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sexta-feira, 1 de setembro de 2023
Olééééé
Bordalo II a espetar um par de bandarilhas na tauromaquia. E numa das maiores salas de torturas do país: a praça de touros de Vila Franca de Xira
sexta-feira, 30 de dezembro de 2022
sexta-feira, 15 de outubro de 2021
em direcção à abolição
Mesmo assim o país ainda não respeita, nem segue, as recomendações do comité das Nações Unidas para os Direitos das Crianças, de 27 de Setembro de 2019, que tinha aconselhado anteriormente Portugal que a idade miníma para assistir a tamanha crueldade fosse 18 anos.
No entanto é uma vitória por uma (longa) batalha que tem por objectivo de erradicar de uma vez por todas algo que é inqualificável e execrável, que nos envergonha enquanto país e nos impede de sermos dignos da palavra, e do seu significado, civilização.
Este é mais um passo em direcção à abolição dessa coisa abjecta que são as touradas. 💪💪
sexta-feira, 7 de junho de 2019
quinta-feira, 29 de novembro de 2018
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
sexta-feira, 3 de junho de 2016
terça-feira, 3 de maio de 2016
Paulo Varela Gomes - Morre como um touro
Para além de tudo o que deixou escrito, vários livros, ensaios, críticas e colaborações com jornais, participação activa na vida política nacional e dois documentários feitos para a RTP, Paulo Varela Gomes deixou também um longo e doloroso relato escrito na primeira pessoa, sobre a forma como reflectiria, viveria e enfrentaria a sua própria morte.
Foi escrito para a revista Granta com o título "Morrer é mais difícil do que parece"
Para além destas facetas literárias e técnicas, o historiador tinha também uma vertente humanista e muito acutilante no que respeita ao sofrimento animal.
Para este post é este seu lado que prefiro trazer ao de cima, porque os outros são já sobejamente conhecidos por todos.
Em 2010, Paulo Varela Gomes escreveu um texto para o Público intitulado - Morrer como um touro.
Um texto sentido e emotivo sobre as angustias e os sofrimentos do touro durante uma lide na arena e a aparente e pretensa valentia de um toureiro ou forcado, que apenas mascara uma profunda covardia.
Fica o link para o texto completo e reproduzo parte desse mesmo texto:
"Mas a tradição é mais antiga, do tempo em que humanos e animais lutavam na arena para excitar os nervos da multidão com o sangue e a morte anunciada. A piedade, que é um valor mais antigo do que Cristo, veio, na sua interpretação cristã, salvar disto os humanos. Esqueceu-se, porém, dos animais.
Há um momento nas touradas em que o touro, muito ferido já pelas bandarilhas, o sangue a escorrer, cansado pelos cavalos e as capas, titubeia e parece ir desistir. Afasta-se para as tábuas. Cheira o céu. Vêm os homens e incitam-no. A multidão agita-se e delira com o sangue. O touro sabe que vai morrer. Só os imbecis podem pensar que os animais não sabem.
Os empregados dos matadouros, profissionais da sensibilidade embaciada, conhecem o momento em que os animais "cheiram" a morte iminente. Por desespero, coragem ou raiva (não é o mesmo?), o touro arremete pela última vez. Em Espanha morre. Aqui, neste país de maricas, é levado lá para fora para, como é que se diz? ah sim: ser abatido.
A multidão retira-se humanamente, portuguesmente, de barriga cheia de cultura portuguesa, na tradição milenar à qual nenhuma piedade chegou.
Os toureiros têm pose que se fartam (e com a qual fartam toda a gente). Pose de hombre, pose de macho. Mas os riscos que de facto correm são infinitamente menores que a sorte que inevitavelmente espera os touros, que o sofrimento e a desorientação que infligem aos touros para o seu próprio prazer e o da multidão.
Os toureiros têm pose que se fartam (e com a qual fartam toda a gente). Pose de hombre, pose de macho. Mas os riscos que de facto correm são infinitamente menores que a sorte que inevitavelmente espera os touros, que o sofrimento e a desorientação que infligem aos touros para o seu próprio prazer e o da multidão.
Dá vontade de dizer que quem se porta assim, quem mostra orgulho de se portar assim, tem entre as pernas, e não apenas literalmente, órgãos bem mais pequenos que aqueles que os touros exibem. Os toureiros são corajosos mas entram na arena sabendo que haverá sempre quem os safe, senão à primeira colhida, então à segunda. Às vezes aleijam-se a sério e às vezes morrem, o que talvez prove que os deuses da Antiguidade são justos, vingativos e amigos de todos os animais por igual. Os touros, esses, não têm ninguém que os vá safar em situação de risco, estão absolutamente sós perante a morte.
