quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

31 de Dezembro de 2014





O que há em mim é sobretudo cansaço —


O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...


Álvaro de Campos
09.10.1934


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Haikais de Inverno





1

Olá Inverno
de olhos austeros
ventos no caderno

2

neve caída
vento frio que aquece
Lua que a tece

3

neve que cai
e eu que estou aqui
fica e não vai

4

árvores despidas
teus ramos de solidão
folhas partidas

5

frio que deposita
como não quer mendigar
 simples visita

6

inverno de chuva
agarra a minha mão
na luva

7

voz que trauteia
as tranças da noite negra
Lua Cheia?

8

sol de brio
a brilhar no céu
tremer de frio

9

rio orgulhoso
corres nas correntes
que sentes?


Inkheart


sábado, 27 de dezembro de 2014

uma música para o fim de semana - Joe Cocker


Esta é uma edição especial de "uma música para o fim de semana".
Na segunda-feira passada, dia 22, uma das míticas vozes da música actual silenciou-se. Joe Cocker morreu aos 70 anos, vítima de cancro do pulmão.
Nasceu em Sheffield, Inglaterra a 20 de Maio de 1944.

Viu o mundo a seus pés e depois os pés do mundo. Do ponto mais alto dos tops musicais e de vendas passou para o lamaçal do álcool e das drogas para depois se erguer de novo para os tops.

Ao longo da sua carreira de mais de cinquenta anos lançou cerca de quarenta álbuns.

Foi um dos participantes mais marcantes do legendário festival Woodstock de 1969 e depois no bastante menos lendário e já quase esquecido Woodstock II em 1994.

Ganharia um Oscar e um Grammy pelo dueto com Jennifer Warnes com a canção Up Where We Belong do filme Oficial e Cavalheiro

Joe Cocker devia ser o inglês com a voz mais rouca de sempre.
Essa é uma das razões porque gosto dele. O seu timbre tão distintivo e a sua presença peculiar em palco.
A sua voz rouca terá tido origem nos tempos em que era aprendiz de instalações de gás natural e propano.

A outra razão bem podia ser o seu tema de Nove Semanas e Meia - You Can Leave Your Hat On - o que não era descabido de todo.
Talvez seja esta canção e o cover de 1968 dos Beatles - With a Little Help from my Friends - que cantou em Woodstock que o tornaram um gigante na música.

Mas saio da sensualidade de Kim Basinger e prefiro entrar na noite inquieta, cheia de angústias e de telefonemas nocturnos nunca atendidos que Joe Cocker cantou em Night Calls.
A minha preferida dele.

Como alguém escreveu: "Rest with the best"


Bom fim de semana e de caminho... Bom Ano Novo 2015 :)




Night Calls

The night gang started working
With a mile of southern road
As I watched
I got to thinking
You ain't never coming home
I looked out of nowhere
There was nobody at all
To get me help
To get through to you
I'm here making night calls

Night calls
Making night calls
Night calls
Making night calls

I tried too hard to reach you
But you must be moving fast
All my hopes about the future
Will just live on, Into the past
You know that it ain't easy
And the twilight starts to fade
Sittin here
In the chill of the morning
Thinking of the plans we made

Oh, night calls
Making night calls
Let it ring
The night calls
Making night calls
Oh, night calls
Give up those night calls

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

post nº 1000! E o futuro?


Este número é mesmo grande! Pelo menos para quem tem um blog :)

Nunca pensei neste número quando comecei este blog.
Muito recentemente é que me apercebi que o estava a atingir. Tive que passar os 980 posts para me aperceber que faltava pouco.

É estranho confesso. Escrevi muita coisa.
Dei asas à imaginação e provavelmente não deve ter havido nenhum tema que não tivesse sido mencionado.

A música foi um dos temas que mais passaram por aqui. Ela diz-me muito. E preciso dela como pão para a boca. Especialmente na forma de jazz, por quem eu tenho paixão assolapada.

Uma Música Para o Fim de Semana é a rubrica mais regular da Esteira. Só de música portuguesa.
O que a torna por vezes difícil de a manter porque gosto de variar. Não é só o que está na moda e os nomes consagrados, mas também aqueles que pouca gente conhece, incluindo eu, ou os que estão a emergir.
A dificultar a tarefa é o facto de não navegar normalmente em águas portuguesas. É a minha única preocupação que o blog me traz.

Mas é uma das maiores fontes de entrada no blog. Por uma feliz coincidência há muita gente que em busca das letras de canções portuguesas e devido ao nome Esteira de Letras vai parar ao blog e fica a brincar um mais pouquinho.

Houve um período em que escrevia sobre a música que comprava. Mas quando comprava, quatro a seis cds de música - entenda-se de jazz - de uma só vez, a coisa era verdadeiramente desesperante. Por isso desisti disso. Do escrever. Porque quanto a comprar, eles continuam a aparecer a uma velocidade tal que se torna pouco "recomendável" que continue com esse ritmo.

Outro dos grandes temas que foram (e continuarão a ser) abordados e simultâneamente uma grande fonte de entrada no blog, é as touradas.
Sou visceralmente contra esta abjecta, vil e putrefacta actividade. É cruel e inútil para a sociedade. Quem participa nela directa ou indirectamente, ofende-me directamente. Quem me conhece sabe que o sofrimento animal, qualquer que ele seja, faz-me também sofrer. E por vezes muito.

Em 2015, a causa animal, e não só pelas touradas, será abordado de uma maneira mais ampla e visível.

A política está praticamente ausente da Esteira. Apesar de ter sido quase ela que sustentou o blog nos seus primeiros passos. Melhor. Não foi a política. Foi essa coisa que se chama Sócrates e que agora deixou o seu apartamento em Paris e mudou-se para uma cadeia em Évora.
Mas este seboso contribuiu com uns valentes posts para o número 1000.

Uma das minhas grandes paixões é o cinema. A sua presença na Esteira já foi mais intensa que o é actualmente.
Escrever para o Grande Ecrã não é fácil. Dá montes de trabalho e para o número de vezes que vou ao cinema seria de loucos. Mas será algo que tentarei pôr mais vezes em dia. Pelo menos os mais marcantes.

