sábado, 17 de agosto de 2019


Um álbum bem humorado, ligeiro e com um som muito veranil, ou não fosse o seu instrumento de eleição o muito tropical instrumento ukelele.
O primeiro álbum da portuguesa Catarina Munhá tem o mesmo nome da canção que o apresenta: Animal de Domesticação.

Bom fim de semana ☺







quarta-feira, 14 de agosto de 2019

uma citação (a pensar no Bolsonaro)



Apenas duas coisas são infinitas: o Universo e a Estupidez humana, e eu não tenho a certeza se isso é verdadeiro sobre o primeiro.

Albert Einstein








terça-feira, 13 de agosto de 2019

...magia.


sim, tudo o que fazia era…
…magia
sem sentido nenhum
ausência de propósito
na busca do nada
que delicia é a…
… magia

ir na infinitude de mãos nos bolsos, tem…
… magia
não pensar em tudo
sorrir para ninguém
e depois dar-lhe a mão
é um doce trago de…
… magia

espelho sem reflexo, é coisa de…
…magia
pensar sem tino
uma duração não obrigada
ser sem ter que ser
é da mais pura…
…magia

olhar de olhos fechados tem aura de...
… magia
Não sonhar com tudo
acarinhar o que não és
roçando o meu vazio
é uma doce sensação de…
… magia


Inkheart

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Tame Impala - Borderline


Dedicado a todos que o são.
Dedicado a todos os que mergulham do Everest para a Fossa das Marianas sem passar pelo mar.




Ah
Gone a little far
Gone a little far this time for somethin'
How was I to know?
How was I to know this high came rushing?
We're on the borderline

Caught between the tides of pain and rapture

Possibly a sign

I'm gonna have the strangest night on Sunday
There I go

Quite a show for a loner in L.A.

Askin' how I managed to end up in this place

And I couldn't get away
We're on the borderline

Dangerously far and all forgiven

There's gonna be a fight

Gonna be a price to pay on Monday
(If you and I get comfortable)
We're on the borderline (on the borderline)
Caught between the tides of pain and rapture
Then I saw the time (saw the time)
Watched it speedin' by like a train
Like a train
Will I be known and loved?

Is there one that I trust?

Starting to sober up

Has it been long enough?
Will I be known and loved?
Little closer, close enough
I'm a loser, loosen up
Set it free, must be tough
Will I be known and loved?
Is there one that I trust?
If there's room, room for doubt
As within, as without ya
Will I be so in love?
Gettin' closer, close enough
Shout out to what is done
R.i.p. Here comes the sun
Here comes the sun
Gone a little far

Gone a little far this time with something

How could I have known?

How was I to know this life get no shame
I said, "Come with me outside"
I need to clear my mind
This weight is crushing
Do you see the light, oh
Coming from their eyes, oh no
And I couldn't get away
We're on the borderline

Gets me every time

These close encounters

Just to know I can (just to know I can)
Once again, I am alone
Will I be known and loved?

Is there one that I trust?

Starting to sober up

Has it been long enough?
Will I be known and loved?
Little closer, close enough
I'm a loser, loosen up
Set it free, must be tough (I was fine without ya)
Will I be known and loved?
L.A. really messed me up
And it isn't cut and dry
Conversation, well I tried (I was fine without ya)
Will I be? Stay right here
Any closer, bad idea
Shout out to what is done
R.I.P. here comes the sun (I was fine without ya)
Will I be known and loved?
Is there one that I trust?
Starting to sober up

Has it been long enough?




sexta-feira, 21 de junho de 2019

um poema de... Alberto Caeiro (no solstício de Verão)



No Entardecer dos Dias de Verão


No entardecer dos dias de Verão, às vezes,
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa...
Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria...
Ah, os sentidos, os doentes que vêem e ouvem!
Fôssemos nós como devíamos ser
E não haveria em nós necessidade de ilusão ...
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida
E nem repararmos para que há sentidos ...
Mas graças a Deus que há imperfeição no Mundo
Porque a imperfeição é uma cousa,
E haver gente que erra é original,
E haver gente doente torna o Mundo engraçado.
Se não houvesse imperfeição, havia uma cousa a menos,
E deve haver muita cousa
Para termos muito que ver e ouvir ...

