sábado, 31 de dezembro de 2011

uma música para o fim de semana - Mónica Ferraz


Em 2003 com o surgimento do primeiro álbum homónimo dos Mesa, a voz de Mónica Ferraz que já se tinha ouvido na música do Pirilampo Mágico do ano 2000 e no festival da canção da RTP de 2001, ganha dimensão nacional.

Antiga modelo e de formação simultaneamente jazzística e lírica, Mónica Ferraz vê-se conhecida e reconhecida pelo grande público ao longos dos sucessivos álbuns dos Mesa, com especial destaque para os temas Luz Vaga na versão dueto com Rui Reininho e a mais recente balada Cedo o Meu Lugar do último trabalho dos Mesa - Automático.

Em finais de 2010, Mónica inicia um projecto solo lançando seu primeiro álbum, Start Stop, de cariz pop ligeiro e alegre.
O tema de lançamento foi Go Go Go, mas a canção mais forte talvez seja Golden Days, popularizada pela telenovela da TVI - Sedução e pelo anúncio do Toyota Yaris.




sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Pixar - Partly Cloudy


Uma fabulosa curta metragem da Pixar, com argumento e animação cheio de ternura e absolutamente deliciosos :)))









quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

impagável este Chavez


EUA podem ter induzido cancro em líderes sul-americanos, através de uma tecnologia que eles tenham desenvolvido é a suspeita de Hugo Chavez.

Chavez considera estranho que ele próprio, a presidente brasileira, Dilma Roussef, Lula da Silva, Fidel Castro, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo e mais recentemente a presidente da Argentina, Cristina Kirchner tenham desenvolvido cancros.

E de caminho diz que os presidentes da Bolívia e do Equador devem ter cuidados extra :D

sábado, 24 de dezembro de 2011

uma música para o fim de semana - Aurea


A primeira vez que Dream a Little Dream of Me foi gravado foi em Fevereiro de 1931. A partir daí os covers foram sucedendo-se. The Mamas & the Papas, Ella Fitzgerald, Diana Krall and Michael Bublé foram alguns dos muitos músicos que cantaram este tema.

Este ano a TMN utiliza Dream a Little Dream of Me no spot publicitário Fenómeno com a voz de Aurea.  E ficou surpreendente.

É esta a minha sugestão em plena época natalícia em que supostamente se pode sonhar livremente e na qual todos os sonhos são permitidos.

Bons sonhos e sonha um pequeno sonho comigo ;)




quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Natal na era digital






Inverno


O Inverno chegou hoje. De manhãzinha, sem perder tempo. Eram 05.30h :)




Este é o inverno

Um frio de leve
vem pra ficar.
A brisa suave
faz a árvore balouçar.
O vento sopra
assobiando.
O céu escuro
vai ficando.
A chuva chega
devagarinho.
As pessoas correm
abrindo guarda-chuvas.
Vi um homem de casaco
e uma mulher de luvas.
É esse o inverno
sorrateiro.
Vem chegando
 e nem avisa primeiro


Clarice Pacheco


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Grande Ecrã - Anónimo (Anonymous)


Roland Emmerich, cineasta alemão bem conhecido pelos seus filmes catastróficos e apocalípticos, tem em Anónimo, um filme bem mais contido, menos espectacular e com níveis de destruição substancialmente mais baixos.

A ideia não é nova. Muito pelo contrário, data de finais do século XVIII e tem seguidores desde essa altura. A teoria de que não terá sido William Shakespeare a escrever as obras imortais que lhe são atribuídas mas sim alguém que se desconhece.


Anónimo conta a história de um dos nomes que actualmente é o mais apontado e defendido como podendo ser o verdadeiro autor das obras "ditas" shakespearianas - Edward de Vere, Conde de Oxford e que deu origem à chamada teoria de Oxford ou oxfordiana por oposição aos defensores da autoria de Shakespeare de Stratford, os stratfordianos.

É claramente um filme de época. A reprodução da época shakespeariana, os guardas roupas, a fotografia, toda a política e intriga palaciana da altura, Londres, uma cidade suja, quase fétida, enlameada, ruidosa, mas já cheia de vida, torna Anónimo um filme visualmente muito apelativo e realista.
Nota-se bem aqui o eficaz dedo de Emmerich no domínio e utilização de efeitos especiais.

Está bem apoiado num argumento historicamente bem fundamentado - com um ou outro erro histórico e na colocação temporal das personagens - apesar de por vezes ser difícil e confuso de seguir e carecer de alguma dinâmica narrativa apesar da sua boa fluidez.
Ter conhecimentos históricos da época Isabelina por parte de quem assiste a este filme é uma ajuda significativa.

Rhys Ifhans, está irreconhecível no seu papel de Edward de Vere. É talvez a primeira vez que o vejo num papel "sóbrio" e introvertido, nada dado à caricatura e à excentricidade que frequentemente caracterizam os seus trabalhos no grande ecrã.
William Shakespeare (Rafe Spall) é-nos apresentado como um mau actor, interesseiro, frequentador de tabernas, pouco menos que analfabeto e que obviamente nunca escreveu nada digno de nota.
Vanessa Redgrave é tremenda no seu papel de Rainha Isabel I. Uma mulher de força que marcou uma época, mas que se torna frágil e se deixa enlevar e manipular pelas palavras e textos de Edward de Vere.

Anónimo consegue plausivelmente convencer-nos a acreditar na teoria oxfordiana ou pelo menos levantar a dúvida se realmente William Shakespeare será o autor ou não das melhores obras escritas em língua inglesa até à data de hoje.
Mas só pela reconstituição histórica, pelo trabalho de actores e pelos seus diálogos, Anónimo é um filme que vale a pena ver.





segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

o verdadeiro poder




Pensar pela própria cabeça, não seguir o rebanho e manter firme no que se acredita.
Três coisas raras de se encontrar em simultâneo nos dias que correm.


sábado, 17 de dezembro de 2011

uma música para o fim de semana - We Trust


André Tentugal é um realizador de videoclips de várias bandas portuguesas, nomeadamente X-Wife e Mind da Gap.
Enquanto ia realizando, ia simultaneamente escrevendo canções. Segundo as palavras do próprio André, ao fim de trabalhar dois anos consecutivos sem parar, ter a oportunidade de gravar aquilo que foi escrevendo foi uma pausa necessária e merecida.

Com André estiveram presentes na feitura e arranjos das músicas, músicos amigos que foram sendo feitos ao longo dos trabalhos para eles realizados.
Valorizando o colectivo em detrimento do nome próprio surge o grupo We Trust, lançando o álbum These Old Countries.

Ainda o álbum estava em fase de produção, já a música Time (Better Not Stop) circulava nas playlists das rádios nacionais.
Curiosamente, sendo André um realizador de videoclips não foi ele quem realizou o seu. Foi um amigo sueco Rickard Bengtsson que conheceu na internet que o fez, utilizando câmaras de alta velocidade.

