sábado, 29 de dezembro de 2018

uma música para o fim de semana - Ciranda


Um delicioso regresso às origens. O melhor que a música portuguesa tem: a sua música popular.
Especialmente quando é revisitada, ou melhor, reinventada. Foi exactamente que o projecto Ciranda fez.
Dois instrumentos, um trompete (Gileno Santana) e um acordeão (Inês Vaz), a voz do enorme Vitorino e a letra tão, tão castiça e deliciosa é pertença do Manel Cruz, o mesmo dos Diabo na Cruz.


Bom fim de semana ☺







sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

última compra do ano - Helsinki Songs, Trygve Seim


O meu último álbum comprado este ano foi quase o contrário do que foi 2018.
Helsinki Songs do saxofonista (tenor e alto) norueguês Trygve Seim, chama-se assim por a maior parte dos os seus temas terem sido compostos na capital finlandesa, é no seu todo um trabalho calmo, relaxante, muito cool, pausado.

Dá tempo para respirar, ouvir o saxofone de Seim com atenção, de olhos fechados.
No segundo tema, Helsinki Song, o saxofonista e o seu pianista estónio, Kristjan Radalu, dão as mãos um ao outro e o resultado final é etéreo, idílico, de um grande colorido outonal. É fácil imaginar as folhas a caírem preguiçosamente e harmoniosamente dos ramos das árvores a atapetarem o alcatrão despido e frio.

Alias, ao longo dos vários temas, esta dupla saxofone e piano, surge para grande felicidade nossa várias vezes.
Como fã confesso do contrabaixista Mats Eilertsen, gostava que este tivesse um tempo de antena mais alargado, mais vistoso, mais interveniente ao longo do álbum.

E já que 2018 foi algo irrequieto e cansativo, pode ser que 2019 alinhe pelo sons pacificadores e suaves do quarteto de Trygve Seim.


Feliz Ano Novo






no comments






quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

sábado, 22 de dezembro de 2018

uma música para o fim de semana - Xutos & Pontapés


É a última canção do mítico álbum 88, dos Xutos & Pontapés, que celebrou este ano 30 anos.
Propositadamente deixei as Torres da Cinciberlãndia para o fim.

Último, porque foi precisei de algum tempo para gostar desta canção e último porque sempre pensei que até ao último instante chegasse a descobrir onde ficam estas Torres.
Mesmo os Xutos dando umas pistas para chegar até lá...

Ele há um sítio entre a estrada e o mar 
que fica de fora para quem lá quer chegar.


Fui perguntado aqui e ali, a algum pessoal mais batido nos Xutos e até no Google, mas... zerix!!
Que se lix o certo, é que as Torres da Cinciberlândia, alguém sabe onde ficam?? tem uma energia contagiante e faz parte daquelas músicas do que pessoal não valoriza muito, mas que eu nos concertos deles fico sempre à espera que conste no alinhamento.


Bom fim de semana  ☺




As Torres da Cinciberlândia

Ele há um sítio entre a estrada e o mar
Que fica de fora para quem lá quer entrar
Tem uma porta escondida pelo azar
Que só se abre para quem lá quer entrar

Às tantas pensas que é tudo a brincar
É todo o espaço que cresce com o teu ser
É o tempo que se dobra ao passar
Será real tudo o que estás a ver

Já vi as torres da Cinciberlândia
São sete torres a riscar o céu
Já vi as torres da Cinciberlândia
Find more lyrics at ※ Mojim.com
Com os olhos que Deus me deu

Sete e tão altas que devem ultrapassar
O fim do mundo, até o fim do ar
Ninguém lá mora, só servem para brilhar
P'ra quem as vê, p'ra quem lá quer chegar

Já lá voltei, procurei o lugar
Não o achei, cansei-me de andar
Já era tarde, não ia mais voltar
Aquele sítio entre a estrada e o mar


sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

um poema (na chegada do Inverno) de... William Shakespeare




Soneto 97

Como o inverno, tornou-se minha ausência
De ti, o prazer com que passou o ano!
Que frio senti, que dias negros eu vi!
A estiagem de Dezembro espalhou-se por toda a parte!

E longe, cava, então, o verão,
O próximo outono, crescendo com toda a força,

Suportando o luxurioso peso do início,
Como úteros viúvos após a morte de seus senhores;

Embora esse farto assunto me pareça
A esperança de órfãos, e de frutos sem ascendência,
Pois o verão e seus prazeres servem a eles,

E, embora distante, os mesmos pássaros emudeçam;
Ou, se cantam, emitem um trinado tão mortiço,
Que as folhas empalidecem, por temerem o inverno.


William Shakespeare, in Sonetos



quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

série "vencedores" - Joana Paço


Imaginem que chegam ao mar, olham para as ondas e sabem escolher uma, deslizarem nela, porem-se em pé na altura certa, e sem cair, surfarem ao longo dela, percebendo quando ela vai terminar e preparem-se em devido tempo para sair dela? Naturalmente diriam com ironia:
"Mas isso acontece quase todos dias!"

E quanto tempo teriam de treinar para ir a um campeonato mundial na Califórnia e sacar uma medalha de bronze?? Agora talvez me respondessem:
"Tem juízo! Isso é imaginação a mais!"
E então eu acrescentava:
"E se fossem cegos e fizessem tudo o que disse agora?? Conseguiam??"
Aposto que com alguma irritação retorquíam:
"Não abuses!!"

