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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

um poema de... Wislawa Szymborska (sobre o 11 de Setembro de 2001)


De tudo o que vejo sobre o 11 de Setembro, o que mais me impressiona são os Jumpers, os que saltaram das janelas.
Quando os vejo, em fotografias, em vídeos, grito-lhes sempre:

NÃO SALTEM,
NÃO SALTEM,
NÃO SALTEM!!

Mas eu não sei o que é estar desesperado.
Não sei o que eles passaram, para terem que escolher, decidir entre a morte certa e a morte garantida.
Não os compreendo, porque não consigo imaginar o que é estar pendurado numa janela e de um lado ter gritos, fumo que queima a garganta, calor que retira a esperança e do outro ter centenas de metros de ar fresco, de azul, de espaço livre.

Há dezasseis anos que penso neste dilema e há dezasseis anos que não consigo responder.
Não pretendo encontrar uma resposta, mas também não consigo de deixar de pensar nele.
E de os respeitar. E de os admirar.


Wislawa Szymborska, uma poetisa polaca, escreveu um poema sobre os Jumpers.
A eles dedico uma admiração sem limites, porque vai para além dos limites o que eles viveram.


Fotografia do 11 de Setembro

Atiraram-se dos andares em chamas.
Um, dois, ainda alguns mais,
mais acima, mais abaixo.

A fotografia deteve-os na vida,
preservou-os
sobre a terra rumo à terra.

Cada um ainda inteiro,
com rosto individual
e o sangue bem guardado.

Ainda há tempo
para os cabelos esvoaçarem
e do bolso caírem
chaves e alguns trocos.

Ainda estão no âmbito do ar,
ao alcance dos lugares
que acabaram de se abrir.

Só posso fazer duas coisas por eles:
descrever este voo
e não lhe acrescentar a última frase.


Wislawa Szymborska







terça-feira, 11 de setembro de 2012

11 anos - os cães do 9/11


A propósito dos ataques do 9 de Setembro de 2001 muito se falou e escreveu sobre o heroísmo das pessoas que estavam na altura nas torres do World Trade Center.

Falou-se dos bombeiros, falou-se dos polícias, dos voluntários, das pessoas anónimas.
Mas pouco se fala e menos se conhece sobre os cerca de 100 cães que trabalharam no Ground Zero.


Moxie, 13 anos


Estes cães e respectivos companheiros foram os primeiros a chegar ao local. Eram cães de busca e salvamento na tentativa, quase sempre vã, de encontrar sobreviventes nos escombros das torres após o seu colapso.


Tuff


Tal como os seres humanos que trabalharam nos primeiros dias, também eles sofreram com o ar quase irrespirável e contaminado do local, tendo desenvolvido problemas respiratórios e igualmente feriram-se nos detritos das torres gémeas.

E também eles trabalharam muito e descansaram pouco.

Não só fizeram buscas como reconfortaram quem lá estava, de uma maneira que só os cães sabem fazer.


Bretagne


Incrivelmente os cães de busca e salvamento estão sujeitos à depressão.
Quando estão muito tempo sem encontrar sobreviventes ou apenas encontram mortos, eles ficam deprimidos.
Têm que ser retirados do local e acarinhados. É necessário brincar com eles para poderem relaxar e descomprimir. Depois disto ficam aptos a voltarem às buscas.
Alguns dos cães estiveram em acção no terreno quase duas semanas consecutivas.


Guiness, 15 anos

Charlotte Dumas é uma fotógrafa holandesa, conhecida pelas suas fotografias de animais e particularmente de cães.
Ao ter uma ideia para um projecto, fotografar cães militares na reforma, recordou-se que podia fazer um projecto semelhante com os cães que participaram nas buscas dos ataques às torres do WTC no 11 de Setembro.


Tara, 16 anos


Descobriu que dos cerca de 100 cães que estiveram no Ground Zero, apenas 15 estavam ainda vivos. Quando iniciou este seu trabalho, três viriam a morrer antes de os fotografar.

Todos eles estão envelhecidos, contudo os seus focinhos são nobres e meigos. Alguns continuam com os seus companheiros de sempre, outros têm donos diferentes, mas todos são bem tratados.


Red, 11 anos


Com as fotografias dos cães sobreviventes, Charlotte pretende prestar homenagem e mostrar ao mundo a importância e o papel decisivo que estes animais tiveram nas buscas e salvamento nas Torres do World Trade Center, assim como em outros locais atingidos por catástrofes, sejam elas naturais ou não.

Este projecto fotográfico que Charlotte desenvolveu foi por ocasião da passagem dos dez anos dos ataques terroristas do 11 de Setembro.


Bretagne, descansando com a sua companheira de busca


Cães de busca e salvamento no Ground Zero



Mais fotografias dos cães do 9/11 aqui.


domingo, 11 de setembro de 2011

9/11 - 10 anos


Passam hoje dez anos desde que os nossos olhos viram o inacreditável a acontecer. 
Ainda hoje vejo as imagens das colisões dos aviões contra as torres do World Trade Center e continuo com a sensação inicial de que se trata de efeitos especiais de um filme produzido por Jerry Bruckheimer.

De tudo quanto já vi acerca e sobre os atentados de 11 de Setembro, há uma imagem que sempre me marcou e marca profundamente. 
São as fotografias dos Jumpers, as pessoas que saltaram dos andares com que os aviões colidiram ou que estavam acima destes.


Há quem os critique por não terem ficado até ao fim. Criticar é mesquinho. 
Não nos passa pela cabeça o desespero que estavam a sentir, a situação que estavam a enfrentar.
Tinham o inferno quente e sufocante por trás de si e um vazio vertiginoso pela frente. 


Eram pessoas que sabiam acontecesse o que acontecesse estariam no final da linha e que optaram por tomarem a decisão suprema da sua vida nas suas mãos em vez de passivamente esperarem por ela.
Talvez no seu desespero, no seu fundo, esperassem um milagre.


Diz-se que a sua atitude durante a queda era de aparente calma, como se estivessem em paz.
Espero que sim. Talvez quando se tome uma decisão destas, a inevitabilidade do que está para acontecer traga com ela a paz.