sábado, 29 de dezembro de 2012

uma música para o fim de semana - Bernardo Sasseti


Despeço-me de 2012 com a música de alguém que partiu este ano e que já aqui referi: Bernardo Sasseti.

Sinto a falta dele. Identifico-me com a sua música.
Gosto do lado meio arrastado, por vezes sombrio e repassada por solidão que ela contém. Muito intimista e sempre muito elegante.
Tal como a poesia de Fernando Pessoa, tenho com aquela sensação que as suas músicas foram compostas para mim, para a minha sala e para o meu sofá.

É uma música que tanto pode ser inquieta e angustiante como simultâneamente maravilhosa. O denso tema Noite composto para o filme Alice é para mim o exemplo máximo desta dualidade e pessoalmente talvez o tema mais bonito dele.
Poucos músicos como Bernardo Sasseti são capazes de tocar o silêncio como ele.

Para o último fim de semana de 2012, elejo Petit Pays do seu trabalho Livre, editado pela Cleanfeed em 2004. É um tema sereno e cristalino.

É fácil imaginar um pequeno e tímido ribeiro a passar tranquilamente pelas margens e fluindo pelas pedras. Sem grandes quedas, estrondos, barulhos ou salpicos.
Aquele tipo de ribeiro cuja água límpida nos convida a olhar sem ver. Aquele cantinho escondido, aquele segredo tão e só nosso a que voltamos quando precisamos de lavar a alma ou quando esta precisa de um tónico por se encontrar pesada e obscurecida pela vida.


Bom fim de semana e de caminho um feliz 2013  :)





quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Gerry Anderson (1929-2012)





Gerry Anderson morreu. E depois?? Perguntei eu para mim quando ouvi a notícia.
Esperei um pouco mais e fiquei triste.

Terá sido em Outubro de 1976, tinha eu uns inconscientes oito anos, estreava uma série que para mim se tornaria marcante e posteriormente deixaria montes de saudades e uma enorme vontade de a rever.
À noite nos dias dos episódios semanais antes de adormecer, muitas vezes pilotava aquelas naves. Alguns (muitos) anos mais tarde descobriria que a palavra certa para aquilo que gostava tanto era culto.

Mais uma vez, ao fim de bastante tempo e por me ter marcado tanto, percebi que dificilmente voltaria a ver se tivesse oportunidade.
Espaço 1999 deve ser visto apenas com os inocentes e crédulos olhos de oito aninhos. Mais do que isso e talvez a magia desapareça. A idade e a vida torna-nos mais analíticos e muito menos sonhadores.

Espaço 1999 teve duas temporadas, cada uma com vinte e quatro episódios. Delas retenho com nitidez, o genérico, as naves Águia, o comandante John Koenig e as belas Dra Helena Russell e Maya ,a extraterrestre do planeta Psychon que faz a sua aparição na segunda temporada.

Gerry Anderson, o senhor que morreu hoje e que nunca tinha ouvido falar dele foi o seu criador e realizador.
Nasceu em Londres a 12 de Abril de 1929 e começou a ganhar a vida como fotógrafo.
Entre 1964 e 1966 criou a série Thunderbirds, toda ela feita com marionetas e entre 1975 e 1977 criaria e produziria Espaço 1999.

Morreu com 83 anos e sofria de Alzheimer desde 1910, mas isso para mim é o menos.
Para mim, morreu o senhor que me fez descobrir o que era ficção científica, que me pôs a pilotar as naves Águia e a tentar mudar de forma no meio do meu quarto.



Tudo aconteceu quando a 13 de Setembro de 1999, a base lunar Alpha com os seus ocupantes foi projectada para fora de órbita devido a uma explosão nuclear causada pelos resíduos radioactivos acumulados na Terra...