segunda-feira, 8 de junho de 2015
sábado, 6 de junho de 2015
uma música para o fim de semana - Earth Drive
É rock em tons góticos e sonoridades psicadélicas.Música que já não se houve há algum tempo. Rejuvenescida nos tardios anos da primeira década de 2000, mas a viagem do tempo recua até aos meados dos anos oitenta, inícios de noventa.
Muitos riffs, uma bateria sempre a abrir e a voz expressivamente versátil de Sara Antunes, que ora nos pega ao cola ora nos atira ao chão.
A primeira vez que os ouvi fez-me viajar para o tempo em que os escoceses Jesus & Mary Chain lançavam o seu primeiro e meu muito adorado álbum - Psychocandy - dos idos anos de 1985.
Apesar do género musical que tocam, do seu nome e do título da música para este fim de semana, Raid, eles vêm do Montijo.
E porquê Earth Drive? Porque querem estar sintonizados com o planeta e com a energia que este emana.
Não são uma banda de intervenção e musicalmente consideram-se apolíticos.
Quanto a Raid é como interpretam o que está acontecer e o que estão a fazer ao país. Um país ao qual fizeram um raid por ele dentro destruindo tudo à sua volta. Tipo vikings...
O álbum onde se pode ouvir Raid é o Known By the Ancients, editado em Janeiro deste ano.
Bom fim de semana :)
sexta-feira, 5 de junho de 2015
15
Soneto a Ti
vai tempo ao tempo em que nasceu
o teu corpo, era corpo meu
tudo o que eras e que não sou
tudo o que tinha e logo voou
longo vai o tempo que passa
tão perdido e sem graça
o aroma da tua pele alva
da dor a minha alma salva
um dia meu conto de fadas
aos meu braços regressas
recuperar horas não passadas
muitos risos, muita festa
quinze velas não sopradas
teu rosto é o que me resta
quinta-feira, 4 de junho de 2015
quarta-feira, 3 de junho de 2015
negra noite
negra noite
Para onde vão ramificações negras
Para onde vão ramificações negras
que traçam de negro, a negra noite?
de obscuros e inquietantes espinhos que destroçam
o caminho das pegadas volvidas, cegas pela obscura viscosidade
que goteja dos meus olhos.
de impiedosas e ásperas folhas que tanto ferem
o sangue escurecido das minhas mãos tintas do breu vigilante
que esconde a ânsia do meu agarrar.
de tenebroso e revolto tronco doentio de férreas tenazes
suspendendo o débil soerguer, esmagado por um espelho de cor soturna
que emacia a força do emergir.
de obscuros e inquietantes espinhos que destroçam
o caminho das pegadas volvidas, cegas pela obscura viscosidade
que goteja dos meus olhos.
de impiedosas e ásperas folhas que tanto ferem
o sangue escurecido das minhas mãos tintas do breu vigilante
que esconde a ânsia do meu agarrar.
de tenebroso e revolto tronco doentio de férreas tenazes
suspendendo o débil soerguer, esmagado por um espelho de cor soturna
que emacia a força do emergir.
Para onde vão ramificações negras
que traçam de negro, a negra noite?
de dores que puxam, empurram, arrastam para a lama
pensamentos soltos pela inexorável prisão do impossível rodopiar do fado
que drena as extintas forças.
De olhos cegos, mãos feridas, vontade esmagada e débeis forças
Dizei-me, dizei-me, para onde me levam, que destino me está fatalmente destinado?
Não me perguntem se eu quero ir, porque irei.
Inkheart
terça-feira, 2 de junho de 2015
série vencedores - Miguel Oliveira
Miguel Oliveira, no passado domingo, foi o primeiro luso a subir ao lugar mais alto de um pódio numa corrida de Moto GP, categoria M3 (monocilíndrica, 250 cc), o Grande Prémio de Itália em Mugello.
Mas o piloto português da KTM não é novato no que respeita a pódios.
Já este ano tinha conseguido o segundo lugar em Jerez de La Frontera, Espanha e na Austrália em 2012.
Numa altura em só se fala de campeonatos nacionais de futebol, taça da Liga, taça de Portugal e corrupção no lodaçal mundo do futebol, ter alguém que ganha algo genuinamente, é espectacular.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
crianças que não o são
Hoje vai haver balões de todas as cores amarrados a pulsos pequeninos, passeios
pelos parques
Provavelmente vão ver as suas mesadas aumentadas e receber prendinhas azuis
para os meninos e rosa para as meninas.
Vão ter as suas famílias próximas de si, vão passar mais tempo com elas e
vão ser muito abraçadas e levar muitos beijinhos.
As escolinhas vão fazer, mais jogos, mais brincadeiras, novas colecções de
lápis de cor, grandes livros para colorir, fazer comboios e rodas, moldar barro e plasticinas.
Um pouco de sorte terão palhaços e truques de magia.
Para muitas crianças, hoje será um dia cheio de sorrisos, gargalhadas e
muitas palminhas de contentamento.
No final do dia deitar-se-ão um pouco mais tarde, dormirão o sono dos
anjos, com uma bela e saborosa estoura no corpo.
Sonharão que andam de mão dada com a tromba de um elefante cor de rosa e
que vão dando conselhos como ele se deve portar quando chegar pela primeira vez
à escola dos elefantes,
conduzem carros de bombeiros de grandes escadas com um tinoni azul a apitar
muito ou sonharão com um cabeleireiro cheio de bonecas para fazer alisar os
cabelos ou fazerem muitos caracóis.
O dia mundial da Criança, foi criado a pensar neles. Na celebração da
infância, a celebração da sua inocência, na sua fragilidade, porque um dia serão eles que terão o país nas suas mãos e serão o seu futuro. Clássico.
E no entanto…
Há tantas e tantas, mais do que as outras crianças, que não têm nada disto.
Não aparecerão na televisão, porque vê-los é triste, incomoda-nos e nós não queremos tristeza e incómodos
no dia mundial da Criança.
Este dia não é deles é não é para eles. Estes meninos e meninas são sabem o que é ser criança Não
tiveram oportunidade de serem inocentes e tiveram a sua infância roubada e
perdida.
O seu mundo não é rosa, nem azul. Não tem cores sequer. Não têm mundo. Têm
só dias a seguir uns aos outros.
A sua escola é serem vendidos sabe-se lá para quê e para onde, é
trabalharem até caírem para o lado de exaustão, estarem deitadas na cama e por
sua vez ter alguém perversamente deitado em cima delas.
Em vez um carro de bombeiros e bonecas terão nas suas mãos AK47s e
por-lhes-ão na sua cintura cintos de bombas.
Não sabem o que é um abraço ou um beijo, a protecção ou conforto, mas sabem
muito bem o que é serem espancados, violados por quem deveriam confiar e amar e
engravidam aos 10 anos.
Provavelmente não chegarão a ser adultos sequer e se forem adultos, serão
desequilibrados. Serão excluídos.
Vão de instituições em instituições, historiais de fugas, ter longos cadastros criminais
para a idade que têm.
Vão para as escolas e matam uma série de gente, tornar-se-ão violadores e
um perigo para a sociedade e no entanto foi a sociedade que os tornou assim.
E lá se perdem n futuros em n mãos para n países.
Prostituição
Trabalho escravo
Criança soldado
Pobreza
Criança bombista
Tráfico infantil
Maus tratos infantis
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