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XLI"



quinta-feira, 20 de junho de 2019

dia mundial do refugiado


Vénia a Miguel Duarte, o português acusado por Itália, que pode incorrer numa pena de prisão até 20 anos.
O crime pelo qual Miguel Duarte está acusado é auxílio à emigração ilegal, quando na prática ajudava a salvar vidas de refugiados, abandonados e ignorados por todos, no mediterrâneo.





sábado, 15 de junho de 2019

uma música para o fim de semana - Rui Reininho


Recuo onze anos na história de Rui Reininho.
Em 2008, a voz dos GNR lançava o seu primeiro álbum a solo - Companhia das Índias.

Neste trabalho, Rui Reininho canta um cover de um cantor brasileiro chamado Cazuza - Faz Parte do Meu Show. Ele tem aquela sonoridade tropical do país que reinventou o jazz, tornando-o muito seu: a bossa nova.
A minha relação com a bossa nova é curiosa. Gosto bastante uma vez que é um género musical cujas raízes estão bem assentes no jazz, mas... a tropicalidade que o caracteriza é-me algo cansativo. Gosto, mas tenho dificuldade em ouvir um álbum inteiro sem que a minha atenção se desvaneça.

De qualquer maneira Faz Parte do Meu Show esteve bem. Ouvi duas vezes consecutivas enquanto escrevia este Uma Música para o Fim de Semana.


Bom fim de semana ☺



Te pego na escola
E encho a tua bola
Com todo o meu amor
Te levo pra festa
E testo o teu sexo
Com are de professor

Faço promessas malucas
Tão curtas quanto um sonho bom
Se eu te escondo a verdade, baby
É pra te proteger da solidão

Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor

Confundo as tuas coxas
Com as de outras moças
Te mostro toda a dor
Te faço um filho
Te dou outra vida
Pra te mostrar quem sou

Vago na lua deserta
Das pedras do Arpoador
Digo "alô" ao inimigo
Encontro um abrigo
No peito do meu traidor

Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor

Invento desculpas
Provoco uma briga
Digo que não estou
Vivo num clip sem nexo
Um pierrô-retrocesso
Meio bossa nova e rock 'n' roll

Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor


sexta-feira, 14 de junho de 2019

para reflectir (seriamente)


"Esta é a batalha das nossas vidas", afirma Guterres sobre a urgência de actuar sobre as alterações climáticas que estão a destruir o nosso planeta e com ele a nossa própria sobrevivência.

Há dois anos, neste post, escrevia:

"Papua Nova Guiné, Bangladesh, ilhas das Maldivas, Indonésia, ilhas Fiji enfrentam já esta questão. O Kiribati, situado no Pacífico Sul, cujo ponto mais alto do país está a três metros acima do nível da água do mar, está na linha da frente dos primeiros países a desaparecerem. O arquipélago Tuvalu, com metro e meio acima do nível da água do mar, também no Pacífico Sul será, o primeiro a país a desaparecer.
É tão ameaçador que quando estes países enfrentam enchentes com ondas mais altas, eles já ficam debaixo de água!!
E é tal maneira grave que estes países ficam com os seus recursos naturais e infraestruturas afectados pela salinidade da água do mar: cursos de águas, pastagens, água corrente, comércio, escolas, hospitais, etc..., etc...

O conceito de refugiado climático está consagrado no direito internacional. Em 2013, foram feitos pedidos de asilo climático à Nova Zelândia vindos do Kiribati e esses pedidos foram negados sob o pretexto do precedente que iria abrir. Neste país, habitam cerca de cem mil pessoas..."

E ao contrário do que se possa pensar, se actuarmos agora, no imediato, o que não estamos a fazer, apenas estamos a pensar em fazer, a situação não se resolve também no imediato.
Há décadas que as alterações climáticas estão em marcha e possuem uma inércia própria. Antes de pararem, antes de ser inverter a situação, elas irão continuar a acontecer, mas diminuirão a sua velocidade. Quanto mais tarde actuarmos, pior será, muito pior, será para nós. E infelizmente também pior será para todas as espécies que partilham o planeta connosco.





quinta-feira, 13 de junho de 2019

Fernando Pessoa 131


De Fernando Pessoa conhecem-se cerca de 120 heterónimos. Mais ou menos influentes, mais ou menos efémeros na poesia e escrita do poeta que nasceu em Lisboa há 131 anos. Desta mais de centena de personalidades, personagens que Fernando Pessoa criou, apenas um tinha voz feminina.

