sábado, 29 de dezembro de 2012

uma música para o fim de semana - Bernardo Sasseti


Despeço-me de 2012 com a música de alguém que partiu este ano e que já aqui referi: Bernardo Sasseti.

Sinto a falta dele. Identifico-me com a sua música.
Gosto do lado meio arrastado, por vezes sombrio e repassada por solidão que ela contém. Muito intimista e sempre muito elegante.
Tal como a poesia de Fernando Pessoa, tenho com aquela sensação que as suas músicas foram compostas para mim, para a minha sala e para o meu sofá.

É uma música que tanto pode ser inquieta e angustiante como simultâneamente maravilhosa. O denso tema Noite composto para o filme Alice é para mim o exemplo máximo desta dualidade e pessoalmente talvez o tema mais bonito dele.
Poucos músicos como Bernardo Sasseti são capazes de tocar o silêncio como ele.

Para o último fim de semana de 2012, elejo Petit Pays do seu trabalho Livre, editado pela Cleanfeed em 2004. É um tema sereno e cristalino.

É fácil imaginar um pequeno e tímido ribeiro a passar tranquilamente pelas margens e fluindo pelas pedras. Sem grandes quedas, estrondos, barulhos ou salpicos.
Aquele tipo de ribeiro cuja água límpida nos convida a olhar sem ver. Aquele cantinho escondido, aquele segredo tão e só nosso a que voltamos quando precisamos de lavar a alma ou quando esta precisa de um tónico por se encontrar pesada e obscurecida pela vida.


Bom fim de semana e de caminho um feliz 2013  :)





quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Gerry Anderson (1929-2012)





Gerry Anderson morreu. E depois?? Perguntei eu para mim quando ouvi a notícia.
Esperei um pouco mais e fiquei triste.

Terá sido em Outubro de 1976, tinha eu uns inconscientes oito anos, estreava uma série que para mim se tornaria marcante e posteriormente deixaria montes de saudades e uma enorme vontade de a rever.
À noite nos dias dos episódios semanais antes de adormecer, muitas vezes pilotava aquelas naves. Alguns (muitos) anos mais tarde descobriria que a palavra certa para aquilo que gostava tanto era culto.

Mais uma vez, ao fim de bastante tempo e por me ter marcado tanto, percebi que dificilmente voltaria a ver se tivesse oportunidade.
Espaço 1999 deve ser visto apenas com os inocentes e crédulos olhos de oito aninhos. Mais do que isso e talvez a magia desapareça. A idade e a vida torna-nos mais analíticos e muito menos sonhadores.

Espaço 1999 teve duas temporadas, cada uma com vinte e quatro episódios. Delas retenho com nitidez, o genérico, as naves Águia, o comandante John Koenig e as belas Dra Helena Russell e Maya ,a extraterrestre do planeta Psychon que faz a sua aparição na segunda temporada.

Gerry Anderson, o senhor que morreu hoje e que nunca tinha ouvido falar dele foi o seu criador e realizador.
Nasceu em Londres a 12 de Abril de 1929 e começou a ganhar a vida como fotógrafo.
Entre 1964 e 1966 criou a série Thunderbirds, toda ela feita com marionetas e entre 1975 e 1977 criaria e produziria Espaço 1999.

Morreu com 83 anos e sofria de Alzheimer desde 1910, mas isso para mim é o menos.
Para mim, morreu o senhor que me fez descobrir o que era ficção científica, que me pôs a pilotar as naves Águia e a tentar mudar de forma no meio do meu quarto.



Tudo aconteceu quando a 13 de Setembro de 1999, a base lunar Alpha com os seus ocupantes foi projectada para fora de órbita devido a uma explosão nuclear causada pelos resíduos radioactivos acumulados na Terra...





sábado, 22 de dezembro de 2012

uma música para o fim de semana - Luísa Sobral


A 1 de Abril de 20011 surgia pela primeira vez de uma maneira muito incipiente a rubrica "uma música para o fim de semana".
A primeira sugestão foi Not There Yet de Luísa Sobral, uma das canções mais bonitas do seu álbum The Cherry on my Cake.
É senhora de uma das vozes mais peculiares da música portuguesa. Dela, gosto da sua voz quente e doce, do timbre de voz tão característico, quase infantil. Gosto da inocência e simplicidade das suas letras.

Numa cedência à época natalina, a sugestão para este fim de semana é uma das mais recentes composições de Luísa Sobral - que anda a preparar o sucessor The Cherry on My Cake - onde conta a história de como seria bom poder viajar no tempo e reviver a noite Natal. Bem ao seu estilo.


Na hora do final
a noite de Natal
apagam-se as luzes
vão todos dormir
mas o relógio não quer seguir

e mesmo no final
na noite de Natal
num só segundo
só de uma vez
sonhas viver o dia todo outra vez

E voltas à manhã de Natal
onde todos acordam
mais cedo que o normal
onde os pijamas são vestidos de gala
e os presentes estão espalhados
pela sala.

Quando chegas ao final
dessa noite de Natal
se pedires num desejo
contares até 3
verás que volta a ser Natal
mais uma vez.


Bom fim de semana e de caminho Bom Natal :)




se estás a ver isto é porque o mundo não acabou ontem ;)


E a NASA explica porquê (em inglês)...





sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Inverno






Velho, velho, velho
chegou o Inverno.

Vem de sobretudo
vem de cachecol, 
o chão por onde passa
parece um lençol.

Esqueceu as luvas
perto do fogão
quando as procurou
roubara-as o cão.

Com medo do frio
encostou-se a nós:
dei-lhe café quente,
senão perde a voz.

Velho, velho, velho
chegou o inverno.


