sábado, 25 de fevereiro de 2012

uma música para o fim de semana - Classificados


Têm origens no Porto. Serafim Borges é o líder e vocalista. A ele juntaram-se quatro amigos, Sérgio Silva, Pedro Ferreira e Bruno Macedo e constituíram os Classificados.
Com uma sonoridade pop bem identificável, músicas simples e letras bastante directas, é fácil gostar desta banda nortenha.

Lançaram o seu segundo álbum Perdidos e Achados em Fevereiro de 2011, mas para uma música para o fim de semana vou buscar um tema do seu álbum de estreia, Classificados de 2008.

O sucesso do álbum de estreia homónimo do grupo foi imediato. Temas como Um segredo fechado, Ela era só mais uma - que integra a banda sonora da novela Lua Vermelha da Sic -  A lua olha por mim e Sina (na palma da mão), puseram este álbum nos tops nacionais durante algumas semanas.

Deste conjunto de temas escolho Sina (na palma da mão), uma canção tocada ao vivo na Casa da Música em Fevereiro de 2010.

Bom fim de semana  :)



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Zeca Afonso - maior que o pensamento


No Natal de 1972,  Zeca Afonso lançava um álbum de originais chamado Vou ser como uma Toupeira.
Desse álbum estão duas canções emblemáticas do cantautor aveirense: A Morte saiu à Rua e o Avô Cavernoso.
Em 1994, após sete anos terem passado sobre a sua morte, surge um tributo a Zeca Afonso pelas mãos de João Gil e Manuel Faria, dois ex-trovante e Tim, vocalista dos Xutos & Pontapés, que conseguiram reunir vinte bandas, oriundas de vários géneros musicais. Esse projecto chamar-se-ia Filhos da Madrugada.
Eles revisitaram várias canções de Zeca Afonso, onde constavam, A Morte saiu à Rua e o Avô Cavernoso. A primeira foi dos UHF e a segunda foi pelos Mão Morta. E é esta que me interessa para este fim de semana.

As duas interpretações, Mão Morta e Zeca Afonso, não podiam ser mais diferentes. Pessoalmente, esta é uma das situações em que o cover é superior ao original. Zeca empresta-lhe uma certeza delicadeza, suavidade.
A voz de Adolfo Luxúria Canibal (nome artístico de Adolfo Augusto Martins da Cruz Morais de Macedo) carimba a canção de uma forma oposta. Torna-a verdadeiramente cavernosa. É pesada, rouca, arrastada, reverberante, aquele tipo de voz que pertence a alguém que não queremos encontrar no escuro. Por trás da sua voz está um tique taque nervoso, tenso. Este cenário vai até aos 2.37min, altura em que a bateria explode e nos lança de rompante para a segunda metade da canção, mais acelerada, mais... cavernosa.

A letra de Zeca Afonso, presta-se para esta prestação. Ela é uma dentada certeira em Oliveira Salazar uma espécie de rei Midas invertido, onde em vez de transformar tudo em ouro, um castigo pela sua ganância, onde tocasse, o toque de Salazar, pelo ditador que era, enegrecia, fazia murchar a vida, retirava a esperança.
Sendo, também, um cantor de intervenção, esta letra é um toque de génio  criatividade pelo qual Zeca Afonso era conhecido e reconhecido.
Os Mão Morta, através do seu líder, fazem inteira justiça. Mais, tornam melhor aquilo


Zeca Afonso morreu a 23 de Fevereiro de 1897. Na passada quinta-feira, fez exactamente trinta anos que morreu.