Mas foi mesmo isto que Marta Paço fez. É invisual, tem 13 anos, treina há menos de um ano e ganhou uma medalha de bronze no passado domingo, no campeonato mundial de surf inadaptado na Califórnia.

Faço uma imensa e prolongada vénia a Marta. E admiração que tenho por ela é maior que qualquer vénia que lhe possa fazer.
Como não joga futebol que qualquer espécie não será recebida por Marcelo Rebelo de Sousa, o tal dos afectos, nem será condecorada.

Marta Paço é uma vencedora maravilhosa.






sábado, 15 de dezembro de 2018

uma música para o fim de semana - Sam the Kid


Sam the Kid, também conhecido por STK, em Sendo Assim tem uma letra muito autobiográfica.
Remete para momentos recuados, e perdidos, como quando canta:

No tempo em que eram só maquetas, os rappers eram autores
Cantores eram poetas e poetas eram pintores

... e os poetas eram pintores. Para os novinhos, este verso refere-se às notas de 100 escudos que tinham as imagens de Bocage e Fernando Pessoa e que no calão da rua, nas conversas ligeiras, estas notas apelidadas de pintores.

O ponto forte do hip hop sempre foi e sempre será os conteúdos, as mensagens mais ou menos directas que as letras contêm. STK canta na música para o fim de semana, das suas origens, do que foi, do que é e como não se alterou com o passar do tempo, com o aumentar do sucesso.


Bom fim de semana ☺




Há um silêncio que ainda me ensurdece
Uma incerteza na pertença, ou para ti sou guest?
Tá tudo inverso e o mundo diverte-se, é um dissabor
Como nunca houvesse quem visse o verso e ouvisse a cor
Ouve esse amor e essa dor a ceder
Eu não sou ameaçador, o meu sabor é saber
O que faço não é básico, dou o máximo por um clássico
Não é fácil, cada frase, cada traço no meu a5
Marvila é vida, é a vinha que eu engarrafo
Tou na minha e eu nunca sigo a mesma linha, eu paragrafo.
Tenho sede na cabeça e a cabeça no dedo
Mas quando sonho tenho medo que adormeça na rede
Há suor em cada poro, organizo o que eu decoro
Indeciso que eu deslize e é por isso que eu demoro
Faço algo que eu adoro e ignoro o prazer ruim
Eu não quero ser o melhor eu melhoro a fazer de mim
Nunca tive uma ambição com a ilusão de uma aderência
Porque ter a profissão não é missão, é consequência
Não me rendo à influência e na falência eu direi
Que não preciso de uma venda, não sou deusa do direito
O meu livro é exclusivo e é universal
Fui compulsivo no cursivo e não morri vassalo
Com a sony digital ganhei a noção da lente
Para um dia ser imortal como a nação valente
Visão fluente e é quando a mente me elucida
A que eu siga em frente e nunca retroceda na subida
O segredo para a (saída) não é subir altitudes
É quando aponto o im(porta)nte, é quando nomeio virtudes
A glória mora onde eu pertenço e o apreço condecora
E eu tou preso a este peso que me ancora
O som desempregou-me, a zona suportou-me
Sonda quem ambiciona, ninguém sonha ser mordomo
Para putos radicais nada é “phat” se é antigo
Mas eu não vou ser mais um arquitecto sem abrigo
Não entro na moleza e no que a incerteza traz
Um dia é muito tempo quando tem um talvez atrás

Sendo assim, a cena sai sem pressões
Sinto o som sem pensar em aceitações
É a trajectória de outros craques de outras gerações
Conto estórias onde fracos têm orações
Sendo assim, a cena sai sem pressões
Sinto o som sem pensar em aceitações
Eu queria sumo, queria alunos com informações
Não há dumbos, só cardumes sem recordações

Se a arte é altruísta, não é o que eu vi no topo
Porque o trono é egoísta nada filantropo
Lancei me e nunca bazei assim que saquei o dobro
Estou grato pelo passeio, eu ziguezagueio o globo
E guardo notas de rotas poliglotas
Em hotéis só muda o lençol é ver o sol e voltas
Para quê fazer um álbum se ele dura meses
Por vezes sinto que ainda estamos na moldura presos
Na era pura, com todos na cultura tesos
Quando a vibe era insegura, eu sou da altura desses
Sem prazos, sem preços
Sem maços, sem interesses
O principio do inicio ainda mantêm se ileso
No meu oficio o que é difícil é manter silêncio
Agora há muita coincidência para ser coincidente
Foi tudo um acidente, e não há um esclarecimento
No tempo em que eram só maquetas, os rappers eram autores
Cantores eram poetas e poetas eram pintores
Eu soube o que é coragem quando a luz era uma réstia
Eu sei que há uma miragem na indústria da modéstia
Eu vim da arte da rima séria , quando o clima era intenso
Uma era linda quando ainda ninguém ria por extenso
E hoje em dia , não há sabedoria, sem noção, sem senso
E a maioria são uma diversão circense
Eu oiço manos veteranos e tu quantos sentes
Na life de mc sem remanescentes
Que ainda rimam e fazem trabalhos consistentes
E nunca ficam à espera que um dia tu sustentes
Vi sonhos divinais,
Vi mil desilusões que trazem muitos afinais
O assédio não me embala e eu na calma nem respondo
A um armazém que esconde almas em desconto
Prefiro fazer trips invulgares no meu kit de cinco lugares
Vou para longe não me fixo em ver clicks e polegares
E eu só digo obrigado, por viver com agrado
Por ter uma vida assim, e não assim