Uma nota, pessoal que se diverte a fazer contagens diz que o título Better Not Stop é repetido 53 vezes.
Não o confirmei, mas se quiserem tentar...



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

há 100 anos no Pólo Sul - Roald Amundsen


O certo é que Roald Amundsen se tivesse seguido o desejo de sua mãe, teria sido médico, mas com a sua morte, Amundsen dedicou-se a aquilo que era o seu apelo desde pequeno, explorar as regiões polares.

Experiente em expedições em ambas a regiões polares, nomeadamente através da participação da expedição belga de exploração da costa antártica que o levaria a passar um inverno no círculo polar antártico e da descoberta na sua expedição de 1903-1905 da Passagem do Noroeste com o veleiro Gjoa, que une a norte do continente americano, os oceanos Pacifico e Atlântico e onde aprenderia com os esquimós locais a usar trenós de cães e técnicas de sobrevivência polares, Amundsen lança-se na conquista de uma das suas maiores ambições: ser o primeiro a chegar ao Polo Norte.

A meio dos seus preparativos da expedição soube que Robert Peary e Frederick Cook tinham anunciado e reclamado para si próprios a conquista do Pólo Norte.
De imediato Amundsen virou a sua atenção para o lado oposto do planeta, o Pólo Sul.
Com dívidas e de maneira a manter os patrocínios já obtidos até à altura, Amundsen não revelou a sua verdadeira intenção, para todos os efeitos ele continuaria para o Polo Norte como uma viagem de âmbito científico.

Em Agosto, o veleiro Fram partia da Noruega, chegando em Setembro à ilha da Madeira, onde pararia durante alguns dias para reparações e abastecimentos.
Foi na Madeira, perante a sua tripulação que Amundsen revelaria pela primeira vez qual o seu verdadeiro destino. Poucas horas após o anúncio, o Fram partiria para o extremo sul do planeta.

Alguns meses depois, a 14 de Dezembro de 1911, utilizando trenós puxados por cães e esquis, Roald Amundsen e a sua equipa pisavam pela primeira vez o manto branco do Pólo Sul e deixavam uma tenda montada com a bandeira norueguesa no topo.




O britânico Robert Falcon Scott que estava com Amundsen numa corrida pela conquista do Pólo Sul, ao chegar cerca de cinco semanas depois e contemplar a tenda norueguesa terá escrito frustradamente no seu diário "Meu Deus, este lugar é horrível".
No interior da tenda encontravam-se equipamentos de orientação e roupa deixados pelo próprio Amundsen.




No regresso, a equipa inglesa enfrentou temperaturas muito baixas e grandes tempestades: Morreram famintos e congelados.
Em Novembro de 1912, os seus corpos foram encontrados. As últimas entradas no diário de Scott datavam de Março.

Roald Amundsen morreria a 18 de Junho de 1928, com 55 anos, no oceano Ártico, num acidente de hidroavião durante uma operação de resgate do explorador italiano Umberto Nobile.

domingo, 11 de dezembro de 2011

compra de fim de semana - Enrico Rava





Para comemorar o seu quadragésimo aniversário, a etiqueta ECM resolveu reeditar os seus melhores quarenta álbuns de jazz lançados no período de 1971 a 1993 numa série que designou por Touchstones.

The Pilgrim and the Stars é uma dessas pérolas. Comprei-o na sequência de Tati da semana passada.
Editado em 1975 foi o primeiro álbum que o trompetista italiano Enrico Rava gravou para a ECM.
Trinta e seis anos depois este álbum mantém-se muito actual, sem acusar a passagem dos anos. Ainda muito imbuído do free jazz, as origens de Rava, mas já a caminhar para a harmonia e lirismo que o caracteriza agora.


sábado, 10 de dezembro de 2011

uma música para o fim de semana - Carlos Paião


É preciso recuar vinte sete anos, ao ano de 1984 para encontrar, a minha sugestão para o fim de semana.
Neste ano, Carlos Manuel de Marques Paião, Carlos Paião para o mundo, lançava o single Cinderela, que contava a história de Pedro e Cinderela.

É quase impossível não gostar desta canção e particularmente da sua letra, carregada de ternura, ingenuidade e esperança.
Esta era a maior qualidade de Carlos Paião, a capacidade de trazer para as suas letras a inocência do mundo e o lado positivo e divertido da vida. Os temas Pó de Arroz, Zero a Zero ou ainda Canção do Beijinho ilustram bem a jovialidade das suas letras.

Ele escreveria temas para Herman José, Amália Rodrigues e Cândida Branca Flor, entre muitos outros nomes da música portuguesa.

Quatro anos mais tarde, a 26 de Agosto de 1988, Carlos Paião encontraria a morte num violento acidente de carro na A1.
A sua morte daria origem a um mito que ainda hoje é discutido e que lhe confere uma aura de mistério. Mesmo tendo em atenção a violência da colisão e a realização da sua autópsia, diz-se que ele foi enterrado vivo, porque haveria marcas de unhas na parte de cima do interior do caixão e que teria o corpo virado para baixo.

O facto é que Carlos Paião deve ser o artista português que mais saudades deixou e um dos mais relembrados pelo público português.


Pessoalmente, considero Cinderela uma das melhores canções que a música portuguesa tem na sua história.
Ou ela não falasse de Pedro, o tal que tem tesouros para repartir e já andou na lua no meio da rua. :)




sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

para elas...


Se eles têm o mapa que fazia a distribuição do tamanho médio dos seios pelo mundo, elas têm o mapa que faz o mesmo para o tamanho médio do pénis.

Desde o México, passando pela América Central até à Colômbia, Venezuela, Bolívia, Brasil e uma boa parte de África, as mulheres devem gostar e esfregar as mãos de contentes com o que vêem dos seus conterrâneos.
E se os homens asiáticos e do sudeste asiático andam de mãos quase vazias culpa das pequenas copas delas, em contrapartida as mulheres da mesma região do globo, por causa do pequeno tamanho deles, têm dificuldade em conseguir... vê-lo. 

Em média, os tamanhos XXL estão no Congo com quase 18 cm (17.93) e os XXS estão na Coreia do Sul com menos de 10 cm (9.66).

As portuguesas estão com azar, parece que Portugal não tem dados disponíveis relativamente ao tamanho dos "portuguesinhos". ;)



Mapa em tamanho normal aqui


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

para eles...


O tamanho médio dos seios e suas copas distribuídos pelo mundo :).

Os russos e os nórdicos andam de mãos bem cheias, os norte-americanos, colombianos, islandeses e alemães não se podem queixar, mas os chineses e os homens do sudeste asiático têm que andar à procura delas ;)



Mapa em tamanho normal aqui


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Grande Ecrã - Inquietos (Restless)


As imagens iniciais de Inquietos, o jovem Enoch (Henry Hopper) a traçar o seu contorno no preto alcatrão a giz branco como se morto estivesse, dão logo o mote para o tema que domina o filme: a morte.

Poucos minutos mais tarde sabemos também que Enoch tem uma estranha necessidade de frequentar funerais de estranhos e que tem um fantasma, um piloto kamikaze que se chama Hiroshi.

