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terça-feira, 11 de março de 2014

Grande Ecrã - The Monuments Men (Os Caçadores de Tesouros)


The Monuments Men - Os Caçadores de Tesouros - é um filme desperdiçado.
Principalmente por ter claramente um argumento esbanjado e uma realização monótona.

Um argumento esbanjado porque este tinha imenso potencial.
A história é verídica e certamente muito pouco conhecida do grande público.
Um grupo de homens de diversas profissões, mas todas ligadas à arte e à história, cuja missão é salvar da destruição da Segunda Guerra Mundial, património arquitectónico e simultaneamente obras de arte que foram sendo roubadas pelos nazis, por serem consideradas sujas e impuras, nos países que estes foram invadindo.
Por isto, um argumento que tem interesse documental e até pedagógico, foi descaracterizado ao ponto de mais parecer uma comédia aborrecida do que um drama com alguma intensidade e acção.

George Clooney como realizador (e argumentista), não conseguiu dar dinâmica, um pouco de acção à história.
Parece uma tentativa falhada de atingir o mesmo que Steven Soderbergh conseguiu com os três filmes "Ocean's".
Ao contrário deste, Clooney ao pôr a correr várias histórias paralelas, não conseguiu que nenhuma delas cativasse a nossa atenção, nem introduzir a dinâmica que desejaria. Faltou interligação entre elas, antagonistas fortes que ajudassem a formar um todo coerente.

É o elenco que salva o filme. Mesmo que o argumento nem a realização puxem por ele.
Mas quando se tem George Clooney, Matt Damon, Cate Blanchett, John Goodman e propositadamente deixo para o fim o melhor desempenho, Bill Murray, entre outros nomes, praticamente qualquer filme se salva e atrai gente às salas de cinema.

The Monuments Men com o falacioso título português de Os Caçadores de Tesouros (dá para pensar que vamos ver vários Indiana Jones em acção), é um filme algo cinzento, que não cumpre expectativas que cria e que não fossem os seus actores, a cumprirem o mínimo, praticamente nada o salvaria.




domingo, 20 de março de 2011

Grande Ecrã - Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau)


Fui ver Os Agentes do Destino por dois motivos: por se basear num conto escrito por Philip K. Dick e de alguma maneira ter a expectativa de encontrar um filme de ficção científica que tivesse a dinâmica e envolvência de Inception.

Sou fã deste escritor norte americano de ficção científica. Tenho vários livros dele e vi várias obras suas adaptadas ao cinema. Os superiores Total Recall, Minority Report e Blade Runner e os razoáveis NextPaycheck.

Os Agentes do Destino é um filme fluído e agradável de ver.

Tem uma narrativa dinâmica e consegue prender a nossa atenção.
É uma história de amor que acontece num mundo onde a vontade própria e o livre arbítrio é negado ou pelo menos condicionado em nome de um Plano superior que supostamente existe para protecção da própria humanidade. Qualquer desvio a este Plano terá que ser corrigido pelos Agentes do Destino.

O senador David Norris (Matt Damon) e a bailarina contemporânea Elise Sellas (Emily Blunt), ambos em ascensão nas suas áreas de intervenção, parecem alguma maneira escapar sistematicamente a este Plano e às necessárias correcções. Quer por intervenção do acaso, quer por força da sua vontade própria contrariam aquilo que foi escrito para eles.
O final é o esperado. O amor e a força de vontade vencem. Não sei como acaba o livro em que se baseou para escrever este argumento, mas certamente que George Nolfi - que também se estreia como realizador - podia ter pensado em algo mais imaginativo e convincente.

O casal do filme Matt Damon/ Emily Blunt funciona muito bem.
Damon como o promissor e jovem senador cumpre e está ao nível do que se espera.
Emily Blunt talvez seja o melhor do filme. Compõe uma bailarina simpática e muito espontânea, trazendo frescura e emoção ao filme.

Os Agentes do Destino é um filme que vale a pena ver. Não é deslumbrante, mas está longe de desiludir.
Compará-lo com Inception, nem de longe nem de perto. Perde em toda a linha. Talvez até nem seja justo fazê-lo.




terça-feira, 1 de março de 2011

Grande Ecrã - Indomável (True Grit)



Diria que Indomável e o Discurso do Rei são filmes irmãos. Em tudo muito iguais um ao outro.
A diferença é que a cada um deles corresponde um lado do Oceano Atlântico, moldando-os culturalmente e mostrando as suas raízes.
O Discurso do Rei é sobre o que mais típico a Grã-Bretanha tem, a realeza. Indomável oferece a mais pura tradição do Oeste americano.

Ambos os filmes estão suportados por actores principais cujos papéis enchem o ecrã e é difícil imaginar que outros actores poderiam ter melhor desempenho e ambos foram candidatos aos Óscares. Colin Firth pelo Discurso do Rei e Jeff Bridges por Indomável.

Por sua vez, nos dois filmes, os papéis de suporte têm um desempenho que rivaliza com os principais, Geoffrey Rush e Hailee Steinfeld tendo sido igualmente os dois nomeados para os respectivos Óscares.
As realizações são imaculadas e bem ritmadas, os argumentos muito bons, os diálogos vivos e com humor.

Mas olhando para um e para o outro e pesando-os, gosto mais de Indomável.
Porque apesar de tudo tem melhores cenários e a fotografia de Roger Deakins é excelente.
A realização dos irmãos Coen é mais emotiva e mais vibrante.
A longa cavalgada final de Rooster Cogburn para salvar a vida de Mattie Ross está extraordinariamente bem filmada, carregada de emoção e termina com o dramático sacrifício final do exausto cavalo.
Jeff Bridges compõe fantasticamente um rude e velho marshall, gordo e intratável de voz cavernosa. Enquanto Hailee Steinfeld na mesma linha mostra uma personagem determinada, pragmática e sem papas na língua, mantendo no entanto a sua delicadeza e fragilidade juvenil.

Os irmãos Coen têm assim o grande mérito de fazer reviver um género em que muitos dos que vão assistir a este filme não estão habituados a ver numa sala de cinema: o western.
Talvez a última vez que um western triunfou numa sala de cinema tenha sido Imperdoável (Unforgiven), uma pérola de Clint Eastwood de 1992.