sábado, 5 de novembro de 2011

uma música para o fim de semana - Sétima Legião



A Sétima Legião nasce em 1982, a partir de três amigos - Rodrigo Leão, Pedro Oliveira e Nuno Cruz - que decidem juntar-se e criar uma banda com sonoridades diferentes do rock que abundava na altura em Portugal. 
Para além das tradicionais teclas, baixo e bateria, eles juntariam pouco depois da sua formação, flautas, gaita de foles e um violoncelo, criando uma sonoridade de cariz muito medieval e celta.
É esta sonoridade, ainda hoje única, que tanto me atrai na Sétima Legião.
Eles vão buscar o nome da banda ao tempo do passado romano ibérico, ano 69 AC, altura em que a sétima legião romana Gemina Felix estava estacionada na província Tarraconensis, na actual cidade de Leon.

Três anos depois da fundação da Sétima Legião, Rodrigo Leão e Pedro Ayres de Magalhães dariam origem ao projecto extraordinário da música portuguesa onde pontificaria a voz de Teresa Salgueiro, os Madredeus.

A Luz não é a minha canção preferida da Sétima Legião - essa é definitivamente esta - mas é claramente uma das que mais gosto de ouvir.
É um dos dois inéditos (o outro é a Promessa) que surge no álbum de compilações de 1983 a 2000 - História da Sétima Legião.




quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Laika


Diz-se que o cão é o melhor amigo do homem, mas há 54 anos a cadela soviética Laika - cujo nome significa ladrar - uma cadela abandonada nas ruas de Moscovo, ao dar a sua vida pela exploração espacial, mostrava que além do homem, o cão é o melhor amigo da Humanidade.

A 3 de Novembro de 1957, ela subia a bordo do Sputnik 2, tornando-se o primeiro ser vivo a partir para o espaço.
Já se sabia que ela não voltaria viva da sua missão. Estava previsto que ela seria eutanasiada através de ingestão de comida envenenada ou através de uma injecção letal.
No entanto Laika encontraria a sua morte em condições muito mais cruéis. Ela terá morrido de pânico causado pelo stress e de sobreaquecimento por avaria do sistemas térmicos da cápsula, entre 5 a 7 horas depois do lançamento do Sputnik 2.

Foi através de Laika, da violência dos treinos a que foi submetida e das condições da sua morte que se colocou pela primeira vez em causa o tratamento e o uso de animais em condições laboratoriais.

Um agradecimento meu e uma festinha na tua cabeça, Laika. E um biscoito, claro.:)



vox populi, vox dei


A Europa e os mercados financeiros estão em pânico com a recente decisão da Grécia em referendar o segundo pacote de ajuda a este país.

Toda a classe política em matéria de Europa, dita democrata, não tem primado pela democracia.
Sempre assumiram, diria cinicamente, que os seus povos não tinham capacidade de entender o que estava em causa.

Por exemplo o Tratado de Lisboa não foi referendado em Portugal nem no resto da Europa, creio que só a Irlanda o fez.
Foi ratificado pelos respectivos parlamentos nacionais, com base no argumento que o documento era demasiado complexo para ser entendido pelos europeus. As tentativas de esclarecimento por parte dos governos envolvidos neste documento foram escassas ou mesmo inexistentes.

Quase todos nós, portugueses, não temos noções claras ou informação suficiente sobre o que se passa, que implicações têm na nossa vida decisões que são tomadas algures num parlamento europeu.
Uma entidade meio obscura, burocrata e teocrata, situada em Bruxelas que de cinco em cinco anos os europeus são chamados a eleger.
E a participação democrática dos povos na União Europeia começa e acaba aqui. É pouco, muito pouco.
Por isso a indiferença e afastamento, visível através das taxas de abstenção, dos europeus à democracia da Europa é cada vez maior.

A rejeição grega (mais do que provável) em referendo do novo pacote de ajuda, vai certamente fazer cair a Grécia e ferir de morte o euro e a própria União Europeia.
Portugal e a Irlanda, países sob ajuda financeira serão os seguintes a cair e atrás deles virá a Espanha, Itália, Bélgica, a França (o fantoche da Alemanha) e a própria Alemanha (o gigante com pés de barro) tremerão também e eventualmente cairão.

Muitos dirão que tal importância não deveria ser colocada nas mãos do povo grego. Tenho algumas dúvidas sobre isto.
Foi enquanto esteve nas mão dos políticos gregos que o caos se instalou e posteriormente foi nas mãos gananciosas, pretensamente salvadoras e solidárias, de políticos e financeiros europeus e americanos que ele aumentou e alastrou.

