A elegância da linha, a fluidez do traço, a imaginação das transições, a visceralidade do vermelho, prendem os nossos olhos, enquanto o violoncelo fascina os nossos ouvidos.
Infelizmente por um motivo qualquer, a realizadora desta animação Nadia Micault inverteu a ordem dos dois movimentos que constituem esta sonata do compositor e músico húngaro, György Ligeti.
Capricio, na verdade é o segundo e não o primeiro, e Diálogo antecede Capricio.
A história desta sonata é curiosa.
Cada um dos movimentos foram escritos em alturas diferentes e para mulheres diferentes.
Se o Diálogo, foi composto e inspirado por amor a uma estudante (que não foi correspondido) e há uma ternura imensa neste movimento, a doçura silenciosa de um sofrimento inculcado por uma paixão, o segundo movimento é Capricio, é o contrário.
Em 1953, a violoncelista Vera Dénes pede a Ligeti que componha uma peça para violoncelo.
Ligeti que já tinha composto Diálogo e tinha parado por aqui, decidiu acrescentar-lhe um segundo movimento, Capricio.
Para antagonizar com o Diálogo, o segundo movimento é virtuoso, livre, rápido, intenso, por vezes feroz. Sem restrições, emoções atiradas ao ar para ninguém as apanhar, para não serem de ninguém senão dele.
Nadia interpretou maravilhosamente, a bipolaridade desta sonata. O seu traço ilustra a personalidade, a intensidade tão opostas destes dois movimentos.
Animação é simples e elegante. Linhas e traços animados com transições espectaculares.
Cativa-me. Prende-me a atenção.
O único propósito, o único desejo, é fluir, estar em movimento perpétuo.
A animação de Tessa Chong é suavizar, abrandar, expurgar o stress, o frenesim da rotina. Coexistir na mesma linha, a cor e o preto e branco, a mecanização e a dança, rotina e o sonho para onde se volta, quando a primeira acaba.
Tal como a música Sleepless de Super Magic Hats, esta animação é etérea e elegante.
Atira-me para o mundo dos sonhos, por onde se voa algures, no limbo, entre a realidade imaginada e a irrealidade possível, onde os pensamentos não existem, ou estão suspensos e fragmentados. onde se pode olhar para eles, observá-los com indiferença e distância, em vez de eles nos canibalizarem, de nos devorarem com a sua complexidade tortuosa e obscura.
As prospecções, pesquisa e produção de petróleo e gás natural que estão previstas em todo o território nacional (on-shore e off-shore) cujos contratos já estão assinados, e particularmente no Algarve é uma questão muito séria e mais preocupante ainda. Apesar de esta questão ter ganho algum imediatismo recentemente, infelizmente poucos a conhecem e muitos estão desinteressados nela.
Não foram consideradas necessárias análise de impactos ambientais (!!!) e impactos turísticos nas zonas consideradas como sendo mais promissoras, o que é um absurdo dada a natureza catastrófica e altamente poluidora da prospecção e exploração de petróleo e gás natural.
Algumas dessas áreas consideradas "interessantes" estão localizadas em zonas protegidas da na natureza, localizadas no sul (Alentejo e Algarve) do país: o Parque Natural da Ria Formosa, Reserva Natural do Sapal de Castro Marim, o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e a Costa Vicentina
A destruição e contaminação de lençóis freáticos e aquíferos, é quase uma certeza, flora e fauna marinha garantidamente terão os seus meio ambientes afectados e perturbados.
É uma actividade que comprovadamente potência a actividade sísmica em zonas onde esta está latente ou com registos sismológicos regulares. O Algarve, onde a maior parte dos esforços na procura e produção de petróleo estão concentrados, é uma das zonas com maior actividade sísmica registada em Portugal.
E estando nós a falar de Portugal, onde a mesquinhice, tráfico de influências, políticos intriguistas, tacanhos e corruptos, os remotamente benefícios deste assassinato do meio ambiente, que o ministério do Ambiente, pertencente ao ministro João Pedro Matos Fernandes, que por muito que diga o contrário, não preserva ou protege, dificilmente se reflectiriam no povo português.