Num desses funerais, Enoch, que perdeu ambos os pais num acidente de automóvel e ele próprio ficou em coma, conhece Annabel (Mia Wasikowska), uma jovem com um cancro no cérebro e com poucos meses de vida.
Naturalmente os dois vão-se aproximar e depois apaixonar.

Escrito desta maneira, Inquietos parece mórbido, intragável, piegas e lamechas, bom para lágrimas fáceis.
Mas não, longe disso. Talvez ocasionalmente o realizador Gus van Sant trilhe esse caminho, mas sai dele rapidamente. 

Inquietos é acima de tudo uma reflexão sobre a relação vida e morte vista pelos olhos de duas pessoas que sabem que o destino final está traçado.

A morte é pensada de uma maneira natural quase desapaixonada apesar da evidente angústia que a perda de Annabel provoca em Enoch e que a vida deve ser aproveitada dia a dia. Sentindo cada dia que amanhece é um motivo de alegria.
Annabel revê-se neste ponto sempre que menciona as aves canoras que pensam que vão morrer ao pôr-do-sol mas que de manhã cantam de felicidade quando percebem que estão vivas.
Este é um dos pontos da dualidade que está presente na personagem de Mia Wasikowska, tanto procura a vida, como apoiada em Enoch, encena e ensaia a sua própria morte, preparando-se para ela.

Hiroshi, o divertido mas sensato fantasma que só Enoch vê, tem um papel aparentemente secundário, mas no fundo é um guia para Enoch e percebemos já no fim do filme que o será também para Annabel.

Inquietos, não é filme romântico, apesar de ser fácil lê-lo desa maneira, vive muito naturalmente da cumplicidade e relação das personagens e os diálogos são pontuados por um humor obviamente negro. 
Não tem uma grande dinâmica, dificilmente se aborda esta temática como se tratasse de um filme de acção, mas tem a necessária para nos manter interessados.

Tem o mérito de nos fazer sair da sala a pensar em alternativas, se ao fim será mesmo o fim ou se haverá um recomeço.




domingo, 4 de dezembro de 2011

compra de fim de semana - Enrico Rava





Enrico Rava era um ilustre desconhecido para mim. Agora sei que ele é um trompetista italiano, com 72 anos de idade tem carreira consolidada e é um dos melhores da actualidade. Diz-se influenciado pelas sonoridades de Miles Davis e de Chet Baker. 

Tati foi o primeiro álbum que comprei dele. É um álbum que oscila entre o jazz lírico e muito melódico com incursões no free-jazz, mas não de uma maneira muito agressiva, suave até.
Foi uma grande descoberta!

Tati foi o primeiro de Enrico Rava, mas garantidamente hão-de aparecer mais. :)

sábado, 3 de dezembro de 2011

uma música para o fim de semana - Luís Represas & João Gil


Tocaram e fundaram juntos no verão de 1976 os Trovante. Com o seu fim, cada um dos músicos seguiu carreiras e projectos independentes mas sempre acompanhados pelo sucesso e pela visibilidade pública.
Agora passados vinte anos e com cada um dos músicos a celebrar 35 anos de carreira, Luís Represas e João Gil voltam a encontrar-se e a gravar juntos pela primeira vez um álbum de originais.

O álbum chamado Luís Represas e João Gil ainda cheira a tinta fresca. Chegou às lojas na passada segunda-feira, dia 28.
O tema de lançamento chama-se Sisudo Amável.




segunda-feira, 28 de novembro de 2011

compra (atrasada) de fim de semana - Keith Jarrett





Este concerto de piano de Keith Jarrett pertence ao domínio da lenda.
Tocado ao vivo a 24 de Janeiro de 1975 na Opera House da cidade alemã de Colónia, tinha tudo para dar errado.
Jarrett com 29 anos na altura, chegou tarde à sala onde iria ter lugar o concerto.
Estava cansado por uma longa de viagem de carro - um Renault 5 - desde Zurique, onde tinha tocado dias antes, estava com dores de costas e tinha dormido mal nas noites anteriores.
Para mais o piano que tinha pedido não foi o que lhe apresentaram. Era mais pequeno. Era um piano de ensaios de bastidores, desafinado e com os pedais a não funcionarem correctamente.
Jarrett quis desistir do concerto, mas a promotora do concerto com os bilhetes esgotados e a sala lotada de gente convenceu-o a tocar.
Isto são os factos da história do The Koln Concert (O Concerto de Colónia).
A história diz também que é dos discos de piano mais vendidos de sempre de jazz e de qualquer outro género de música.

Por sua vez, a lenda diz que Jarret adaptou-se ao que tinha e fez das limitações do piano, um concerto para a história. Tocou espontaneamente e de improviso. Durante mais de uma hora, sem pauta, a música fluiu directamente da sua mente para o piano através dos seus dedos.

Ouvi-lo é viajar, é sermos inspirados, é encostar a cabeça ao sofá, fechar os olhos, sermos hipnotizados e deixar-nos ir. É ouvi-lo a falar com o piano. É ouvir sabendo que não sendo verdadeiramente um disco de jazz, só um músico de jazz o poderia tocar.
É sermos capazes de premir o botão play do comando, repetidamente, ouvi-lo vezes sem conta, sem cansaço e descobrir sempre qualquer coisa de novo ou ter o conforto de mais uma vez irmos encontrar ou fazer-nos reencontrar algo de muito especial.

Comprei o The Koln Concert trinta e seis anos depois do seu lançamento no mercado (Outono de 1975), não exactamente este fim de semana, mas no último fim de semana de Outubro.

domingo, 27 de novembro de 2011

Fado - Património Imaterial da Humanidade


O Fado já é Património Imaterial da Humanidade. Saiu dos bairros tradicionais da cidade de Lisboa para o mundo.
Ombreia agora com o Flamengo espanhol e o Tango argentino.

A par do vinho do Porto, Portugal tem agora uma segunda marca - Cristiano Ronaldo não conta - para exportar, para se mostrar ao mundo.
Com a vantagem de esta pertencer à área cultural, o que não deixa de ser um valor acrescentado e um orgulho real para o país.

Vai trazer o turismo nacional e internacional às casas de fado, vai trazer (e levar) enriquecimento cultural a Portugal e ao mundo.
Vamos crescer enquanto povo e estar mais conscientes da nossa identidade cultural.

Talvez agora com o fado haja uma maior procura, maior interesse pelas tradições que este país esconde nos seus inúmeros recantos, nomeadamente os nordestinos, alentejanos, beirões e algarvios.
Talvez agora com o fado se assuma que a verdadeira tradição e cultura portuguesa é nobre, é bela e que honra um país e agora o mundo.

Que elas (cultura e tradição) elevam o espírito nacional e não têm que estar e não podem estar associadas à crueldade, à barbárie e ao desnecessário sofrimento animal que as touradas que representam.