Sendo assim, a cena sai sem pressões
Sinto o som sem pensar em aceitações
É a trajectória de outros craques de outras gerações
Conto estórias onde fracos têm orações
Sendo assim, a cena sai sem pressões
Sinto o som sem pensar em aceitações
Eu queria sumo, queria alunos com informações
Não há dumbos, só cardumes sem recordações



sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

um poema de... Mia Couto



Solidão

Aproximo-me da noite
o silêncio abre os seus panos escuros
e as coisas escorrem
por óleo frio e espesso

Esta deveria ser a hora
em que me recolheria
como um poente
no bater do teu peito
mas a solidão
entra pelos meus vidros
e nas suas enlutadas mãos
solto o meu delírio

É então que surges
com teus passos de menina
os teus sonhos arrumados
como duas tranças nas tuas costas
guiando-me por corredores infinitos
e regressando aos espelhos
onde a vida te encarou

Mas os ruídos da noite
trazem a sua esponja silenciosa
e sem luz e sem tinta
o meu sonho resigna

Longe
os homens afundam-se
com o caju que fermenta
e a onda da madrugada
demora-se de encontro
às rochas do tempo

Mia Couto, Raiz de Orvalho e Outros Poemas


quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Nut - porque a noite também é (muito) bonita



Dizem que é muito "feiinha" ou que é feia como a noite.

Admito que tal seria verdade se houvesse animais feios, que não há. Muito menos quando se fala de gatos.

É uma gata adulta tricolor, muito escura em que os laivos de dourados e brancos estão escassamente dispersos na pelagem que não chega a ser negra. Poderia ter sido pintada por Pollock nos seus piores dias...
Foi atropelada mas sobreviveu a custo. As sequelas são bem visíveis: lesões na coluna, a parte traseira tem uma certa desproporção, desequilíbrios ao andar porque tem as patas desalinhadas e uma certa dificuldade em saltar e por vezes em levantar-se. A cauda está amputada pela metade e tem problemas de bexiga, porque vai uma quantidade de vezes anormal ao longo do dia à caixa de areia.

Estava há seis meses a viver numa clínica. Ninguém a queria por todos os motivos acima. Com a morte do Mahler abriu-se uma "vaga" para outro gato que não ninguém quisesse, que ninguém ultrapassasse a questão do não ser bonitinho e que não fosse capaz de ver que acima de tudo é um ser vivo que gosta e precisa de carinho e protecção.

É uma gata meiguinha, positiva, calma e boa onda. Tem um miar esganiçado e um ronronar maravilhosamente tão desengonçado e desajeitado quanto ela. Os seus olhos são do tamanho do mundo e parecem estar permanentemente pasmados. São profundamente negros e tornam-se autênticos buracos negros quando as meninas dos seus olhos expandem ao máximo.
Está a ainda a aprender a lidar com os restantes felinos da casa.

E como acredito, e sei, que a noite é bonita dei-lhe o nome de Nut.
Nut é a deusa egípcia dos céus de dia e de noite, do firmamento. É a deusa mais poderosas do panteão egípcio. Dela nasceram os principais deuses egípcios: Osíris, Ísis, Néftis e Seth
É representada por uma mulher arqueada, protegendo a Terra, onde ao longo de todo o seu corpo estão dispostas estrelas.

Não sei se Nut vai viver muitos anos, mas os que viver, garantidamente vão ser o máximo para ela.


sábado, 8 de dezembro de 2018

uma música para o fim de semana - Loopless


Nu soul com acid jazz à mistura, tudo embrulhado numa voz bonita, sensual e quente.
A dona da voz é angolana e chama-se Kika Santos, bem conhecida por cantar A Sinfonia do Amor dos Blackout, uma banda de existência breve com apenas dois álbuns na década de 90 (1995-1998) do século passado.

Em Raining Down, Kika surge melhor do que nunca no formato quarteto dos Loopless com Hugo Nov, Yuri Daniel e Nandu. Explora sons mais ricos, mais complexos e irrequietos. Tal e qual como gostamos.

Já tinha andado pela Esteira... aqui.


Bom fim de semana ☺




sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

(no) comments


Quando as pessoas perceberem o quanto os animais nos dão, quando as pessoas perceberem o quanto elas são importantes e nós para eles, não os abandonavam, não os maltratavam, não os torturavam e não os deixavam à sua sorte.
Quando percebermos que eles são verdadeiramente inteligentes, racionais e conscientes, dotados de emoções e que a distância evolutiva entre eles e nós não é tão grande quanto se pensa, estes seres vivos que partilham as nossas casas, as nossas vidas seriam mais amados, mais respeitados, mais acarinhados e protegidos.

E quando nós, animais ditos inteligentes, finalmente (se) formos capazes de interiorizar este conceito de senciência, finalmente perceberemos, que todos os seres vivos, não só cães e gatos, merecem ser tratados da mesma forma e que o seu direito à vida, à dignidade física e psicológica é tão importante para eles como a nossa é para nós.