Dada a falta de capacidade tecnológica e financeira para exploração de petróleo, toda ela seria feita por empresas externas com reduzidas contrapartidas para o Estado.
Há várias petições a correr contra esta desastrada decisão.
A questão não é andar nu. A verdadeira questão é andar com os sentidos nus.
É faze-los despertar. Dar-lhes sentido. Dar-lhes uso. Evitar a sua estupidificação por intermédio da rotina e dos horários impostos.
Natureza, claro que sim. Uns momentos de isolamento, claro que sim. Música, livros, claro que sim.
Ser natureza, é a nossa alma e os sentidos, terem liberdade, para poderem andar soltos, de vadiarem de mãos nos bolsos, a arrastarem os pés, sem terem caminhos ditados, traçados ou açaimados pelo tempo.
Ser natureza é podermos ser nós próprios sem autorização de ninguém. Livres de voar, de gritar, respirar, de corrermos como uns doidos, como um cão solto da sua trela numa praia vazia.
Ter o vento a passar pelo cabelo, o rosto húmido das gotas de chuva, o nariz
E quando passado algum tempo tudo volte ao mesmo, as grilhetas sejam colocadas e voltem a ferir, o nosso ser pelo menos, tivemos o privilégio único de sermos livres, de sermos nós, de sermos natureza.
Mas se um dia puderem nadar nus, sentir a água a fluir livremente pelo corpo livre, isso é... Natureza! :)
Quando ouvi este parvalhão mentecapto na Sic a falar cretinamente sobre o fim das touradas na Catalunha, imaginei-o de imediato com um par de bandarilhas no lombo e montes de Migueis Sousa Tavares - todos os que pensam como ele - a serem criados em ganadarias com destino às arenas para serem lidados por grandes e belos touros. Uns atrás dos outros.
Seria a grande festa brava dos Migueis Sousa Tavares. Tudo isto para que eles não se extingam e continuem a perdurar como raça mentecapta.
Mas não apenas porque ela atenta contra a vida humana.
Sou contra pena de morte porque se a justiça falhar o seu julgamento, perde-se uma vida inocente. Sou contra a pena de morte porque ela não permite o arrependimento e a redenção. O pagar à sociedade através de trabalho útil, cívico ou comunitário, o mal que alguém lhe causou.
Mas acima de tudo, por não permitir o desespero de imaginar, por parte de quem violentamente não cumpriu as regras da sociedade, que o resto da sua vida irá ser passada sem liberdade. Que a vida que anteriormente conheceu e usufruiu desapareceu.
Assume-se a morte como um apagar e o descartar de um problema. É o obliterar do indivíduo dito criminoso. É uma solução confortável, barata e fácil para a sociedade. Até para o próprio assassino. Tipo olho por olho, dente por dente.
A pena de morte é para todos os efeitos um assassinato, um homicídio. Tornamo-nos assassinos socialmente e juridicamente autorizados. Convenhamos que é uma forma de justiça fraca e falhada.
Sou a favor da prisão perpétua, sem liberdade condicional e sem redução de pena.
Sou a favor da vida e do desespero.
Assumi nos parágrafos anteriores que a pena de morte é aplicada usualmente a quem atenta contra a vida humana e consegue concretizar esse mesmo atentado. Mas a grande questão é que a pena de morte em muitos dos países que ainda a praticam é aplicada não apenas contra quem atentou contra a vida humana. Mas sim a quem tem opiniões contra uma doutrina vigente (política ou religiosa), quem pensa diferente, quem tem comportamentos divergentes do que está oficialmente definido.
Tem por missão e objectivo "arrancar as ervas daninhas", executar quem sai fora do "rebanho". Aqui, a pena de morte assume um papel mais vil e bem mais incompreensível do ponto de vista dos direitos humanos.
Penso, por exemplo, na China, na República Democrática do Congo, Arábia Saudita e Irão.
Portugal aboliu a pena de morte em 1867 e a última condenação à morte foi registada em 1849.