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quarta-feira, 21 de junho de 2023

verão, alguém que acabe com ele (já!)


Hoje começa o verão. O pior dos dois solstícios anuais.
Os próximos três meses serão um tremendo arrastar de grilhetas quer do ponto de vista fisíco, quer mental.
Só ha duas coisas positivas no verão: o prazer redobrado de beber uma cerveja gelada e que no fim dele, tal como o pote de ouro está no fim do arco-íris, começa o Outono.

Beach Samba, tem no título duas coisas que não gosto de todo, praia e samba. Então porquê esta escolha se detesto uma e outra coisa? Porque é a oportunidade de ouvir a voz de Astrud Gilberto - que morreu há cerca de duas semanas, e a bossa nova é uma forma de jazz  (brasileiro) que consigo tolerar bastante bem.
O tema surge no álbum homónimo de 1967.











terça-feira, 21 de junho de 2022

solstício de verão


Hoje começou o verão. Tenho pela frente os três piores meses do ano. 
Vendo a coisa pela positiva, penso sempre que é a altura em que a cerveja gelada se torna a nossa melhor amiga e que no fim destes três meses, começam os três melhores meses do ano.

Entretanto para apreciadores desta época em que o calor estraga as noites de sono, as cores ficam monótonas e ressequidas, os óculos de sol são necessários para proteger os olhos do sol fulgurante, começa a época dos escaldões e o agravamento das secas e ondas de calor, fica um tema de John Surman dedicada à estação adoradora do astro rei.












sexta-feira, 21 de junho de 2019

um poema de... Alberto Caeiro (no solstício de Verão)



No Entardecer dos Dias de Verão


No entardecer dos dias de Verão, às vezes,
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa...
Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria...
Ah, os sentidos, os doentes que vêem e ouvem!
Fôssemos nós como devíamos ser
E não haveria em nós necessidade de ilusão ...
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida
E nem repararmos para que há sentidos ...
Mas graças a Deus que há imperfeição no Mundo
Porque a imperfeição é uma cousa,
E haver gente que erra é original,
E haver gente doente torna o Mundo engraçado.
Se não houvesse imperfeição, havia uma cousa a menos,
E deve haver muita cousa
Para termos muito que ver e ouvir ...

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XLI"



quinta-feira, 21 de junho de 2018

está aí o verão :(


Começa hoje três meses de sofrimento, de opressão e depressão.
Noventa dias de cansaço físico e mental. Noventa dias em que sou olhado como um alien por não gostar de sol, de calor e de praia.

Vendo como a Primavera acabou e o verão está a começar - chuva, trovoadas e céu cinzento - tenho esperança que talvez não seja assim.
Mas sabendo que o Homem está empenhado em destruir o seu planeta, a sua delicadeza e todo o equilíbrio que o envolve, tudo me diz que esta esperança é ilusória.

O verão vai ter ondas de calor prolongadas, a seca vai ser intensa, os incêndios de novo devastadores, e dezenas de milhares de animais vão ser abandonados porque os seus seus irresponsáveis donos são incapazes de perceber que uma vida que é acolhida, amada e protegida por nós é... para sempre!
E não apenas enquanto são pequenos, fofos, não dão trabalho e não custa dinheiro.

Quanto a música, vem aí o pimba mais forte do que nunca, os cinemas enchem-se de comédias cada uma mais idiota que a anterior e os livros de cor de rosa brotam das prateleiras das livrarias como cogumelos. Definitivamente é um período tão negro quanto as paisagens ardidas.
Salvam-se os políticos que desaparecem de cena por um mês.

Jorge Lima Barreto, um dos homens (o outro era Victor Rua) por detrás dos Telectu, no ano 2000 lançava a solo o álbum Neon Neon.
Nele viajamos pelos dois equinócios (Primavera e Outono) e solstícios (Verão e Inverno) que existem ao logo de um ano.
Venha de lá o do Verão, enquanto ajoelhado rezo pela chegada rápida do equinócio do Outono.






domingo, 21 de junho de 2015

três meses para o Outono


Hoje começa o verão.
De imediato o cansaço, a prostração a cola-se ao corpo.