No fim de tudo, somos todos iguais: seres vivos sencientes. E a diferença de uns para os outros neste aspecto é...nula.
Dizem-me para ter esperança, que a consciência desta igualdade está a despertar, a aumentar entre nós, talvez esteja. Mas olhando para o meu lado, olhando para o que se lê, para o que passa na televisão, para a quantidade absurdamente alta de vidas que são assassinadas diariamente em matadouros e redes de pesca, fico descrente nessa esperança, fico descrente na humanidade.

Não somo dignos, não merecemos aquilo estes seres vivos nos dão.
Para muitos de nós, eles estão em patamares de nobreza que dificilmente seremos capazes de alcançar, de atingir. Para esses de nós é um longo caminho a percorrer, a aprender, a admirar. E com a devida humildade ver-se-à que é um caminho bonito de ser trilhado e no fim dele a recompensa é muito grande: chega-se muito, muito melhor e mais evoluídos do que se possa pensar, do que quando se iniciou esse caminho, essa tomada de consciencialização.






quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

uma ida ao baú - Don't Worry Be Happy (Bobby McFerrin)



Amor cego à primeira audição.
Fiquei varado quando descobri que esta canção de Bobby McFerrin,fez em 2018...30 anos!
E por sua vez Bobby é um menino que já tem 68 aninhos.

Esta canção pode ser de qualquer ano! E hão-de passar mais trinta anos e ela há-de continuar a ser de qualquer ano, sempre cantada e trauteada.
E que tal assobiada?? Quem nunca assobiou a entrada de Don't Worry Be Happy antes de os míticos primeiros versos serem entoados??


Here's a little song I wrote
You might want to sing it note for note
Don't worry, be happy


Uma canção de culto, muito, muito cool e absolutamente viciante.
Para os mais distraídos, porque os atentos há muito que o descobriram, hão-de reparar que Robin Williams aparece no vídeo aos 2.12min.

E como se dizia na altura Don't Worry Bobby, I am Happy.
Na verdade... nem por isso. Talvez lhe dê uma telefonadela ;)





Here's a little song I wrote
You might want to sing it note for note
Don't worry, be happy
In every life we have some trouble
But when you worry you make it double
Don't worry, be happy
Don't worry, be happy now

(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) don't worry
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) be happy
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) don't worry, be happy
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) don't worry
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) be happy
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) don't worry, be happy

Ain't got no place to lay your head
Somebody came and took your bed
Don't worry, be happy
The landlord say your rent is late
He may have to litigate
Don't worry, be happy
Oh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh don't worry, be happy
Here I give you my phone number, when you worry, call me, I make you happy, 
don't worry, be happy

Don't worry, be happy
Ain't got no cash, ain't got no style
Ain't got no gal to make you smile
Don't worry, be happy
'Cause when you worry your face will frown
And that will bring everybody down
So don't worry, be happy

Don't worry, be happy
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) don't worry
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) be happy
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) don't worry, be happy
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) don't worry
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) be happy
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) don't worry, be happy
Now there, is this song I wrote
I hope you learned note for note
Like good little children, don't worry, be happy
Now listen to what I said, in your life expect some trouble
When you worry you make it double
But don't worry, be happy, be happy now



Don't worry, be happy
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) be happy
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) don't worry, be happy

don't worry
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) be happy
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) don't worry, be happy

don't worry, don't worry 
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) don't worry, don't do it, be happy 
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) put a smile in your face
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) don't bring everybody down like this

don't worry
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) it will soon pass, whatever it is
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) don't worry, be happy
(Ooh, ooh ooh ooh oo-ooh ooh oo-ooh) I'm not worried, I'm happy


terça-feira, 4 de dezembro de 2018

sábado, 1 de dezembro de 2018

uma música para o fim de semana - Gume


Jazz contemporâneo, algo psicadélico e pouco convencional, alicerçado no clássico hard bop, mas dando umas felizes e bem conseguidas piscadelas de olho ao afro-beat.
As vozes quando entram remetem no imediato para o universo no hip hop, pela forma sincopada e pelo jogo das rimas.

Excelente o trompete a fazer a introdução à canção.

Gume é um sexteto liderado por Yaw Tembe (trompete e voz), Pedro Monteiro (baixo/ contrabaixo), André David (guitarra eléctrica), Tiago Fernandes (saxofone alto), Sebastião Bergman (bateria) e David Menezes (percussão).

Vale bem a pena descobrir o jazz, de caminhos por vezes tortuosos, de Gume. Como fiz agora neste fim de semana.


Bom fim de semana ☺







sábado, 24 de novembro de 2018

uma música para o fim de semana - Samuel Úria


Gosto da tristeza, da dolência, da lentidão da voz Samuel Úria a cantar Vem de Novo.
Fez-me sentir saudades de quem já não volta.

A solidão não é não ter amigos, não é não ter quem olhe por nós. Solidão é quando se perde algo mais importante que nós próprios. É quando se sabe, se percebe que esse bocado a menos não será preenchido, não será recuperado. Será sempre um vazio.

É quando o vem de novo, jamais poderá acontecer porque o "de novo" é uma impossibilidade física.
Aí está-se verdadeiramente só. Mesmo quando há um milhão de pessoas à volta, porque nenhuma delas é o "de novo".

Vem de Novo é a quarta canção de um EP - Marcha Atroz - de Samuel Úria que ainda não tem um mês de lançamento.
É a segunda vez que Úria pisa o placo da Esteira.