Esse heterónimo chama-se Maria José, tem 19 anos é corcunda de nascença e tem uma deformidade nas pernas. Apenas se manifestou uma única vez e sob uma forma de uma pungente, uma muito sofrida carta de amor. Era dedicada a um serralheiro do qual estava enamorada - A carta da Corcunda para o Serralheiro.


Senhor António:
O senhor nunca há de ver esta carta, nem eu a hei de ver segunda vez porque estou tuberculosa, mas eu quero escrever-lhe ainda que o senhor o não saiba, porque se não escrevo abafo.


O senhor não sabe quem eu sou, isto é, sabe mas não sabe a valer. Tem-me visto à janela quando o senhor passa para a oficina e eu olho para si, porque o espero a chegar, e sei a hora que o senhor chega. Deve sempre ter pensado sem importância na corcunda do primeiro andar da casa amarela, mas eu não penso senão em si. Sei que o senhor tem uma amante, que é aquela rapariga loura alta e bonita; eu tenho inveja dela mas não tenho ciúmes de si porque não tenho direito a ter nada, nem mesmo ciúmes. Eu gosto de si porque gosto de si, e tenho pena de não ser outra mulher, com outro corpo e outro feitio, e poder ir à rua e falar consigo ainda que o senhor me não desse razão de nada, mas eu estimava conhecê-lo de falar.

O senhor é tudo quanto me tem valido na minha doença e eu estou-lhe agradecida sem que o senhor o saiba. Eu nunca poderia ter ninguém que gostasse de mim como se gostasse das pessoas que têm o corpo de que se pode gostar, mas eu tenho o direito de gostar sem que gostem de mim, e também tenho o direito de chorar, que não se negue a ninguém.
Eu gostava de morrer depois de lhe falar a primeira vez mas nunca terei coragem nem maneiras de lhe falar. Gostava que o senhor soubesse que eu gostava muito de si, mas tenho medo que se o senhor soubesse não se importasse nada, e eu tenho pena já de saber que isso é absolutamente certo antes de saber qualquer coisa, que eu mesmo não vou procurar saber.

Eu sou corcunda desde a nascença e sempre riram de mim. Dizem que todas as corcundas são más, mas eu nunca quis mal a ninguém. Além disso sou doente, e nunca tive alma, por causa da doença, para ter grandes raivas. Tenho dezanove anos e nunca sei para que é que cheguei a ter tanta idade, e doente, e sem ninguém que tivesse pena de mim a não ser por eu ser corcunda, que é o menos, porque é a alma que me dói, e não o corpo, pois a corcunda não faz dor.
Eu até gostava de saber como é a sua vida com a sua amiga, porque como é uma vida que eu nunca posso ter - e agora menos que nem vida tenho - gostava de saber tudo.

Desculpe escrever-lhe tanto sem o conhecer, mas o senhor não vai ler isso, e mesmo que lesse nem sabia que era consigo e não ligava importância em qualquer caso, mas gostaria que pensasse que é triste ser marreca e viver sempre só à janela, e ter mãe e irmãs que gostam da gente mas sem ninguém que goste de nós, porque tudo isso é natural e é a família, e o que faltava é que nem isso houvesse para uma boneca com os ossos às avessas como eu sou, como eu já ouvi dizer.

Houve um dia que o senhor vinha para a oficina e um gato se pegou à pancada com um cão aqui defronte da janela, e todos estivemos a ver, e o senhor parou, ao pé do Manuel das Barbas, na esquina do barbeiro, e depois olhou para mim, para a janela, e viu-me a rir e riu também para mim, e essa foi a única vez que o senhor esteve a sós comigo, por assim dizer, que isso nunca poderia eu esperar.
Tantas vezes, o senhor não imagina, andei à espera que houvesse outra coisa qualquer na rua quando o senhor passasse e eu pudesse outra vez ver o senhor a ver e talvez olhasse para mim e eu pudesse olhar para si e ver os seus olhos a direito para os meus.


