sábado, 13 de agosto de 2016

uma música para o fim de semana (silly season) - Jorge Martinez


O mês mais querido e mais silly do ano vai prosseguindo. As procissões, feiras e os arraiais florescem como cogumelos.
É a época alta da pimbalhada. Os pintas encharcam os cabelos de brilhantina até esta escorrer pelo pescoço, os óculos escuros não faltam e as coreografias são do que há mais estereotipado possível.
As músicas e as letras são simplórias até mais não, mas cantadas cheias de convicção.
As canções românticas, e os românticos pimbas capazes de incendiar os corações mais empedernidos não poderiam faltar.

Silêncio de Jorge Martinez é uma dessas canções românticas onde nem um Ferrari falta. É de algures do ano 2009. Descobri-o agora. Mais vale tarde que nunca.
No seu canal do YouTube a propósito desta canção ele escreve emocionadamente:

" "SILÊNCIO" é uma bela e comovente história que retrata o amor em todo o seu esplendor!
Um videoclip enigmático, com uma tenacidade dramática brilhante. Fascínio, sedução, glamour, lamas, areias, ruínas, escombros, falésias sumptuosas, entrelaçadas com dor, desespero e sofrimento, tornam este filme num monumento à capacidade do ser humano, em acreditar e lutar contra qualquer adversidade. Mistério e Amor num filme / videoclip com impacto, poderoso!!!"


Nos comentários, há quem lhe chame o Ricky Martin e o Prince português!


Meninas e meninos apreciem tudo o que meu amigo, e agora vosso amigo, Jorge Martinez tem para nos oferecer.
O verdadeiro artista está aí.

Bom fim de semana :)





quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Grande Ecrã - Uma Pastelaria em Tóquio


Sentaro gere uma pastelaria em Tóquio. A sua especialidade são os dorayakis. Duas pequenas panquecas barradas com doce de feijão, o an.
O negócio não corre bem, Sentaro (Masatochi Nagase) considera que o seu an não é convincente, mas não consegue encontrar uma melhor maneira de o fazer. A certa altura aparece Tokue (Kirin Kiki), uma senhora idosa que deseja trabalhar na pastelaria de Sentaro.
Este fica relutante em aceitar, mas quando prova o doce de feijão de Tokue, rapidamente aceita a entrada da idosa na pastelaria.


Uma Pastelaria em Tóquio têm todos os elementos que se espera de um filme japonês.
Uma realização contemplativa, cheia de poesia com enfoque especial nas cerejeiras em flor e nas passagens dos comboios. Tem diálogos lentos, pausados, cheios de sabedoria, onde a comunicação dos actores com a plateia é feita muito mais com os olhos do que com os lábios.

A confecção dos dorayakis é feita de uma maneira ritualista, cheia de carinho e muito espiritual, especialmente quando Tokue aparece em cena.
A idosa vai contrapor o que é artesanal ao que é pré-fabricado, a quase frieza mecânica de Sentaro com o envolvimento emocional de Tokue bem visível quando esta fala com os feijões e afirma que eles têm uma história para contar.

A terceira personagem por onde a narrativa passa é Wakana (Kyara Uchida) que não sendo uma personagem central, é decisiva para melhor percebemos o conteúdo do filme. Ela funciona como uma plateia, como se ela fosse a consciência de quem vai à sala de cinema ver Uma Pastelaria em Tóquio.

A realização de Naomi Kawase é muito serena e intimista. Predominam os close ups e planos intermédios dos personagens e do espaço onde estes se movimentam, atirando-nos facilmente para dentro da interligação que une os três personagens.

Há apenas um ligeiro senão. São quase duas horas de filme, o que me parece excessivo, porque apesar de não se tornar entediante, fica a percepção que a narrativa por vezes fica em suspenso.






quarta-feira, 10 de agosto de 2016

poema da desesperança



poema da desesperança

vem, cerrar a luz dos meus dedos
escutar o inferno lesto a correr
com ele crescem os meus medos
pisando a esperança do querer

ter as árvores despidas de cor
apenas deixar cinzentos a florir
pairar no ar o inferno da dor
de frágeis pensamentos a ruir

vejo a tua sombra que me beija
atando-me às palavras que cismo
essa raiva que insiste e não deixa
esvaziar a alma cheia de abismo

silêncio surdo de asas gritadas
feridas rasgadas a descoberto
de querer e vontades apeadas
dentro de mim só há deserto

extenso, nele encontrar a porta
uma nesga que possa entrar
por onde alma minha jaz morta
permita as suas asas pousar


inkheart