Eugénio de Andrade


É hoje, é hoje! O mundo acaba hoje!


O vídeo é uma montagem de vários filmes. Cada um mais apocalíptico que o outro.
Vi-os quase todos e de todos eles o 2012 é o mais intragável.

Quanto à música, essa sim é do melhor. É dos REM. Grande Michael Stipes.

Bom fim do mundo :D





sábado, 15 de dezembro de 2012

uma música para o fim de semana - Ravi Shankar


Foi talvez em 87, eventualmente em 1988.
O bilhete era oferecido e tinham-me dito que devia aproveitar a oportunidade e fui.
O nome era razoavelmente desconhecido e a sua obra, essa, era totalmente desconhecida. De Ravi Shankar sabia apenas que era um músico indiano. Não sabia portanto ao que ia.

Não precisei de muito para perceber o porquê do conselho dado de aproveitar a oportunidade. As sonoridades, exóticas e etéreas que ouvi nesse concerto e oriundas de um instrumento que nunca tinha visto e ouvido, perduram na minha memória.
Ainda hoje quando oiço Ravi Shankar revisito mentalmente esse concerto.

Ravi Shankar nasceu a 7 de Abril de 1920, na mística cidade indiana Varanasi. Uma cidade que povoa o meu imaginário e um destino que forçosamente terei que um dia cumprir.

Nasceu pobre e aos cinco anos, seguindo o seu irmão, muda-se para Paris, onde se estreia como bailarino de danças populares e do folclore indiano.
Aos dezoito anos desiste da dança, estuda música clássica indiana e inicia-se no instrumento da sua vida: o sitar.

Há uma confusão usual entre sitar e citara. Ambos são instrumentos de cordas e dedilhados. 
Mas enquanto o sitar tem um braço onde as cordas são esticadas para além da caixa de ressonância, a cítara tem as cordas esticadas sobre a caixa de ressonância.

Em 1966 dá-se um outro marco na sua vida. George Harrison torna-se aluno de Shankar. E seria através deste beatle que o sitar faria a sua entrada na música ocidental.
Por causa deste encontro entre a música ocidental e a música oriental, neste caso indiana, George Harrison, apeladaria o músico indiano, o padrinho da "world music".

Ravi participou no mítico festival de Woodstock em 1969 e para além de George Harrison, colaboraria com o violinista Yehudi Menuhin e saxofonista John Coltrane.

O mestre indiano de sitar morreu na passada terça-feira, dia 11 de Dezembro, na Califórnia, América, bem longe da sua cidade natal e onde tantos indianos desejam morrer e passar os últimos dias da sua vida.

O seu legado na música está longe de se resumir enquanto músico de sitar. É pai das meias-irmãs Norah Jones, cantora de jazz e de Anoushka Shankar, também ela uma compositora e exímia tocadora de sitar e que acompanhou o pai em diversos concertos.
Actualmente Anoushka grava para a etiqueta alemã Deustche Grammophon.

No espaço de uma semana, após Dave Brubeck, Ravi Shankar foi a segunda lenda viva da música e ambos nascidos em 1920, a ser reclamado pela Sra do Manto Negro.
Por isso tal como a semana passada, "uma música para o fim de semana" tem uma edição especial dedicada ao famoso sitarista indiano.

Para esta semana escolho o concerto do Bangladesh de Ravi Shankar.
Um concerto de beneficiência, organizado por Ravi e George Harrison, a favor das vítimas do ciclone Bhola  de 1970 e da guerra civil de 1971 que assolou o Bangladesh.
O concerto foi dado a 1 de Agosto de 1971 e juntou cerca de 40 000 pessoas no Madison Square Garden em Nova Iorque.


Bom fim de semana :)




segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Dia Internacional dos Direitos de todos os Animais


Hoje comemora-se Dia Internacional dos Direitos Humanos e em simultâneo o Dia Internacional dos Direitos dos Animais.
Se pensarmos bem, hoje celebra-se os direitos de todos os animais. Animais humanos e não humanos.
E o objectivo deles é simples: defender e respeitar a vida de todos em todas as suas vertentes. Defender o bem estar, o conforto, o direito à protecção, ao carinho e à liberdade.

E em ambos direitos, eles são atropelados e desrespeitados pelos mesmos animais, os humanos.
E se no primeiro caso existem vozes que podem ser ouvidas, no segundo, há vozes que não se ouvem. Ou porque as não têm ou porque são escondidas, abafadas e desconhecidas de toda a gente.

Preocupamo-nos e bem com a destruição paulatina do Tibete pelos chineses, com a subalternização da mulher perante o homem, a maneira como a mulher é tratada pelos regimes fundamentalistas muçulmanos, a exploração de mão de obra infantil ou com a escravatura moderna.

Mas raramente, ou muitos poucos de nós nos preocupamos com as condições da vida de animais não humanos.
Não pensamos um animal é um ser vivo que sente, que sofre, que desejo abrigo e conforto. Sabe o que quer e procura o que lhe agrada e por sua vez recusa e evita o que o magoa ou assusta.
É uma vida, um ser que desenvolve relações e interage com o meio ambiente. Tem personalidade e uma psicologia própria. Senciência é a palavra chave.

Não respeitamos as suas vidas e muito menos a sua morte. Torturamos, exploramos as suas vidas a nosso bel prazer.
São animais que são privados das suas liberdades e dos seus meios ambientes naturais. São criados para nossa alimentação em quintas produção intensiva.
São alimentados a químicos, hormonas e antibióticos. Crescem anormalmente rápido e engordam desmesuradamente.
Aumentam tanto de peso que as suas pernas não suportam o seu peso. Estão em espaços tão confinados que as sua temperaturas aumentam e morrem. Sufocam. Vivem no meio dos seus excrementos.
Não vêm o sol, não sentem a terra debaixo das sua patas e os seus narizes não conhecem o outro odor senão o deles próprios e o de milhares de outros iguais a eles.