Mas eu não consigo nada do que quero, nasci já assim, e até tenho que estar em cima de um estrado para poder estar à altura da janela. Passo todo o dia a ver ilustrações e revistas de modas que emprestam à minha mãe, e estou sempre a pensar noutra coisa, tanto que quando me perguntam como era aquela saia ou quem é que estava no retrato onde está a Rainha de Inglaterra, eu às vezes me envergonho de não saber, porque estive a ver coisas que não podem ser e que eu não posso deixar que me entrem na cabeça e me dêem alegria para eu depois ainda por cima ter vontade de chorar.
Depois todos me desculpam, e acham que sou tonta, mas não me julgam parva, porque ninguém julga isso, e eu chego a não ter pena da desculpa, porque assim não tenho que explicar porque é que estive distraída.


Ainda me lembro daquele dia que o senhor passou aqui ao Domingo com o fato azul claro. Não era azul claro, mas era uma sarja muito clara para o azul escuro que costuma ser. O senhor ia que parecia o próprio dia que estava lindo e eu nunca tive tanta inveja de toda a gente como nesse dia. Mas não tive inveja da sua amiga, a não ser que o senhor não fosse ter com ela mas com outra qualquer, porque eu não pensei senão em si, e foi por isso que invejei toda a gente, o que não percebo mas o certo é que é verdade.

Não é por ser corcunda que estou aqui sempre à janela, mas é que ainda por cima tenho uma espécie de reumatismo nas pernas e não me posso mexer, e assim estou como se fosse paralítica, o que é uma maçada para todos cá em casa e eu sinto ter que ser toda a gente a aturar-me e a ter que me aceitar que o senhor não imagina. Eu às vezes dá-me um desespero como se me pudesse atirar da janela abaixo, mas eu que figura teria a cair da janela? Até quem me visse cair ria e a janela é tão baixa que eu nem morreria, mas era ainda mais maçada para os outros, e estou a ver-me na rua como uma macaca, com as pernas à vela e a corcunda a sair pela blusa e toda a gente a querer ter pena mas a ter nojo ao mesmo tempo ou a rir se calhasse, porque a gente é como é e não como tinha vontade de ser.

O senhor que anda de um lado para o outro não sabe qual é o peso de a gente não ser ninguém. Eu estou à janela todo o dia e vejo toda a gente passar de um lado para o outro e ter um modo de vida e gozar e falar a esta e àquela, e parece que sou um vaso com uma planta murcha que ficou aqui à janela por tirar de lá.
O senhor não pode imaginar, porque é bonito e tem saúde o que é a gente ter nascido e não ser gente, e ver nos jornais o que as pessoas fazem, e uns são ministros e andam de um lado para o outro a visitar todas as terras, e outros estão na vida da sociedade e casam e têm baptizados e estão doentes e fazem-lhe operações os mesmos médicos, e outros partem para as suas casas aqui e ali, e outros roubam e outros queixam-se, e uns fazem grandes crimes e há artigos assinados por outros e retratos e anúncios com os nomes dos homens que vão comprar as modas ao estrangeiro, e tudo isto o senhor não imagina o que é para quem é um trapo como eu que ficou no parapeito da janela de limpar o sinal redondo dos vasos quando a pintura é fresca por causa da água.

Se o senhor soubesse isto tudo era capaz de vez em quando me dizer adeus da rua, e eu gostava de se lhe poder pedir isso, porque o senhor não imagina, eu talvez não vivesse mais, que pouco é o que tenho de viver, mas eu ia mais feliz lá para onde se vai se soubesse que o senhor me dava os bons dias por acaso.

