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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O Velho e o Mar de Hasselberg


Já escrevi várias vezes na Esteira, o quanto admiro este livro, O Velho e o Mar.
É aquilo tipo de criação da Humanidade, que redime a própria Humanidade quer da destruição que arrasta consigo.

Quando descobri que Hasselberg tinha uma música com o título de um livro que venero, fiquei a saber logo a saber uma coisa sobre ela: só podia ser bonita.

Umas das coisas que caracteriza este livro é a simplicidade do argumento. Mas dentro desta linearidade, há muitos nós, voltas. Há desafio, superação e determinação. Há sobrevivência, admiração e protecção.
Neste livro, através do velho e com ele, as nossas forças esgotam-se, as cordas rasgam as mãos, somos ensopados com água do mar que cai sobre nós, a dificuldade de manobrar o barco quando o grande peixe está em luta pela sua sobrevivência.

Apesar de todo o lirismo de Old Man and the Sea, falta-lhe estes sobressaltos, a tensão, alguma inquietação e os nosso olhos esbugalhados.

Mas se o trio de João Hasselberg não conta musicalmente, a história do Velho e o Mar, consegue no entanto resumir todo o livro em três palavras musicais: é muito belo.







sábado, 30 de janeiro de 2016

uma música para o fim de semana - João Hasselberg



O contrabaixista de jazz, o português João Hasselberg tem um álbum, o seu primeiro, cujo título podia ser um provérbio: Whatever It Is You're Seeking, Won't Come In The Form You're Expecting.

Numa tradução ligeira do título, seria qualquer coisa como: "O quer que seja que busques, não vem da forma que esperas."
O que é absolutamente verdade, diga-se.

Atribui-se a Haruki Murakami a paternidade desta citação.


Alguns dos temas que alinham neste álbum debutante do contrabaixista são baseados nos títulos de alguns dos maiores clássicos da literatura mundial. É o caso do meu adorado livro The Old Man and The Sea de Hemingway ou, o espectacular A Um Deus Desconhecido de Steinbeck.
Apesar de não serem "uma música para o fim de semana", estes dois temas vão aparecer ao longo da próxima semana.

Estou a escrever este texto tarde e por isso o chamamento da minha Nuvem já se faz sentir.
Apesar de não precisar de uma canção de embalar, dá sempre jeito ter uma mão.
Elas fazem muito mais que adormecer quem as ouve. Preparam e pacificam a alma para esse momento de excelência de abrandamento de tempo que um ser vivo pode experimentar: o dormir.
João Hasselberg tem uma faixa neste álbum que se chama - Cãnção de Embalar: The Diaries of Adam e Eve. É esta música que escolho para este fim de semana.

O piano tem uma introdução a solo belíssima que vai sensivelmente até aos 0.40 minutos, altura em que entra em cena umas super discretas escovas da bateria.
Esta introdução marca o ritmo do restante tema e que ao longo dele irá surgindo aqui e ali.
É calmo, lento e pacificador. Onírico e aconchegante.
A bateria e o contrabaixo seguem depois liricamente na esteira do piano, sem perturbar a sua espuma.


Esta Canção de Embalar está tocada na formação clássica do jazz: piano, Luís Figueiredo, contrabaixo, João Hasselberg e bateria, Bruno Pedroso.
E para os mais distraídos ou apressados, tomem atenção às imagens que começam com o desenho da capa do álbum. Esta capa vai evoluindo, os seus desenhos ilustram a música.
Muito fixe.


Bom fim de semana e... boa naninha ;)