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domingo, 26 de fevereiro de 2023

um cemitério chamado Europa


Hoje, morreram dezenas de emigrantes na costa sul da Itália. 
Um barco vindo da Turquia com mais de uma centena de migrantes oriundos do Paquistão,  Iraque, Irão, Síria e Afeganistão, afundou-se no sul da costa italiana, Calábria.

Se a Europa acolhe, e muito bem, refugiados da Ucrânia, porque não acolhe da mesma maneira estes refugiados? Porque não são europeus? Não fogem também eles da miséria? De guerras civis? Não procuram eles a esperança que não encontram nos seus próprios países? Não são eles também seres humanos em desespero?

Fala-se em milhares de mortos de civis, de inocentes, na guerra da Ucrânia um ano após a invasão russa.
Diariamente somos confrontados, chocados, com estes números mas no mediterrâneo igualmente perdem-se milhares de vidas todos os anos e há vários anos. São apenas uma notícia de rodapé ou, com sorte, efémeros cinco minutos que perdem para um qualquer jogo de futebol, em noticiários televisivos que duram quase noventa, senão mais, minutos.

Porque não os protegemos, não os acolhemos, não lhes damos a esperança que procuram?
Somos cúmplices nas suas mortes. Não os matamos com armas, mas matamo-los por afogamento, matamo-los com indiferença, com discriminação, com soberba. E aos milhares. Cerca de três mil. Todos os anos.











sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

compostagem humana? a favor


A ideia é tornar a morte humana sustentável, verde. Diminuir o espaço ocupado em cemitérios, evitar a introdução de químicos (formaldeido) de preparação do corpo e diminuir a emissão de CO2 ao evitar as cremações.
O conceito, na essência é simples. Aplicar ao corpo humano o que se faz na compostagem de resíduos orgânicos: transformá-los em adubos, em fertilizantes. 

O objectivo, além de visar primariamente a sustentabilidade, tem também uma dose de romantismo associada, que pessoalmente me agrada e atrai, o facto de com a morte pode gerar vida, alimentar vida.
O conceito não é novo. 
Para os mais atentos já existe algum tempo a possiblidade de compostar os animais que connosco partilharam as suas vidas.
No entanto, a compostagem esbarra, de momento, em duas grandes dificuldades: o tempo e o custo.
O tempo, porque decompor um corpo de forma totalmente natural pode demorar quase três meses o que para um processo de luto pode ser difícil de tolerar. O custo, por o processo não estar massificado, uma vez que está nos seus passos iniciais e pela lentidão que demora, pode atingir largos milhares de euros.
Na verdade existe um terceiro obstáculo: a intrometida igreja. Esta, que se julga dona da moral, vida e da morte de todos nós, como se tivesse autoridade efectiva sobre as mesmas, tem oferecido grande resistência a esta nova forma de ver a morte.

Nos Estados Unidos da América, cada vez um número maior de estados têm vindo a legalizar esta prática. Na Europa, a Suécia já o permite.

No que me diz respeito, como já escrevi aqui, esta possibilidade atrai-me de sobremaneira. E pelas duas vertentes, quer a da sustentabilidade, quer a do romantismo - devolver à terra o que é da terra e com a maior pureza e simplicidade possível.













quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Eles adoram touros e depois... torturam-nos


Os toureiros e a tauromaquia adoram realmente o touro. Fazem muitas festinhas, carícias e cantam canções de embalar.

Picam o touro com lanças na ganadaria, são mal tratados no transporte para arena. São desidratados, dão-lhe laxantes, turvam-lhe a visão e dificultam a sua respiração. 
E os carinhos prosseguem. Serram os seus cornos a sangue frio, ferem-lhe as patas e os testículos, e ainda os colocam em lugares escuros sem luz para quando forem para arena estarem cegos e investirem perigosamente quando o que eles querem é fugir porque estão cheio de dores e encadeados.

Entretanto na lide o seu amor aos touros é bem evidente. 
Espetam-lhe ferros que lhe rasgam os músculos do cachaço e pescoço. Perfuram~lhe os pulmões, sofre hemorragias, perdendo cerca de seis litros de sangue.
Confundem-no com os volteios das capas enquanto as bandarilhas vão rasgando ainda os seus músculos.
O rabujador aquele que puxa pela cauda, provoca-lhe luxações da coluna a um animal em sofrimento e enfraquecido pelas continuas perdas de sangue. Este rabujador e os forcados são uns valentes porque conseguem pegar de caras um animal que já está tão enfraquecido que por vezes não consegue correr e até cai de exaustão.

Depois da lide as farpas são retiradas com facas cortando de novo os músculos rasgados, cauterizam as feridas com maçaricos mais uma vez a sangue a frio e o tour desenvolve febres e infecções que não são tratadas e ainda esperam vários dias para irem para o matadouro, onde este infeliz ser vivo finalmente tem o descanso final.

Sem esquecer os outros bichinhos de estimação deles, os cavalos.
Ao fim, literalmente, meia dúzia de espectáculos macabros, morrem por causa das feridas infligidas pelo touro e pelas esporas dos toureiros que os forçam a fazer algo que eles não querem, aproximar-se de um touro ferido de morte.

Esta merda de gente, inútil, cheia de sadismo e covardia, ama mesmo muito os seus touros e os cavalos, claro.