Futuro? Não sei. Deixar fluir como até aqui. Mas tendo chegado ao milhar de posts, a pergunta e a dúvida que surge é se consigo chegar aos dois milhares.
Para aqui chegar foram precisos de cerca de cinco anos de existência de Esteira. Mas a grande questão não é o hipotético e muito longínquo post 2000, mas sim se ela se aguenta o tempo suficiente para lá chegar.

Ao longo destes cinco anos e entre posts, a Esteira já esteve com os pés para a cova várias vezes.
Mas umas respirações de urgência entre dedos e teclado permitiram a sua sobrevivência até aqui, até ao nº 1000.

Mas como diz a sabedoria popular, um post de cada vez. Para já... Miiiiiiiiiiiiiiill!!! :)




Obrigado J. Cris :) Se bem que a tua igreja não tenha primado pelo mesmo...


quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Feliz Natal 2014


Nascer do sol na Terra mas visto a partir do espaço.
A sua curvatura é visível pela atmosfera azul a sobressair no negro do espaço, pontilhada pela mancha alaranjada do sol nascente.

Uma prenda de Natal muito bela do nosso planeta para os seu habitantes :)





segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Joe Cocker - a lenda partiu


O homem que cantou a canção mais associada ao striptease de todos os tempos, morreu hoje aos setenta anos.

Joe Cocker que cantou You Can Leave Your Hat On, o tema forte do filme Nove Semanas e Meia, conseguiu a proeza de ser a sua canção a invocar o filme em vez de o contrário.

Mas a Kim Basinger também deu uma (boa) ajudinha...






Sinceramente prefiro a versão de 2013 ao vivo em Colónia deste tema, mesmo não tendo a participação da dita actriz.




série "estatísticas da vida" - CIV



Eles andam aí... ;)




domingo, 21 de dezembro de 2014

Ode ao Inverno



Noruega, ilha de Sammaroy - crédito Pedro Costa


Ode ao Inverno

Inverno que não é triste
preciso é saber apreciar
a chuva que bate em riste
nas janelas a musicar

ondas e marés fazem-se sentir
espuma e maresias andam no ar
bate na praia de lábios a sorrir
ruidoso na areia a cantarolar

abanam caindo agradecidos
silhuetas pretas e inocentes
no chão pousam descontraídos
os ramos de folhas ausentes

troncos em lareiras a crepitar
secos encontrados no verão
encantado a vê-la dançar
a chama mais o seu clarão

água em poças aqui e ali
passa-se pé ante pé
da chuva não fugi
na pedra dei-lhe a minha fé

se por sorte no Inverno neva
sente-se bem que ela é fria
o teu sorriso ela não te leva
na minha mão te guardaria

paisagem a preto e branco
que tão bela e tão pura
vi-a carregado de espanto
esta alma que ela protege e cura

Inverno de personalidade
tão profundo e imenso
no verão vou ter saudade
de ti que muito penso


Inkheart


sábado, 20 de dezembro de 2014

uma música para o fim de semana - Caixa de Pandora


Ciência - O Inverno no hemisfério norte começa no dia em que o Sol ao percorrer a sua elíptica, atinge a altura mínima relativamente à linha do equador. É o dia mais curto do ano. Depois estes tornam-se gradualmente maiores.

Pedro - O Inverno é altamente :)


É uma estação agreste. Há mais vento, chove mais, o sol nem sempre está visível e as temperaturas baixam bastante.
As árvores tornam-se muito gráficas e esvaziadas sem as folhas para lhes dar volume.

Sem se aperceberem e apesar de não o afirmarem, até gostam do Inverno.
É a única estação que lhe permite valorizar e apreciar em pleno, as duas silabas da palavra quente.

As roupas quentes, agasalhos, cachecóis, luvas são os mais procuradas. Os ambientes da casa são aquecidos. Os chás, os cacaus e os cafés quentes é quando sabem melhor e são mais desejados pelas pessoas. Estão para o Inverno como a cerveja está para o verão.
Se o Solstício do Verão estimula a procura do calor dos corpos, o Solstício do Inverno estimula o calor da partilha.

Não fujo do frio, correndo para o calor. Longe disso. O frio é estimulante. Desperta os sentidos em vez de os adormecer.
Mas é uma estação que implicitamente glorifica mais o calor do que o frio que a caracteriza. É um frio que aquece.

Pessoalmente afirmaria que é no Inverno (e Outono) que a música melhor sabe, que melhor liberta os seus aromas e se torna mais aconchegante.
As pessoas estão mais predispostas para a música nas duas últimas estações do ano, do que nas duas primeiras.
As músicas escolhidas tendem a serem também elas quentes, melódicas e confortáveis. Músicas que se desenvolvam lentamente. O tempo invernal, o tempo que se passa mais em casa a isso convida. Nada de muito apressadas, estridentes, excessivamente complexas ou agressivas para os ouvidos.
Têm de ser simples como o aroma de um chá de Jasmim. Flores de pétalas abertas a flutuarem pelas nuvens da água quente enquanto ela é remexida por uma colher de chá.

Na semana passada a Caixa de Pandora apareceu pela primeira vez na Esteira.
Propositadamente deixei este tema - Solstício de Inverno - para hoje, véspera do dia que marca o começo do Inverno.
Precisamente o nome que dá título à música para este fim de semana que por sua vez é tão curta quanto o dia de amanhã será.


Bom fim de semana :)




quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

série "vencedores" - Teresa Almeida





Foi Dora Gomes a primeira portuguesa a conseguir o primeiro de título de campeã mundial de bodyboard em 1998.
Dezasseis anos depois Teresa Almeida, natural do Vimeiro mas a competir por um clube nazareno, repete a mesma proeza ao ganhar a final do campeonato do mundo que decorreu este mês no Chile.

Em Outubro passado, Teresa já tinha sido vice-campeã europeia nas praias marroquinas.

Bodyboard, mais outra modalidade desportiva que não goza dos milhões de euros em apoios que o futebol consegue e no entanto claramente a destacar-se da mediocridade que caracteriza o nosso futebol. Desde os clubes, à luxuosa e pouco produtiva selecção nacional.

Teresa Almeida, uma vencedora.


sábado, 13 de dezembro de 2014

uma música para o fim de semana - Caixa de Pandora



A Caixa de Pandora é a famosa caixinha que foi aberta pela primeira mulher que apareceu no mundo, Pandora, segundo a mitologia grega. Ela foi criada a pedido de Zeus, pelo deus Hefesto, o deus do fogo.
A ela foram dados os dons da sedução, sensualidade, da beleza, da curiosidade e dissimulação.