Bom fim de semana ☺



VEM DE NOVO E se eu... E se eu me esquecer de ti? Mas não dessa forma que o fiz (Isso fui só eu a ser só eu). Mas, se se enrugar a noção do meu melhor, Vem, de novo, deseducar-me de estar só. E se tu... E se te apagares de mim? Mas não como às vezes pedi (Isso fui eu só a ser eu só). Ai, se se enrugar a noção do meu melhor Vem, de novo, curar-me o vício de estar só. E se o que eu pagar P’lo que não dormi For reencarnar Nas memórias de um puto sem jeito nenhum? E se o que eu pagar P’lo que já esqueci For perder o pavor de perder-te Por nem saber quem és? Pois, se se enrugar a noção do meu melhor, Venho, velho, desconhecer que nada sou. Mas se se enrugar a noção do meu melhor Vem, de novo, deseducar-me de estar só.



quinta-feira, 22 de novembro de 2018

um poema de... Mário Sá Carneiro


Dispersão

Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto.É com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar,
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...

Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:

Porque um domingo é família,
É bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem família).

Pobre moço das ânsias...
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que me abismastes nas ânsias.

A grande ave doirada
Bateu asas para os céus
Mas fechou-se saciada
Ao ver que ganhava os céus.

Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traiu a si mesmo.

Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que protejo:
Se me olho a um espelho, erro
Não me acho no que projeto.

Regresso dentro de mim
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha dentro de mim.

Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
Eu nunca vi... mas recordo

A sua boca doirada
E o seu corpo esmaecido,
Em um hálito perdido
Que vem na tarde doirada.

(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que sonhei!... )

E sinto que a minha morte —
Minha dispersão total —
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.

Vejo o meu último dia
Pintado em rolos de fumo,
E todo azul-de-agonia
Em sombra e além me sumo.

Ternura feita saudade,
Eu beijo as minhas mãos brancas...
Sou amor e piedade
Em face dessas mãos brancas. . .

Tristes mãos longas e lindas
Que eram feitas pra se dar
Ninguém mas quis apertar
Tristes mãos longas e lindas

Eu tenho pena de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?... Ai de mim!

Desceu-me nalma o crepúsculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.

Álcool dum sono outonal
Me penetrou vagamente
A difundir-me dormente
Em, uma bruma outonal.

Perdi a morte e a vida,
E, louco, não enlouqueço...
A hora foge vivida
Eu sigo-a, mas permaneço ...

...............................................
Castelos desmantelados,
Leões alados sem juba...
..............................................




terça-feira, 20 de novembro de 2018

sábado, 17 de novembro de 2018

uma música para o fim de semana - B Fachada


Divertida, castiça.
E acima de tudo cheia de bons conselhos para os putos. Aproveitar enquanto podem. Antes que deixem de ser o que são, antes que lhes peçam para ser algo quando ainda não se conhecem, quando ainda não o que fazem a minima ideia o que fala com ele ou com quê eles querem falar.

E depois terão que seguir ordens, dificilmente poderão ter voz própria e se o tiverem só encontrarão chatices e serão acusados que não fazem o melhor para quem os emprega, para quem trabalham.
Serão chamados obstáculos, pouco colaborantes, do contra.

Os conselhos de B Fachada dizem para serem felizes e terem essa consciência, porque depois...


Bom fim de semana ☺




se a mãe te vem chamar para a cozinha para jantar 
deixa-te estar tó-zé, deixa-te estar 
se é hora de acordar para ir para a escola batalhar 
não queiras ir tó-zé, deixa-te dormir 

tó-zé fica deitado, não sejas pau mandado, 
não sejas pau mandado, tó-zé fica deitado 

se alguém te quer explicar que não mereces descansar 
deixa-os falar tó-zé, deixa-os falar 
que um dia vai chegar a tua vez de produzir 
mas até lá tó-zé deixa-te dormir 

tó-zé fica deitado, não sejas pau mandado 
tu espera um bom bocado para fazer o tal recado 
tó-zé fica deitado, não sejas pau mandado 
não sejas pau mandado, tó-zé fica deitado 

se a tua namorada te mostrar o b fachada 
que maçada tó-zé, mas que maçada 
que gente moralista nunca ajuda só despista a namorada 
tó-zé deve ser machista 
tó-zé tu tem cuidado, não sejas pau mandado 
antes louco e malcriado que pensar só de emprestado 
toda a vida te vão dar o mundo já bem mastigado 
tu começa a praticar para não ficares moralizado

tó-zé fica deitado, não sejas pau mandado, 
não sejas pau mandado, tó-zé tu tem cuidado 
tó-zé tu tem cuidado com o mundo mastigado
tu começa a praticar para não ficares moralizado


sexta-feira, 16 de novembro de 2018

série Vencedores - selecção nacional de futsal com síndrome de Down


4-0. Foi este o resultado da selecção portuguesa de futsal para atletas com síndrome de Down na final do campeonato europeu com a sua congénere italiana, a actual campeã do mundo.
Aconteceu ontem, 15.11.2018. Data a não esquecer.