Querem os toureiros ser hombres até ao fim? Experimentem ser tão homens como eram os homens e os animais na Antiguidade: se ficarem no chão, fiquem no chão. Morram na arena. É cultura. A senhora ministra da Cultura certamente compensará tão antigo costume.
Também era da tradição, em Portugal por exemplo, executar em público os condenados, bater nas mulheres, escravizar pessoas. Foi assim durante milénios. Ninguém via mal nenhum nisso a não ser, confusamente, com dúvidas, as próprias vítimas. Até que a piedade, na sua interpretação moderna e laica, acabou com tão veneráveis tradições.
Que será preciso para acabar com a tradição da tourada? Que sobressalto do coração será necessário para despertar em nós a piedade pelos animais?"
Também era da tradição, em Portugal por exemplo, executar em público os condenados, bater nas mulheres, escravizar pessoas. Foi assim durante milénios. Ninguém via mal nenhum nisso a não ser, confusamente, com dúvidas, as próprias vítimas. Até que a piedade, na sua interpretação moderna e laica, acabou com tão veneráveis tradições.
Que será preciso para acabar com a tradição da tourada? Que sobressalto do coração será necessário para despertar em nós a piedade pelos animais?"
quarta-feira, 9 de março de 2016
preservar tradições, dizem os Tauromáquicos...
Se as tradições envolvendo, dor, sofrimento, crueldade e tortura, fossem mantidas, os algozes tauromáquicos e respectivos capangas, estão defendendo práticas que já foram abolidas, ou que estamos a tentar abolir em prol da evolução do ser humano.
Como por exemplo o apedrejamento de mulheres ou a excisão genital feminina.
Dirão que a comparação entre pessoas e animais não pode ser feita. Pode.
Falamos de vidas. Humanas e não humanas.
Somos todos seres vivos, somos sencientes. sabemos, e os animais sabem o que é bom e o que é mau,
Todos têm medo de algo que agride, magoa profundamente, que faz doer.
A comparação é completamente justa.
Como por exemplo o apedrejamento de mulheres ou a excisão genital feminina.
Dirão que a comparação entre pessoas e animais não pode ser feita. Pode.
Falamos de vidas. Humanas e não humanas.
Somos todos seres vivos, somos sencientes. sabemos, e os animais sabem o que é bom e o que é mau,
Todos têm medo de algo que agride, magoa profundamente, que faz doer.
A comparação é completamente justa.
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
terça-feira, 20 de outubro de 2015
a (hedionda) realidade das touradas por quem as viveu
«Testemunho de um Técnico de Som sobre a Barbárie Tauromáquica»
Jose Sepúlveda, técnico de som do Canal Nou e que durante algum tempo trabalhou na transmissão de touradas decidiu relatar aquilo que viu e ouviu durante estas emissões. A imagem inserida no texto é apenas para ilustração do artigo.
”Sempre que trabalhei na parte sonora das transmissões frequentemente comentava que se em lugar da banda de música, dos aplausos, dos bravos, dos olés e etc o som fosse captado pelo Sennheiser 816 (microfone que capta a grande distância e com muita qualidade) perto da arena onde se escuta perfeitamente o som das bandarilhas a entrar na pele, os mugidos de dor do animal a cada tortura que é submetido e além disso as pessoas acompanhassem os primeiros planos das feridas, dos coágulos tão grandes com a palma da mão, do sangue que jorra, do bater do coração ou o olhar do animal antes da estocada final 90% desligaria a televisão ao presenciar tamanha chacina ao ritmo de pasodoble.
Eu pessoalmente pedi para deixar de fazer esse tipo de trabalho, porque um dia em Castellón, tocou-me estar entre barreiras e fiquei muito incomodado ao escutar um touro depois do toureiro ter falhado por quatro vezes a estocada e tive que tirar os auscultadores e o animal agonizava, cuspia, afogava-se no seu sangue vindo morrer mesmo ao pé de mim apoiado na madeira e o seu olhar ensanguentado e com lágrimas, sim lágrimas, sejam ou não sejam de dor cruzou-se com o meu até que um inútil falhou duas vezes o descabelo e eu disse-lhe tudo e mais alguma coisa.
Foi aí que terminou o meu trabalho em praças de touros para toda a vida.
São sentimentos pessoais e o mais provável é que um amante da “fiesta” ache ridículo, mas para mim ridículo é quando depois de semelhante carnificina olhas para o público e vês que aplaude, come sandes sem qualquer preocupação não tendo visto nem ouvido o que eu testemunhei”.
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