A Margarida costureira diz que lhe falou uma vez, que lhe falou torto porque o senhor se meteu com ela na rua aqui ao lado, e essa vez é que eu senti inveja a valer, eu confesso porque não lhe quero mentir, senti inveja porque meter-se alguém connosco é a gente ser mulher, e eu não mulher nem homem, porque ninguém acha que eu sou nada a não ser uma espécie de gente que está para aqui a encher o vão da janela e a aborrecer tudo que me vêm, valha me Deus.
O António (é o mesmo nome que o seu, mas que diferença!) o António da oficina de automóveis disse uma vez a meu pai que toda a gente deve produzir qualquer coisa, que sem isso não há direito a viver, que quem não trabalha não come e não há direito a haver quem não trabalhe. E eu pensei que faço eu no mundo, que não faço nada senão estar à janela com toda a gente a mexer-se de um lado para o outro, sem ser paralítica, e tendo maneira de encontrar as pessoas de quem gosta, e depois poderia produzir à vontade o que fosse preciso porque tinha gosto para isso.

Adeus senhor António, eu não tenho senão dias de vida e escrevo esta carta só para a guardar no peito como se fosse uma carta que o senhor me escrevesse em vez de eu a escrever a si. Eu desejo que o senhor tenha todas as felicidades que possa desejar e que nunca saiba de mim para não rir porque eu sei que não posso esperar mais.
Eu amo o senhor com toda a minha alma e toda a minha vida.
Aí tem e estou toda a chorar."


sábado, 8 de junho de 2019

uma música para o fim de semana (no dia mundial dos Oceanos) - Roberto Carlos


Dificilmente, no dia em que se comemora os Oceanos, que eu escolha outra música para este fim de semana que não As Baleias de Roberto Carlos.
Data de 1981. Não há nenhuma outra música brasileira, que me emocione tanto como esta.

Matamo-las, exploramo-las e colocamo-las em oceanários e em zoomarines.
Fazemos tudo a elas menos respeitá-las, protegê-las, deixa-las em paz.

É mais um pontapé, mais uma imensa agressão, ao sítio onde todos nós pertencemos, onde a vida, onde nós começámos, esse imenso caldeirão de cheio de vida que tão empenhadamente estamos a destruir: : os mares, os oceanos.

Japão e as Ilhas Faroe (Dinamarca) são dois dos maiores assassinos de cetáceos do mundo.
Em prol de uma tradição sanguinária, cruel, atroz, ausente de sentido, de consciência, centenas de seres vivos são chacinados.
O ser humano é vergonhoso. Somos o maior erro da evolução da vida. Não somos dignos de sermos filhos do mar.

O gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar de volta ao mar e à furia louca
De uma cauda exposta aos ventos
Em seus últimos momentos
Relembrada num troféu em forma de arpão






dia mundial dos Oceanos


Estima-se que em 2050 haverá nos oceanos mais plástico que peixes.
Em 2019, não há nenhuma evidência de que esta previsão esteja errada.

Na verdade o plástico já entrou na alimentação humana. Quem consome regularmente peixe, consome regularmente... plástico.
A vida marinha, peixes e não só, confundem o plástico com a sua alimentação regular e incorporam-no em seus corpos. As toxinas acumulam-se igualmente.
E não é só por via do peixe ou do marisco que ingerimos plástico com origem oceânica.
Análises laboratoriais ao sal marinho revela a presença deste material na sua composição.

Não só destruímos a biodiversidade oceânica com a pesca destrutiva, intensa e exaustiva, com despejo de poluentes, como com o lixo, plástico ou não, que são atirados aos oceanos.

Triste, triste, triste.





quarta-feira, 5 de junho de 2019

19


Saudades

Saudades! Sim.. talvez.. e por que não?...
Se o sonho foi tão alto e forte
Que pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah, como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão.

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar
Mais decididamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais saudade andasse presa a mim!

Florbela Espanca


sábado, 1 de junho de 2019

uma música para o fim de semana - Criolo


Português com sotaque do outro lado do atlântico.
De novo uma canção que acima de tudo vale pela letra

Sobre a diferença, sobre ser diferente e naturalmente a forma igual, a necessidade igual de amar e de ser amado.
Sobre perceber que os padrões falham, que estes têm que ser flexíveis, possuir golpes de rins, que têm que ser menos padronizados, menos tirânicos.

Ser diferente é bom. Trás evolução, torna-nos mais fortes, mais aptos, mais inteligentes, menos idiotas. Repensa-nos.

