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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

um poema de... António Gedeão (ano dia mundial da Ciência)


Hoje comemora-se o Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento e para lembrar este dia pensei no divulgador de ciência e professor de físico-química Rómulo de Carvalho, que quando assinava António Gedeão, transformava a ciência em poesia, fazendo o mundo pular e avançar como um bola colorida nas mão de uma criança.

Ele descobriu igualmente que as lágrimas são iguais para todos os olhos que as choram e que não contêm vestígios de ódio, independentemente da cor da pele que os rodeia.




Lágrima de Preta

Encontrei uma preta 
que estava a chorar, 
pedi-lhe uma lágrima 
para a analisar

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio, 
experimentei ao lume, 
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.


António Gedeão
1961

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

dia mundial da Ciência

"A ambição da ciência não é abrir a porta do saber infinito, mas pôr um limite ao erro infinito"
Bertold Brecht


Poucas coisas são tão opostas e "bipolares" como a Ciência.
Ela tanto pode ser letal, como salvadora. Traz a criação mas é acompanhada de perto pela destruição.
Carrega o milagre do nascimento, mas traz o horror em poucos segundos.
Encerra em si o medo das consequências, do desconhecido, mas transpira a alegria do sucesso e da descoberta.
É fonte de ganância e jogo escondido, mas simultâneamente é na distribuição e partilha do seu conhecimento que evolui.
À vaidade do passo em frente que foi dado, contrapõe a humildade do muito que falta conhecer e descobrir.
É objectiva e impessoal, mas destina-se e direcciona-se sempre às pessoas.

Os seus avanços fazem-se com base no erro e questiona-se permanentemente.
É sólida até ao momento em o deixa de ser, para de novo ser tornar mais sólida que anteriormente.
É um gigante de pés de barro em risco de queda eminente, mas sempre pronto a reconstruir-se, a reiventar-se.
Assume a sua ignorância e os seus limites. Procura expandi-los. É objectiva. É inquieta. Não é dogmática nem estática.

O dia de hoje, 10 de Novembro, dia mundial da ciência, consagra o melhor que a ciência nos pode trazer: paz e desenvolvimento.