dor.
Os seus ferimentos são suturados. E depois aproveitados para a tourada seguinte.
Os cavalos não suportam mais de três ou quatro touradas.

A arte é algo sublime. Arte aproxima-nos dos Deuses. Arte é um quadro, arte é uma escultura, um bailado, um poema. Uma música.
Cultura é o que nos faz orgulhar do nosso passado, aquilo que pretendemos que nos venham a admirar e a ser admirados no futuro.
É um legado vindos dos tempos e para os tempos. Eleva um país.

São conceitos que jamais poderão ser associados a actos de covardia, de tortura e sofrimento de um ser vivo, de um touro.
O nosso legado não pode ser sangue, dor e barbárie. Não nos eleva como país, antes nos envergonha.


O vídeo (filmado em Espanha) que anexo é sobre a violência praticada sobre os touros durante uma tourada e o sofrimento que lhes é infligido.
A arte, a cultura, a festa brava que as touradas representam e que tanto proclamam os carniceiros ridiculamente vestidos de criados de Luis XIV concretizam-se neste revoltante vídeo.
Ele é tão duro que o Youtube faz um aviso prévio afirmando que as imagens são particularmente violentas e cruéis.

Mas vejam. Vejam pelo menos uma vez. Vejam pelos animais que sofrem atrozmente, que são torturados, que são sacrificados, que desnecessariamente sofrem horrores para prazer e gáudio de uma cambada de selvagens sádicos.
Para que o sofrimento deles não seja ainda mais em vão.

E chorem por eles. Os touros merecem.





quinta-feira, 25 de agosto de 2011

venham mais cinco


Na passada terça-feira três forcados ficaram feridos numa praça de touros em Baião.

Ao touro tiro o chapéu e grito Oléééé!! e ainda parafraseio a canção de Zeca Afonso: venham mais cinco forcados duma assentada que eu pago já!




quarta-feira, 2 de março de 2011

não é arte, não é cultura e não pode ser tradição!




Sou visceralmente contra as touradas.
Nesta fotografia, vejo um touro cruelmente mal tratado, ferido, a sangrar e forçado a estar numa arena, a defender-se contra um toureiro que o brutaliza.
Por isso esta fotografia impressiona-me duplamente. Não só pela precisão e perfeição técnica com que o momento foi captado, mas também pela extrema violência que ela evidencia.
Foi tirada pelo fotógrafo espanhol Gustavo Cuevas e ganhou o segundo lugar do concurso World Press Photo 2011 na categoria Desporto.

Remete-me de imediato para a questão das touradas e para os argumentos de quem a defende.
Não aceito que se chame a um acto de tortura de um animal, arte, espectáculo ou pior ainda, cultura.
Não, quando há flagrantemente, como no caso das touradas, um tremendo desrespeito pela vida de um animal, quando este é colocado desnecessariamente e cruelmente em sofrimento.

A arte implica estética, beleza e artistas.
Não há e nem pode haver estética, e muito menos beleza por se basear no sofrimento provocado deliberadamente e conscientemente num animal.
Não é e nem pode ser arte, porque não existem artistas, mas sim torturadores sádicos que "enfrentam" um touro, estando este sempre previamente diminuído e fisicamente enfraquecido quando entra numa arena.

Cultura é aquilo que se transmite de pessoa em pessoa, geração em geração. Cultura é algo que um país tem orgulho em mostrar, algo que o diferencia dos restantes, algo que o torna atraente aos olhos do seu próprio povo e ao dos outros povos. É algo que se ergue como uma bandeira.

Não aceito que a tourada, um acto bárbaro que se baseia em pressupostos de crueldade, sofrimento e desprezo pela integridade física de um animal seja uma bandeira de um país, particularmente do meu.
Não aceito que se diga falaciosamente que os touros são criados para este propósito e que se não fossem as touradas eles já teriam desaparecido. Como se os touros não existissem antes de alguém inventar essa "coisa" primitiva e sanguinária a que chamaram tourada.


Felizmente que a tourada está a ser banida um pouco por todo o lado. As consciências estão a despertar.
Espanha que tal como Portugal, é um dos países com maiores “tradições” nesta tortura, está a questionar esta prática a uma velocidade cada vez maior e está a proibir as touradas um pouco por todo o país.
Atrás do exemplo de Espanha outros países certamente farão o mesmo. A Colômbia e a Venezuela começam a dar os seus primeiros passos nesse sentido.

As pessoas podem não ser sensíveis ao sofrimento de um animal ou animais se incluirmos os cavalos, mas certamente que o serão quando se trata da vida humana.
Na prática o que a tourada faz e que esta fotografia mostra exemplarmente são dois animais em sofrimento. E isso não é claramente justo.
Especialmente porque um deles, o irracional, não pediu para lá estar.


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

pela abolição das touradas


A tourada é barbárie, é sadismo e covardia. Já aqui escrevi sobre isso.
É um acto primitivo de bestialidade praticado para com um animal, que quando entra numa arena já sofreu inúmeras sevícias e torturas e está fortemente diminuído na sua capacidade física.
A barbárie não pode e não deve ser associada a um acto cultural e muito menos ser considerada arte.

