Mostrar mensagens com a etiqueta Woody Allen. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Woody Allen. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Grande Ecrã - Café Society



Desde 2011 que vou assistir a um Woody Allen em modo bipolar. Sempre com esperança de ver algo em linha com o fabuloso Meia Noite em Paris do tal ano de 2011, mas absolutamente com um pé atrás com medo que caia no sapatinho, algo parecido com o quase intragável Para Roma com Amor de 2012.


Parafraseando o treinador do Sporting, Jorge Jesus, Café Society é um filme morninho, morninho.
Woody Allen mostra na perfeição, mais uma vez, a sua capacidade para realizar filmes de época, de nos oferecer um argumento neurótico, existencialista e um tanto psicanalítico.
O director de fotografia, Vittorio Storaro, tinge os ambientes hollywoodescos dos anos trinta de cores quentes, saturadas, difusas e muito pastelizadas. Autênticos banhos de dourados, castanhos e laranjas.
Quando o argumento nos atira para o Bronx, as cores mudam radicalmente. Dá-nos o oposto. São frias, cinzentas, quase indistintas e muito dessaturadas. Para o nightclub Café Society, desenha um ambiente rico de cores, cheio de brilho e glamour.
Dos vários ambientes por onde o argumento nos põe a circular, é também no nightclub que Woody Allen tem a realização mais bem conseguida.


O realizador desenha um triângulo amoroso familiar, que é tanto do seu apreço, linear e pouco conflituoso, resolvendo-se com um final imprevisível, e ao contrário do que usualmente acontece é um desfecho bastante realista.
Tio Phil (Steve Carell), um magnata do showbusiness, e o sobrinho judeu Bobby, que vai trabalhar para ele, apaixona-se pela secretária da qual Phil é patrão, mais tarde saberemos que também é sua amante, Vonnie (Kristen Stewart), sem que nenhum dos vértices masculinos o saiba.

O realizador escolhe Jesse Heisenberg como seu alter ego, onde este nunca está verdadeiramente à vontade, o que não deixa surpreender um pouco. No filme a Rede Social, Jesse Eisenberg mostra à mão cheia a importância da sua presença, ele é o valor maior ao longo do filme ao desempenhar o alienado Mark Zuckerberg, alguém que não se encaixa na sociedade e nem sequer consegue percebê-la. A César o que é de César, o actor luta pela credibilidade da sua personagem e é honesto na sua entrega ao papel, ao contrário de Kristen Stewart, o seu contra-ponto feminino.

Mas porquê a presença de Kristen Stewart no elenco?? Capitalizar adolescentes platonicamente apaixonados e com um fetiche por ela??
Na minha fila e sentadas do meu lado direito estavam duas senhoras que ao intervalo comentavam uma para a outra que não gostavam dela, e que mesmo num filme de Woody Allen continuava a ter um olhar de sonsa.
Verdade. É inexpressiva, impessoal, incapaz de interagir connosco. Os seus papeis, as suas personagens são sempre baças, entediantes, plastificadas e …sonsas! Vonnie não foge à regra.


Se pensarmos que Woody Allen que a pouco menos de duas semanas de fazer 81 anos, escreve e realiza um filme por ano e que já estará a pensar no de 2017, consegue fazer de Café Society um filme consistente, Não está ao nível de Blue Jasmine de 2013, de Vicky Cristina Barcelona (2008) ou de Match Point (2005), para mencionar alguns dos seus melhores filme da última década, mas é um filme que se vê com um prazer razoável.
A sublime fotografia de Vittorio Storaro, vale quase por si só a ida a uma sala de cinema ver Café Society, apesar de este enfermar de um certo travo de boçalidade, mas nada de grave ou particularmente prejudicial.







terça-feira, 25 de outubro de 2011

Grande Ecrã - Meia-Noite em Paris


Ver Meia-Noite em Paris foi como fazer as pazes com Woody Allen. Não porque nos tivéssemos zangado, mas sim porque me distraí de seguir o seu trabalho.
Não vi Matchpoint, Scoop, Sonho de Cassandra e Vicky Cristina Barcelona.

Meia-Noite em Paris é uma ode e uma carta de amor a esta cidade e uma época, a da Idade de Ouro dos anos 20 do século passado.

Woody Allen filma Paris de uma maneira terna e sem pejos recorre a clichés.

Mostra tudo o que a cidade tem para oferecer - a Torre Eiffel, Sacré Coeur, Notre Dame, Versalhes, o rio Sena, a ponte Alexandre Terceiro - como se tratasse de postais enviados para as caixas de correio do mundo inteiro.

De dia vemos as cores suaves em tons de pastel, à noite as cores são douradas, quentes e românticas, convidativas à imaginação, ao sonho e à magia dos anos 20 quando os bares, os cabarets e clubs nocturnos de Paris se transformam numa imensa tertúlia borbulhante de criatividade onde encontramos gigantes da literatura e artes como Hemingway, Gertrude Stein, Salvador Dali, Cole Porter, Scot Fitzgerald, Picasso, Luís Buñuel, Degas e Gauguin.

É com este mundo dos anos 20 de Paris, que o argumentista Gil Pender (Owen Wilson) - um surpreendente e perfeito alter ego do gesticulante e neurótico Woody Allen - se identifica e até sonha viver e conviver os seu ídolos literários.
Decidido a deixar de escrever argumentos para se dedicar à escrita de romances, sabe que encontrará em Paris a aura e a motivação que precisa para o fazer.

Uma noite após uma discussão com a sua noiva, a superficial Inês (Rachel McAdams) pouco dada aos devaneios literários de Gil e que não compreende o seu fascínio por Paris, este parte para um passeio nocturno pelas margens do Sena e à meia noite é abordado por um velho táxi. É convidado a entrar nele pelo famoso escritor norte americano Scot Fitzgerald e sua mulher Zelda.
Através deste táxi e do casal Fitzgerald, Gil franqueará à noite as portas da magia de Paris e entrará no seu mundo de sonho.

Se Owen Wilson surpreende completamente com Gil Pender, Kathy BatesCorey Stoll e Marion Cotillard são extraordinários respectivamente como Gertrude Stein, Ernest Hemingway e Adriana, a bela modelo de Picasso e por quem Gil se apaixonará.
Vê-se que Woody Allen dedicou-lhes tempo e diálogos para os consolidarem como personagens e através deles percebermos as suas personalidades.
Pelo contrário Salvador Dali por Adrien Brody e Luis Buñuel por Adrien de Van parecem demasiado caricaturais e pouco consistentes. Especialmente o primeiro.
Pouca ou nenhuma atenção é dada a personagens como Man Ray, Matisse, Degas, Gauguin e outros que surgem esporadicamente. Fica-se com água na boca por não se conhecer mais sobres eles. São pouco mais que nomes no ecrã.

É este o único senão da excelência que caracteriza Meia-Noite em Paris, a excepção que confirma a regra. Há uma enorme constelação de nomes da cultura universal - poderiam ser menos e em contrapartida a sua caracterização ser mais enriquecida, o que nos permitisse conhecê-los melhor - que obriga por parte de quem vê o filme a ser minimamente conhecedor das suas personalidades e das suas obras ou ter alguém ao seu lado que vá soprando umas dicas de quem é quem e o que fez.
Caso contrário uma das partes mais bonitas e fascinantes do filme ficarão diluídas no desconhecimento.

Tal como a cidade que retrata, Meia-Noite em Paris é um filme extraordinário e pleno de magia.
Foi um grande reencontro que tive com Woody Allen.