Mais importante que a música para este fim de semana é o ouvir as pessoas que nela participaram.


Bom fim de semana ☺








Uma bala
Quase hétero

Etérea, massa, complexo

De não se entender

Um canalha

Quase hétero
Ignorar amor por complexo
Medo de nele se ver
É necessário quebrar os padrões

É necessário abrir discussões

Alento pra alma, amar sem portões

Amores aceitos sem imposições

Singulares, plural

Se te dói em ouvir, em mim dói no carnal
Mas se tem um jeito esse meu jeito de amar

Quem lhe dá o direito de vir me calar

Eu sou todo amor, medo e dor, se erradicar

Feito o sol que ilumina a umidade suspensa do ar
Homo, homo, homo

Homo, homo, homo

Homo, homo, homo

Homo sapiens, errou
Homo, homo, homo
Homo, homo, homo

Homo, homo, homo

Homo sapiens, errou
Uma bala
Quase hétero

Etérea, massa, complexo

De não se entender

Um canalha

Quase hétero
Ignorar amor por complexo
 Medo de nele se ver
É necessário



sábado, 11 de maio de 2019

uma música para o fim de semana - Ricardo Ribeiro


Ricardo Ribeiro é um fadista em que no seu trabalho mais recente Respeitosa Mente, se aliou a um pianista jazz português, João Paulo Esteves da Silva, e ao percussionista norte-americano que se apaixonou pelos ritmos do médio-oriente, Jarrod Cagwin.

O resultado é um trabalho límpido, cheio de força, personalidade e... diferente, onde as influências dos três músicos estão presentes.

Depois de Ti, é tudo isto. Mas é Ricardo com a sua voz potente e a forma como controla e a segura, que mais atrai neste tema. O piano de João Paulo, não fica nada, nada atrás - simples, fluido e soberbamente elegante.


Bom fim de semana ☺





Antes de ti o céu não tinha luar Antes de ti chamava ao medo irmão E eu q’ria sentir Mais Antes de ti cantava só por cantar Antes de ti andava em contramão Por sobre punhais Eu e tu sabemos que a vida ainda está toda por inventar Eu e tu perdemos o medo de abrir os braços e voar Antes de ti fui escravo da solidão Antes de ti fui rei do desamor E eu q’ria viver Mais Antes de ti o sim era igual ao não Antes de ti não tinha aonde pôr Os sonhos banais Eu e tu sabemos que a vida ainda está toda por inventar Eu e tu perdemos o medo de abrir os braços e voar Depois de ti os dias não têm fim Depois de ti e tu depois de mim Somos imortais


sábado, 4 de maio de 2019

celebrando






uma música para o fim de semana - Júlio Resende


Cinderella Cyborg é um nome algo estranho para um álbum de um pianista jazz.
Parece algo distópico: a junção, a fusão de uma figura Disney, querida a muitos de nós, com algo que invoca, metal, frieza, automatismos e ausência de sentimentos.

Mas é precisamente isso que Júlio Resende procura e consegue encontrar, com a vantagem de acrescida de retirar essa carga de ausência de sentimentos e torná-la mais orgânica, mais próxima de nós.
Para o lado Cyborg da música, o músico português recorre à electrónica e à incorporação de beats e pads, o lado Cinderella é garantido pelo seu piano, contrabaixo e guitarra eléctrica dos membros da sua banda.

O resultado é espetacular. Não é um disco de jazz, não é música electrónica. É uma fusão super bem conseguida destes dois géneros, que não estão distantes. Pelas mãos de Júlio Resende estão bem próximos, ali ao virar da esquina.
Explorar este mundo meio maquinado, meio humanizado, é um prazer e um encanto. Sinceramente.
Pouco mais de seis anos depois, Júlio Resende regressa à Esteira. Já tardava...


Bom fim de semana ☺






sábado, 27 de abril de 2019

uma música para o fim de semana - Samuel Úria


A letra. Esta letra é fenomenal. Uma reflexão, um discorrer sobre o que é ser homem, o que é ser mulher. Principalmente sobre o primeiro.