Movida pela curiosidade, Pandora, tendo ordens de Zeus para a não a abrir, acaba por o fazer.
Quando Pandora a abre, tal como Zeus esperava, a fome, a morte, a doença, intriga, o ódio e restantes males que se encontravam fechados na caixa, libertam-se e assolam as vidas dos homens.

Mas bem no fundo caixa, estava escondida um pequeno, mas poderoso dom. A Esperança.

Graças a Pandora, para além dos males que ainda hoje nos afligem, os homens em contrapartida acabaram também por receber este dom, que por estar no fundo caixa e ter sido a última a sair, diz-se também que é a última a morrer.


Se pensarmos na portuguesa Caixa de Pandora deste fim de semana, não encontramos definitivamente males, mas encontramos, não uma, mas três grandes esperanças. Cada uma com o seu instrumento e no seu todo pela música que tocam.

Rui Filipe é o pianista da Caixa e é também o seu compositor, Cindy Gonçalves com o violino e Sandra Martins violoncelista e que ainda dá umas sopradelas no clarinete e na flauta.

O seu primeiro trabalho saiu em Outubro de 2014. O que significa que está a dar os seus primeiros passos em direcção ao público português que espero sinceramente que os saibam aplaudir.

O trio toca de uma maneira muito envolvente. Teias de Seda é isso mesmo. Uma daquelas músicas que tal como um rendilhado xaile trazem conforto mas não abafam.
Ela possui aquele toque de magia que nos alheia do mundo e leva-nos para o vazio onde ficamos a pairar. Só assim. Só em silêncio. Só a ouvir. Poesia.


Bom fim de semana :)





sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

todos gostam do amarelo


Todos eles são amarelos e entram pelas nossas televisões há 25 anos. São uma típica família americana disfuncional da classe média de Springfield.
São 25 anos de cabelo azul, panças amarelas, muita cerveja, saxofones, chuchas e um gato preto que se chama Snowball.

Ele, trabalha numa central nuclear. Tem uma pança de cerveja, adora televisão, o sofá e donuts. O mundo passa-lhe ao lado, o que se passa com os filhos passa-lhe igualmente ao lado.

Ela tem um longo cabelo comprido azul penteado na vertical, é dona de casa, dotada de bom senso e tem alguns problemas de educação com os filhos e inevitavelmente com o marido, sendo mal compreendida por este.

Têm três filhos. A mais nova não larga a chucha, tem dois anos e não fala. É a mais surpreendente da família.
A do meio é das minhas. Tem oito anos, uma inteligência acima da média (excepto esta parte), é vegetariana, adora jazz, toca saxofone barítono e é budista.
O mais velho é o pesadelo de qualquer família, mas tendo em atenção que também tem um pesadelo de família também faz sentido. Tem dez anos, é bronco, adora o skate e fazer apostas com o pai, A escola não é o melhor sítio para ele.

Assim é a família Simpson. Homer Simpson é casado com Marge Simpson. Os seus três filhos são a Maggie Simpson, a mais nova, Lisa Simpson, a do meio e o mais velho, o Bart Simpson.

Durante alguns anos fui mesmo fã desta família amarela, mas depois do prolongar dos anos fui-me desligando da série.
Vi Simpsons the Movie em 2007, mas já sem aquele fascínio inicial. Creio que os Simpsons funcionam muito melhor na televisão do que numa tela de cinema.

Retenho muito bem a curta de animação 3D com a Maggie Simpson - The Longest Day Care - que antecedeu o início do filme Ice Age 4.
É uma curta sem diálogos e com a banda sonora de Hanz Zimmer.
É sobre um longo dia que Maggie vai passar no infantário. Começa e desenrola-se de uma maneira algo obscura e tensa. Mas um final algo inesperado e terno consegue-nos surpreender, suspirar de alívio e depois sorrir.
Ou seja, muito característico de Maggie.  :)




quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Manoel de Oliveira - mais velho que a morte


"Quando mais envelhecemos, mais precisamos de ter que fazer. Mais vale morrer do que arrastarmos na ociosidade uma velhice insípida: trabalhar é viver."

Voltaire




Manoel de Oliveira faz hoje 106 anos. 
Neste mesmo dia estreia o seu mais recente filme - O Velho do Restelo.
Enquanto filmar não morre. Mas quando morrer, morre com ele o cinema português e um pouco do Cinema também.
E a sua vida dar um filme.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Dia Internacional dos Direitos Animais (DIDA)


Hoje celebra-se o Dia Internacional dos Direitos do Homem e propositadamente em simultâneo celebra-se o Dia Internacional dos Direitos dos Animais.
Na prática, celebra-se o Dia Internacional dos Direitos Animais - DIDA. É o dia de todos nós que somos animais.

Cada um destes direitos tem a respectiva Declaração Universal
E acreditam nas suas Declarações?? Vejam dois exemplos de cada um deles.


- Na Declaração Universal dos Direitos do Animal constam os Artigos 8º e 10º

Artigo 8º

1.A experimentação animal que implique sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer que seja a forma de experimentação.




Artigo 10º 

1.Nenhum animal deve de ser explorado para divertimento do homem.
2.As exibições de animais e os espectáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal.




- Na Declaração Universal dos Direitos do Homem constam os Artigos 4º e 5º

Artigo 4°

Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos.




Artigo 5°

Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.





Todos nós, animais, ficamos a perder. 
Quer na Declaração Universal dos Direitos Humanos, quer na dos Animais.
Não somos respeitados em nenhuma delas.

Tanto, mas tanto que falta fazer para defender a vida de todos os Animais.


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Grande Ecrã - Interstellar


Que grande filme! Um dos poucos filmes que gostaria de ver uma segunda vez.

Quando soube que Interstellar era realizado por Christopher Nolan nunca duvidei que iria ser dos melhores filmes que veria em 2014.
Depois da trilogia dos Batman e principalmente depois de Inception, Christopher Nolan tornou-se um realizador de referência para mim.

E acredito que este filme dele se tornou um marco no género. Creio que a ficção científica nunca mais será a mesma depois de Interstellar e de Gravidade do mexicano Alfonso Cuarón.