Há sempre quem defenda estafadamente, e diria imbecilmente, que o touro só existe enquanto espécie por causa das touradas. Claro que não!
Deixem a natureza e a evolução seguirem o seu caminho. Será que o cavalo só existe para ser usado como animal de trabalho, corrida, divertimento ou como uma fonte de proteínas?

Respondo da mesma maneira, claro que não! Todos nós admiramos a elegância e força deste animal em estado selvagem. Não domado.
Admiramos um búfalo, admiramos um bisonte. Porque não admirar o poder, a força e a beleza de um touro selvagem ? Porque não dar-lhe essa hipótese ?

Argumenta-se igualmente que existem lutas de cães, de galos, etc... Verdade. Aqui também está presente a bestialidade, a crueldade e o sadismo. Mas é uma forma clandestina, é uma actividade perseguida e punível por lei. Estas práticas têm consequências legais. Não são reconhecidas oficialmente, não são publicitadas publicamente e não passam em canais de televisão.

O boxe também é lançado para cima da mesa dos argumentos pró tourada. Não há comparação possível. É um desporto. Está regulamentado, tem regras definidas, tem um árbitro que as garante. São dois animais racionais que estão lá porque querem e estão em condições de igualdade. Precisamente o oposto do que se passa numa tourada.

A abolição da tourada é uma forma de nos dignificarmos e evoluirmos enquanto Homem e de nos elevarmos enquanto Nação.
De respeitarmos um animal nobre que sofre atrozmente e inutilmente para gáudio de um bando de sádicos.
Está em curso uma petição que defende a abolição da tourada e espectáculos afins. Assinem. Dei o exemplo, sou o nº 1809.

Aqui fica o link.


sábado, 31 de julho de 2010

tourada - barbárie, covardia e sadismo



No que me diz respeito, considero a tourada um "espectáculo" vil de pura barbárie, covardia e sadismo.

Um touro quando entra na arena já está stressado.  Foi picado e agredido durante o seu transporte.
Foi igualmente "preparado", foi "amansado".
Colocaram-lhe sobre o lombo pesos durante vários dias que lhe provocaram dores.
Os seus cornos são embolados e serrados a sangue frio o que lhes dá uma sensibilidade dolorosa ao toque. Os seus olhos são untados com vaselina para diminuir a sua acuidade visual, é colocado algodão nas narinas até à garganta para igualmente dificultar a sua respiração, tem terebentina nas patas que as queima.
Dão-lhe laxantes que o desidratam. Dias antes não o alimentam nem lhe dão de beber. É mantido no escuro e apertado, quando sai para a arena a luz do dia e as lantejoulas dos fatos cegam e confundem o animal.
Os picadores com a "puya" e banderilheiros continuam sadicamente e covardemente o seu trabalho. Rasgam-lhe a pele, os pulmões, as costelas e os músculos do pescoço.
Então, quando os "corajosos" toureiros entram, têm um animal que não é metade do que pode ser. Têm pela frente um animal que está em farrapos e semi-destruído.

Há quem afirme que se trata de um acto de coragem quando os forcados avançam para a pega de caras. Nem isso é.
Porque por esta altura já o touro foi lidado.
Está massacrado, torturado, enfraquecido e cansado por perdas maciças de sangue causadas pelas várias bandarilhas espetadas no seu dorso que lhes dilacera mais os pulmões e com sangue e espuma a sairem-lhe da boca.
Porque por esta altura o touro já há muito que está em pânico e deseja fugir mas o desenho circular da arena impede-o de o fazer.
Porque por esta altura quando o touro investe está cego de dor e desesperado. E é a única coisa que ele pode fazer.

Mas infelizmente também os cavalos são violentados e brutalizados.
Os cavaleiros cravam fortemente as esporas nos seus flancos para incitar o cavalo a enfrentar um animal que não querem, o touro, porque lhe pode pôr a sua integridade física em causa.

O resultado disto são cavalos feridos nas costelas pelas esporas, magoados pelos embates com o touro e igualmente feridos e rasgados pelos seus cornos . Também eles deixam o seu sangue inocente na arena.

Mas a provação do touro continua para além da tourada quando é recolhido aos curros. Vem ferido e agonizante. Febril. Os arpões são arrancados a sangue frio da sua carne. As sua feridas são cauterizadas da mesma maneira. A sua morte, o seu alívio, é lento e tardio.

Por isso, no limite aceito as touradas de morte. Acaba com o sofrimento e confere dignidade a um animal nobre que foi colocado numa arena para divertimento e gáudio de uma multidão de sádicos ignóbeis.

Arte e cultura ? Claro que não! A arte dignifica o Homem, eleva-o ao estatuto de criador e a cultura mantém esse estatuto ao longo do tempo.
A tourada é um acto torpe de crueldade e covardia de animais racionais que incapazes de se comportarem como Homens, enfrentam ou usam animais para enfrentar outro animal previamente e violentamente enfraquecido e torturado.
É a completa ausência de valores e de princípios. Nada que seja digno de se chamar arte e cultura.

Mas ao ler este artigo fez-me crer que aos poucos e poucos o Homem vai adoptando uma atitude mais consentânea de uma espécie que se afirma racional.
Sinal que (lentamente) continuamos a evoluir enquanto espécie.