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sábado, 6 de abril de 2013

uma música para o fim de semana - Sebastião Antunes


É um regresso e em sentido contrário. 
Sebastião Antunes e a Quadrilha já tinham passado pela Esteira com a Cantiga da Burra aqui.

E se a Cantiga da Burra é de cariz nitidamente popular, tradicional e extrovertida, quer na letra quer nos arranjos musicais e a colaboração dos mirandeses Galandum Galundaina só reforçava ainda mais essa tradicionalidade portuguesa, o tema deste fim de semana cai quase no lado oposto.

Quando a Noite Já ia Serena - pertence ao álbum Com um abraço - é uma balada, com um forte pendor intimista e pessoal. E tal como a anterior música de Sebastião Antunes também aqui a participação da voz do caboverdiano Tito Paris reforça esse toque de introversão.

É difícil não nos identificarmos com a música para este fim de semana. Ela é sobre histórias e segredos que habitam em nós. Histórias que ficaram suspensas ou que acabaram cedo de mais, por vezes mal chegando a começar. Que não queremos que vejam a luz e a cor dos dias porque doem, porque ardem, queimam e são amargas. Todos nós temos histórias assim.
Mas no fundo ainda bem que elas existem. Pior que elas existirem, era talvez nunca terem existido.


Bom fim de semana :)





Tinha uma história que nunca contava, 
trazia um quarto fechado no olhar,
E uma viagem que planeava, 
mas não começava para nunca acabar.

Tinha um sorriso guardado em segredo,
mas não sorria para não o contar, 
tinha uma chave que fechava o medo,
nalgum arvoredo onde não queria entrar.

E quando a noite já ia serena,
disse-me a frase mais terna que ouvi:
Valeu a pena. Mesmo que o fim da história seja aqui.

E quando a noite já ia serena
disse-me a frase mais terna que ouvi:
Valeu a pena. Mesmo que o fim da história seja aqui.

Tinha uma nuvem da cor do mistério,
tinha palavras da cor do saber, 
tinha vontades de brincar a sério, 
mudar de hemisfério para não se perder.

Tinha lembrança da cor do poente, 
tinha o poente inteiro no falar, 
guardava o sol no esconderijo ardente,
tão quente, tão quente, já quase queimar.

E quando a noite já ia serena
disse-me a frase mais terna que ouvi:
Valeu a pena. Mesmo que o fim da história seja aqui.

E quando a noite já ia serena
disse-me a frase mais terna que ouvi:
Valeu a pena. Mesmo que o fim da história seja aqui.

Trazia a paz de uma dor que se apaga, 
e um calor que se quer apagar, 
como quem grita do alto da fraga,
que a vida nos traga distância para andar.

Deixou correr o licor dos sentidos, 
até que o dia nos veio acordar,
de mãos trocadas, de braços caídos,
achados perdidos.

Veio a manhã levezinha e serena, 
cantar-me a frase mais terna que ouvi: 
Valeu a pena. Mesmo que o fim da história seja aqui.

Veio a manhã levezinha e serena, 
cantar-me a frase mais terna que ouvi:
Valeu a pena. Mesmo que o fim da história seja aqui.

Valeu a pena. Mesmo que o fim da história seja aqui.



sábado, 29 de setembro de 2012

uma música para o fim de semana - Sebastião Antunes


Sinais dos novos tempos que a música tradicional portuguesa atravessa. 
A Canção da Burra é o tema de lançamento do álbum Com um Abraço de Sebastião Antunes.
Um músico português que criou os Quadrilha em 1991, movimenta-se nos terrenos da música popular e tradicional portuguesa, mas que vai buscar inspiração à música celta e ao norte de África.

Com a participação dos Galandum Galandaina, uma banda que se movimenta na também na música tradicional de portuguesa mas com origem mirandesa, A cantiga da Burra tem ritmos populares, fáceis de seguir com uma letra também ela a condizer com os arranjos musicais e ainda encontramos uns laivos de electrónica.

Conta a história de uma prenda que não ia correndo lá muito bem.
Simples, eficaz e muito divertida.


Bom fim de semana :)


Deram-me uma burra
Que era mansa era brava

Toda bem parecida
Mas a burra não andava
A burra não andava
Nem prá frente nem prá trás
Muito lhe ralhava
Mas eu não era capaz
Eu não era capaz
De fazer a burra andar
Passava do meio dia
E eu a desesperar
E eu a desesperar
Ai que desespero meu 
Falhei-lhe no burrico
E a burra até correu