A guitarra é tocada de uma forma muito económica. Dá tempo ao tempo, as suas frases são simples e recatadas e a banda está praticamente ausente, mas aos 4.34 tudo explode. Há exuberância e fulgor. A emoção não se contem mais, o que tem que ser dito, sai de rajada. Aos 05.22 este desabafo, esta incontinência cessa e a calmaria regressa.
Mas a letra, essa...


Bom fim de semana ☺




Empresta-me os teus olhos uma vez
Que os meus não são de gente, apenas a paz
É só o tempo de me aperceber
Na vida, o que se turva para ser de mulher
Empresta-me uma chávena de sal
E mostra-me a receita do caldo lacrimal
É só o tempo de te convencer
Que nem precipitado consigo chover
Não é um adágio que nos persegue
Que um homem só não chora porque não consegue
Empresta-me esse efeminado luto
Ser masculino é ter-se o lenço enxuto
É só o tempo de me maquilhar
De pranto transparente, a cor de mulher
Não nasci pedra, nasci rapaz
Que um homem só não chora por não ser capaz
Os homens fazem fogo
Com dois paus, eles fazem fogo
Por troca, ensino-te a queimar
Tu és corrente, e eu finjo o mar
Que um homem para que chore, não pode chorar
Que um homem para que chore, não pode chorar


quinta-feira, 25 de abril de 2019

25 de Abril - dia da Liberdade


Quando se sente a liberdade, após anos de ditadura, maus tratos e desrespeito pelo indivíduo e personalidade em circos, laboratórios, aquários, aviários, zoológicos, etc..., etc..




sábado, 13 de abril de 2019

uma música para o fim de semana - Cool Hipnoise


Um clássico de 1995. Talvez fosse com os Cool Hipnoise que Portugal começasse a ouvir funk nacional.
Um funk muito "hip hopado", mas muito genuíno, muito naive.
Mais de vinte anos depois, e logo no seu primeiro trabalho, Nascer do Soul, os Cool Hipnoise continuam cheios de razão: o Funk é mem'bom.

Bom fim de semana ☺





domingo, 7 de abril de 2019

Ruanda - 25 anos de um genocídio permitido


A 7 de Abril de 1994, escreveu-se uma das páginas mais negras história da Humanidade, começava o genocídio ruandês, com a conivência das Nações Unidas. Que sabendo o que iria acontecer, sabendo o que estava a acontecer, preferiu olhar para o lado. Quando o genocídio acabou, durante 100 dias, quase um milhão de tutsis morreu às mãos de extremistas hutus.

Vinte e cinco anos depois mundo continua sem aprender. Nos dias que correm, mais de um milhão de refugiados rohingya estão deslocados em campos de refugiados no Bangladesh, para fugirem à chacina, à sua destruição que os militares budistas no poder na Birmânia, debaixo do olhar protector Aung San Suu Kyi, uma nobel da paz que envergonha o título, estão a proceder desde Agosto de 2017.
Mais uma vez as Nações Unidas vêm, assistem, sabem e... ignoram o que é evidente para todos.



"Em Março de 1994 quem lesse com atenção o jornal Kangura, repararia certamente numa notícia algo bizarra.
Um artigo declarava que o presidente em exercício, Habyarimana, iria ser morto no decorrer desse mês. Nesse artigo ele era acusado de traição e cumplicidade com Frente Patriótica Ruandesa (FPR), nome dado ao exército tutsis rebeldes que estava no exílio.
Dois anos antes, em 1992 sob pressão internacional, o presidente assina um cessar-fogo com a FPR.
No entanto, mais uma vez são publicadas na mesma altura notícias nas rádios e jornais de falsos ataques de tutsis que fazem cair por terra os acordos assinados.

No ano seguinte, na conferência da cidade de Arusha, Tanzânia, novos acordos de paz são assinados. Estes vão mais longe que o fracassado cessar-fogo do ano anterior.
Prevê o fim do conflito entre as duas etnias, a criação de um governo de transição, o direito ao regresso dos exilados e a integração dos dois exércitos, a FPR e as Forças Armadas do Ruanda (FAR) num único.