Galinhas não chegam a conseguir abrir as suas asas durante a sua vida, têm os seu bicos cortados com lâminas quentes para não se ferirem umas às outras de tão juntas que estão. A dor é excruciante.
Como muitos outros animais morrem de infecções das feridas que resultam da fricção uns contra os outros, contra jaulas, contras as gaiolas, contra tubos que lhes perfuram as gargantas para alimentação forçada.

São seres vivos abatidos cruelmente  De uma maneira atroz. São mortos à paulada, atirados contra o chão ou contra uma parede. São pontapeados. Ficam inconscientes, desmaiam e recuperam consciência e começam a ser cortados ainda vivos. Têm mortes lentas, agonizantes e dolorosas.

Mais uma vez, neste dia comemora-se em simultâneo o Dia mundial dos Direitos do Homem e o Dia Mundial dos Direitos dos Animais.
Para mim esta simultaneidade faz todo o sentido. O respeito e preservação da vida não humana é uma extensão lógica e inalienável da vida humana. A vida é una.

Li num texto a propósito deste dia que não deveria ser um dia de comemoração, mas sim um dia de luta.
E como escrevi no segundo parágrafo deste texto, neste dia penso particularmente nos que não têm voz ou cujas vozes não são ouvidas e nos que têm menos pessoas a defende-los.

Meet Your Meat, é um famoso documentário realizado por um activista dos direitos animais.
Filmou as condições em que os animais são criados, são maltratados, desrespeitados e as pavorosas mortes que sofrem.

O vídeo é violento. É mais confortável não ver. É uma fuga e uma recusa Mas não o ver acarreta um preço terrível. Torna o seu sofrimento anónimo. É como se nunca existisse ou tivesse acontecido. Torna-nos cúmplices daquilo que não queremos ver.

Não o ver, faz com que o pedaço de carne que está no nosso preço, seja um objecto, algo que aparece numa prateleira de um supermercado ou numa bancada de um talho e não um ser vivo que procurou e nunca encontrou o que nós desejamos, procuramos e reclamamos para nós próprios - conforto, carinho, protecção, respeito, abrigo.





série "estatísticas da vida" - XVIII








sábado, 8 de dezembro de 2012

uma música para o fim de semana - Dave Brubeck


Na passada quarta feira, 5 de Dezembro, quando faltava um dia para fazer 92 anos o pianista Dave Brubeck morreu.
Ironicamente ia caminho do cardiologista onde tinha uma consulta marcada quando foi vítima de um ataque cardíaco.

Para muitos este nome será desconhecido, mas para quem o conhece, sabe que se tratava de uma das maiores lendas vivas do jazz e considerado um dos músicos mais importantes após a segunda guerra mundial.

Nascido nos EUA, a 6 de Dezembro, Dave Brubeck, começaria cedo a ter lições de piano bem cedo, aos quatro anos, com a sua mãe. 
Com doze anos iniciou uma vida de cowboy, ajudando o seu pai na lide do gado quando a sua família mudou-se para um rancho. A sua ligação à música manter-se-ia através de actuações em bares locais.

Não se estranha portanto que inicialmente tenha escolhido a carreira de medicina veterinária. Mas o contacto constante que foi mantendo com o piano levou-o a mudar de ideias e a definitivamente enredar pela carreira musical e em particular pelo jazz após sugestão do compositor francês Darius Milhaud com quem estudou.

Entre as várias formações que Dave Brubeck liderou, incluindo um octeto onde conheceria Paul Desmond, foi o "Quarteto Clássico" de 1958 que mais se destacou e se manteve durante cerca de dez anos. Para a história seria o Dave Brubeck Quartet. 
Ele era formado por Dave Brubeck no piano, Paul Desmond no saxofone alto, Joe Morello na bateria e Eugene Wright no contrabaixo.
Seria com este quarteto que em 1959, seria editado um dos álbuns mais importantes e influentes do jazz - Time Out.

Alíás, o ano de 1959 é considerado por muitos como o ano mais importante do jazz. Parafraseando a Rainha Isabel II, chamam-lhe o "annus mirabilis" do jazz  
Nesse ano para além de Time Out de Brubeck, são lançados mais outras três obras tidas como fundamentais e marcantes da história do jazz - Kind of Blue de Miles Davis, Mingus Ah Um de Charles Mingus e The Shape of Jazz to Come de Ornette Coleman.

De Time Out, pensa-se logo em Take Five, o tema divertido e irreverente que imortalizou Dave Brubeck, apesar de ter sido composto por outro dos elementos do quarteto e também ele uma lenda, Paul Desmond.
É o saxofone de Paul Desmond e o solo de Joe Morello na bateria, as suas mãos parece que bailam, mais marcam este tema.

Em memória do extraordinário Dave Brubeck, "uma música para o fim de semana" terá uma edição especial. Take Five será a minha sugestão para este fim de semana. 
Mas não estará sozinha. Para a acompanhar vou buscar uma outra música também ela oriunda do Dave Brubeck Quartet. 
É porventura mais bonita que Take 5. Mais bela, mais reflexiva e introspectiva - In Your Own Way.


Bom fim de semana :)








sábado, 1 de dezembro de 2012

uma música para o fim de semana - Custódio Castelo


A morna é um género musical que não aprecio por aí além. Cesária Évora, a diva dos pés descalços, tornou a morna conhecida um pouco por todo o lado.
Sodade foi o tema que popularizou a cantora cabo-verdiana e simultâneamente a morna.

