segunda-feira, 15 de março de 2010

nanocrença

Se há coisas em que acredito, a nanotecnologia é uma delas.
Esta afirmação vem na sequência de um documentário que o canal 2 transmitiu ontem à noite.
E o que vi e ouvi só reforça a frase com que inicio este post.
Comparo, e creio que sem exagero, a nanotecnologia à descoberta da roda ou do fogo.
A implicações que terá para a vida e sociedade humana são tais que só agora começam a ser (mal) vislumbradas.

Quando se fala de nanotecnologia estamos a pensar em escalas atómicas na ordem de 10×10E−9 metros ou seja 0.000 000 001 do metro.
Isto significa dividirmos o metro mil milhões de vezes, ou ainda, dividirmos o milímetro um milhão de vezes.
São escalas tão pequenas que se pode manipular a matéria átomo a átomo. Este é o objectivo final da nanotecnologia.
Esta ordem de grandeza tem o nome de nanómetro e representa-se por um "n".
Terá impacto em áreas tão diversas como a medicina, electrónica, tecnologias de informação e comunicação, biologia, produção e armazenamento de energia, ourivesaria, transportes, desporto, etc…, etc…
 
Mas não há bela sem senão.
Um dos potenciais problemas desta tecnologia são os nanopoluentes. A nanopoluição pode ser gerada pela manipulação e criação de nanomateriais.
Este novo tipo de poluição, é causada por nanopartículas potencialmente muito perigosas, uma vez que flutuam facilmente pelo ar viajando por grandes distâncias.

Devido ao seu minúsculo tamanho podem entrar nas células de seres humanos, animais e plantas. Como supostamente estes nanopoluentes não existem na natureza, as células provavelmente não serão capazes de lidar com eles e não terão mecanismos de defesa, podendo causar danos completamente desconhecidos.
Além que claro toda a moeda tem 2 faces... por isso o uso errado deste tipo de tecnologia (aplicações militares, terrorismo, especulação) também cria problemas tenebrosos e de difícil compreensão e resolução.
 
A inauguração do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL) em Julho de 2009 em Braga coloca Portugal na linha da frente da investigação nesta área do conhecimento humano.
Como tecnologia emergente e ainda a dar os seus primeiros (mas significativos) passos no sentido da industrialização teremos que esperar talvez cerca de vinte anos para que verdadeiramente se sinta a sua influência na nossa vida diária.
Como nanocrente é muito tempo para mim. Mal posso esperar pela sua chegada em pleno.


fotografias

fotografia de topo - nanotubos de carbono
fotografia de fundo - nanoestruturas representando o símbolo playboy

terça-feira, 2 de março de 2010

obrigado Rosa :)

Sábado passado tive a (grande) surpresa de ver que tinha saído na revista Visão Vidas & Viagens um texto meu assim como algumas fotografias minhas sobre a Namíbia relativamente a uma viagem que fiz no verão passado pela África Austral.
Parte deste texto e respectivas fotografias está no meu blog "carimbaopassaporte" em vários posts sob o título Texturas de África - Namíbia.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

E ele sempre o recebeu!

E ele sempre o recebeu! É verdade que a reunião não foi na Sala Oval mas sim na Sala do Mapa o que mostra o carácter não oficial da mesma, mas mesmo assim recebeu o Dalai Lama (Nobel da Paz em 1989), o líder espiritual dos tibetanos. Ao enfrentar as pressões diplomáticas chinesas, Obama reforçou a causa tibetana e do meu ponto de vista justificou um pouco mais o seu precoce Nobel da Paz.
Recordo que o Tibete foi invadido pela China em 1950 com a subsequente morte e tortura de milhões de tibetanos. Situação que ainda hoje ocorre.

Uma nota. Quer o presidente Cavaco Silva quer o primeiro ministro José Sócrates não receberam esta personalidade em Setembro de 2007. Mas também Portugal não são os EUA e infelizmente as nossas principais figuras de estado também não são o actual presidente americano.
Temos o que temos.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Fernando Nobre, candidato presidencial ?? Não percebo

Não percebo qual a razão que levou Fernando Nobre a lançar a sua candidatura à presidência da república.
Não percebo porque sendo presidente e fundador da AMI (talvez a mais prestigiada ONG nacional) se quer perder nos sujos e obscuros meandros da política nacional.
Não percebo porquê a presidência da república quando tem um papel mais nobre e reconhecido que qualquer político português.
Não percebo porquê a presidência da república quando não é político de raiz.

Será que por ter sido mandatário de Mário Soares nas presidenciais de 2006, mandatário de António Costa e de António Capucho respectivamente por Lisboa e Cascais e mandatário do Bloco de Esquerda para o parlamento europeu em 2009 terá acumulado uma teia de contactos bastante alargada e apetecida ?
E apetecida por quem ? Pelo PS ?
Como (e quem) irá financiar a sua campanha ?
Será que irá invocar o sentido de cidadania, o dever moral e o estado da nação como motivos e razões para lançar a sua candidatura a Belém ?
Se sim, não será que estas razões não o tornam igual a todos os outros políticos ?
E se assim for, não sendo político, isso não será um sério óbice contra Fernando Nobre ?