Pode ser que agora o nosso orgulho nacional passe mais por "um silêncio que se vai cantar o fado" numa casa de fado, do que ouvir covardes "olés" numa arena manchada de sangue de um animal inocente torturado até à exaustão.


sábado, 26 de novembro de 2011

uma música para o fim de semana - Carlos do Carmo


Se as origens do fado estão nas ruas escuras e estreitas de Alfama e em tabernas escondidas e mal iluminadas, o seu futuro pode residir nas praias longínquas da ilha Bali, na Indonésia.

É em Bali, durante este fim de semana, que será anunciada a candidatura vencedora da categoria Património Imaterial da Humanidade.
A competir com o Fado português estão mais seis candidaturas.
A Colômbia com o Conhecimento Tradicional dos Xamãs, a Croácia com Nijemo Kolo - uma dança da região da Dalmácia - o Chipre apresenta a peculiar forma de recitação de poemas, Tsiattista, a República Checa mostra ao mundo a procissão Passeio dos Reis, o México tem a música dos Mariachi e finalmente o Perú aposta na Peregrinação ao Santuário do Lord Qoyllurit'i.

Não sou apreciador de fado. Pelo menos daquele que se ouve por aí. Sou dos que preferem o fado vadio, o desgarrado, o roufenho que sai das gargantas de quem dificilmente venderá discos e entrará nos tops de música.
Aquele que se ouve nas escuridão escondida das tabernas e casas de fado.

Mas dentro do fado mais comercial, aquele que vive na ribalta mediática das rádios e canais de televisão, Canoas do Tejo na voz de Carlos do Carmo é um dos meus preferidos.

É a minha contribuição para que o Fado saia do anonimato português e se globalize. :)




terça-feira, 22 de novembro de 2011

Grande Ecrã - Tintin e o Segredo do Licorne


Mesmo não sendo particularmente fã do motion capture, reconheço que do ponto de vista técnico Tintin e O Segredo do Licorne é excepcional. Por si só já é motivo suficiente para ver este filme

Andy Serkis é fabuloso na composição do personagem capitão Haddock, o personagem que mais agarra e prende a atenção de quem vê o filme, isto que para além de Milu que é uma presença bastante completa e é bastante mais que um "actor secundário" no filme, tendo vários momentos que claramente suplantam Tintim (Jamie Bell) e que por vezes chegam a rivalizar com Haddock.

Dupond e Dupont, os desastrados detectives que acompanham Tintin, passam quase despercebidos no filme o que é uma pena. Como personagens estão desaproveitados desperdiçados. Dá para perceber que têm potencial e podiam trazer mais valia ao filme na sua vertente cómica, que muitas vezes está entregue e bem ao cão Milu.

Os conhecedores de Tintin dizem que o argumento deste filme cruza dois livros de Hergé, o Segredo do Licorne e O Caranguejo das Tenazes de Ouro e que a adaptação não é fiel.
Admito que sim. "Cumpri" a minha missão de ler os seus álbuns de bd, mas estou longe de ser um admirador e muito menos um conhecedor de Tintin. Mas passar ao grande ecrã uma personagem da dimensão de Tintim e cativar o público durante pouco mais de uma hora e meia sentado numa sala de cinema é diferente de desenhar umas "quantas vinhetas" estáticas. Mas o filme é bastante coerente na sua narrativa, faz sentido, conta bem a sua história, tem dinâmica e tenta ser - e consegue num ou outro momento - um filme de acção.
Confesso que aqui e ali faz-me lembrar o falhado Indiana Jones 4, também ele de Steven Spielberg, mas não é preocupante porque Tintim ainda não tem os míticos antecedentes e a longa carreira do arqueólogo de chicote.

A próxima aventura de Tintin terá Peter Jackson como realizador, já após este ter filmado as duas partes de Hobit (ainda demora muito???). Confesso que aqui as minhas expectativas irão aumentar substancialmente.

Tintin e o Segredo do Licorne, é um bom filme de entretenimento, cumpre bem a sua missão. Certamente para os indefectíveis de Tintin terá algumas falhas de adaptação, para os outros como eu que leram Tintin há uns bons anos, é um bom filme de domingo, de família até, interessante mas não deslumbrante.





segunda-feira, 21 de novembro de 2011

compra de fim de semana - Sonny Rollins





Há um toque romântico neste álbum The Bridge. 
Em 1959, sob pressão devido às sucessivas gravações e ao sucesso que o saxofonista Sonny Rollins tinha tido em anos anteriores, boa parte dele devido ao espantoso Saxophone Colossus de 1956, este decidiu que era altura de fazer um retiro espiritual. 
Sair da cena musical, da pressão das multidões, do sucesso e das drogas que infestava o mundo do jazz. 
No entanto manteve-se sempre ligado ao jazz e ao seu saxofone. Solitário, Sonny ia para a ponte Williamsburg e tocava só para ele. Aperfeiçoava o seu estilo e a sua filosofia de tocar.

Este primeiro período sabático de Sonny Rollins durou de 1959 a 1962.
A sua primeira gravação após o seu regresso, chamou-lhe The Bridge, em memória dos anos em que só ele, a ponte e o seu saxofone existiam, com o East River e a cidade de Nova Iorque a seus pés.

sábado, 19 de novembro de 2011

uma música para o fim de semana - Pedro Osório


Viajar pelo mundo através da música. Literalmente. Ou melhor, sonoramente :).
O novo álbum de Pedro Osório, Cantos da Babilónia, permite-nos isso. 
Nigéria, Vietname, Japão, Quénia, China, Espanha e uma passagem pela Beira Baixa, no caso de Portugal, são algumas das dez paisagens sonoras por onde viajamos ao escutar Cantos da Babilónia.

É um álbum que oscila entre a harmonia do piano e a pureza vocal dos cantos tradicionais dos países escolhidos, misturado com umas ligeiras e discretas pitadas de música electrónica que não desvirtua em nada, muito pelo contrário, os dois primeiros.

Ouvir O Beijo do Sol, vindo dos cantares do Quénia, só cria água na boca. 
Se escolho este tema para "uma música para o fim de semana", quase de certeza que Cantos da Babilónia se vai tornar brevemente uma "compra de fim de semana".





quinta-feira, 17 de novembro de 2011

o Vaticano não gostou


No âmbito da nova campanha fotográfica da Benetton - Unhate - das várias fotomontagens em que aparecem lideres mundiais a beijarem na boca os seus rivais, o Vaticano considerou abusiva a fotografia em que o Papa Bento XVI aparece a beijar o Imã Ahmed Mohamed da mesquita Al-Azhar na cidade do Cairo.
A Benetton face às pressões exercidas decidiu retirar o cartaz das ruas e da campanha.

As más línguas dizem que o beijo papal deveria ter sido com um menino do coro...

