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quarta-feira, 8 de junho de 2022

foi há 50 anos


Que Nick Ut, um fotógrafo vietnamita tirou a fotografia que ficaria conhecida no mundo inteiro como a Rapariga Napalm.
A fotografia mostra Phan Thị Kim Phùc, nua, a chorar e com corpo queimado por napalm na Guerra do Vietname. A fotografia foi tirada na vila de Trang Bang, não muito do longe de Saigão, actualmente Ho Chi Minh, em 8 de Junho de 1972.

Poucos sabem que Nick após ter tirado a fotografia pegou nela, embrulhou-a num cobertor, e nas restantes crianças, colocou-as na sua carrinha e levou-as para o hospital mais perto, salvando as suas vidas.

Kim Phuc, agora mãe de dois filhos e a residir no Canadá desde 1992, ao recordar a fotografia afirmou que durante muito tempo se sentiu desconfortável por estar nua enquanto as restantes estavam vestidas. Na escola, as crianças fugiam dela devido às extensas queimaduras nas costas. Pensou que nunca mais ninguém a iria amar. 
As marcas das queimaduras ainda estão presentes no seu corpo.

Kim tem presentemente 59 anos e o fotógrafo vietnamita conta 71 anos.






domingo, 19 de agosto de 2018

dia mundial da Fotografia 2018 - Alex Saberi


Tenho uma relação curiosa com o fotógrafo londrino Alex Saberi. A fotografia dele fascina-me.
Fascinam-me fortemente porque são atraentes na composição, perfeitas no ambiente capturado, são de uma enorme poesia e a técnica fotográfica é de eleição. São obras primas.

Quando observo uma fotografia dele, depois do embevecimento o que vem a seguir é como seria a fotografia original. Qual o impacto do pós-produção no trabalho final. Aliás, esta é uma pergunta muito frequente em mim em cada vez que admiro uma fotografia. Mas em certos fotógrafos essa curiosidade está mais presente.

Entrei no mundo de Alex Saberi da melhor forma possível: pelo seu trabalho no Richmond Park.
Um parque situado a pouco mais de uma dúzia de quilómetros do centro de Londres, casa de seis centenas de veados entre (muitos) outros animais.
Pela lente de Saberi torna-se encantado, feérico. A qualquer momento podemos ver um duende a correr ou uma fada surgir por trás de uma neblina etérea.
A primeira fotografia que me fez cair o queixo de espanto pela beleza das suas imagens é a que inicia a mini-selecção (todas de Richmond Park) que escolhi do trabalho do fotógrafo londrino.

Conheçam o mundo poético de Alex Saberi no seu site.
















sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

A Execução de Saigão - 50 anos


No primeiro dia de Fevereiro de 1968, o fotógrafo norte-americano Eddie Adams, tirou uma fotografia que se tornou um dos símbolos máximos do anti-guerra vietnamita.

Saigão, o que hoje se chama Ho Chi Minh City. O chefe da polícia local, General Nguyen Loan, sai para a rua arrastando Nguyen Van Lem algemado, um prisioneiro vietcong. O que parecia ser uma ameaça, um transporte para uma outra qualquer prisão, transformou-se num abrir e fechar de olhos, numa execução.

Nguyen ergue o braço direito segurando uma pistola e de imediato, sem hesitações, dispara directo à cabeça do prisioneiro. Para a história, congelado pela câmara de Eddie fica o gesto do policia e o trejeito inútil de protecção do prisioneiro, adivinhando o que iria acontecer fracções de segundo depois: a sua própria morte.

Chamam-lhe a Saigon Execution (A execução de Saigão). Para todos nós ela mostra um civil que foi abatido, executado a sangue frio. Na verdade não é um civil. Muito longe disso.
É um militar cuja milícia, na manhã do próprio dia em que foi executado, a que pertencia, matou mais de trinta sul vietnamitas em Saigão. Polícias, seus familiares, filhos e alguns norte-americanos.
Todos eles também algemados e alvejados com tiros na cabeça.