E se alguém pensa que vai assistir a grandes batalhas espaciais, explosões que ensurcedoramente sucedem-se umas atrás das outras, naves espaciais que curvam e rodopiam a velocidades próximas da luz, extraterrestres de todas as formas e feitios, e que a edição do filme seria tão rápida que não dá para perceber verdadeiramente o que se passa e em que a veracidade cientifica é posta de lado porque afinal o que interessa é o espanto para os olhos e o regalo para os ouvidos, então é melhor esquecer Interstellar.

Interstellar sendo um filme espectáculo dá para reflectir sobre a real e verdadeira mensagem que ele tem para transmitir.

Toda a base cientifica que suporta o filme converge para dois caminhos que se assumem como como duas forças inevitáveis da vida: o esgotamento dos recursos da Terra e a força motriz que o Amor representa.
Se a primeira é força motriz que a leva um grupo de pessoas procurem alternativas ao planeta para que a Humanidade possa colonizar e assim sobreviver, a segunda sobre diversas formas faz com que o planeta sobreviva.

Agora tudo isto é servido numa bandeja, num prato de gala que demora pouco menos que 180 minutos a ser saboreado.

Possivelmente Christopher Nolan é o realizador mais interessante e fascinante dentro do mainstream de Hollywood.
E meto imediatamente de lado Spielberg e James Cameron. Realizadores de filmes imediatistas, de entretenimento fácil em que os efeitos especiais são a própria história.

Poucos realizadores devem estar tanto à vontade com as grandes dimensões visuais de um filme e de argumentos complexos e sofisticados como Nolan.
E digo isto (sempre) do ponto de vista quem as utiliza para contar uma boa história do principio ao fim sabendo entrelaçar coerentemente o aspecto humano e o técnico. E Interstellar é um exemplo cabal desta capacidade e à vontade.
A realização dinâmica, incisiva e directa, prescinde da muleta do 3D para nos atirar para dentro do filme. É exuberante e visualmente poética. Próximo do final do filme quando Cooper está na quinta dimensão, a maneira como está está filmada é extraordinária.

O argumento é soberbo. De uma maneira simplista ele parte de uma realidade actual, preocupante e na qual muita gente já se preocupa - a incapacidade de o planeta nos sustentar - para uma realidade futurista em que se torna urgente encontrar um planeta alternativo para salvar e albergar a Humanidade. E neste último ponto também já há quem esteja a trabalhar nesta busca.

Partindo de uma premissa simples, na verdade ao longo das quase três horas de filme, o argumento é extraordinariamente complexo.
E está tão bem escrito que nos prende a atenção logo no início e as três horas passam a "voar". Não damos por elas.

Há passagens do filme que requerem algum conhecimento cientifico para se perceber e compreender com maior clareza o que se está a passar à frente dos nossos olhos e alguns golpes de cintura por parte do argumento.
Buracos verme, buracos negros, singularidades, quartas e quinta dimensões, sem mencionar a Teoria da Relatividade nas suas formas mais simples ou, esquecer ao contrário do que estamos habituados, que no espaço quando algo explode ou colide não há som. Só silêncio.

Talvez seja o elo mais fraco de Interstellar. Nenhum dos actores parece ter conseguido integrar, assumir plenamente o seu papel.
Matthew McConaughey (Cooper) dá sempre a sensação de ser mais um cowboy espacial do que um piloto da NASA. Anne Hathaway parece que não gosta de se sujar, sempre muito "esterilizada" e o corte de cabelo não ajuda muito.
Matt Damon (Dr Mann) nem devia contar para o filme. Não chega a aquecer o lugar. Falta-lhe dinâmica e convicção desde o início. Noutros filmes há quem tenha tido menos minutos de ecrã e tenha tido melhor desempenho. Estratégia de marketing para levar mais uns quantos espectadores para as salas de cinema à conta do seu nome.
Michael Caine agarra o papel mas tem pouco tempo de antena. É uma das personagens mais carismáticos e que mais substância tem. Talvez merecesse ser mais desenvolvida, tem um papel crucial no desenrolar do filme mas que praticamente passa ao lado. O que é uma pena.
No meio destes nomes sobejamente conhecidos do mundo cinema, uma menina convence-me plenamente. A Murphy, a filha de Cooper em nova, é desempenhada por Mackenzie Foy é o melhor desempenho de todo o casting do filme. Mesmo quando cresce e se torna também uma cientista da Nasa, passando a ser desempenhada pela consagrada Jessica Chastain, esta não consegue ter a mesma convicção da jovem actriz.

Um ponto a não esquecer. A banda sonora é de Hans Zimmer. É a quinta vez que este compositor trabalha com Christopher Nolan. A trilogia Batman e Inception são dele. E não desilude.

O final talvez seja um pouco meloso. Mas é precisamente através desse fim que a porta para um segundo filme se abre.
Espero bem que sim. Ver uma sequela de Interstellar deve ser outro privilégio. Uma nova oportunidade de voltarmos a arregalar os olhos e acreditarmos na magia e do encanto do cinema. Mesmo que seja mais do mesmo. Preferivelmente com outro casting.





sábado, 6 de dezembro de 2014

uma música para o fim de semana - José Cid


Já há algum tempo que não ia ao baú das memórias. Lembrei-em de José Cid no âmbito da iniciativa Toca a Todos. Ele é um dos cabeças de cartaz deste evento.

Durante uns largos anos José Cid dominou a cena musical portuguesa. Explode na década de 70 e inícios dos anos 80.
Quase sem se dar por isso, ele começou a desaparecer e durante algum tempo andou muito discreto, longe da ribalta mas sem verdadeiramente parar.

Da mesma maneira que se manteve discreto, nos últimos anos reapareceu em grande e em força voltando aos palcos. Não perdeu os "velhos" fãs do início da sua carreira e conquistou e eu diria surpreendentemente, novos fãs no sentido das faixas etárias do jovens adultos.
Tal como Quim Barreiros tornou-se um dos músicos mais bem amados por parte da população estudantil, participando em variadas semanas académicas.

Manteve-se igual a ele próprio. Polémico e algo desbocado. São famosas as suas afirmações acutilantes e irónicas.

"Se o Rui Veloso é o pai do rock português, eu sou a mãe."

E uma das minhas preferidas,que verdadeiramente concordo além de ser deliciosa -

"Gostava que não reparassem só no mau (…). De qualquer forma, o meu pior é muito melhor do que o melhor do Tony Carreira."