Custódio Castelo, um músico que vem do universo do fado, sabe e reconhece que há no fado e na morna uma raiz comum. 
Essencialmente acústicos, ambos os géneros cantam a tristeza, a saudade, a partida, o destino e a fatalidade.  São géneros melancólicos, quase lamentos musicais e vivenciais. Mas também ambos fazem da guitarra, o instrumento de eleição de Custódio Castelo, o seu principal suporte instrumental.

Com InVentus, o seu mais recente trabalho, um disco de homenagem às pessoas que cruzaram o seu percurso musical e aos quase 30 anos de ligação à música, há duas vozes que Custódio Castelo não esquece: Amália Rodrigues e Cesária Évora.

Para Cesária Évora, compôs "In Agradecimento Miss Morna". É um instrumental e como o nome diz é dedicado à morna e à sua musa. Mas com a presença da guitarra portuguesa de Custódio e do violino da russa Ianina Khmelik, a sonoridade típica da morna fica substancialmente enriquecida e com um suave aroma a fado sem no entanto perder a sua essência.

Pessoalmente encontro um outro ponto curioso neste tema. Sendo um instrumental, estou sempre à espera que entre uma voz e essa expectativa, que naturalmente e felizmente não é cumprida, ajuda-me a prender à música para este fim de semana, In Agradecimento Miss Morna, de Custódio Castelo.

Uma nota final. Jorge Fernando que já foi uma música para o fim de semana, aqui, entra nesta formação tocando uma guitarra clássica.


Bom fim de semana :)





quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Altamente!


Para os mais distraídos, é a versão canina da música do filme Starwars - Guerra das Estrelas  ;)





sábado, 24 de novembro de 2012

uma música para o fim de semana - Toranja


Já há algum tempo que andava para sugerir A Carta para o fim de semana.
Este tema surge em 2003 no primeiro - Esquissos - de dois álbuns que os Toranja, um projecto de música portuguesa que nasceu pela mão de Tiago Bettencourt, lançaram em 2003.
A vida dos Toranja seria breve. Em 2006 lançam o segundo e último álbum. Precisamente chamado segundo. No final desse mesmo ano os Toranja interrompem a sua carreira.

Na música para este fim de semana gosto da simplicidade da voz de Tiago Bettencourt, gosto da elegância da música, mas é a letra torna A Carta um clássico da música portuguesa.
E foi sempre por ela que esta canção me fascinou. Complexa, surreal e no entanto tão lógica e cheia de sentido.


Não falei contigo
Com medo que os montes e vales que me achas
Caíssem a teus pés
Acredito e entendo
Que a estabilidade lógica
De quem não quer explodir
Faça bem ao escudo que és

Saudade é o ar
Que vou sugando e aceitando
Como fruto de Verão
Jardins do teu beijo
Mas sinto que sabes,
Que sentes também num dia maior
Será trapézio sem rede
Pairar sobre o mundo
Em tudo o que vejo

É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou magro e feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
E nela te pinto nua
Nua, numa chama
Minha e tua


Bom fim de semana :)




sexta-feira, 23 de novembro de 2012

sábado, 17 de novembro de 2012

uma música para o fim de semana - Rui Veloso & Expensive Soul


Ambos são do norte (Porto e Leça da Palmeira) e ambos já passaram por aqui.
Ao primeiro chamam-lhe o pai do rock português e os segundos voltaram a colocar o soul português na ribalta nacional e democratizaram-no.
O veterano Rui Veloso e os recentes Expensive Soul juntaram-se e fizeram um duo.
Mr Dow Jones é uma sátira divertida e bem conseguida aos mercados financeiros, à globalização e ao consumismo.

O tema - ainda a cheirar a novo uma vez que foi lançado para as playlist das rádios no passado dia 12 de Outubro - faz da parte do novo álbum de Rui Veloso, um disco de duetos, a ser lançado no final deste mês - Rui Veloso e Amigos.
Para além dos Expensive Soul, Rui Veloso convidou Camané, Jorge Palma, Luís Represas e o muito saudoso Bernardo Sasseti. Com eles, o pai do rock português revisita 13 temas pouco conhecidos do público, uma espécie de conjunto de lados B da sua carreira.

Desta vez não é necessário escrever a letra de Mr Dow Jones.
Só faria uma alteração. Ia aos lamas do Tibete, tirava-lhes os Rolex dos pulsos e oferecia-lhes Omegas.
Rui, da próxima vez tens que falar comigo ;).


Bom fim de semana :)




terça-feira, 13 de novembro de 2012

Marcelo & Merkel


O Marcelo Rebelo de Sousa resolveu fazer um vídeo comparando a Alemanha com Portugal. 
Não está lá grande coisa.
Falta-lhe um pouco de imaginação na maneira como está dirigido e escrito, mas parece que deu para chatear a neo-imperialista da Merkel porque não esta autorizou a divulgação da habilidade marcelista na Alemanha.
Foi amiga ;)




sábado, 10 de novembro de 2012

uma música para o fim de semana - Fausto Bordalo Dias


Regressei há pouco dias de uma viagem que durante algumas semanas me levou para as paisagens andinas do Peru e da Bolívia.
Pelas montanhas da cordilheira dos Andes, uma espécie de coluna dorsal de toda a América do Sul, andei de bicicleta, andei a cavalo e andei pelo meu próprio pé.

Se há lugares onde pertenço, claramente a montanha é um deles. Entre elas sinto-me em casa. São lugares onde sinto e consigo encontrar paz tremenda. São lugares cuja beleza e força falam comigo num diálogo sem palavras.

