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sábado, 21 de março de 2026

um poema de... William Shakespeare (na chegada da Primavera)




Soneto 98

De ti me separei na primavera:
quando o risonho abril, ao sol voando,
em cor e luz, a plenas mãos, cantando,
nova alegria entorna pela esfera…

No viridente bosque até dissera
o pesado Saturno ver folgando…
Porém nem cor vistosa ou cheiro brando
Lograram incender minha quimera.

A brancura dos lírios, não a vi…
O vermelhão das rosas desmaiava…
Eram fantasmas só… ao pé de ti
– o seu modelo – quanto lhes faltava!

Parecia inverno; e eu, a viva alfombra,
Só pude imaginá-la a tua sombra."

William Shakespeare  









sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

um poema de... William Shakespeare (na chegada do Inverno)




Soneto 97

Como o inverno, tornou-se minha ausência
De ti, o prazer com que passou o ano!
Que frio senti, que dias negros eu vi!
A estiagem de Dezembro espalhou-se por toda a parte!

E longe, cava, então, o verão,
O próximo outono, crescendo com toda a força,

Suportando o luxurioso peso do início,
Como úteros viúvos após a morte de seus senhores;

Embora esse farto assunto me pareça
A esperança de órfãos, e de frutos sem ascendência,
Pois o verão e seus prazeres servem a eles,

E, embora distante, os mesmos pássaros emudeçam;
Ou, se cantam, emitem um trinado tão mortiço,
Que as folhas empalidecem, por temerem o inverno.


William Shakespeare, in Sonetos



quarta-feira, 21 de junho de 2017

um poema de... William Shakespeare (no solstício de Verão)



~ Soneto 18 ~

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Às vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.


William Shakespeare