José Cid tem um ódio de estimação a Tony Carreira, afirmando que está acima dele a qualquer nível.
Que adoraria cantar com ele. Cid com o piano, Tony com a guitarra. Sem bailarinas, sem grandes luzes. Apenas um palco. E remata dizendo que o difícil seria Tony aceitar.

Para todos efeitos José Cid é um senhor da música portuguesa.
Abriu portas a novos estilos musicais, soube navegar por entre diferentes marés. Como quem diz, é um músico ecléctico de forte influências jazzísticas e rockeiras. Particularmente rock alternativo e gótico que está a caracterizar os seus mais recentes trabalhos.
Sabe saltar de estilo em estilo e divertir-se com isso. Mas levando sempre a música a sério.




Com pouco mais de 45 anos de carreira, o tema para este fim de semana diz isso mesmo - Nasci para a Música.
Quando escrevi que fui ao baú das memórias é verdade. Esta canção surge em 1978 e é uma das que mais gosto de dele.
Também gostava de ter nascido para a música. Sério que gostava. Na verdade até nasci para a música, mas foi mais para gastar dinheiro nela...

Uma última nota. O nosso amigo José Cid que está de novo com uma pedalada enorme, cheio de energia, está a poucos meses de fazer...73 anos!
Nasceu a 4 de Fevereiro de 1942. Ah pois é!


Bom fim de semana :)




Música, eu nasci prá música
Para te ver sorrir e a sonhar
E se escutares com atenção
Tens o bater do teu coração
Na minha música

Recordo-me hoje vagamente
De quando era criança
Vivia numa vila linda à beira Tejo
Tinha uma namorada loira
E os amigos da escola
Sexta-Feira Santa dia no cortejo
E o meu pai dizia filho quando fores maior
Tens que ser um engenheiro ou Doutor
Qual Doutor dizia eu
Que mau Doutor seria
Quero é cantar numa telefonia

Música, eu nasci prá música
Para te ver sorrir e a sonhar
E se escutares com atenção
Tens o bater do teu coração
Na minha música

Quando entrei para o liceu
Comecei a tocar
O Jazz, a Bossanova, o Blues e o Rock and Roll
O António, o Marco e Michael
Eram os mil cento e onze
Os Beatles, o Elton John, Bob Dylan e os Rolling
Stones

E o meu pai dizia filho
Tens que usar gravata
Vê mas é se ganhas tino e juizinho
De blusão e de Blue Jeans igual a James Dean
Já mordia cá por dentro esse bichinho

Música, eu nasci prá música
Para te ver sorrir e a sonhar
E se escutares com atenção
Tens o bater do teu coração
Na minha música

Música, eu nasci prá música
Para te ver sorrir e a sonhar
E se escutares com atenção
Tens o bater do teu coração
Na minha música

Na minha musi
Minha musi
Minha música


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

cinco segundos


Muito recentemente comprei Spark of Life. O mais recente trabalho do trio do pianista polaco Marcin Wasilewski para a ECM. Tem como convidado especial que participa em algumas faixas, o saxofonista sueco Joakim Milder.
Quando o fui ouvir pela primeira vez, fiquei à espera deles.


E no início é o silêncio. Cinco segundos de silêncio.
O suficiente para nos pôr impacientes porque o raio da música que comprámos ainda não começou, ou, para quem conhece estes cinco segundos, é o tempo que precisamos para nos prepararmos para ouvir o cd que comprámos ou que queremos revisitar.
É precisamente este o objectivo do alemão Manfred Eicher e da sua etiqueta ECM.

São cinco segundos brancos e puros. Um compasso de silêncio para criar um espaço vazio à nossa volta. Uma abstracção ao meio ambiente que nos rodeia. Um silêncio que expurga a realidade dela própria.
O necessário mas breve retiro espiritual para que a nossa atenção se concentre no que é importante. A obra que alguém criou a pensar em nós e cuja dedicatória vamos ouvir.

É extraordinário que alguém (Manfred Eicher) tenha pensado em silêncio e objectivamente o tenha concretizado e massificado num cd como um prólogo à música. Pelo menos desde 1990 que o faz.
Faz recordar aquele breve compasso de espera que um maestro e a sua orquestra fazem antes de iniciar o seu concerto, a famosa frase "silêncio que se vai cantar o fado" ou as bem conhecidas e ainda hoje utilizadas pancadinhas de Molière. Todas elas anunciando que brevemente algo de sublime vai acontecer.

Por isso, no início de um cd da ECM, perante esses cinco segundos de silêncio, fechem os olhos e curvem ligeiramente a cabeça. 
Sintam o seu toque, a sua envolvência, intimidade e preparem-se para o que de melhor eles anunciam: música.




terça-feira, 2 de dezembro de 2014

sábado, 29 de novembro de 2014

uma música para o fim de semana - Cante Alentejano


Apesar de ser muito menos mediático e estar confinado a uma só região, o Cante Alentejano tem mais piada que o Fado.
Piada no sentido de cativar, chamar a minha atenção. Diz-me mais e parece-me mais genuíno. Os instrumentos estão frequentemente ausentes.
São cantos polifónicos, coros de vozes, cujas origens são remotas, mas não se sabe bem quão remotas poderão ser. Há um aura de desconhecimento, uma nebulosidade que envolve o cante alentejano.
Sabe-se que está ali à nossa frente, não se pensa de onde terá surgido. Os cantares mesmo que antigos cantam sempre o presente. O passado e futuro não estão presentes nas letras.

As suas letras desde sempre que retratam o dia a dia, do Alentejo, as suas planícies, o sol, da monda da terra, dos dias longos e duros. A relação que as pessoas têm com o campo, com o seu trabalho, com a natureza que tal como o seu labor pode ser igualmente agreste.
O canto alentejano resulta num exorcizar, corporativo, polifónico, a dureza de todos estes ambientes.
As pessoas reúnem-se entre si ao final do dias, nas melhores salas possíveis para cantar. As tascas e tabernas. Rodeados de petiscos das suas terras. Celebram a sua terra, o seu Alentejo.
É uma festa. Não é formal. Acabam, vão para suas casas e no dia seguinte tudo recomeça.

Raramente, não é da sua natureza, ter letras marcadamente políticas, incitar à revolta, ou ser um meio de intervenção.
As letras vêm da terra. Não se sabe de onde vêm elas, ou quando ou quem as escreveu. A sua transmissão, o seu cantar é feita oralmente. Elas brotam das vozes, dos campos e dos tempos.