Elas atraem-me.
Não apenas pela paisagem, não apenas pelo branco da neve, do verde das árvores, do azul ou cinzento dos céus, pelos reflexos dos lagos ou dos jogos entre a luz e as sombras.
Seduzem porque são envolventes. Porque são belas e elegantes.

Porque as montanhas são sábias e têm vontade própria. Umas vezes querem-nos lá, outras não. Por vezes fazem-se difíceis e testam a nossa vontade e determinação.
No meio delas descobrimos quem somos. Conhecemos os nossos limites. Trazem ao de cima o melhor e o pior de nós.

Se fossem mulheres seriam voluptuosas e de personalidade volátil. Seriam mulheres de mistério e de caprichos. Inconstantes, por vezes fatais.
Seriam capazes do maior dos carinhos e também da maior das rejeições. Seriam capazes de nos acariciar com a mais suaves e doce das brisas, como nos afastariam e cegariam sem dó nem piedade com ventos gritantes e ásperos.
Elas seriam dúvida mulheres difíceis. Por vezes conquistadas, mas nunca domadas.
Mas no entanto, sempre atraentes, sempre belas e elegantes.
Sempre fascinantes e sedutoras.


Por tudo isto quando pensei que música haveria de sugerir para o primeiro fim de semana do meu regresso, Fausto e seu último trabalho, lançado em 2011, Em Busca das Montanhas Azuis e o tema Fascínio e Sedução veio quase de imediato a cabeça.


E elas são muito luxuriosas
na sua lascívia
e muito se animam em gestos
por luxuriar 
e transluzem
na dança das pernas
pela arte das mãos
os olhos que brilham e fitam
de alto a baixo 
a questão




sábado, 13 de outubro de 2012

a Esteira está de partida


"Olha à tua volta, absorve o que vês. Fecha os olhos por uns segundos e inspira demorada e calmamente. Assim poderás sentir esse local nesse momento.
É um local que sempre me retirou a respiração, quando vejo fotos ou filmagens."


Foi o pedido feito por alguém quando soube que nas próximas semanas eu iria viajar para o Peru e logo iria estar em Machu Picchu.
Tenho este hábito na verdade. Quando estou em locais onde o tempo se acumulou ao tempo, locais que ainda hoje são marcas na história da Humanidade, locais onde mistério, a sedução, e a força de uma civilização ou cultura. Eu fecho os olhos e vejo esses marcos com de uma maneira que eles não vêm. Vejo-os com os olhos da alma.

Foi assim no Coliseu de Roma, na Grande Muralha da China, nas Pirâmides do Egipto, Stonhenge em Inglaterra, na antiga cidade maia de Tikal e será assim em Machu Picchu.

Daqui a uns dias terei um dos maiores símbolos dos Incas aos meu pés, terei a mesma visão que Hiram Bingham teve quando em 24 de Julho de 1911 descobriu a cidade Inca de Machu Picchu.


Hiram Bingham



Com a Bolívia mesmo ali ao lado, não perderei a oportunidade de me sentir esmagado pela imensidão branca e salgada do Salar de Uyuni e de sentir verdadeiramente e literalmente na pele por um par de horas o que é ser mineiro.

Potosi igualmente na Bolívia é famosa pelas suas minas de prata. Ainda hoje há mineiros que lá trabalham em condições sub-humanas, por falta de alternativas na zona.

Se em Potosi são as minas que dominam a cidade, na capital, La Paz, é claramente o Mercado das Bruxas.

É uma viagem que promete.
Até daqui a umas semanas :)



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

as preferidas dos portugueses


O jornal Expresso divulgou durante quatro semanas (terminou no passado dia 5 de Outubro) um exaustivo estudo da vida e comportamento sexual dos portugueses.

Em cem perguntas abordou diversos temas da sexualidade. Desde a iniciação da vida sexual, a frequência ou a orientação até à duração dos preliminares e das relações sexuais, passando pelas fantasias e fidelidade conjugal.

Sexo a três parece ser a fantasia mais desejada por ambos sexos. Cerca de 19% para eles e 6.4% para elas.
No que respeita a doenças sexualmente transmissíveis, os parasitas púbicos, vulgo chatos, é a mais frequente com cerca de um quarto das respostas. Logo a seguir e próximo, 22%, aparece herpes.

Para cerca de 26.5% dos portugueses uma relação sexual dura cerca de 11 a 20 minutos.

Ao que parece, ser do Sporting não ajuda à festa, ser político de direita ainda menos. Os mais lascivos parecem ser os algarvios e quanto a fumar e beber parece que até dá mais pica.

No que respeita a posições o Missionário é rei.




daqui

sábado, 6 de outubro de 2012

uma música para o fim de semana - Doismileoito


Nasceram em 2005 no interior de uma cave húmida na Maia, viram o seu primeiro ser álbum editado em 2009 mas chamam-se Doismileoito.

E porquê? Porque quando decidiram o nome, este começou por ser 2008. Mas depois repararam que quando divulgavam os concertos nos cartazes, o seu nome era frequentemente confundido com a data.

Chegaram a considerar outras formas de escrita. Com e sem traços, com e sem espaços, mas depois decidiram pelo nome actual, sem espaços, porque acharam piada à fonética do nome e à maneira como aparecia escrito.

Devido ao sucesso do seu primeiro trabalho, dois anos depois, em Setembro de 2011 surge o segundo álbum de originais, Pés Frios, e Quinta-feira foi o tema escolhido para o lançar.


