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terça-feira, 24 de dezembro de 2024

vésperas de Natal


Gosto particularmente deste anúncio. 
Tudo o que possa servir para desconstruir o estigma que um muçulmano, árabe ou não, é positivo e útil.
"Eles" são iguais a nós, cristãos ou outra qualquer crença religiosa. 
São seres humanos que sentem, sofrem, desejam, amam, são empáticos e as suas lágrimas e sorrisos são iguais aos de todos nós, seres humanos. Termos a oportunidade de os perceber, de os conhecer, é profundamente enriquecedor. 
Escrevo isto isto com um à vontade enorme por já ter estado nos seus países, por ter sido recebido em suas casas, partilhado as suas refeições, as suas histórias, tradições, a sua música e a sua arte, as suas lutas, os seus desejos, preocupações e ambições.

Não deve haver crença e cultura mais mal amada descriminada que a islâmica. E, objectivamente, não há qualquer motivo para que tal aconteça. Muito pelo contrário.








segunda-feira, 11 de março de 2024

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

contra a lapidação, contra o Islão e anti-Irão




Li este post no blog Arrastão. Não pude deixar de pensar nele.
A lapidação é praticada não só no Irão mas pelo menos também na Nigéria, Arábia Saudita e Sudão. Mas certamente que esta triste lista continua.
Como prática, é absolutamente primitiva e criminosa. Intolerável nos dias de hoje.

Não sou defensor de nenhuma religião em particular, mas se fosse, talvez alinhasse pela equipa do Budismo. Feita esta ressalva, vou continuar.
Na essência o Islão é mal compreendido e mal amado. Faz sentido, se considerarmos a violência que regra geral acompanha esta religião na maior parte das notícias que nos chegam.
Mas temos que ir além das notícias, além do que é mostrado. Se tal não o fizermos, é legítimo pensar que a religião cristã é pedófila e defende a pena de morte. É só associarmos os escândalos que surgiram nos últimos meses nos meios de comunicação e que ainda têm algum eco na opinião pública, e a pena de morte que é praticada em países maioritariamente cristãos como por exemplo os EUA.
Esta associação directa não é justa para a Igreja Cristã, tal como não o é para o Islão.

O que acontece, é que se faz confusão entre o Islão moderado e extremista. Não é o Islão que pratica a lapidação mas sim o Islão extremista que o faz.
O próprio mundo muçulmano está contra este acto e está unir-se relativamente a este ponto.
De notar que a lapidação não consta do Alcorão. Este é o grande argumento que o Islão invoca para repudiar a lapidação.
É uma prática pré-islâmica que é advogada na Tora, o livro sagrado da religião judaica.
Foi introduzida na Sharia, a lei islâmica, pelos "ahadith". Os ahadith são leis que são baseadas em episódios da vida do Profeta ou nos seus conselhos, não podendo nunca contradizer o Alcorão.
De acordo com esta fonte o Profeta recusa a lapidação e desencoraja esse acto. É só confrontado com pedidos insistentes que relutantemente o aceita.
É neste ponto, neste hadith (singular), que os fundamentalistas muçulmanos se baseiam para praticar como castigo do adultério a lapidação.
Segundo estudiosos do Islão, é uma lei que resulta de uma interpretação forçada, polémica e longe de ser consensual de um episódio da vida de Maomé.

Esta manifestação, este protesto que irá acontecer no próximo sábado tem mais saias que um vestido da Nazaré.
Será uma manifestação contra a lapidação mas acessoriamente contra o Islão, contra os muçulmanos e ainda com uns laivos anti-Irão per si.
Diga-se em abono da verdade que o Irão e o seu presidente Mahmud Ahmadinejad têm sido granjeados com uma forte antipatia ocidental com particular destaque para os EUA.
E decorrendo em várias cidades em simultâneo até dá uma mãozinha a Obama nesta questão...

terça-feira, 20 de julho de 2010

fundamentalismo francês

A França deu um passo em frente para o extremismo religioso.
Contribuiu ostensivamente para ostracizar e isolar ainda mais culturas e religiões que historicamente são antagonistas.
Ao aprovar esta semana a lei que proíbe o niqab e a burka, os franceses aproximaram-se mais da própria facção extremista do Islão.

No limite, foi assumir em letra de lei algo que não pode ser assumido. Que as mulheres islâmicas andam com o rosto coberto contra sua vontade sob pressão de uma religião. Mesmo que tal seja verdade.
No limite o que fizeram foi complicar ou impedir as mulheres islâmicas de sair à rua. Quer seja por vontade e opção própria, quer por serem impedidas de o fazer pelos seus maridos ou pais.
No limite, esta lei não respeita a mulher islâmica nem a sua cultura e muito menos lhe dá a força necessária para se libertar de uma prática religiosa que realmente que ela pode não desejar.
Estima-se que França tenha uma população muçulmana da ordem dos 5 a 6 milhões de pessoas e que apenas cerca de duas mil mulheres andem com o rosto coberto com véus islâmicos.
Pensar que a intenção de Sarkozy é libertar a mulher de um hábito opressor é um acto de ingenuidade. Implicitamente é um acto de xenofobia e intolerância religiosa.

O Islão que enquanto cultura e religião tem características e tendências extremistas deve ser suavizada por absorção e compreensão do meio em que convive. Passa por mostrar que existem alternativas que podem ser mais tolerantes e que podem igualmente ser adoptadas e adaptadas.
O que vai acontecer é que a facção extremista do Islão vai ter ainda mais razões e motivos para se voltar a extremar. Vai encarar e com alguma razão, que esta lei é um ataque ao próprio Islão.

O que é preocupante é que em maior ou menor grau este extremismo está a multiplicar-se pela Europa.
Na Suiça em Julho de 2007 foi criado o Movimento Suiço Contra a Islamização conhecido como MOSCI e em finais de Novembro do ano passado foi realizado um referendo sobre a construção de minaretes em território suíço. O "não" ganhou com 57.5% dos votos.
Não é com vinagre que se apanham moscas.

textos complementares