O cante alentejano ao ser considerado esta semana, como Património Imaterial da Humanidade, não vai resultar num mediatismo dos seus cantores, talvez indirectamente. Quem for ao Alentejo ouvir este canto, não vai querer muito provavelmente ouvir um determinado grupo. O que vai querer conhecer a região de onde ele provém.
Esta classificação homenageia muito mais o que rodeia socialmente as planícies alentejanas que o canto em sim, uma vez que este faz parte de um todo maior, não se dissocia da região onde nasceu.

No fado procura-se apenas o fado, um nome de um fadista conhecido. Depois procura-se a sua envolvência. O fado canta o destino, a fatalidade, o cante alentejano, canta a vida.
O Fado fala apenas por si. O Cante Alentejano fala por toda uma região.


Booommmm fffiiiim deeeee semaaaaaaanaa :)

Cantado com sotaque alentejano, meio arrastado com o tronco a abanar lentamente de um lado para o outro. E de caminho juntem as vossas vozes à minha para termos um... péssimo coro alentejano. ;)






quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Cante Alentejano


Três anos após a candidatura vencedora do fado a Património Imaterial da Humanidade, o Cante Alentejano segui-lhe as pisadas. Hoje foi a sua vez . 

Estamos cada vez mais imateriais. O que é óptimo, porque em termos materiais este país deixa muito a desejar e tem muito pouco para oferecer e o que tem vai sendo destruído ou deixa-se destruír por falta de dinheiro ou por outros interesses em jogo.

Por isso, abram-se as portas do Alentejo ao mundo. À sua arte, ao seu trabalho, ao seu quotidiano e por isso à sua arte, o Cante Alentejano.

Cantam Os Ganhões de Castro Verde. Uma das localidades mais emblemáticas desta forma de cantar.




É tão grande o Alentejo

No Alentejo eu trabalho
Cultivando a dura terra,
Vou fumando o meu cigarro,
Vou cumprindo o meu horário
Lançando a semente à terra.

É tão grande o Alentejo,
Tanta terra abandonada!…
A terra é que dá o pão,
Para bem desta nação
Devia ser cultivada.

Tem sido sempre esquecido,
À margem, ao sul do Tejo,
Há gente desempregada.
Tanta terra abandonada,
É tão grande o Alentejo!

Trabalha homem trabalha
Se queres ter o teu valor
Os calos são os anéis
Os calos são os anéis
Do homem trabalhador

É tão grande o Alentejo,
Tanta terra abandonada!…
A terra é que dá o pão,
Para bem desta nação
Devia ser cultivada.

Tem sido sempre esquecido,
À margem, ao sul do Tejo,
Há gente desempregada.
Tanta terra abandonada,
É tão grande o Alentejo!

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

miss Hot Legs - 37.5 anos em cada uma delas


Hoje Tina Turner aka Miss Hot Legs faz 75 aninhos. Não sou um dos fãs mais ardentes dela e também não há nenhum tema dela pelo qual tenha um carinho especial.

Mas há uma canção que até gosto sinceramente. Talvez até a única: Proud Mary.
Das n versões desta canção, uma em particular destaca-se.  A cantada ao vivo nos Grammys de 2008.
A Tininha ainda era uma rapariga nova, uma vez que ainda não tinha chegado aos 70 anos, só tinha 69...

Juntas em palco estão duas rainhas de diferentes anos e gerações. Décadas 80 e 90 para a Tina e nos tempos que correm para a Beyoncé, mas também em género musicais diferentes. Rock para a primeira e R&B para a segunda.

Há duas razões para gostar desta versão em particular. Para além da canção, não é só o par de pernas, as tais hot legs de 37.5 anos cada uma, da Tina Turner que aparecem mas também o par de pernas de Beyoncé.
E também não tenho nenhum fascínio em particular pela Beyoncé nem pelo R&B.

Mas ter dois pares de pernas quentinhas - um deles é bem mais quentinho que o outro... - a cantar ao mesmo tempo é altamente.

Mas atenção! O post é dedicado à Tina Turner, não à "outra". Não se deixem ofuscar... ;)






sábado, 22 de novembro de 2014

uma música para o fim de semana - Clã




Mais uma oportunidade para voltar aos Clã :)

Nos dias entre 3 a 6 Dezembro vai decorrer um evento contra a Pobreza Infantil.
O projecto chama-se Toca a Todos. Este evento de solidariedade começou há dez anos na Holanda e tem vindo a alastrar-se pela Europa, África e Ásia. Cada país escolhe uma causa e angaria fundos para essa mesma causa.

Este ano Portugal junta-se pela primeira vez a este evento através do grupo RTP e Caritas Portuguesa. A causa escolhida escolhida foi a luta contra a Pobreza Infantil. Durante estes dias serão angariados fundos com esse objectivo a serem depois geridos pela Caritas.

Boss AC e Clã, que dá o tema Asas Delta à causa, são nomes já conhecidos.

Asas Delta pertence ao álbum Disco Voador de 2011 que foi dedicado aos putos. Entra bem no ouvido, alegre, divertida, letra que passa uma mensagem simples tal como eles gostam (e não só).

Embeiçados é outro dos temas dos Clã que também passou pela Esteira e que igualmente foi retirado do Disco Voador.


Bom fim de semana :)



Ei tenho asas nos pés
Tenho asas
Ei tenho molas nos pés
E salto

Ei tenho asas nos pés
Tenho asas
Ei tenho molas nos pés
E salto
Sinto um formigueiro
Nas mãos e nos braços
Passarinhos na cabeça
Catavento nos ouvidos
Mil antenas nos cabelos
Quem me leva, tenho pressa
Pé de cabra, pé de dança
Dançar por gosto, não cansa
Não vou só, levo o meu bando
A dança nos vai juntando
Ei tenho asas nos pés
Tenho asas
Ei tenho molas nos pés
E salto
Ei tenho asas nos pés
Tenho asas
Ei tenho molas nos pés
E salto
Se me pesa o traseiro
Levanto o meu nariz
Perco o medo e a vergonha

Fecho os olhos e aí vou
Já não estou onde estou
Nem sei quando posso parar

Pé de cabra, pé de dança
Dançar por gosto, não cansa
Não vou só, levo o meu bando
A dança nos vai juntando

Ei tenho asas nos pés
Tenho asas
Ei tenho molas nos pés
E salto

Ei tenho asas nos pés
Tenho asas
Ei tenho molas nos pés
E salto

Salto sem parar
Salto sem parar

Ei tenho asas nos pés
Tenho asas
Ei tenho molas nos pés
E salto

Ei tenho asas nos pés
Tenho asas
Ei tenho molas nos pés
E salto

Ei tenho asas nos pés
Tenho asas
Ei tenho molas nos pés
E salto

Ei tenho asas nos pés
Tenho asas
Ei tenho molas nos pés
Mais alto



http://media.rtp.pt/tocaatodos/uma-missao-que-toca-a-todos

porreiro pá!