Eis os nomes destes jogadores incríveis:

O capitão é Nelson Silva, considerado o melhor jogador no campeonato mundial; Carlos Lobo (joga no CAID de Santo Tirso), Helder Ornelas (do Clube Desportivo “Os Especiais”, da Madeira); Paulo Lino (é atleta do Cerciag, Águeda), Norberto Santos (a jogar no Cercimira), Luís Gonçalves (alinha no Clube Cercifaf), Tiago Castro (pertence ao Clube Gaia), César Morais e Daniel Maia (ambos são do F.C. Porto), Ricardo Pires (jogador do Mapadi, Póvoa de Varzim) e o suplente Rui Sousa (integra o APPACDM de Coimbra e Montemor-o-Velho).

Os homens dos golos foram, o Nelson Silva, marcou três dos quatro e o quarto partiu dos pés de César Morais.

Duas palavras este pessoal: Maravilhoso e maravilhosos!!





terça-feira, 13 de novembro de 2018

os cameo do Sr Stan Lee


No post anterior tinha mencionado que Stan Lee participava, e fazia questão de o fazer, em breves aparições - os famosos cameo - em todos os filmes da Marvel que tivesse o dedo mágico de Lee, ou seja praticamente todos.

Houve alguém que se deu ao (muito) trabalho de compilar todos essas breves participações.
Tal como eu, e muitos e muitos outros, via (e vejo) todo e qualquer filme Marvel à espera desse fugazes segundos em que Stan Lee. E sempre que tal acontecia, ficava a sensação de missão cumprida.

Apreciem são dez minutos espectaculares e divertidos do Sr Stan Lee.

Excelsior!





Stan Lee, o homem que criou um Universo


Peter Druker afirmou uma vez que "a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo".
Quando se fala de Stan Lee, houve alguém que parafraseou Drucker e escreveu: "a melhor forma de de governar o universo é criá-lo."

E Stan Lee, fê-lo melhor que ninguém. Qualquer super-herói ou figura da Marvel (esqueçam o Batman, Super-Homem e a Mulher-Maravilha que esses são da DC Comics) que nos possa vir à memória, a probabilidade de ter sido criada e imaginada por ele é altíssima.
São contadas às centenas a quantidade de personagens criadas por este nova-iorquino, nascido a 28 de Dezembro de 1922, que aos 10 anos já lia Shakespeare.

Basta pensar em três colectivos da BD e da Sétima Arte para se ter a noção do poder criativo de Lee: Vingadores, Quarteto Fantástico, X-Men e mauzões associados. Acrescentem por exemplo, o Punisher, Daredevil, Thor, Black Panther, Thor, Loki e por aí fora.
Muita desta gente (o Capitão América, não) foi pensada e imaginada por Stan Lee. Ele deu-lhes vidas normais com profissões, problemas comuns, relações familiares complicadas, perdas e desgostos, inclusão ou exclusão social, reinos e até animais de estimação.

É pensar como seria as nossas vidas, a nossa concepção do Universo, do Bem e do Mal, sem todo este pessoal, sem Stan Lee.
Eu, por exemplo, sem o Homem-Aranha seria muito... pobre.

Stan Lee morreu, melhor, não morreu ontem aos 95 anos.. ;)

Para quem possa interessar, Stan Lee sempre fez cameo nos filmes da Marvel. Estejam a atentos a uma personagem de bigode, óculos escuros e cabelo grisalho, que faz umas breves aparições ao longo dos filmes.





domingo, 11 de novembro de 2018

nove anitos


Poucas coisas na minha vida duraram tanto tempo como a Esteira de Letras até ao momento: nove anos!





sábado, 10 de novembro de 2018

uma música para o fim de semana - Vaiapraia e as Rainhas do Baile


Vaiapraia e as Rainhas do Baile é punk em estado puro.
É um trio constituído Rodrigo Vaiapraia (voz e teclado) e as rainhas são a Shelley Barradas (voz, baixo e guitarra), e a Lúcia Vives (voz e bateria).
Amor Duro é nome de álbum, na verdade é um EP, o segundo deste trio e é o nome do tema que abre álbum.

Aborda a temática que é muito querida a Rodrigo Vaiapraia, o queer, a identidade de género, o desejo, o que é marginal.
A letra é áspera libertina e sem papas na língua. A música é explosiva e decadente.


Bom fim de semana ☺



Cas minhas unhas 
Ca minha lábia 
Não há gajo que eu não lacre 
O amor e tanta foda são azeite e vinagre 
O meu amor bué da duro 
O teu emoji passageiro 

A gente começa no Douro e acabamos no Vimeiro 
Confundiste-me na rua com uma bicha qualquer 
É a minha arqui-inimiga, nem à bofetada ela vai aprender 
Podia ser a minha mana, mas é só com ódio que eu sei viver 
Vestimos todas a mesma roupa e o mesmo macho que não nos quer 
E eu não escolho só quero quem me pega que o Amor nunca me quer 
E eu não escolho só quero quem me pega que o Amor nunca me quer 

Aprende já, tá na hora, isto só piora, isto só piora 
Aprende já, tá na hora, isto só piora, isto só piora

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

uma ida ao baú - Downbound Train (Bruce Springsteen)


Foi em Junho de 1984, diz a Wikipedia, que o álbum Born in Usa de Bruce Springsteen viu a luz do dia.
Tudo neste álbum transborda de energia. A voz, a guitarra, as letras, a banda.
Mas são as canções onde esta energia está presente, de uma forma latente, que mais falam comigo.
Estas canções conseguem transmitir, a essência da vida, a dureza do dia a dia.