Argumenta-se que Lem estaria protegido pela Convenção de Genebra e que a sua execução, sem direito a um julgamento em tribunal, teria sido um crime de guerra. Há que defenda o contrário, que não estava ao abrigo da Convenção. Tinha morto membros da polícia, não estava fardado e não estava em combate.
É esta a última situação para a qual pendem a maior parte das opiniões. Aos dias de hoje ainda se discute se de facto estaria ou não protegido pela Convenção de Genebra.

O facto é que o General Loan foi para o Estados Unidos viver e abriu uma pizzaria na Virginia.
Quando se soube quem Loan era e o que tinha feito, a sua vida foi várias vezes ameaçada. O restaurante teve que ser fechado.
Nguyen Loan morreu de cancro em 1998, com 67 anos.

Ontem, quinta-feira, um de Fevereiro de 2018, esta imagem fez 50 anos que foi tirada.





terça-feira, 26 de setembro de 2017

Pete Turner (1934 - 2017) - o Senhor das Cores


Pete Turner morreu no passado dia 18 de Setembro.
Muitos fotógrafos são fáceis de categorizar, de compartimentar.
São foto-jornalistas, fotógrafos de rua, paisagens, viagens, de guerra, casamentos e por aí fora.

Pete Turner, não. Pete Turner é um fotógrafo dele próprio, não que se fotografe a si próprio, tipo selfies, mas o seu interior, a sua imaginação.
Ele fotografa a realidade não como é, mas como a vê. E a sua realidade, a forma como a percepciona, tal como a do artista gráfico holandês M.C. Escher, é única e reinventada. É cativante, estranha, fascinante e no meu caso, também e acima de tudo, hipnotizante.
São profundamente imagéticas. Atraem-me sobremaneira a forma como joga com cores, perspectivas, com as simetrias ou a ausência delas, joga com os nossos sentidos físicos.

Transforma o concreto, o que é fácil de identificar, em algo conceptual e a roçar o abstracto, mas sem adulterar a sua essência real, a realidade continua identificável, presente.
E fá-lo de uma forma suave, aveludada, onírica, sem nos exigir nada.




















quarta-feira, 13 de setembro de 2017

sewage surfer


Esta fotografia à semelhança da de ontem é também uma finalista do concurso Wildlife Photographer of the Year deste ano.
O seu autor chama-se Justin Hofman

Mas o significado é o oposto. Esta não tem beleza.
Esta é um grito, é um choro do nosso planeta.

Um dos mais elegantes, mais delicados e mais finamente talhados pela natureza, habitantes do nossos oceanos, o cavalo marinho, agarra-se a uma âncora para se estabilizar e deixar-se ir ao sabor da corrente no recife Sumbawa Island, na Indonésia.

Tudo bem se não fosse um cotonete, tudo bem se não fosse plástico, tudo bem se não fosse lixo humano deitado ao mar, ou que chega ao mar.
Em condições normais, um cavalo marinho agarra-se a uma alga, navega ancorado numa.

Esta fotografia não tem nada de belo. É profundamente triste, revoltante, negra.
Uma imagem tenebrosa daquilo que estamos a fazer ao nosso planeta, à nossa casa.

Justin Hofman, deu um nome apropriado à fotografia: Sewage Surfer.
Traduzindo à letra será Surfista do Esgoto.

Na verdade é um navegante do lixo. Do nosso lixo, do lixo que não pertence ao mar.





terça-feira, 12 de setembro de 2017

artic treasure


É assim que se chama esta espantosa fotografia de Sergey Gorshkov. Ela é uma das finalistas do concurso Wildlife Photographer of the Year deste ano.

Uma raposa do árctico segura na sua boca um ovo, o seu tesouro árctico, e lava-o para a sua toca.
Os castanhos do seus olhos é quase o único de toque numa fotografia que parece ser a preto e branco mas que não é.




sábado, 19 de agosto de 2017

dia mundial da Fotografia 2017 - Elliott Erwitt


Elliott Erwitt, deve ser dos fotógrafos de rua mais fascinantes e inteligentes que conheço.
É divertido, sério, é sarcástico, perspicaz e acima de tudo um oportunista, no sentido de saber aproveitar e reconhecer a oportunidade quando esta surge à sua frente, brilhante.
Foi um dos primeiros fotógrafos a integrar a agência Magnum e um dos seus presidentes.