Quinta feira liguei
Convidei-te e o ok
Que ouvi
Soou-me a uma 
Canção assim, sim, sim, sim

Tu chegaste e eu pensei
Em fugir mas gelei
E fiz cara de mau
E não disse nada do que ensaiei

Se ao teu lado eu engasgo é para o teu bem
Pois se eu dissesse o que eu acho... bem...
O que eu tinha por não mentir
Era um estalo e um "deixa-me em paz"


Grande farra! Os velhotes devem ter curtido fazer o vídeo.
O Outono da vida não tem que ser a queda da folha ;)


Bom fim de semana :)





quinta-feira, 4 de outubro de 2012

dia mundial dos Animais


É  um dia dedicado...

... a todos os animais que nos amam incondicionalmente e a quem nós animais humanos fizemos uma promessa de carinho, do conforto de um lar e que unilateralmente lhes quebrámos essa promessa, abandonando-os à sua sorte, sozinhos, mal tratados e sem protecção.

...a todos os touros que sofrem dolorosamente com a sua carne rasgada por bandarilhas, fracos por perdas de sangue, confundidos por volteios de capas, acossados e desesperados que querem e desejam fugir, mas que não conseguem porque friamente lhes retiram essa possibilidade numa arena impiedosamente redonda e fechada.

... a todos os touros, cavalos, cães, galos e outros animais que impotentes e angustiados, sentem e pressentem a sua morte e sofrimento em arenas de sangue, para gáudio de selvagens sanguinários.

... a todos os animais que estão privados e desalojados dos seus espaços naturais, que viram as suas personalidades quebradas e domadas, que se encontram enjaulados e manietados, algures num circo ou num jardim zoológico.

... a todos os animais que "vivem" em quintas de criação intensiva,  que sacrificam as suas vidas em prol da nossa, que são servidos à nossa mesa em pratos de restaurantes ou embalados e colocados em prateleiras de supermercados, como se eles crescessem e estivessem sempre lá e que são mal tratados e desrespeitados através de todo o processo que os leva a esse derradeiro sacrifício.

... a todos os animais que são alvos de experiências e sofrem anonimamente horrores em laboratórios, para que possamos ter um medicamento mais eficaz ou um cosmético que celebre a vaidade humana.

... a todos os animais que são chacinados e torturados, vítimas do preconceito, da superstição e crendices ou ainda porque viram o seu habitat ser invadido e destruído pela espécie humana que anteriormente não estava lá.


E finalmente é um dia dedicado...

... a quem faz das suas vidas, uma luta para melhorar as vidas dos animais que não foram amados da mesma maneira que nos amaram.

... a quem vê nos direitos animais uma extensão lógica e merecida dos direitos humanos.

... a todos os que amam, cuidam e protegem os seus companheiros de vida.






sábado, 29 de setembro de 2012

uma música para o fim de semana - Sebastião Antunes


Sinais dos novos tempos que a música tradicional portuguesa atravessa. 
A Canção da Burra é o tema de lançamento do álbum Com um Abraço de Sebastião Antunes.
Um músico português que criou os Quadrilha em 1991, movimenta-se nos terrenos da música popular e tradicional portuguesa, mas que vai buscar inspiração à música celta e ao norte de África.

Com a participação dos Galandum Galandaina, uma banda que se movimenta na também na música tradicional de portuguesa mas com origem mirandesa, A cantiga da Burra tem ritmos populares, fáceis de seguir com uma letra também ela a condizer com os arranjos musicais e ainda encontramos uns laivos de electrónica.

Conta a história de uma prenda que não ia correndo lá muito bem.
Simples, eficaz e muito divertida.


Bom fim de semana :)


Deram-me uma burra
Que era mansa era brava

Toda bem parecida
Mas a burra não andava
A burra não andava
Nem prá frente nem prá trás
Muito lhe ralhava
Mas eu não era capaz
Eu não era capaz
De fazer a burra andar
Passava do meio dia
E eu a desesperar
E eu a desesperar
Ai que desespero meu 
Falhei-lhe no burrico
E a burra até correu





segunda-feira, 24 de setembro de 2012

sábado, 22 de setembro de 2012

Outono, esperei um ano inteiro por ti


Para muitos é o fim do calor, o início das sombras, dos dias tristes, das noites frias e longas, o pré-anúncio do Inverno.
Longe disso!


Eu vejo o Outono como a estação das cores quentes e suaves. 
É a estação dos laranjas, dos vermelhos, dos castanhos e dos amarelos.
É quando a natureza acorda, espreguiça-se e solta-se do torpor e abrandamento que a canícula do verão impõe.
É quando o colorido da queda das folhas esconde o cinzento do alcatrão das ruas e estradas e a monotonia das colinas forradas por folhas verdes é substituída pelas esplendorosas cores outonais das mesmas folhas. 
A luz do dia é mais bonita e suave, as neblinas são mais frequentes e conferem tons de mistério às cidades, aos parques, aos edifícios. 


Eu vejo o Outono como a estação dos sentidos. 
O aroma a terra - o melhor perfume do mundo! - que se liberta, quando as primeiras chuvas caem e arrastam as poeiras suspensas no ar para o chão, o cheiro das castanhas assadas, quentes a saírem dos assadores ou então as nuvens de vapores carregados do aroma de erva doce que nos inunda mo nariz quando destapamos a tampa de uma panela de pressão onde elas foram cozidas.
É altura do aroma a mofo que a roupa solta quando sai da escuridão prolongada das gavetas onde estiveram escondidas e fechadas durante vários meses e nos diz que uma nova estação chegou.