Downbound Train, de longe a minha preferida de Born in USA e talvez de toda a música de Bruce Springsteen, está carregada desta energia adormecida mas bem presente na letra, na emoção da sua voz.
Ele canta esta canção com uma aceitação, não como resignação, de algo que se perdeu, foi no tempo.
Fá-lo não chorando, mas como quem relata algo que dói, um ferida que está lá mas que já não sangra. Alguém que já ultrapassou o desespero e que vive agora uma tristeza adocicada pela compreensão que a passagem do tempo confere. 

Fantástica esta canção. Continua a falar para mim da mesma foram como quando foi lançada.
Revê-la foi altamente.


Entretanto descobri que, quase, quase há quatro anos, já tinha escrito sobre este álbum mas abordando o tema que dá título ao álbum. E Downbound Train já por lá andava. 




I had a job, I had a girl
I had something going mister in this world
I got laid off down at the lumber yard
Our love went bad, times got hard
Now I work down at the carwash
Where all it ever does is rain
Don't you feel like you're a rider on a downbound train

She just said "Joe I gotta go
We had it once we ain't got it any more"
She packed her bags left me behind
She bought a ticket on the Central Line
Nights as I sleep, I hear that whistle whining
I feel her kiss in the misty rain
And I feel like I'm a rider on a downbound train

Last night I heard your voice
You were crying, crying, you were so alone
You said your love had never died
You were waiting for me at home
Put on my jacket, I ran through the woods
I ran till I thought my chest would explode
There in the clearing, beyond the highway
In the moonlight, our wedding house shone
I rushed through the yard, I burst through the front door
My head pounding hard, up the stairs I climbed
The room was dark, our bed was empty
Then I heard that long whistle whine
And I dropped to my knees, hung my head and cried

Now I swing a sledge hammer on a railroad gang
Knocking down them cross ties, working in the rain
Now don't it feel like you're a rider on a downbound train


sábado, 3 de novembro de 2018

uma música para o fim de semana - Xutos & Pontapés


Uma das mais carismáticas músicas dos Xutos, está num dos álbuns mais carismáticos deles: 88.

Ela começa a mexer connosco logo nos riffs das guitarras, sempre em crescendo, sempre a puxar por nós, até que a sequência rápida da bateria de Kalu anuncia o climax: À Minha Maneira Começou!!

A partir daqui é sempre a dar gás. Entrar em delírio. Começar a cantar até ficar rouco, a pular até cansar, extravasar energia até o Universo não poder mais com ela.

É mesmo assim! Não há volta a dar. E concerto dos Xutos sem ela, não é...concerto.
E pensar que esta canção (e o álbum) já tem 30 anos.


Bom fim de semana ☺





A qualquer dia
A qualquer hora
Vou estoirar, pra sempre

Mas entretanto
Enquanto tu duras
Tu pões-me tão quente

Já sei que hei-de arder na tua fogueira
Mas será sempre, sempre à minha maneira

E as forças que me empurram
E os murros que me esmurram
Só me farão mudar
À minha maneira (à minha maneira)
À minha maneira

Por essa estrada
Por esse caminho
A noite, de sempre

De queda em queda
Passo a passo
Vou andando, prá frente

Já sei que hei-de arder na tua fogueira
Mas será sempre, sempre à minha maneira

E as forças que me empurram
E os murros que me esmurram
Só me farão mudar
À minha maneira (à minha maneira)
À minha maneira

À minha maneira
À minha maneira!


terça-feira, 30 de outubro de 2018

espelho meu


Desde pequena que tinha medo do espelho da casa de banho. Só dele. Só deste.
Receava o ele lhe poderia devolver, mostrar. Acreditava que lhe desvendaria um segredo que não queria conhecer, do que pudesse acontecer.
Quando tomava banho a humidade ofuscava a superfície espelhada e sempre se sentiu segura. Anos a fio. Um dia tal não aconteceu. A humidade, caprichosamente, não escondeu o espelho.
Estremeceu. Ganhou coragem. De lado para o espelho, receosamente, pouco a pouco, foi espreitando cada vez mais até que a sua cabeça apareceu totalmente. Espreitou para o seu reflexo, para a sua imagem e nada viu e nada leu.
Aliviada exclama - Meu Deus, que estupidez tão grande. Não há nada dentro dele!

Virou-se para trás e abriu os olhos num misto de incredulidade e pavor. Os dedos que seguravam a tolha suavemente tornaram-se brancos com a força multiplicada pela terror. Da humidade opaca, pairando no silêncio e no ar, uma lâmina de aço que o espelho não lhe mostrou, desfere-lhe um golpe seco e único no pescoço. Enquanto gorgolejava, sufocando no seu sangue morno e de sabor macio, ouviu, espelhado na lâmina brilhante, a gargalhada da mãe morta chamando-a pelo seu nome: Zulmiraaaaaaaaa!!


Inkheart

sábado, 27 de outubro de 2018

uma música para o fim de semana - Magano


São três: o Francisco, a Sofia e o Nuno. Estes últimos, irmãos.
As origens deste trio dificilmente poderia ser mais diferentes. Francisco, um homem do jazz a tocar contrabaixo; a Sofia com tradições no fado e que empresta a voz ao trio e encarrega-se das percussões e o Nuno que navega nas águas do rock é a segunda voz e toca guitarra.