O pior Primeiro-Ministo que jamais tivemos, esse mesmo, o Sócrates, o tal de José, foi...preso!
Aquiaquiaqui e aqui.

Está em todo o lado! 😀




Branqueamento de capitais, falsificação de documentos, fraude fiscal e corrupção.
Fica a faltar a acusação de arruinar o país! Mas essa é muito, muito pouco provável, infelizmente.
Enfim, não se pode ter tudo.

Duas notas muito socráticas...

Sabe-se que Sócrates comprou milhares de livros dele próprio para esgotar edições. Até se aldraba a ele próprio. Está-lhe no sangue. E quase que aposto que alguém escreveu o livro por ele...

E ainda sugeria à mãe a compra de imóveis para depois e conforme as conveniências, vendê-los a um seu amigo. Este por sua vez dava o dinheiro da mãe que resultava das vendas a Sócrates. E assim vivia que nem um príncipe em Paris e lhe dava a hipótese de branquear capitais...
Um filho adorável.

Pelo menos lá conseguiram apanhar o bicho seboso. Mas duvido que fique preso a sério. É bom de mais para ser verdade. Este gajito deve ter mais tentáculos que um polvo. Mas até lá regozijemos.

Mas estou curioso.
Será que vai pagar ao António Costa, a taxinha de um euro por cada noite passada nos calabouços lisboetas???







quinta-feira, 20 de novembro de 2014

alma


alma


Alma, de chama ausente
no caminho a olhar a dor
amortecida no que sente
por uma busca sem calor

Alma, sem esperança
na negridão que não clareia
deseja o que não alcança
o sonho a que é alheia

Alma, que caminha
cega sem parar
o tempo que a definha
na busca de não encontrar

Alma, que muito agoniza
entre as minhas mãos cerradas
esse cansaço que se enraíza
num horizonte cheio de nadas

Alma, atolada no deserto
sem volta nem maré
O teu passo é incerto
não caias, fica de pé

Alma, quem és tu
que foges e não me compreendes
amarga filha de Nosferatu
que não soltas e me prendes

Alma, sempre errante
imersa na longa solidão
essa raiva tão abrasante
que te seca à exaustão

Alma, que ruges furiosa
irrompes e uivas a dor
amaldiçoas a noite silenciosa
em gritos e choros de temor

Alma, o que tenho de fazer
pergunto-lhe eu por fim
será que terei de jazer
para deixar de ser assim?


Inkheart


terça-feira, 18 de novembro de 2014

O Sr Meteorologia encontrou-se com o Sr Anticiclone dos Açores


Foi com ele que aprendi as primeiras palavras de meteorologia e as respectivas simbologias. Frentes frias, núcleos de altas pressões (um A e linhas a vermelho) e baixas pressões (um B e linhas a azul) e até soube que os Açores têm um sistema de altas pressões com residência fixa mas que lá vai andando de um lado para o outro que é conhecido pelo Anticiclone dos Açores e ainda as boas abertas que verdadeiramente ainda não sei o que são, tirando aquelas que possa imaginar.

E quem prestasse mais atenção, não só aprendia algumas coisas sobre meteorologia, mas também mais umas quantas sobre geografia e geofísica.

Foi por baixo deste anticiclone dos Açores, na ilha de São Miguel, que Anthímio de Azevedo nasceu a 27 de Abril de 1926
E não fosse o Sr Meteorologia e este anticiclone tão nacional seria para os portugueses um anónimo sem abrigo climático.

De postura discreta e serena, mas que deixava sentir a sua presença às frente das câmaras. Anthímio de Azevedo falava com aquela segurança e calma de quem sabia sobre o que falava.
Começou de ponteiro na mão, a preto e branco na televisão e passou para as cores, com comando e um ecrã croma por detrás de si.
E sinceramente, nunca as meninas do tempo lhe fizeram sombra.

Morreu ontem com 88 anos e foi ter ao encontro do seu fiel amigo que tanto ajudou a divulgar e dar a conhecer. O Anticiclone dos Açores.








sábado, 15 de novembro de 2014

uma música para o fim de semana - Bruce Springsteen


Edição especial de "uma música para o fim de semana".

Descobri muito recentemente que o álbum de Bruce Springsteen Born in the USA fez este ano trinta anos!!! Foi lançado em 4 de Junho de 1984.

Se a minha primeira grande (e longa) paixão foi pelo álbum The Concert in Central Park de Paul Simon & Art Garfunkel de 1982, o Born in USA foi a segunda. Uma espécie de amante... ;).

Born in the USA foi também o meu primeiro álbum que gravei para uma cassete para o poupar.
E provavelmente na altura a SPA não chulava artistas com royalties absurdamente baixos nem os consumidores com preços absurdamente elevados.

Nem pensava em lucrar com todos os aparelhos e acessórios que possam ser utilizados para essa actividade tão subversiva como gravarmos as coisas que comprámos e logo pagámos ou as fotografias de uma viagem.

Bem pondo para o lado a estúpida e imparável ganância da SPA, lá consegui gravar a partir do vinyl para uma cassete TDK. A melhor cassete que havia no mercado e digam lá o que disserem era superior às BASF, Na altura havia uma certa rivalidade entre os defensores das duas marcas ;)

Usei e abusei dessa cassete até que a fita partiu e lá tive que voltar a gravar a partir do vinyl.
Conhecia o alinhamento de cor de todas as canções e respectivas letras.

Born in the USA abria o álbum e era (e ainda é) o tema mais famoso e icónico. Rapidamente seguiram-se Dancing in the Dark, I'm on Fire ou Glory Days a serem ouvidos até à exaustão.
Nenhum destes temas eram os meu favoritos.
Preferia Bobby Jean, com uma letra muito pungente, No Surrender e particularmente Downbound Train, talvez a canção que mais bordeja a tristeza de todo o álbum.

