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sábado, 23 de dezembro de 2017

uma música para o fim de semana - Dave Brubeck Quartet


Todas as músicas de Natal soam melhor quando é o jazz que nos transporta até nós.
Muitas delas nasceram sob o signo do jazz ou, foi o jazz que as popularizou.

Uma dessas, e tantas vezes tocadas até à exaustão, é Santa Claus is Comin' to Town.
Foi escrita em 1934 pelos norte-americanos Haven Gillespie e John Coots.
Desde então não deve ter havido artista musical que não a tenha tocado ou cantado.
É uma das canções de Natal mais enjoativas que conheço.

Então porque este tema para o fim de semana de vésperas do Natal? Porque nesta versão tocada pelo quarteto de Dave Brubeck, ouve-se o melhor saxofonista alto da história do jazz, Paul Desmond, ao lado de um dos melhores pianistas, mas não o melhor, igualmente da história do jazz, o próprio Dave Brubeck.
E sempre que há uma oportunidade para se ouvir Paul Desmond, esta deve ser imediatamente aproveitada.

É ele que torna absolutamente fascinante, e suportável, uma música que se houve milhares de vezes, todos os anos, num espaço de tempo tão curto como um mês, desde... 1934!

Os primeiros onze segundos de Santa Claus Is Comin' to Town, são sublimes. Vénia a Paul Desmond!

Bom fim de semana e de caminho... bom Natal 🎅






quarta-feira, 2 de julho de 2014

Ahmad Jamal - uma Lenda viva


No que respeita ao piano jazzístico tenho três pianistas de referência. Bill Evans, pessoalmente o maior entre os maiores, Ahmad Jamal e Dave Brubeck que considero que muito do seu sucesso se deveu a um dos maiores saxofonistas altoistas de sempre Paul Desmond.

Bill Evans morreu em Setembro de 1980, Dave Brubeck em Dezembro de 2012. Isto significa que o meu segundo pianista de eleição está vivo e faz hoje 84 anos.

Ahmad Jamal nasceu em 2 de Julho de 1930 nos Estados Unidos com o nome de Fritz Russel Jones. Apesar ter nascido de pais baptistas, por volta dos vinte anos, entre 1950 e 1952, converteu-se ao Islão e para o mundo do jazz tornou-se para sempre Ahmad Jamal.




Se fosse como o vinho do Porto à medida que envelhece ia melhorando cada vez mais. Mas Ahmad Jamal atingiu o ponto da perfeição. Como o site allaboutjazz escreveu - não consegue melhorar mais porque atingiu a perfeição há muito tempo.
A sua maneira de tocar continua elegante, fluída, sofisticada e vibrante. Peguem em qualquer álbum dele e percebem o que estou a dizer.

Desde 2010 lançou três álbuns que foram considerados dos melhores trabalhos de jazz que foram feitos nesses anos. Em 2010 - A Quiet Time, em 2012 - Blue Moon e 2013 - Saturday Morning.
Destes três tenho os dois últimos, estou à "caça" do Quiet Time e sou confesso admirador de Blue Moon.

Ahmad Jamal começou a tocar piano aos três anos (!) e iniciou os seus estudos aos sete anos (!).
Apesar de não ter tocado com Miles Davis ganhou a sua dmiração e este até terá dito a Red Garland, o pianista do seu primeiro grande quinteto - "toca como Jamal".
Por curiosidade Jamal só toca com pianos Steinway.


Ahmad Jamal toca o mítico tema Poinciana na mítica gravação ao vivo de At the Pershing (Hotel Pershing de Chicago) do álbum de 1958 But Not For Me.
Até nos dias de hoje Poinciana  o "persegue". É quase obrigatório e exigido em qualquer concerto que toque.
É um trio clássico de jazz com Ahmad Jamal no piano, Israel Crosby no contrabaixo e Vernel Fournier na bateria.
Este álbum foi dos muitos poucos na história do jazz que atingiu mais de um milhão de cópias vendidas.
Recentemente contribuí para o aumento deste número com o privilégio de o ter na edição original mas remasterizada da Chess Records.

Preparem esses dedos para começar a bater na mesa e os pés no chão e claro, antes de começar uma ovação de pé.