Porque não ouvir povo grego e deixar que este decida sobre o que fazer com ele?
Porque não a Grécia que está desesperada, quase ingovernável, que foi esmagada e encostada entre a espada e a parede não há-de decidir por vontade própria, que lado escolher, para que lado vai cair?
Porque não, nesta altura em que este país tem muito pouco a perder, não permitir aos gregos recuperar a sua soberania?

Foi nisto que Papandreou pensou e decidiu, dar voz e poder ao povo grego e foi isto que os mercados financeiros e a Europa - entenda-se Angela Merkel e a sua marioneta Sarkozy - não estavam à espera do país onde a democracia nasceu: da democracia.


terça-feira, 1 de novembro de 2011

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

hoje somos 7 000 000 000


Apesar de alguns demógrafos apontarem que em Abril de 2012 é que tal acontecerá, outros afirmam que este nº já se atingiu. O facto é que segundo a previsão da ONU será neste segunda feira que nasce a pessoa nº 7 000 000 000, ou seja, a partir de hoje seremos sete mil milhões de pessoas em cima do terceiro calhau a contar do sol.

Este crescimento tem consequências nefastas. A pressão demográfica está a atingir o limite do que o nosso planeta consegue sustentar. Os recursos naturais estão a esgotar-se rapidamente e cada vez mais depressa.
Em Setembro de 2009 a população humana esgotou todos os recursos naturais - uma espécie de orçamento ecológico - que o planeta tinha para oferecer até ao final desse ano.
Este ano, 2011, a mesma situação ocorreu um mês antes, em Agosto.
Ou seja, neste momento estamos já a consumir recursos do próximo ano. É um empréstimo de quatro meses de recursos naturais ao planeta Terra do qual aparentemente não pagamos juros, mas cujas consequências e custos no médio/ longo prazo serão muito sérias.

Os efeitos da pressão demográfica sobre os recursos naturais do planeta são devastadores. A lista é longa e negra. Comum a todas a elas é a velocidade a que estão acontecer e a cada vez mais presente sensação da sua irreversibilidade.

O nº de espécies ameaçadas de extinção ou mesmo extintas e a respectiva perda de biodiversidade estão a acelerar por redução ou alteração de habitats e ecossistemas, a erosão dos solos por excesso de cultivo, excesso de mineração, desertificação, desflorestação e desmatação, poluição industrial, aumento exponencial do lixo urbano, alterações climáticas que estão a acontecer a uma velocidade maior do que era pensado e até compreendido, introdução de pesticidas e fungicidas nos solos e na cadeia alimentar, êxodo rural  com o abandono das zonas rurais em favor da zonas litorais aumentando ainda mais a pressão urbanística destas últimas.

Há quem advogue que a população deveria diminuir para garantir a sustentabilidade do planeta, mas a previsão da ONU é que no ano 2030 a Índia ultrapasse a China em população e em 2100 a população global deverá ter duplicado, atingindo qualquer coisa como cerca de 15 000 000 000 de seres humanos à face da Terra.
Nem imagino qual a velocidade de esgotamento dos recursos naturais nessa altura e em que mês (ou ano) será consumido o orçamento ecológico anual que a Terra nos proporciona.
Mas certamente será um número assustador e um problema planetário para resolver. E garantidamente será tarde demais se ele não começar a ser seriamente (e globalmente) abordado por nós agora.





domingo, 30 de outubro de 2011

compra de fim de semana - Miles Davis





Birth of the Cool (1949), de Miles Davis é um marco na história do jazz. Surge como contraponto ao jazz que vingava que nesta altura: o bebop. Caracterizado por ter um ritmo frenético, solos rápidos e agilidade de execução. É tocado tipicamente por pequenos grupos como trios e quartetos.

O cool jazz apesar das suas raízes virem do bebop, é mais introspectivo, mais calmo e simples, talvez até mais melancólico em determinados momentos. Tem menos notas e estas são mais sustentadas. 
As bandas crescem e são os quintetos e sextetos que dominam a cena cool.
Em 1959, dez anos após as gravações Birth of the Cool, surgiria o expoente máximo do cool jazz e para muitos, eu incluído, o melhor álbum de jazz de sempre e também ele com origem na genialidade de Miles Davis: Kind of Blue.