São os fabulosos sons do restolhar das folhas caídas no chão quando são pisadas, os sons da chuva que cai nos vidros da nossa casa e o estalar dos troncos que ardem na lareira. 
As cascatas começam a cantar alegremente as suas melodias nas encostas montanhas e os rios vão acordando da sua entediante secura.
Redescobrem-se sabores que se comem à dentada. As maçãs redondas, a pêra alongada, os elegantes cachos de uva, as castanhas que cabem na palma da mão, as pesadas abóboras e as laranjas e tangerinas de gomos bem desenhados e finos. Delícia!


Eu vejo o Outono como a estação da libertação.
Libertamo-nos do calor sufocante que faz colar a roupa à pele húmida, do cansaço que nos assola e torna os nosso passos pesados e lentos,
Libertamo-nos da tirania dos ares condicionados, libertamo-nos das noites mal dormidas, dos interiores tórridos dos carros estacionados ao sol,
Libertamo-nos dos óculos escuros que nos protegem do brilho agressivo da luz veranil e as praias reganham a sua quietude e sossego e o mar canta só para nós.


Outono é poesia e música. Celebram-se as colheitas. É confortável e aconchegante. É a preparação para o Inverno. É a calmia antes da tempestade. É a melhor estação de todas.

Ele chegou hoje. Estava a ver que nunca mais vinhas. Esperei um ano inteiro por ti Outono. :)))





uma música para o fim de semana - Jorge Fernando


Desespero atraiu-me logo da primeira vez que a ouvi. 
Atraiu-me a complexidade da letra, a elegante economia das notas da sua música e acima de tudo, por dar primazia a aquilo que mais define uma canção, a voz. Ou mais particularmente, as vozes.

É um fado. Sofisticado de sonoridade muito rica e invulgar, que incorpora em si outros géneros musicais. Um fado que soube dar um passo em frente, que quebrou estereótipos e soube escapar ao lado fácil, ligeiro e comercial que caracteriza o fado que se ouve nas rádios.

João Fernando é nome e voz consagrada no meio musical do fado. Autor e compositor, trabalhou vários anos lado a lado com Amália Rodrigues. 
Lançou no passado 10 de Setembro o seu trabalho mais recente Chamam-lhe Fado, onde se encontra o tema Desespero que lança o álbum.
Vai estar em concerto nos dias 5 e 6 de Outubro, respectivamente no Coliseu de Lisboa e Porto.

Desespero talvez seja uma das músicas em língua portuguesa mais interessantes que foram aparecendo por aqui, nos fins de semana da Esteira.

Embarquem na extraordinária letra e depois deixem-se ser guiados pelas grandes e bem distintas vozes de João Fernando, Virgul e Dino D'Santiago.


Desespero
O mar turva-se aos meus olhos 
porque o céu amua com a terra e entristece.

Desespero
Roça a minha fantasia
a língua da serpente e o meu céu não amanhece.

Rasga a sede do meu sonho 
toma-me em teus braços nos instantes do delírio.
Rasga o ventre do teu dono 
com a sinfonia nos compassos do martírio.

Salva-me, amor salva-me.
Estrela sensual que o meu céu seduz.
Amor salva-me, vem e salva-me.

Olhar tropical
que ao meu olhar dá luz.


Bom fim de semana :)




quarta-feira, 19 de setembro de 2012

ao meu dono


Olá Dono :)

Faz hoje um ano que parti :(. Foi muito difícil para ti mas fizeste bem deixares-me ir. Aquela coisa feia eu que tinha dentro do meu focinho não me deixava respirar e não me deixava dormir. Dormia e respirava muito mal e muitas vezes só melhorava quando estavas comigo.
Já andava muito cansado e era para mim difícil levantar e andar. Além que já estava surdo e já não ouvia a tua voz.
Passei quinze anos ao teu lado :))).

Agora estou num sítio muito bonito, o Céu dos Cães. Tenho grandes prados para correr, erva para comer e cheirar, muitas árvores para alçar a minha pata, paus para agarrar e montes de gatos e outros cães para brincar.
Ah, e também tenho bué de bolas de todos os tamanhos e feitios para correr e saltar atrás delas. Algumas têm apitos. Tão fixeeeee!!!

Sabes, encontrei um menino que há muitos anos não via e com quem gosto muito de brincar. Não pára quieto :))). Às vezes eu quero dormir e ele está sempre acordar-me para brincar tal como tu fazias quando eu era cachorro. Também encontrei o avô Joaquim e a avó Bé.
Ainda continuam a dar muitos mimos, "bifes" e faço-lhes muitas festas.
Eu tomo conta deles e eles de mim. Estamos todos juntos.


Sei que muita vezes pensas em coisas que me fizeste. Quando perdias a paciência comigo, quando me ralhavas e te zangavas comigo, ou ainda quando me davas comer que eu não gostava e eu me fazia difícil para comer.
Não te preocupes com isso dono, não estou chateado ou aborrecido contigo por essas pequenas coisas. O meu coraçãozinho de cão não sabe o que essas coisas. Isso de estar chateado contigo não existe.
Para mim o que importava eram as tuas festas, poder estar ao teu lado, brincar contigo, abanar a cauda quando chegavas e ajudar-te a passar os momentos maus que de vez em quando tinhas.


Gostei de ver o teu rosto enquanto e sentir a tua mão no meu focinho, no meu último dia contigo enquanto os meu olhinhos se fechavam e o meu coração parava suavemente.
Agradeço-te tudo quanto me deste e quanto fizeste por mim. Teres estado sempre ao meu lado.

Hoje sentes ainda mais a minha falta e estás muito triste por não estar aí contigo. Não fiques dono, estou num sítio bonito e sem tu saberes, sem tu veres, eu  vou muitas até aí para ver como tu estás e saber se estás a portar bem.

Mando-te uma fotografia de nós dois. Estava muito feliz aqui, eu estava com o meu dono. A pessoa que eu mais gostava no mundo.