Se o começo da Primavera não é particularmente entusiasmante, o começo do Verão é deprimente.
Sol, calor, pessoas. Uma diabólica trindade para mim que dura uns inacreditáveis e sofridos três meses.

É nesta altura que pago o preço por apreciar tanto o Outono e o Inverno. Tolero tão bem as temperaturas baixas e a chuva, como amaldiçoo o sol e o calor.
Todos procuram o sol e o fujo dele como o diabo da cruz.

O Verão representa para mim o Outono das outras pessoas, Fico cansado e prostrado. Fico caduco. Gelatinoso.
Ando cansado e os suspiros são mais profundos e frequentes que nunca.

Todas os lanços de escadas tornam-se íngremes e longos. Dar um passo para sair de casa é um esforço feito à custa de razão.


É uma estação que põe toda a gente a querer expor o mais possível qualquer centímetro quadrado de pele ao sol.
É quando os atletas de verão vão querer mostrar o que não conseguiram em apenas dois ou três meses de ginásio. E é a recompensa de dois ou três meses de quem passa um ano no ginásio a dar duro e a olhar narcisisticamente para o espelho para mostrar o que realmente conseguiram.

A estação da efemeridade. Os bronzeados que duram um par de meses, as dietas que duram um par de meses, os corpos que afrouxam após um par de meses.

As paisagens deixam de ser idílicas, misteriosas. As cores, queimadas pelo Sol, tornam-se vulgares, tornam-se só cores mascaradas por óculos de sol.
A paz, a calma, evapora-se nas temperaturas altas,
Os animais escondem-se e a vida suspende-se. Para tudo depois regressar à noite quando as temperaturas baixam e a luz diminui.

No fundo o verão é uma estação muito pouco interessante e apelativa.
Toda a gente pensa no verão, porque é no verão que é escalado o período de férias. Quem faz férias, como eu, fora desta estação, percebe perfeitamente que o verão é apenas um nome.

Há apenas duas coisas interessantes que vale a pena saber sobre o solstício de verão: os raios solares no hemisfério norte são perpendiculares ao Trópico de Cancer e portanto incidem com maior força sobre o hemisfério norte e que a partir daqui os dias são sempre a diminuir.

Ah!! Faltam três meses para o Outono :)


sexta-feira, 21 de junho de 2013

um poema de... Alberto Ceiro (porque hoje é Verão)





XII

Como quem num dia de Verão abre a porta de casa
E espreita para o calor dos campos com a cara toda,
Às vezes de repente, bate-me a Natureza de chapa
Na cara dos meus sentidos,
E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber
Não sei bem como nem o quê...
Mas quem me mandou a mim querer perceber?

Quando o Verão me passa pela cara
A mão leve e quente da sua brisa,
Só tenho que sentir agrado porque é brisa
Ou que sentir desagrado porque é quente,
E de qualquer maneira que eu o sinta,
Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo...


Alberto Caeiro em O Guardador de Rebanhos


quinta-feira, 21 de junho de 2012

um poema de... Florbela Espanca (em dia de uma estação que não gosto)




A única coisa que me agrada no verão é pensar que só faltam três meses para o Outono :)


Panteísmo

Tarde de brasa a arder, sol de verão
Cingindo, voluptuoso o horizonte...
Sinto-me luz e cor, ritmo e clarão
De um verso triunfal de Anacreonte!

Vejo-me asa no ar, erva no chão,
Oiço-me gota de água a rir, na fonte,
E a curva altiva e dura do Marão
É o meu corpo transformado em monte!

E de bruços na terra penso e cismo
Que, neste meu ardente panteísmo,
Nos meus sentidos postos, absortos.

Nas coisas luminosas deste mundo,
minha alma é o túmulo profundo
Onde dormem, sorrindo os deuses mortos!


Florbela Espanca