quarta-feira, 15 de setembro de 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

os Papas não são santos

Incubus - fonte Google Imagens

Os Papas não são santos

Neste artigo do ionline, desfilam uma grande variedade de crimes sexuais cometidos pelo diversos Papas ao longo da história da Igreja, que constam num livro do jornalista peruano Eric Frattini, chamado "Os Papas e o sexo".
Cada um é deles pior que o outro. É como consultar um catálogo de delitos sexuais. Como diria o povo: "venha o diabo e escolha". Incesto, violação, pedófilia e até zoofília, tudo já foi praticado. Inclusivamente Papas que são filhos de Papas(!).

A questão é que os Papas são homens não são santos. E enquanto tal, têm os defeitos e virtudes de qualquer homem.
O problema é que a Igreja Católica e eles próprios assumem-se como modelos, como norteadores de conduta moral e é aqui que falham redondamente e descredibilizam toda uma instituição. Aquilo que já é considerado como comportamento desviante num indíduo dito normal, é escandaloso quando se trata de um Papa.
Depois há ainda a questão do celibato imposto ao clérigo. O que mais uma vez é um enorme potencial factor de falhanço de conduta moral.
Não está natureza do Homem a ausência de estímulos sexuais, a privação de vida sexual, o seu recalcamento. O sexo é considerado uma necessidade básica, um necessidade primária reconhecida pela Organização Mundial de Saúde.
Seria curioso perceber quanto dos membros da Igreja que assumiram os votos de celibato, o fariam verdadeiramente se não fossem forçados a isso. E que alterações tal acto provocaria na sua vida e conduta religiosa.

Espiritualidade e corporativismo

A detenção do poder e da justiça espiritual, muitas vezes superior ao da dita terrena, o se situarem quase acima da justiça igualmente terrena, se movimentarem em esferas secretas e herméticas ao exterior, a alta influência que possuem perante os seus fieis e a capacidade de manipular espiritualmente e instalar temor nos seus crentes, é tentador e fácil para estes homens tornarem-se predadores sexuais.

Desde tempos mais ou menos recuados e tal como agora nos nossos dias, a Igreja tem castigado alguns destes crimes, ignorado muitos e protegido outros. Chegando até, segundo Frattini, ao cumulo de canonizar alguns destes Papas.
Compreende-se o corporativismo noutro tipo de actividades e classes profissionais. Mas não quando se pretende reger a espiritualidade dos Homens.
É uma atitude cínica, que tem perdurado desde sempre numa instituição que pretende e se assume como líder espiritual de milhões de católicos.

A credibilização

Creio que a Igreja falha naquilo que é mais natural, o que é mais óbvio.
Permitir que o clero, todo ele, seja aquilo que são: homens. Na sua plenitude.
Se assim fosse, tirando um ou outro pecado, um pouco mais terrenos e aceitáveis (ambição política e poder económico), a Igreja poderia ser vista efectivamente como uma instituição próxima dos Homens e mais próxima dos seus problemas.
Digna de ser ouvida, de ser seguida e admirada. Numa palavra, credível.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A Turquia e a Europa

A aproximação

A Turquia votou, este fim de semana, a favor em referendo, as 26 emendas na sua constituição que permitem fazer a aproximação à Europa e às suas exigências para a entrada na União Europeia. 
Entre elas constam a possibilidade de tribunais civis poderem julgar militares em crimes contra o estado, a promoção da igualdade entre sexos, proibição de discriminação contra crianças, deficientes e idosos, deixam de ser proibidos as greves de cariz político. 

A Turquia dá assim um passo significativo em direcção à Europa. 
Outros, terão ainda que ser dados nomeadamente a relação com o povo curdo e a difícil questão que opõe turcos e gregos no que diz respeito à ilha de Chipre.

Pratos de uma balança

Será curioso observar a reacção de Sarkozy (e de Merkl), um dos principais opositores à integração da Turquia na UE, e como este se irá comportar, ao longo dos próximos tempos, nesta aproximação à Europa por parte dos turcos. 

Será que a sua faceta xenófoba (caso recente da expulsão dos ciganos) e islamofóbica (ler aqui) predominará e continuará a pôr entraves à entrada da Turquia - país esmagadoramente islâmico - na Europa?
Ou será a faceta interesseira, cínica e economicista dominará, face à possibilidade de ele (enquanto um dos motores europeus) e a Europa passar a ter acesso ao petróleo do Mar Cáspio, via oleoduto Bakú - Ceyhan que cruza o território turco e que termina no Mediterrâneo?

Na prática, estamos a falar de um país com cerca de 75 milhões de habitantes, cujo peso político, económico, religioso e sem esquecer a sua posição geográfica, é capaz no médio e longo prazo, pôr em causa e desequilibrar para o seu lado, a hegemonia europeia do eixo franco-alemão.
E isto é algo que Sarkozy e Merkl não abdicarão com facilidade.

Opinião

Pessoalmente creio que a entrada da Turquia traria valor acrescentado à Europa. 
Traria mais História, culturas milenares, uma nova religião, colocava um novo continente, um fascinante mundo novo às "nossas" portas. Seria o outro lado do espelho.
Claro que há uma outra face. Traria igualmente novos problemas e riscos. A incompreensão e preconceitos de uma religião (o Islão) não entendida pela maior parte dos europeus - A UE é um clube esmagadoramente cristão e há quem lute para que assim se mantenha - e que está associada à violência, e potencialmente poderia trazer conflitos armados (povo curdo) para o interior das "nossas" fronteiras.

Mas seria um grande desafio para UE e simultaneamente uma grande lufada de ar fresco.