Mas a Esteira considera que se deve promover o amor entre povos e religiões e portanto uma beijoca entre os dois lideres das maiores religiões do mundo só fica bem. :)





sábado, 12 de novembro de 2011

compra de fim de semana





uma música para o fim de semana - António Pinho Vargas


Há exactamente dois anos atrás eu colocava este post dedicado ao álbum Solo de António Pinho Vargas.
António Pinho Vargas é certamente a par de Rodrigo Leão, um dos músicos portugueses que mais admiro e sigo as suas obras.
Relendo o que escrevi em "algo.." reparo que mantenho tudo, não mudaria nada e faço dele dois anos depois a minha sugestão para este fim de semana.
Escolho a segunda faixa do seu álbum Solo e tal como encerro esse texto é "Para ouvir de olhos suavemente fechados e com um sorriso de deleite nos lábios. Vezes e vezes sem conta".

Sras e Srs, silêncio que António Pinho Vargas vai tocar Tom Waits.




sexta-feira, 11 de novembro de 2011

dois anos de blog


11.11.11. Para muita gente hoje é um dia particularmente simbólico.

Dizem que é uma data de discussões e confrontos (frutíferos ou não) porque representa duas entidades, duas vontades, duas pessoas frente a frente.
Inevitavelmente faz lembrar as duas torres do World Trade Center, também elas frente a frente, que caíram nos ataques do dia 11 (lá está) de Setembro de 2001.
E para quem se move nestes temas, consta que há uma profecia também do século XI de São Malaquias que diz que existirão 112 papas antes de os eventos do apocalipse descritos na bíblia acontecerem. O que coloca o actual  papa Bento XVI na fronteira porque ele é o papa número 111.

Para mim é um dia que acontece de 100 em 100 anos, o que torna altamente improvável que viva o próximo 11.11.11 :).
Mas o que torna verdadeiramente especial, é que a Esteira de Letras faz hoje dois anos(!), o que me deixa duplamente espantado.

A primeira razão é que eu tenha conseguido manter este blog ao longo destes dois anos, ele tremeu muitas vezes e chegou a ter a data do seu óbito marcada.
A segunda, a maior delas e também a mais misteriosa para mim é que vocês vão lendo a Esteira. E isso ajuda a mantê-la
Assim só posso desejar que ela e vocês se vão aguentando mais uns tempitos ;).

E como estamos no dia de São Martinho...


... assadas?


... ou cozidas?



quinta-feira, 10 de novembro de 2011

a propósito do Dia Mundial da Ciência


Hoje comemora-se o Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento e para lembrar este dia pensei no divulgador de ciência e professor de físico-química  Rómulo de Carvalho, que quando assinava António Gedeão, transformava a ciência em poesia, fazendo o mundo pular e avançar como um bola colorida nas mão de uma criança.

Ele descobriu igualmente que as lágrimas são iguais para todos os olhos que as choram e que não contêm vestígios de ódio, independentemente da cor da pele que os rodeia.




Lágrima de Preta

Encontrei uma preta 
que estava a chorar, 
pedi-lhe uma lágrima 
para a analisar

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio, 
experimentei ao lume, 
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.


António Gedeão
1961

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Carl Sagan Day


"A ideia de que Deus é um gigante barbudo de pele branca sentado no céu é rídicula. Mas se, com esse conceito, você se referir a um conjunto de leis físicas que regem o Universo, então claramente existe um Deus. Só que ele é emocionalmente frustrante: afinal, não faz muito sentido rezar para a lei da gravidade."
Carl Sagan

"Se não existe vida fora da Terra, então o Universo é um grande desperdício de espaço."
Carl Sagan


Se fosse vivo, o astrónomo norte-americano Carl Sagan faria hoje 77 anos. Comemora-se todos os anos, neste dia o Carl Sagan Day.
Nasceu a 9 de Novembro de 1934 e morre a 20 de Dezembro de 1996, vítima de cancro na medula óssea.

É difícil explicar a importância que Carl Sagan teve e tem em mim e certamente em muitos de nós.
Vejo-o como um professor. Ensinou-me a olhar menos para o chão e mais para o céu e melhor do que isso, ensinou-me a deslumbrar-me com ele, com a sua beleza e com as suas histórias e segredos escondidos.

Carl Sagan mostrou-nos sem margem para dúvidas e da maneira mais elegante possível a nossa verdadeira dimensão no cosmos - um grão de poeira suspenso num raio de sol.
Somos pequenos nas dimensões, mas grandiosos nas conquistas do saber.
Mostrou e demonstrou igualmente um conceito maravilhoso (e absolutamente glorioso) para mim e que está descrito no cartaz que escolhi para ilustrar este post: somos feitos de matéria estelar, somos todos filhos das estrelas.

Pertence a Sagan um dos livros mais importantes na minha vida, Contacto. É um daqueles livros que eu levaria na minha nave se um dia o mundo acabasse e tivesse que escolher os livros que representam o melhor da Humanidade. Escrevi sobre ele aqui a propósito do Dia Mundial do Livro.

É com a série televisiva Cosmos e o respectivo livro que comprei na feira do livro em 1985 me deixei fascinar até hoje pela astronomia.
Com o livro Cometa, comprado de propósito para a passagem do cometa Halley no ano de 1986, ganhei conhecimentos e um grande respeito e admiração por estes viajantes siderais que nos honram com as suas passagens próximas do sol que lhes custa, por cada passagem efectuada um pouco de si próprios.

Cérebro de Broca, Os Dragões do Éden e Ligações Cósmicas, são outros dos seus (grandes) tesouros que estão na minha posse.

Se poderia viver sem Carl Sagan? Poder, podia, mas não seria a mesma coisa.




duas forças da natureza


O havaiano Garret McNamara surfou na Praia do Norte, sob o efeito do fenómeno natural Canhão da Nazaré, a maior onda do mundo, com cerca de 30 metros de altura!
É muuuuuita água junta :)






terça-feira, 8 de novembro de 2011

A Nestea (da Nestlé) tortura!


Custa a acreditar que uma bebida inocente como o Nestea, açucarada, encerrada em garrafas e latas de cores agradáveis e apelativas, com anúncios de convívios entre amigos, festas e famílias a sorrir a passar nas nossas televisões e revistas, possa resultar de actos brutais de experiências laboratoriais em animais. Actos de verdadeira tortura e crueldade.

A PETA lançou recentemente um vídeo chocante que mostra a verdade sobre este bebida, o que está por detrás dela.

Tal como a Sagres quando patrocinou esse acto de barbárie e brutalidade que são as touradas, a mensagem é simples: não consumam, não comprem, não levem para as vossas festas e vossas casas os chás da Nestlé, o Nestea.

Caso contrário, estarão e estaremos a promover o sofrimento animal. Estarão e estaremos a promover o sofrimento de seres vivos sencientes, que sentem e sabem o que lhes acontece, que buscam e precisam de carinho, ternura e protecção e cujas vidas têm que ser respeitadas, como a de qualquer um de nós que vê este vídeo.