Este trio musicalmente improvável, os Magano, juntaram-se para cantar e tocar... cante alentejano.
A decisão não foi inocente e nem por acaso. Apesar de musicalmente estarem em géneros diferentes, as raízes familiares assentam na cultura alentejana.

Indubitavelmente as características que reconhecemos no cante alentejano estão todas presentes. Não estão é obviamente presentes. A sua roupagem é realmente diferente, urbana talvez, e a presença do contrabaixo, inicialmente tocado com arco e depois dedilhado, acrescenta aromas a que não estamos de todo habituados a ouvir num coro alentejano.

O resultado é curioso.


Bom fim de semana ☺






quarta-feira, 24 de outubro de 2018

é por esta e por outras que gosto de blues


Atentem na forma como a guitarra é tocada. Toda ela é vibrante, expressiva, cheia emoção.
Não é explosiva mas está longe de ser contida. Tudo o que lhe vai na alma vem cá para fora: raiva, lamento, dor, incompreensão, saudade. Nada fica por dizer.

O piano quando faz ouvir a sua voz, diz-nos para além de qualquer dúvida que está ao lado da guitarra. Que esta não está sozinha. Que há compreensão e partilha de sentimentos entre os instrumentos.

A voz de Mighty Sam McClain conta a história da perda e o esvair de um amor, as costas que se viram, a perda do que já não volta e a crença, a esperança, que o amor volte quando a dor passar. Que haverá um amanhã.
A sua voz e a voz da guitarra são uníssonos, sentem o mesmo e vêm do mesmo lugar: do coração e da alma. Ambos choram, resignam-se e acreditam. Neles não há superficialidade.

Os blues cantam isto tudo. É esta vivência visceral da dor, do destino, da fatalidade, do que se perde entre os dedos, que os tornam tão fascinantes.
É por isto que gosto tanto de blues. E de Mighty Sam McClain.






terça-feira, 23 de outubro de 2018

Mice, a small history (Ratos, Uma Pequena História)


E se o anel do Senhor dos Anéis fosse a patilha de uma lata de refrigerante?? E se em vez de ouro, esse tal anel, fosse de cor dourada??
E se essa história fosse protagonizada por ratos e fosse contada em pouco mais de quatro minutos e meio??

O resultado é espectacular e chama-se Ratos, Uma Pequena História.
Para as almas mais sensíveis, o Gandalf também morre nesta versão... ;)






sábado, 20 de outubro de 2018

uma música para o fim de semana - Maze


Atrai o loop com que as teclas iniciam Vamos Ascender. Põe-nos na expectativa do que está para chegar. A voz de Maze, alter-ego de André Neves, entra em acção e debita as rimas (autobiográficas) que o rap e hip hop nos habituaram. Mas entretanto entra em acção o outro ponto que fez chamar atenção sobre esta canção de Maze: o refrão. Quebra a sonoridade, o ritmo do tema, introduzindo-lhe uma certa complexidade e colorido, para depois o retomar com prazer auditivo redobrado.

Cheguei a esta música com quase dois anos e meio de atraso. Surge em Maio de 2016 quando Maze, conhecido pela sua participação numa das primeiras bandas de hip hop nacional, Dealema, decidiu que estava na altura de trilhar caminhos próprios, e edita em nome próprio, o álbum homónimo, Maze.


Bom fim de semana ☺




Não tenho mais do que sou, é tudo o que eu posso dar
Debitar simples rimas que te fazem brilhar
Sentei, escrevi, esqueci a complexidade
Evoquei a simplicidade da sinceridade
Derramei lágrimas em cima de palavras
Rasguei páginas demasiado complicadas
Enterrei carcassas guardadas em arcas
Fantasmas do passado, almas penadas
Porque a vida é o que eu faço dela, não é?
Agora sim estou pronto pra viver o cliché
E não me falta fé, nem me falta foco
Eu respiro vida e se não crio, sufoco
Vivo orgulhoso do castelo que construí
Pois só eu sei, de tudo o que abdiquei
Para chegar aqui, sim aqui, dentro de ti
cruzei-me contigo e tu disseste és Rei

O que é que eu queria ser? 
Eu queria simplesmente ser
A melhor pessoa que eu conseguisse ser
E fiz a vida e a vida fez-me
Enquanto me procurava aprendi a conhecer-me
São vantagens da infância dum filho único
Viagens na imaginação até ao infinito
Sobrevoo as misteriosas cidades do ouro
Nasci no Porto, é esse o meu tesouro
Esteja onde estiver, viva onde viver
É sangre azul nas minhas veias a correr
Eu queria ser um super-herói da Marvel
Ajudar pessoas, nunca pensei ser possível
A este nível, e ter um real impacto
Relato o percurso nada fácil, de facto
Agruras do caminho, um duro teste
Mas o que é fácil não serve, como diz o meu Mestre

Um Horizonte pela frente, sigo a música
Aproveito ao máximo, a vida é única
O arrependimento mata, vai, avança
Continua em frente, vive com esperança
Tanto pra construir, caminho a percorrer
Em frente eu vou seguir, sem retroceder
Há um vazio grande, para preencher
A consciência expande, vamos ascender


Sim eu sei, sim eu sei
A vida é o que eu faço dela
Sim eu sei, sim eu sei
A vida é o que tu fazes dela

Vamos... Ascender