Auf, auf
Thor


sábado, 15 de setembro de 2012

uma música para o fim de semana - Gaiteiros de Lisboa


Se o que caracteriza uma canção de intervenção é o seu cariz claramente popular, a subtileza da letra e a mensagem escondida por entre segundas intenções, então Avejão dos Gaiteiros de Lisboa é tudo isto.

Os Gaiteiros de Lisboa já existem desde 1991, mas o seu primeiro álbum, Invasões Bárbaras, só viu a luz do dia em 1995. Dezassete anos depois lançaram em junho deste ano, o sexto trabalho do grupo, Avis Rara de onde é retirado a música para este fim de semana, Avejão.

São irreverentes quer nas músicas, quer nas letras. São senhores de uma sonoridade muito distinta, fruto dos instrumentos que tocam. Muitos deles inventados ou reinventados pelo próprios Gaiteiros, artesãos da sua música.

No dia em que a população sai à rua para manifestar o descontentamento contra troika e contra as novas medidas de austeridade desse grande passarão que é o Passos Coelho e seus acólitos, esta canção, uma sátira ornitológica ao poder que nos governa, vem com bom timing.
Atenção à parte final do tema onde é descrito o desfile das aves de rapina, os esquadrões falcão e abutre.

E como Carlos Guerreiro termina - Qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência.

Avejão está em registo ao vivo - participação dos Gaiteiros de Lisboa no Festival de Música Intermunicipal de Músicas do Mundo (Festim) - mas na versão original este tema conta com as vozes de Sérgio Godinho, um colaborador regular dos Gaiteiros de Lisboa e de Armando Carvalhêda que na versão ao vivo não surgem.


No reino das trepadoras,
o papagaio é senhor.
Mesmo até sem saber ler, 
qualquer papagaio é doutor

Voar mais alto que os outros,
esse era o sonho do galo.
Roubar as asas ao Pégaso
e voar como um cavalo.

Mas o galo de ser galo,
é ter o chão junto à barriga.
Para chegar ao poleiro, 
tem que usar muita intriga

No reino dos voadores, 
impera a grande anarquia.
A barata voadora,
já tem lugar de chefia.

A passarada oprimida, 
só deseja que isso mude.
Mas as aves de rapina, 
cada vez têm mais saúde.


Bom fim de semana  :)






Por curiosidade fui ver o significado da palavra avejão
Pelo que encontrei, pode significar um homem alto, corpulento e feio ou ser o aumentativo de ave e também pode significar uma visão ou um fantasma.


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

catvertising


A divulgação dos negócios naturalmente sempre passou pela publicidade, mas agora parece que cada vez mais também passa pelos...gatos.

Cats rule ;)




terça-feira, 11 de setembro de 2012

11 anos - os cães do 9/11


A propósito dos ataques do 9 de Setembro de 2001 muito se falou e escreveu sobre o heroísmo das pessoas que estavam na altura nas torres do World Trade Center.

Falou-se dos bombeiros, falou-se dos polícias, dos voluntários, das pessoas anónimas.
Mas pouco se fala e menos se conhece sobre os cerca de 100 cães que trabalharam no Ground Zero.


Moxie, 13 anos


Estes cães e respectivos companheiros foram os primeiros a chegar ao local. Eram cães de busca e salvamento na tentativa, quase sempre vã, de encontrar sobreviventes nos escombros das torres após o seu colapso.


Tuff


Tal como os seres humanos que trabalharam nos primeiros dias, também eles sofreram com o ar quase irrespirável e contaminado do local, tendo desenvolvido problemas respiratórios e igualmente feriram-se nos detritos das torres gémeas.

E também eles trabalharam muito e descansaram pouco.

Não só fizeram buscas como reconfortaram quem lá estava, de uma maneira que só os cães sabem fazer.


Bretagne


Incrivelmente os cães de busca e salvamento estão sujeitos à depressão.
Quando estão muito tempo sem encontrar sobreviventes ou apenas encontram mortos, eles ficam deprimidos.
Têm que ser retirados do local e acarinhados. É necessário brincar com eles para poderem relaxar e descomprimir. Depois disto ficam aptos a voltarem às buscas.
Alguns dos cães estiveram em acção no terreno quase duas semanas consecutivas.


Guiness, 15 anos

Charlotte Dumas é uma fotógrafa holandesa, conhecida pelas suas fotografias de animais e particularmente de cães.
Ao ter uma ideia para um projecto, fotografar cães militares na reforma, recordou-se que podia fazer um projecto semelhante com os cães que participaram nas buscas dos ataques às torres do WTC no 11 de Setembro.


Tara, 16 anos


Descobriu que dos cerca de 100 cães que estiveram no Ground Zero, apenas 15 estavam ainda vivos. Quando iniciou este seu trabalho, três viriam a morrer antes de os fotografar.

Todos eles estão envelhecidos, contudo os seus focinhos são nobres e meigos. Alguns continuam com os seus companheiros de sempre, outros têm donos diferentes, mas todos são bem tratados.


Red, 11 anos


Com as fotografias dos cães sobreviventes, Charlotte pretende prestar homenagem e mostrar ao mundo a importância e o papel decisivo que estes animais tiveram nas buscas e salvamento nas Torres do World Trade Center, assim como em outros locais atingidos por catástrofes, sejam elas naturais ou não.

Este projecto fotográfico que Charlotte desenvolveu foi por ocasião da passagem dos dez anos dos ataques terroristas do 11 de Setembro.


Bretagne, descansando com a sua companheira de busca


Cães de busca e salvamento no Ground Zero



Mais fotografias dos cães do 9/11 aqui.