Aqui encontram, em inglês, mais informação sobre estes actos de tortura da Nestea (Nestlé) na página oficial da PETA.

sábado, 5 de novembro de 2011

uma música para o fim de semana - Sétima Legião



A Sétima Legião nasce em 1982, a partir de três amigos - Rodrigo Leão, Pedro Oliveira e Nuno Cruz - que decidem juntar-se e criar uma banda com sonoridades diferentes do rock que abundava na altura em Portugal. 
Para além das tradicionais teclas, baixo e bateria, eles juntariam pouco depois da sua formação, flautas, gaita de foles e um violoncelo, criando uma sonoridade de cariz muito medieval e celta.
É esta sonoridade, ainda hoje única, que tanto me atrai na Sétima Legião.
Eles vão buscar o nome da banda ao tempo do passado romano ibérico, ano 69 AC, altura em que a sétima legião romana Gemina Felix estava estacionada na província Tarraconensis, na actual cidade de Leon.

Três anos depois da fundação da Sétima Legião, Rodrigo Leão e Pedro Ayres de Magalhães dariam origem ao projecto extraordinário da música portuguesa onde pontificaria a voz de Teresa Salgueiro, os Madredeus.

A Luz não é a minha canção preferida da Sétima Legião - essa é definitivamente esta - mas é claramente uma das que mais gosto de ouvir.
É um dos dois inéditos (o outro é a Promessa) que surge no álbum de compilações de 1983 a 2000 - História da Sétima Legião.




quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Laika


Diz-se que o cão é o melhor amigo do homem, mas há 54 anos a cadela soviética Laika - cujo nome significa ladrar - uma cadela abandonada nas ruas de Moscovo, ao dar a sua vida pela exploração espacial, mostrava que além do homem, o cão é o melhor amigo da Humanidade.

A 3 de Novembro de 1957, ela subia a bordo do Sputnik 2, tornando-se o primeiro ser vivo a partir para o espaço.
Já se sabia que ela não voltaria viva da sua missão. Estava previsto que ela seria eutanasiada através de ingestão de comida envenenada ou através de uma injecção letal.
No entanto Laika encontraria a sua morte em condições muito mais cruéis. Ela terá morrido de pânico causado pelo stress e de sobreaquecimento por avaria do sistemas térmicos da cápsula, entre 5 a 7 horas depois do lançamento do Sputnik 2.

Foi através de Laika, da violência dos treinos a que foi submetida e das condições da sua morte que se colocou pela primeira vez em causa o tratamento e o uso de animais em condições laboratoriais.

Um agradecimento meu e uma festinha na tua cabeça, Laika. E um biscoito, claro.:)



vox populi, vox dei


A Europa e os mercados financeiros estão em pânico com a recente decisão da Grécia em referendar o segundo pacote de ajuda a este país.

Toda a classe política em matéria de Europa, dita democrata, não tem primado pela democracia.
Sempre assumiram, diria cinicamente, que os seus povos não tinham capacidade de entender o que estava em causa.

Por exemplo o Tratado de Lisboa não foi referendado em Portugal nem no resto da Europa, creio que só a Irlanda o fez.
Foi ratificado pelos respectivos parlamentos nacionais, com base no argumento que o documento era demasiado complexo para ser entendido pelos europeus. As tentativas de esclarecimento por parte dos governos envolvidos neste documento foram escassas ou mesmo inexistentes.

Quase todos nós, portugueses, não temos noções claras ou informação suficiente sobre o que se passa, que implicações têm na nossa vida decisões que são tomadas algures num parlamento europeu.
Uma entidade meio obscura, burocrata e teocrata, situada em Bruxelas que de cinco em cinco anos os europeus são chamados a eleger.
E a participação democrática dos povos na União Europeia começa e acaba aqui. É pouco, muito pouco.
Por isso a indiferença e afastamento, visível através das taxas de abstenção, dos europeus à democracia da Europa é cada vez maior.

A rejeição grega (mais do que provável) em referendo do novo pacote de ajuda, vai certamente fazer cair a Grécia e ferir de morte o euro e a própria União Europeia.
Portugal e a Irlanda, países sob ajuda financeira serão os seguintes a cair e atrás deles virá a Espanha, Itália, Bélgica, a França (o fantoche da Alemanha) e a própria Alemanha (o gigante com pés de barro) tremerão também e eventualmente cairão.

Muitos dirão que tal importância não deveria ser colocada nas mãos do povo grego. Tenho algumas dúvidas sobre isto.
Foi enquanto esteve nas mão dos políticos gregos que o caos se instalou e posteriormente foi nas mãos gananciosas, pretensamente salvadoras e solidárias, de políticos e financeiros europeus e americanos que ele aumentou e alastrou.

Porque não ouvir povo grego e deixar que este decida sobre o que fazer com ele?
Porque não a Grécia que está desesperada, quase ingovernável, que foi esmagada e encostada entre a espada e a parede não há-de decidir por vontade própria, que lado escolher, para que lado vai cair?
Porque não, nesta altura em que este país tem muito pouco a perder, não permitir aos gregos recuperar a sua soberania?

Foi nisto que Papandreou pensou e decidiu, dar voz e poder ao povo grego e foi isto que os mercados financeiros e a Europa - entenda-se Angela Merkel e a sua marioneta Sarkozy - não estavam à espera do país onde a democracia nasceu: da democracia.


terça-feira, 1 de novembro de 2011

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

hoje somos 7 000 000 000


Apesar de alguns demógrafos apontarem que em Abril de 2012 é que tal acontecerá, outros afirmam que este nº já se atingiu. O facto é que segundo a previsão da ONU será neste segunda feira que nasce a pessoa nº 7 000 000 000, ou seja, a partir de hoje seremos sete mil milhões de pessoas em cima do terceiro calhau a contar do sol.

Este crescimento tem consequências nefastas. A pressão demográfica está a atingir o limite do que o nosso planeta consegue sustentar. Os recursos naturais estão a esgotar-se rapidamente e cada vez mais depressa.
Em Setembro de 2009 a população humana esgotou todos os recursos naturais - uma espécie de orçamento ecológico - que o planeta tinha para oferecer até ao final desse ano.
Este ano, 2011, a mesma situação ocorreu um mês antes, em Agosto.
Ou seja, neste momento estamos já a consumir recursos do próximo ano. É um empréstimo de quatro meses de recursos naturais ao planeta Terra do qual aparentemente não pagamos juros, mas cujas consequências e custos no médio/ longo prazo serão muito sérias.

Os efeitos da pressão demográfica sobre os recursos naturais do planeta são devastadores. A lista é longa e negra. Comum a todas a elas é a velocidade a que estão acontecer e a cada vez mais presente sensação da sua irreversibilidade.

O nº de espécies ameaçadas de extinção ou mesmo extintas e a respectiva perda de biodiversidade estão a acelerar por redução ou alteração de habitats e ecossistemas, a erosão dos solos por excesso de cultivo, excesso de mineração, desertificação, desflorestação e desmatação, poluição industrial, aumento exponencial do lixo urbano, alterações climáticas que estão a acontecer a uma velocidade maior do que era pensado e até compreendido, introdução de pesticidas e fungicidas nos solos e na cadeia alimentar, êxodo rural  com o abandono das zonas rurais em favor da zonas litorais aumentando ainda mais a pressão urbanística destas últimas.