Não percebo.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Obama & Dalai Lama

Quando soube que havia a intenção de Barack Obama receber o líder espiritual do mundo budista e de milhares de tibetanos, Dalai Lama, fiquei na expectativa. Na expectativa do que a China iria fazer e o que o Obama iria responder.
A China foi igual a ela própria: tentar impedir que os EUA recebessem o Dalai Lama (Nobel da Paz em 1989) e ameaçar diplomaticamente caso estes insistissem em fazê-lo. Quanto ao presidente dos EUA, fez felizmente aquilo que eu pensava e desejava que fizesse, manifestou a vontade de o continuar a receber. Eu fui daqueles que considerou (e ainda considero) que Obama não deveria ter recebido o Nobel da Paz, mas neste momento,  (e até ver...) ao não ceder perante a chantagem diplomática da China, Obama fez diminuir uns quantos pontos o meu cepticismo relativamente à sua "nobelização".
O povo tibetano continua sob forte repressão chinesa que aposta na destruição cultural e étnica deste país.
É um povo silenciado, sem direito a aquilo que sempre foi (e é) seu historicamente: a sua independência, modo de vida e cultura.

O mundo ocidental está curvado perante o poder económico que a China tem e as oportunidades de mercado que este país oferece. É claramente uma potência mundial emergente, é um dos países com maior crescimento em todos os índices económicos. O ocidente submete-se à China e às suas oportunidades de mercado mostrando a sua conivência e cumplicidade através do seu silêncio e mantendo os olhos fechados (semicerrados na melhor das hipóteses) ao que se passa no Tibete.

Obama se se mantiver firme na sua intenção de receber esta figura histórica tibetana, mesmo sabendo que a China representa e tem as mesmas (ou talvez maiores) oportunidades de crescimento para os EUA (ocidentais e capitalistas por definição) o mesmo que para o restante mundo ocidental, contribua para que esta passividade ocidental dê os primeiros passos no sentido contrário.
Ao fim e ao cabo como Nobel da Paz é o que se espera dele. Um exemplo. Sejamos optimistas.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

I see you


Sai-se da sala sabendo (mas desejando) que o mundo lá fora não é tão puro, belo e colorido como aquele que nos foi dado a ver durante quase 3 horas.
Avatar transporta-nos para uma irrealidade tão real, tão sublime que faz desejar não sair de lá.
Os seus esguios habitantes, azuis de olhos amarelos, o povo Na'vi, vivem numa comunhão perfeita com a natureza e de respeito pela vida. E somo nós, os humanos, os maus da fita.
Tal como o nosso planeta Terra, em Avatar, os seres humanos planeiam a destruição e o "dobrar" de uma comunidade em torno da ganância e necessidade de um minério (unobtainium) que se vende aos milhões de dólares cada quilo.

As semelhanças e o paralelismo desta situação é fácil de traçar com a guerras do Golfo Pérsico e Iraque, só que aqui, em vez de unobtainium trata-se de petróleo.
À ganância de Parker Selfridge o executivo financeiro que está por detrás da intenção de saquear o minério de Pandora podemos contrapor Bush sequioso do petróleo do Golfo.
A mensagem e a crítica patente em Avatar (e de James Cameron) é simples e fácil de entender.

Acredito que este filme, tal como a saga Star Wars, se torne um marco na história do cinema.
Para além do histórico custo de 300 milhões de dólares e ainda mais históricas receitas que está a gerar, é muito difícil ficar-se indiferente à magia e perfeição de Pandora.
Penso que todos nós almejamos viver num mundo assim, mas tal como em Pandora, aqui na Terra somos os maus da fita.









O que o dicionário diz sobre "avatar":

religião - materialização de um ser divino, descida dos céus de uma divindade
sentido figurado - transformação; metamorfose
informática - representação gráfica de um utilizador numa comunidade virtual

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

mãos ao alto


Ontem tive que ir com o meu cão (Thor) ao veterinário.
A clínica abre às 10.00h e cheguei por volta das 09.45h, sentei-me num murete e o Thor sentou-se ao meu lado. Ele tem um derrame numa orelha e com um dreno, o que faz com que a ela esteja toda ligada com uma ligadura vermelha, o que salta facilmente à vista uma vez que tem a pelagem de um branco meio dourado.
É natural portanto que as pessoas que passavam por nós fossem metendo conversa connosco, tal como uma senhora que passou com a mão direita ligada que falando directamente com o cão afirmou que "as desgraças não acontecem só às pessoas", perguntando-me depois o que ele tinha.

Poucos minutos depois, foi a vez de um casal de idosos que desta vez falando comigo primeiro, perguntaram que idade o cão tinha porque já tinha um aspecto velhote. Respondi que sim, que já estava a caminho dos 14 anos, mas que estava muito bem para a idade que tinha.
O senhor apontando para sua companheira disse que ela deveria pôr as mãos ao alto porque já tinha 96 anos(!) e que também estava muito bem para a sua idade. Imaginei a cena. Pensei as histórias aquelas mãos encerravam em si e o que teriam para contar para quem as olhasse e soubesse ler.

Se seria possível contar as lágrimas que já teriam secado, sentir as dores já suavizadas, contar os tormentos aliviados, que prazeres e pecados teriam sido provocados.
O seu rosto estava bem marcado pelo tempo, mas os seus olhos azuis serenos e brilhantes ainda mantinham a beleza de décadas atrás. Despedimo-nos, desejando mutuamente felicidades e boa sorte.
Olhei para ela a afastar-se admirando-a. Pequena, como os passos que dava ao afastar-se, corpo franzino e curvado enfrentava e suportava o gigantismo e o peso de 96 anos. Como será comigo ? Emanarei esta força e sobretudo serenidade ?
Terei que esperar para ver.