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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

a um Deus invisivel





Braços estendidos numa praia do Djibouti em busca de um sinal da rede móvel somali, que lhes permita falar com quem desejam, com quem deixaram para trás, os seus familiares e amigos.
Um gesto de oração, veneração, estendido para o céu, a um Deus invisível, definitivamente não omnipotente e nem sempre omnipresente, o das telecomunicações.

São emigrantes oriundos da Somália, Etiópia e Eritreia que fazem do Djibouti um ponto de passagem para a Europa. Estão em busca de melhores condições de vida. Uma oportunidade que lhes permita fugir à pobreza, à instabilidade política, à fome e ao historial violento dos seus países.

A fotografia vencedora do concurso de fotografia World Press Photo de 2013 do americano John Stanmeyer, é plena de significado. 
Ela contém em si pobreza e desespero. Mas nela também encontramos esperança, ternura, preocupação e um moderno e muito global romantismo tecnológico.

Quando olho para ela não consigo deixar de torcer que o tão desejado sinal seja encontrado e que a vida finalmente lhes sorria.

É uma fotografia que vai bem para além do olhar.


quarta-feira, 2 de março de 2011

não é arte, não é cultura e não pode ser tradição!




Sou visceralmente contra as touradas.
Nesta fotografia, vejo um touro cruelmente mal tratado, ferido, a sangrar e forçado a estar numa arena, a defender-se contra um toureiro que o brutaliza.
Por isso esta fotografia impressiona-me duplamente. Não só pela precisão e perfeição técnica com que o momento foi captado, mas também pela extrema violência que ela evidencia.
Foi tirada pelo fotógrafo espanhol Gustavo Cuevas e ganhou o segundo lugar do concurso World Press Photo 2011 na categoria Desporto.

Remete-me de imediato para a questão das touradas e para os argumentos de quem a defende.
Não aceito que se chame a um acto de tortura de um animal, arte, espectáculo ou pior ainda, cultura.
Não, quando há flagrantemente, como no caso das touradas, um tremendo desrespeito pela vida de um animal, quando este é colocado desnecessariamente e cruelmente em sofrimento.

A arte implica estética, beleza e artistas.
Não há e nem pode haver estética, e muito menos beleza por se basear no sofrimento provocado deliberadamente e conscientemente num animal.
Não é e nem pode ser arte, porque não existem artistas, mas sim torturadores sádicos que "enfrentam" um touro, estando este sempre previamente diminuído e fisicamente enfraquecido quando entra numa arena.

Cultura é aquilo que se transmite de pessoa em pessoa, geração em geração. Cultura é algo que um país tem orgulho em mostrar, algo que o diferencia dos restantes, algo que o torna atraente aos olhos do seu próprio povo e ao dos outros povos. É algo que se ergue como uma bandeira.

Não aceito que a tourada, um acto bárbaro que se baseia em pressupostos de crueldade, sofrimento e desprezo pela integridade física de um animal seja uma bandeira de um país, particularmente do meu.
Não aceito que se diga falaciosamente que os touros são criados para este propósito e que se não fossem as touradas eles já teriam desaparecido. Como se os touros não existissem antes de alguém inventar essa "coisa" primitiva e sanguinária a que chamaram tourada.


Felizmente que a tourada está a ser banida um pouco por todo o lado. As consciências estão a despertar.
Espanha que tal como Portugal, é um dos países com maiores “tradições” nesta tortura, está a questionar esta prática a uma velocidade cada vez maior e está a proibir as touradas um pouco por todo o país.
Atrás do exemplo de Espanha outros países certamente farão o mesmo. A Colômbia e a Venezuela começam a dar os seus primeiros passos nesse sentido.

As pessoas podem não ser sensíveis ao sofrimento de um animal ou animais se incluirmos os cavalos, mas certamente que o serão quando se trata da vida humana.
Na prática o que a tourada faz e que esta fotografia mostra exemplarmente são dois animais em sofrimento. E isso não é claramente justo.
Especialmente porque um deles, o irracional, não pediu para lá estar.


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

e se...



Esta foi a fotografia que ganhou o concurso World Press Photo (WPP) deste ano.
A jovem afegã Bibi Aisha com 18 anos foi mutilada pelo seu próprio marido com a autorização da lei talibã.
O seu crime terá sido o de se ter refugiado em casa de seus pais devido a maus tratos causados por ele, a quem tinha sido prometida aos 8 anos como pagamento de uma dívida que a sua família tinha.
Como consequência, o seu marido desfigurou o seu rosto, cortando-lhe o nariz e as orelhas.

Esta fotografia foi considerada como uma bandeira contra a violência sobre as mulheres por David Burnett, presidente do júri do WPP.
A violência sobre as mulheres não é de todo justificável. Nem que se invoque questões culturais ou religiosas. Será sempre uma barbárie. O que sucedeu a Bibi Aisha é um caso flagrante e chocante dessa mesma barbárie.

Mas qual o mérito desta fotografia? Alertar para a violência sobre as mulheres ou para o choque da desfiguração e profanação de um rosto bonito?
E se tivesse sido uma fotografia de uma mulher com dentes podres, saídos, de olhos grandes quase a saírem das órbitas e peladas na cabeça, mas igualmente desfigurada? Teria ganho este concurso?
Seria igualmente uma bandeira contra violência das mulheres? Duvido.



Após a mutilação, Aisha foi abandonada na rua. Mas foi encontrada por civis que faziam trabalho humanitário que a entregaram ao exército norte-americano.

A fotógrafa Jodi Bieber fotografou-a e foi através dessa fotografia que a ONG Grossman Burn Foundation (apoio a queimados) a levou para o EUA e pagou-lhe a prótese do nariz assim como as respectivas cirurgias reconstrutivas.
Vive agora no Bronx. 
Um final feliz para Aisha.
















sexta-feira, 7 de maio de 2010

World Press Photo 2010 - Lisboa


O melhor do que se faz em fotojornalismo pode ser visto em Lisboa no Museu da Electricidade.
A World Press Photo abre a sua exposição hoje e está aberta ao público até ao dia 23 deste mês.



Para quem não puder testemunhar neste museu o poder e a força do fotojornalismo, tem em alternativa o link para a página dos vencedores das diversas categorias deste concurso.

A World Press Photo, fundada em 1955, é uma instituição independente com fins não lucrativos, com sede em Amesterdão (Holanda).
Tem por objectivo estimular este tipo de fotografia e a promoção de conhecimentos e experiências.


Fotografia vencedora da ediçao de 2010 (fonte Google Imagens)