Despreocupado relativamente aos temas que pretendia fotografar, não se deixa prender por temas previamente definidos, nas palavras dele "apenas reajo ao que vejo", fica com a criatividade e imaginação desenfreadamente à solta. E é precisamente isto que o seu trabalho demonstra.


Descobri Elliott, nascido francês mas naturalizado norte-americano em 2013, numa das minhas viagens mais marcantes que fiz até ao momento: o transiberiano na rota transmongol.

Na entrada do hotel onde estava hospedado em Moscovo, havia um livro dele que se intitulava Paris.
Ao longo dos dias que estive em Moscovo, folheei quase diariamente este livro e facilmente, muito facilmente, deixei-me seduzir por este fotógrafo.

Paris, New York e Dogs, são talvez os seus melhores livros.
Até neste aspecto, Elliott quebra convenções. Quando elabora um livro - afirma que a existência de um fotógrafo passa pela existência em papel - procura nos seus arquivos, fotografias que possam ser alinhadas e dar origem a um tema coerente, espalha-as no chão e faz a selecção passeando por elas e tentando perceber quais as melhores que servem esse propósito.

A fotografia que encerra a série dele neste post, é a minha preferida da sua obra. É a capa do livro Paris. Consta que é uma fotografia minuciosamente encenada - o homem que salta no ar, será um bailarino contratado, veja-se a amplitude da abertura das suas pernas - para prestar homenagem, ao que Cartier-Bresson chamava o "momento decisivo". Aquele momento em que tudo se conjuga para a fotografia se tornar genial e perfeita.
Seja ou não encenada, a fotografia é brilhante e revela a intuição e a imaginação de Elliott para a fotografia.

Se há fotógrafos fora da caixa, e com uma profunda empatia com os cães, Elliott Erwitt, actualmente com 89 anos, é o maior deles.




















sexta-feira, 19 de agosto de 2016

dia mundial da Fotografia 2016 - David Alan Harvey



O que mais me agrada em David Alan Harvey é a espontaneidade, a simplicidade e a despreocupação com que fotografa.

Para este fotógrafo norte americano da National Geographic e da agência Magnum, nascido em Junho de 1944, a composição é importante, mas não essencial. O que é verdadeiramente essencial é a história que se quer contar, a forma como esta é fotografada é (quase) secundária, é sentir a paixão, o amor que se sente pela fotografia e pelo objecto que se fotografia.
Na sua opinião mais do que a técnica, são estes dois pontos que devem estar presentes, que devem tutelar e transparecer na fotografia.

Uma das características mais identificáveis em Alan Harvey, e que o torna singular é a composição das suas fotografias. Vê magistralmente o mundo por camadas. Uma sucessão de primeiros e segundo planos, e até mais. Não são meramente bidimensionais, confere-lhes tridimensionalidade. O nosso olhar começa mesmo à nossa frente e depois somos conduzidos para o fundo da fotografia. Não é um olhar estático.

Pode não emocionar, nos atirar, empurrar para dentro da fotografia da mesma maneira que Steve McCurry sublimemente consegue, mas tem o dom de nos pôr a apreciar as sua fotografias como se de quadros numa galeria se tratassem,
Inclinamos a cabeça para um lado, para o outro, uns passos para frente, uns quantos para trás. Vemos o todo e depois procuramos detalhes.
Não é por acaso que David Alan Harvey consegue esta proeza.
Desde cedo que estudou e procurou inspiração nos mestres da escola de pintura impressionista.

Afirma convictamente que tal como um músico, um pintor, um escultor, começa por estudar os clássicos, a história da arte, um fotógrafo tem que começar por aí também.
Perceber o que está por trás das grandes fotografias, estudar os grandes mestres e copiá-los até para perceber o que pensaram e o que viram. Depois naturalmente o seu olhar, a sua visão, as suas características, aparecem naturalmente.

Neste aspecto David Alan Harvey é realmente único.