O que mais me surpreendia era ver Bruce Springsteen a tocar. Sempre pensei como é que as cordas daquelas guitarras aguentavam a força e a energia que ele colocava nelas com naqueles braços de lenhador (deve ter estourado umas quantas) e acreditava que o microfone no fim dos concertos acabava surdo.

O rapazinho tem agora 65 aninhos...


Bom fim de semana :)




Born down in a dead man's town
The first kick I took was when I hit the ground
You end up like a dog that's been beat too much
Till you spend half your life just covering up

Born in the U.S.A.
I was born in the U.S.A.
I was born in the U.S.A.
Born in the U.S.A.

Got in a little hometown jam so they put a rifle in my hand
Sent me off to a foreign land to go and kill the yellow man

Born in the U.S.A.
I was born in the U.S.A.
I was born in the U.S.A.
I was born in the U.S.A.
Born in the U.S.A.

Come back home to the refinery
Hiring man says "son if it was up to me"
Went down to see my V.A. man
He said "son don't you understand now"

Had a brother at Khe Sahn fighting off the Viet Cong
They're still there he's all gone

He had a woman he loved in Saigon
I got a picture of him in her arms now

Down in the shadow of penitentiary
Out by the gas fires of the refinery
I'm ten years burning down the road
Nowhere to run ain't got nowhere to go

Born in the U.S.A.
I was born in the U.S.A.
Born in the U.S.A.
I'm a long gone daddy in the U.S.A.

Born in the U.S.A.
Born in the U.S.A.
Born in the U.S.A.
I'm a cool rocking daddy in the U.S.A


terça-feira, 11 de novembro de 2014

5 anos de catarse


Surpreendentemente a Esteira cumpre 5 anos de vida hoje.

Ao reler os primeiros posts colocados não me consigo rever neles. São pouco comunicativos e inexpressivos com cara de pau. Tipo Ramalho Eanes.

No caso da Esteira de Letras, enquanto blog e como em qualquer outra actividade criativa, o tempo muda a perspectiva das coisas e a maneira como elas são, neste caso, escritas. Estranho seria se tal não acontecesse.

Creio que a isto se pode chamar evolução. Talvez para melhor, talvez para pior, mas não deixa de ser uma evolução.
Os primeiro posts parecem-me muito formais, rígidos, até telegráficos. Não tanto na extensão dos textos mas antes no sumo e na apresentação dos seus conteúdos.
Agora tento pensar penso com alguma antecedência neles. Tento colori-los, criar texturas, aromas e transmitir imagens com as palavras, com as frases.


A fase inicial foi alimentada pelas politiquices, Durou algum tempo.
Não tinha (nem tenho) jeito para comentar o quer que seja do ponto vista político. Mas nessa altura a Esteira viveu do meu ódio de estimação a Sócrates. Ódio esse que se mantém intacto. Sócrates foi dos políticos mais fedorentos que alguma vez passaram por este paízinho rectangular.


Com a sua saída de cena a Esteira enveredou pelos meu gostos pessoais. Cinema, livros, música, poesia.
Tornou-se também bastante mais introspectiva. Passou a andar por vezes no lado escuro da lua.
O lado por onde usualmente ando. Um lado que pode ser aconchegante e acolhedor onde pouca gente vai lá e conhece.


O ódio de estimação a Sócrates foi substituído mais construtivamente por um verdadeiro, genuíno e visceral ódio à execrável tauromaquia e a tudo e todos que giram à volta dela.

Uma actividade praticada por imbecis,covardes e sádicos. Gente bruta, inútil, putrefacta e com uma gigantesca inépcia social.
Gente que tem um profundo desrespeito básico pela vida e a absoluta incapacidade de enfrentar um touro na sua verdadeira pujança. Quando entra na arena é um animal já torturado, em sofrimento, enfraquecido, um farrapo do que era. É um animal nestas condições que aquelas coisas que estão na arena vai literalmente destroçar e despedaçar. É gente violenta que gera violência.


Confesso que gosto do discreto Inkheart. Surgiu recentemente. Veio do nada.
Tenta fazer poesia, escrever pequenos contos mas é completamente desajeitado. Mas gosta do que tenta fazer e é sério nisso. É um personagem que como o gato Cheshire, mas sem a sua sabedoria, que aparece e desaparece numa nuvem de fumo. Ora está, ora não está.


"Uma música para o fim de semana", cria-me dores de cabeça semanais. Há quase quatro anos que esta rubrica existe.
Todas as semanas tento encontrar uma música portuguesa que me diga alguma coisa. Pela sua letra, música ou com um pouco de sorte pelas duas. Não sou um ouvinte regular ou um apreciador de música portuguesa o que coloca problemas adicionais.
Tempos a tempos surge uma edição especial.
Quando alguém musicalmente importante para mim morreu ou uma data especial se comemora nessa semana. Dave Brubeck, Amy Winehouse, REM, Rollingstones e Ravi Shankar deram origem a algumas dessas edições.


Como todos os blogues, eles reflectem e denunciam quem o escreve.
Há uma nota autobiográfica por cada post colocado. Um pensamento, uma reflexão, uma música escolhida, um poema que se gosta. Tudo o que somos ou gostaríamos de ser.
No fundo é o nosso retrato que publicamos em cada post.

Foi a Esteira que provocou uma das maiores mudanças da minha vida e uma das mais improváveis decisões vindas de mim.
De um carnívoro feroz, competindo taco a ataco com um grande felino com a quantidade carne que comia e qualquer fosse a sua origem, tornei-me um vegetariano convicto.
De novo foi uma das decisões mais positivas da minha vida. Mudou-me profundamente.
A visão que tenho do mundo, a defesa da vida em todas as suas formas, a sensibilidade ao sofrimento animal, a consciência que também o planeta sofre e agoniza sobre a nossa acção que actualmente é atrozmente destrutiva.


Uma vez, olhando para mim e conhecendo minimamente a minha personalidade, perguntaram-me porque é que me expunha de uma maneira mais ou menos evidente através da Esteira de Letras.
Sendo a Esteira escrita por mim e na essência para mim, a resposta a dar parecia-me clara: uma discreta catarse. Uma tímida libertação do Eu.