Há quem advogue que a população deveria diminuir para garantir a sustentabilidade do planeta, mas a previsão da ONU é que no ano 2030 a Índia ultrapasse a China em população e em 2100 a população global deverá ter duplicado, atingindo qualquer coisa como cerca de 15 000 000 000 de seres humanos à face da Terra.
Nem imagino qual a velocidade de esgotamento dos recursos naturais nessa altura e em que mês (ou ano) será consumido o orçamento ecológico anual que a Terra nos proporciona.
Mas certamente será um número assustador e um problema planetário para resolver. E garantidamente será tarde demais se ele não começar a ser seriamente (e globalmente) abordado por nós agora.





domingo, 30 de outubro de 2011

compra de fim de semana - Miles Davis





Birth of the Cool (1949), de Miles Davis é um marco na história do jazz. Surge como contraponto ao jazz que vingava que nesta altura: o bebop. Caracterizado por ter um ritmo frenético, solos rápidos e agilidade de execução. É tocado tipicamente por pequenos grupos como trios e quartetos.

O cool jazz apesar das suas raízes virem do bebop, é mais introspectivo, mais calmo e simples, talvez até mais melancólico em determinados momentos. Tem menos notas e estas são mais sustentadas. 
As bandas crescem e são os quintetos e sextetos que dominam a cena cool.
Em 1959, dez anos após as gravações Birth of the Cool, surgiria o expoente máximo do cool jazz e para muitos, eu incluído, o melhor álbum de jazz de sempre e também ele com origem na genialidade de Miles Davis: Kind of Blue.

sábado, 29 de outubro de 2011

uma música para o fim de semana - Madredeus



Gosto muito de GNR, gosto muito de Xutos & Pontapés, gosto muito de Sétima Legião, mas quanto a Madredeus eu tenho uma paixão.

E essa paixão deve-se para além dos arranjos musicais de Pedro Ayres de Magalhães, um dos mentores do grupo, mas acima de tudo deve-se à voz de Teresa Salgueiro. Ela é os Madredeus.
Quando em Novembro de 2007, anuncia a sua saída dos Madredeus, para mim foi igualmente o anúncio do seu fim.

Pedro Ayres de Magalhães tenta dar a volta à situação e cria a Banda Cósmica. Os músicos são os mesmos mas tem novas vozes femininas. Mas em 2010 esta formação vê os seus dias terminar.
Hoje em dia, Pedro Ayres de Magalhães tenta trazer de novo os Madredeus à ribalta, mas mais uma vez sem a voz de Teresa Salgueiro certamente que lhes faltará a sua verdadeira essência, a sua verdadeira natureza.

Há n canções dos Madredeus que poderia escolher para este fim de semana mas opto com facilidade por Haja o que Houver. 
É um tema extraordinário. Tem tudo aquilo que gosto nos Madredeus: a beleza e a candura da voz de Teresa Salgueiro e a delicada sonoridade dos instrumentos tocados.

É uma letra que acredita em regressos, no voltar. Aqueles cujos finos e invisíveis fios de prata une não estarão verdadeiramente separados e que o destino, a união, se cumprirá. 
Haja o que houver.




quinta-feira, 27 de outubro de 2011

salvar os incendiários





Não deixa de ser espantoso que os bancos que foram as instituições que precipitaram, que deram e continuam a dar origem a uma crise global cujo fim ainda está longe e onde possivelmente o pior ainda estará para vir, tenham que ser os primeiros a serem resgatados deixando tudo o resto a arder.


daqui

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Grande Ecrã - Meia-Noite em Paris


Ver Meia-Noite em Paris foi como fazer as pazes com Woody Allen. Não porque nos tivéssemos zangado, mas sim porque me distraí de seguir o seu trabalho.
Não vi Matchpoint, Scoop, Sonho de Cassandra e Vicky Cristina Barcelona.

Meia-Noite em Paris é uma ode e uma carta de amor a esta cidade e uma época, a da Idade de Ouro dos anos 20 do século passado.

Woody Allen filma Paris de uma maneira terna e sem pejos recorre a clichés.

Mostra tudo o que a cidade tem para oferecer - a Torre Eiffel, Sacré Coeur, Notre Dame, Versalhes, o rio Sena, a ponte Alexandre Terceiro - como se tratasse de postais enviados para as caixas de correio do mundo inteiro.

De dia vemos as cores suaves em tons de pastel, à noite as cores são douradas, quentes e românticas, convidativas à imaginação, ao sonho e à magia dos anos 20 quando os bares, os cabarets e clubs nocturnos de Paris se transformam numa imensa tertúlia borbulhante de criatividade onde encontramos gigantes da literatura e artes como Hemingway, Gertrude Stein, Salvador Dali, Cole Porter, Scot Fitzgerald, Picasso, Luís Buñuel, Degas e Gauguin.

É com este mundo dos anos 20 de Paris, que o argumentista Gil Pender (Owen Wilson) - um surpreendente e perfeito alter ego do gesticulante e neurótico Woody Allen - se identifica e até sonha viver e conviver os seu ídolos literários.
Decidido a deixar de escrever argumentos para se dedicar à escrita de romances, sabe que encontrará em Paris a aura e a motivação que precisa para o fazer.

Uma noite após uma discussão com a sua noiva, a superficial Inês (Rachel McAdams) pouco dada aos devaneios literários de Gil e que não compreende o seu fascínio por Paris, este parte para um passeio nocturno pelas margens do Sena e à meia noite é abordado por um velho táxi. É convidado a entrar nele pelo famoso escritor norte americano Scot Fitzgerald e sua mulher Zelda.
Através deste táxi e do casal Fitzgerald, Gil franqueará à noite as portas da magia de Paris e entrará no seu mundo de sonho.

Se Owen Wilson surpreende completamente com Gil Pender, Kathy BatesCorey Stoll e Marion Cotillard são extraordinários respectivamente como Gertrude Stein, Ernest Hemingway e Adriana, a bela modelo de Picasso e por quem Gil se apaixonará.
Vê-se que Woody Allen dedicou-lhes tempo e diálogos para os consolidarem como personagens e através deles percebermos as suas personalidades.
Pelo contrário Salvador Dali por Adrien Brody e Luis Buñuel por Adrien de Van parecem demasiado caricaturais e pouco consistentes. Especialmente o primeiro.
Pouca ou nenhuma atenção é dada a personagens como Man Ray, Matisse, Degas, Gauguin e outros que surgem esporadicamente. Fica-se com água na boca por não se conhecer mais sobres eles. São pouco mais que nomes no ecrã.

É este o único senão da excelência que caracteriza Meia-Noite em Paris, a excepção que confirma a regra. Há uma enorme constelação de nomes da cultura universal - poderiam ser menos e em contrapartida a sua caracterização ser mais enriquecida, o que nos permitisse conhecê-los melhor - que obriga por parte de quem vê o filme a ser minimamente conhecedor das suas personalidades e das suas obras ou ter alguém ao seu lado que vá soprando umas dicas de quem é quem e o que fez.
Caso contrário uma das partes mais bonitas e fascinantes do filme ficarão diluídas no desconhecimento.