Parabéns Ahmad Jamal :)





P.S. - Tenho que fazer uma adenda a este texto. 
Na verdade existe um quarto pianista que lamentavelmente não mencionei na introdução do post. Bernardo Sasseti que morreu prematuramente em Maio de 2012.
Nenhum pianista que conheço, tem a capacidade de me emocionar como Sasseti. Quer a solo quer em formação jazz. Portugal foi um país pequeno para ele.


sábado, 8 de dezembro de 2012

uma música para o fim de semana - Dave Brubeck


Na passada quarta feira, 5 de Dezembro, quando faltava um dia para fazer 92 anos o pianista Dave Brubeck morreu.
Ironicamente ia caminho do cardiologista onde tinha uma consulta marcada quando foi vítima de um ataque cardíaco.

Para muitos este nome será desconhecido, mas para quem o conhece, sabe que se tratava de uma das maiores lendas vivas do jazz e considerado um dos músicos mais importantes após a segunda guerra mundial.

Nascido nos EUA, a 6 de Dezembro, Dave Brubeck, começaria cedo a ter lições de piano bem cedo, aos quatro anos, com a sua mãe. 
Com doze anos iniciou uma vida de cowboy, ajudando o seu pai na lide do gado quando a sua família mudou-se para um rancho. A sua ligação à música manter-se-ia através de actuações em bares locais.

Não se estranha portanto que inicialmente tenha escolhido a carreira de medicina veterinária. Mas o contacto constante que foi mantendo com o piano levou-o a mudar de ideias e a definitivamente enredar pela carreira musical e em particular pelo jazz após sugestão do compositor francês Darius Milhaud com quem estudou.

Entre as várias formações que Dave Brubeck liderou, incluindo um octeto onde conheceria Paul Desmond, foi o "Quarteto Clássico" de 1958 que mais se destacou e se manteve durante cerca de dez anos. Para a história seria o Dave Brubeck Quartet. 
Ele era formado por Dave Brubeck no piano, Paul Desmond no saxofone alto, Joe Morello na bateria e Eugene Wright no contrabaixo.
Seria com este quarteto que em 1959, seria editado um dos álbuns mais importantes e influentes do jazz - Time Out.

Alíás, o ano de 1959 é considerado por muitos como o ano mais importante do jazz. Parafraseando a Rainha Isabel II, chamam-lhe o "annus mirabilis" do jazz  
Nesse ano para além de Time Out de Brubeck, são lançados mais outras três obras tidas como fundamentais e marcantes da história do jazz - Kind of Blue de Miles Davis, Mingus Ah Um de Charles Mingus e The Shape of Jazz to Come de Ornette Coleman.

De Time Out, pensa-se logo em Take Five, o tema divertido e irreverente que imortalizou Dave Brubeck, apesar de ter sido composto por outro dos elementos do quarteto e também ele uma lenda, Paul Desmond.
É o saxofone de Paul Desmond e o solo de Joe Morello na bateria, as suas mãos parece que bailam, mais marcam este tema.

Em memória do extraordinário Dave Brubeck, "uma música para o fim de semana" terá uma edição especial. Take Five será a minha sugestão para este fim de semana. 
Mas não estará sozinha. Para a acompanhar vou buscar uma outra música também ela oriunda do Dave Brubeck Quartet. 
É porventura mais bonita que Take 5. Mais bela, mais reflexiva e introspectiva - In Your Own Way.


Bom fim de semana :)








domingo, 29 de janeiro de 2012

compra(s) de fim de semana - Dave Brubeck, Miles Davis, Charles Mingus


Foi um fim de semana de clássicos. 
Três músicos, três instrumentos diferentes, três álbuns que marcaram a história do jazz. 
Time Out de Dave Brubeck e o seu piano, Milestones de Miles Davis com o trompete e Mingus Ah Um de Charles Mingus com contrabaixo.
Todos eles lançados em finais da década de 50. Entre 1958 e 1959, por muitos considerado os anos de ouro do jazz.

É difícil escolher qual deles o melhor. Venha o diabo e escolha :)
Pessoalmente? Apesar de para mim Miles Davis ser uma lenda no jazz, dos três, talvez prefira Time Out de Brubeck.