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quinta-feira, 12 de junho de 2014

Grande Ecrã - O Chef


Numa altura em tudo quanto é programa de televisão, livros e revistas estão inundados de receitas e de palavras como Chef fulano, Chef sicrano por todo o lado, ir ver um filme chamado Chef soa a... cliché.

Mas estava curioso como é que Jon Favreau, um realizador habituado aos grandes orçamentos, produções e efeitos especiais como os dois primeiros Iron Man e Cowboys & Aliens lidaria com um projecto de carácter mais intimo, mais caseiro, mais pessoal, classificado como comédia e com argumento igualmente escrito por si.

Carl Jasper (Jon Favreau) é o chef de um grande restaurante de sucesso mas cansado de estar a cozinhar os mesmos pratos e impedido de criar o que gostaria, deixa o restaurante após ter confrontado veementemente, devido uma crítica destrutiva, um famoso crítico e bloger de gastronomia.
A sua vida pessoal também não é das melhores.
Divorciado, é quase um pai ausente para filho devido à indisponibilidade e falta de tempo que a profissão lhe exige.
A partir daqui o argumento torna-se previsível.

Desempregado, informaticamente ileterato, é o seu filho, o muito jovem Percy (Emjay Anthony), que o vai iniciar nas redes sociais e com isso assumir um papel importante no desenrolar do argumento. Sabemos que vai bater no fundo, erguer-se e tornar-se o maior cozinheiro de uma roulote de comida. Aliás, bem cedo no filme recebemos essa dica...

Foi buscar alguns velhos conhecidos dele de outras andanças e deu-lhes papeis efémeros.
Robert Downey Jr e Scarlett Johansson. Se o primeiro está razoavelmente desenvolvido para percebermos a sua aparição e influência no desenrolar do filme, Scarlett fica no limbo, sem sabermos muito bem a lógica por trás da sua aparição.
Dustin Hoffman (Riva) é o dono do restaurante de onde Carl Jasper viria a sair. É ele quem insiste que em pratos ganhadores não se mexe e corta cerce toda a criatividade que o seu chef tanto desejava. É o catalisador para a mudança de vida de Carl. Riva é o prefácio que serve para apresentar o trama do filme.
Outra personagem quase vazia apesar das suas aparições serem bem mais constantes é a sua ex-mulher protagonizada por Sofia Vergara que parece ser só bonita. Como actriz não parece que convença muito.

Martin (John Leguizamo) é o seu fiel ajudante de cozinha e cuja experiência e presença na nova vida de Carl Jasper é crucial para o futuro sucesso.
É pois por entre as personagens de Carl, Martin e Percy que o filme verdadeiramente passa. Jon Favreau começa algo titubeante, mas depois parece ir agarrando o seu papel cada vez melhor.

O mais imaginativo deste filme é a maneira como os twitters são apresentados e enviados. O oposto é já no cair do pano. A proposta do crítico de gastronomia, Ramsey Michel construído por Oliver Platt de uma maneira sensaborona, quando encontra de novo Carl Jasper já bem recuperado da sua queda e em plena felicidade.
O filme poderia ter acabado uns bons quinze ou vinte minutos antes.

Não é um filme propriamente gourmet, mas também não é fast food. Argumento muito denunciado, lento a desenrolar-se e com as personagens secundárias muito esvaziadas. A realização está, felizmente, longe de ter a exuberância dos filmes mainstream que Favreau realizou e nem faria sentido se assim fosse.
Muito bem filmado os pratos, a sua confecção, os aromas e o ambiente que se vive dentro e fora de uma roulote.

O Chef apela aos sentidos e é muito sugestivo. Para quem for amante deste tipo de comer, ao sair da sala, de certeza que se vai enfiar na primeira roulote de comida de rua que encontrar à beira de uma estrada.






quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Grande Ecrã - Cowboys & Aliens


Foi a curiosidade que me levou a uma sala de cinema ver Cowboys & Aliens.
Num mesmo filme encontramos cowboys, aliens, o 007, o Indiana Jones, o realizador de Iron Man e o Steven Spielberg.
Com tanta gente famosa, pensei que alguma coisa de jeito haveria de sair.

Na verdade o filme sem ser nada de extraordinário até funciona.
Numa época (bem retratada) de cowboys chegam os aliens - que fazem as vezes dos índios que desta vez são deixados em paz - que para além do óbvio objectivo de nos estudarem também estão interessados em ouro.

Tudo começa quando Jake Lonergan (Daniel Craig) acorda de repente no meio do nada com uma estranha pulseira de metal no seu punho esquerdo e sem qualquer memória que possa evocar relativamente ao que lhe poderá ter acontecido.
É levado para cidade Absolution onde durante noite esta é atacada por aliens e algumas pessoas são raptadas, sendo este o ponto de partida do filme.

Um dos grandes méritos de Cowboys & Aliens é conseguir unir de uma maneira coerente e lógica, dois géneros que a priori seriam imiscíveis: o western e a ficção científica.
Naturalmente os efeitos especiais imperam são bons e discretos. Bem conseguidas são as lutas a cavalo dos cowboys com os aliens - que fazem lembrar os de District 9 - assim como a discreta nave destes que praticamente se funde com a paisagem onde está inserida.

Percebe-se que Jon Favreau navega apesar de tudo em águas que desconhece. Bom nas cenas de acção, não consegue no entanto captar a atmosfera do western e a sua paisagem, mal secundado pelo director de fotografia que não aproveita a grandiosidade dos cenários naturais. Compare-se por exemplo com a excelência dos cenários e fotografia de Indomável (True Grit) dos irmãos Coen.

Ter Harrison Ford e Daniel Craig no mesmo filme é uma espada de dois gumes. Se por um lado trás gente ao cinema curiosa por os ver juntos (o meu caso), mas por outro ao longo do filme não nos conseguimos abstrair das personagens que os tornaram famosos (Indiana Jones e James Bond).
Especialmente no caso de Daniel Craig que compõe um Jake Lonergan muito "Bondiano". Harrison Ford faz melhor na figura do autoritário e intimidante Coronel Dolarhyde.
Olivia Wilde (Ellas Swenson) é uma alien de cara bonita, um pouco perdida ao longo do filme, cuja presença quase que se resume ao seu sacrifício final.

Cowboys & Aliens vale pela invulgaridade do argumento por unir dois universos tão dispares entre si como um western e a ficção científica e pela coerência que consegue manter ao longo de duas horas de filme.