Bom fim de semana ☺




O avô cavernoso
Instituiu a chuva
Ratificou a demora
Persignou-se
Ninguém o chora agora
Perfumou-se
Vinte mil léguas de virgens vieram
Inúteis e despidas
Flores de malva
E a boina bem segura
Sobre a calva

Ao avô cavernoso quem viu a tonsura?
E a tenda dos milagres e a privada?
Na tenda que foi nítida conjura
As flores de malva murcham devagar
Devagar
Até que se ouvem gritos, matinadas

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Grande Ecrã - O Artista vs Star Wars Episódio I (A Ameaça Fantasma)


No espaço de uma semana vi dois filmes que dificilmente poderiam ser mais opostos: O Artista e Guerra das Estrelas - Ameaça Fantasma.


O Artista, um filme francês escrito e filmado por Michel Hazanavicius, vive da simplicidade e da pureza.
Remete-nos quase para as origens do cinema, finais da década de 30, quando este era mudo e a preto e branco.

É um filme que vive da capacidade de representar dos seus actores. O argumento é-nos contado pelas expressões do rosto, dos trejeitos dos lábios, da movimentação dos olhos e da gestualidade do corpo. Aqui e ali, uma legenda surge a dar uma ajuda por vezes até desnecessária.

O argumento conta a história do artista George Valentin (Jean Dujardin) que no topo da sua carreira e a atrair multidões, vê-se ser relegado para um plano secundário, por incapacidade de se adaptar à revolução que a introdução do sistema sonoro provocou no cinema.
Entre a ascensão, a queda e depois posterior recuperação da sua carreira, O Artista dá-nos momentos bem muito conseguidos de comédia, drama e... dança.
A sequência dançada que antecede o final do filme é fabulosa a fazer lembrar de imediato os míticos pares de dança de Hollywood, Fred Astaire & Ginger Rogers e Gene Kelly & Debbie Reynolds.

A verosimilhança do argumento, a maneira como é filmado, a maravilhosa banda sonora de Ludovic Bource, por nos remeter para uma época em que o cinema está longe de ser aquele que conhecemos agora e o trabalho tremendo de Jean Dujardin - que parece verdadeiramente ser uma personagem do cinema mudo - contando com a divertida e emotiva ajuda do seu cão (Uggie de raça Jack Russel Terrier), torna o Artista um filme intenso, fascinante e ao mesmo tempo didáctico.


No outro extremo está A Guerra das Estrelas Episódio 1- A Ameaça Fantasma.
Complexo no seu argumento e na realização, ele vive essencialmente dos exuberantes e ruidosos efeitos especiais.
O trabalho dos actores é rígido, forçado e muito pouco inspirado.
Particularmente o cavaleiro Jedi Qui Gon-Jinn interpretado por Liam Neeson e o seu discípulo Obi-Wan Kenobi desempenhado por Ewan McGregor são incapazes de ganharem a nossa simpatia. Salva-se Natalie Portman no papel de Padmé/ Rainha Amidala.

Pela sua natureza é um filme que não nos deixa repousar. Com permanente acção de grande qualidade, os nossos ouvidos e olhos são ao longo de mais de duas horas inundados por violentas explosões, sibilantes lutas com sabres laser, ruidosas perseguições de naves, espectaculares batalhas espaciais e personagens de todas as cores e feitios saídos de n planetas e galáxias de nomes estranhos.

A acentuar e reforçar o seu lado tecnológico, esta versão é 3D. O que diga-se de passagem não se justifica e definitivamente não trás valor acrescentado ao filme.
Ver A Ameaça Fantasma em 3D justifica-se apenas para fãs do género, que tal como eu, gostam sempre de (re)ver o primeiro e na minha opinião o mais fraco, dos seis episódios que constituem a saga Star Wars no local onde deve ser visto: uma sala de cinema.
Mesmo que para isso se tenha aturar o gelatinoso e irritante Jar Jar Binks.


Se o Artista abre uma janela para o passado, A Ameaça Fantasma transporta-nos para o futuro e para mundos alternativos.
Então o que têm este dois filmes de naturezas e objectivos tão díspares entre si em comum? Para além de terem grandes bandas sonoras, ambos celebram à sua maneira, mas excelentemente a mesma coisa: o fascínio do cinema.