Tal como a cidade que retrata, Meia-Noite em Paris é um filme extraordinário e pleno de magia.
Foi um grande reencontro que tive com Woody Allen.




sábado, 22 de outubro de 2011

uma música para o fim de semana - Rodrigo Leão


Olhando lá para fora vejo um céu misto de azul com cinzento e poucas nuvens, o sol a brilhar, a temperatura já baixou mais ainda, não o suficiente para me impedir de abrir as portadas da minha sala e deixar uma corrente de ar fresca invadir a minha casa.
Está portanto um tempo muito pouco de Outono.
Apenas a minha carrinha carrega sinais desta estação, porque faço questão de não tirar as folhas castanhas-amareladas que vão caindo e cobrindo os seus vidros e tejadilho.

A previsão meteorológica diz que o tempo vai mudar para este fim de semana. Chuva, céus nublados, temperaturas vão continuar a baixar e há possibilidades de trovoada. Neve nas terras altas acrescentam os meteorologistas.
Diria que se aproxima o tempo ideal para ouvir Voltar de Rodrigo Leão, um músico que esteve ligado a dois projectos musicais muito importantes para mim, Sétima Legião e Madredeus antes de assumir uma carreira a solo.

Voltar é um tema que simboliza o Outono por excelência. Quer pela sua letra e pela nostalgia que ela carrega, quer pela cadência lenta e triste da música e principalmente pelo lamento do acordeão e pela suavidade da voz de Ana Vieira.
Tem o poder de soltar esta estação em qualquer momento que eu oiça esta canção. Quer seja um dia florido de primavera, um soalheiro dia de verão ou um dia gélido de inverno, será sempre um dia de Outono.

E como já estamos na sua época... soltemo-lo. :)




Voltar está incluído no cd de colectâneas de Rodrigo Leão chamado Mundo (1993-2006).

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

aconteceu em Foshuan


Há neste vídeo de um duplo atropelamento de uma criança com dois anos de idade no mercado da cidade chinesa de Foshuan, duas brutalidades: a do acto em si e a mais atroz delas, a indiferença das pessoas.

É difícil explicar e ainda mais tentar compreender como se chega a este ponto.
Pode sempre invocar-se que a China está virada cegamente para a produção.
Pode invocar-se que o controlo estatal que o regime comunista chinês exerce sobre as populações as embrutece.
Pode invocar-se que a China sendo um país extremamente assimétrico e desigual no seu desenvolvimento cria, por habituação, uma apatia e indiferença ao abandono, à exclusão social e logo ao sofrimento individual.
Penso que o facto de esta brutalidade ter acontecido na China tem alguma relevância pelo que escrevi acima e apesar de ser tentador e fácil reduzir este acontecimento apenas a este país não creio que deva ser feito.
O problema certamente não será só chinês, será tendencialmente global e muito provavelmente semelhante nos seus motivos.

As nossas vidas neste momento estão particularmente formatadas.
Estamos tão virados para o pagamento de impostos, para estatísticas e percentagens, para o desemprego que aumenta, para os sacrifícios pessoais que estão sempre a serem pedidos, tão absorvidos na nossa sobrevivência física e social que sobra pouco tempo e espaço para o sofrimento alheio.

O virar a cabeça para o lado e acelerar o passo é mais útil. Causa menos problemas do que o sentido da ajuda do próximo que agoniza aos nossos pés.
Porque se fazem menos perguntas, porque custa menos tempo e logo produz-se mais, porque não se enfrenta burocracias e logo produz-se mais, porque não se chega atrasado ao nosso destino que até pode ser o nosso emprego e logo produz-se mais, buscar um filho a um infantário que fecha demasiado cedo ou uma promoção de apenas um dia de um artigo qualquer num supermercado qualquer mas que tem que ser aproveitada e que faz falta em nossa casa.
Estamos todos muito fechados e concentrados em nós próprios, nas nossas tarefas e mais uma vez na nossa sobrevivência. Não vemos um palmo à frente dos nossos olhos. Estamos cegos e por necessidade tornamo-nos progressivamente e perigosamente mais egoístas e mecanizados.

Mas mesmo assim não consigo perceber como é que a indiferença, como é que a ausência de consciência, ética e valores morais podem atingir níveis tão monstruosamente altos como neste atropelamento que aconteceu em Foshuan, China.




quarta-feira, 19 de outubro de 2011

há dois dias atrás


Há dois dias atrás celebrou-se o dia internacional para a erradicação da pobreza.
Foi instituído pela ONU a 22 de Dezembro de 1992 com o propósito de lembrar a comunidade internacional para este flagelo e é comemorado anualmente a 17 de Outubro.

Sou pouco crente neste dia. Acredito que não é feito tudo o que se pode fazer e o que é feito enferma de interesses financeiros e políticos escondidos.
Muito deles com origem na própria classe dirigente dos países mais afectados pela pobreza que absorve em seu proveito ou impede muita da ajuda humanitária enviada chegar aos seus destinos.

Por isso tinha decidido deixá-lo passar em branco. Mas entretanto dei de caras com esta imagem que reflecte muito bem o que eu penso sobre a natureza de boa parte dos esforços de erradicação da fome à escala global.



sábado, 15 de outubro de 2011

uma música para o fim de semana - Delfins


A Baia de Cascais foi para mim um lugar de transição e um lugar de renascimento. Um refúgio.
Foi um lugar onde muitas vezes restabeleci equilíbrios perdidos ao longo do dia, onde ponderava decisões com influência na minha vida, onde pedia desculpas a quem eram devidas e fazia perguntas cujas respostas ainda não conheço ou ainda tento adivinhar.

Nesses dias de deriva foram os pescadores da Baia de Cascais que me deram a conversa ligeira que queria ouvir, o Thor foi a companhia que necessitava e a Baia prateada por noites de luar trouxe a beleza que os meus olhos precisavam.

Depois de todas as decisões term sido tomadas e ter partido de Cascais para um outro sítio que possui muitas das características da Baia de Cascais, voltei lá um par de vezes.
Nesse regresso senti que já não precisava dela. Tal como dois amantes que por conveniência se ampararam mutuamente, sabendo no entanto que não estariam juntos para toda a vida.
A Baia das mil cores já tinha cumprido e bem a sua missão.

A Baia de Cascais dos Delfins é um tributo a esse local, a essa minha companheira de inquietações.



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

o belo do broche


Depois de elas explicarem aqui a arte de fazer um minete, Rui Unas esclarece a arte de fazer um bom broche.
É justo.
E se para elas só há 10% de abençoados que os sabem fazer, na opinião de Rui Unas também só 10% delas é que percebem do assunto, as tais que leram os livros da especialidade.
As restantes parecem que só só sabem abanar a cabeça e a acenar com a mão ;)