Para os radicais hutus, estes acordos eram supremos gestos de traição, quer os de Arusha, quer o cessar-fogo de 1992. A oposição, a desconfiança e a insatisfação no presidente era cada vez maior.
Isto explicava e enquadrava o conteúdo da notícia do jornal Kangura.

De facto, no mês seguinte, no dia 6 de Abril, o avião onde Habyarimana viajava foi abatido por um míssil na aproximação ao aeroporto de Kigali, quando regressava de uma reunião na Tanzânia. Na queda morreria não só o presidente ruandês e colaboradores directos, mas também o presidente do Burundi, Cyprien Ntaryamira.
No próprio dia, os radicais hutu no poder acusaram as FPR de terem atentado à vida do presidente e o genocídio, o extermínio dos tutsis, foi de imediato despoletado.
Bloqueios de estradas, assaltos e pilhagens deram origem a uma onda gigantesca e premeditada de assassinatos.
Para decapitar e criar o vazio no poder, os elementos mais próximos do presidente morto, os lideres oposicionistas e moderados hutus foram as primeira vítimas do genocídio.

Todo o trabalho de "informação" e treino desenvolvido pelas FAR e pelas milícias, especialmente pela Interahamwe ao longo dos anos e meses que antecederem o atentando ao presidente ruandês deram de imediato os seus resultados.
A população hutu saiu para a rua armada com facas, machados, bastões, armas de fogo. O seu objectivo era único e simples: exterminar a população tutsi.

Sendo as diferenças físicas não tão evidentes quanto suposto, partilhando a mesma língua, cultura e religião a "identificação" das etnias era baseada em listas previamente elaboradas e nas relações de proximidade como vizinhança, relações de trabalho ou até relações familiares.

As igrejas, escolas, hospitais, e maternidades eram os locais mais procurados pela população tutsi para refúgio e simultaneamente pelos assassinos que sabiam que iriam encontrar ali uma grande concentração de "baratas". Foram nestes locais que ocorreram as maiores chacinas.

Nos campos, os tutsis eram por vezes colocados todos juntos em campos de futebol e depois chacinados em série. As casas eram assaltadas e os seus bens pilhados, incluindo animais e plantações. As mulheres eram sistematicamente violadas e depois mortas, os homens eram assassinados de imediato.

Os corpos eram deixados onde caiam, nas posições em que a morte os tinha encontrado. Atravessados na estradas, caídos no campo, nas florestas e margens dos rios ou boiando neles. Dentro dos carros, dentro das casas, dentro dos locais que tinham sido considerados seguros.
Os cães que sobreviveram à fúria cega da morte, sem ter ninguém para os alimentar, comiam os corpos caídos.

A consequência das violações foi o aumento astronómico da taxa de infecção com SIDA que atingiu cerca de 65% das mulheres violadas que sobreviveram ao genocídio e o elevado número de crianças abandonadas e mortas pelas mães fruto igualmente dessas mesmas violações.

Nos cem dias que durou o genocídio alastrou por todo o país uma cegueira e uma sede de sangue e morte descontrolada.
Para além dos tutsis e seus animais, até as estátuas eram atacadas com catanas. Tinham as suas cabeças degoladas e eram amputadas dos seus membros.
Entre os próprios assassinos, quem hesitasse na sua missão de matar, ou defendesse alguém que lhe era conhecido ou particularmente querido era igualmente morto pelos "colegas" ou então era severamente castigado.

Todo o Ruanda parou e não houve celebrações, festividades ou acontecimentos desportivos. A população trocou as suas rotinas do dia a dia, o seu trabalho diário pela matança.
O país viveu das pilhagens, do gado morto, das colheitas e dos bens tutsis que foram confiscados.

A 4 de Julho de 1994, a Frente Patriótica Ruandesa liderada pelo general Paul Kagame entra em Kigali e põe fim ao genocídio.
Cerca de um a dois milhões de hutus fugiram de imediato para os países vizinhos do Congo e Uganda com medo de represálias.


A eficácia da máquina de matar montada pelos mentores do genocídio é inacreditável.
Os número são gélidos. Sem tecnologia e recorrendo essencialmente a armas brancas, durante o genocídio ruandês morreram entre 800 mil a um milhão de tutsis.
Em média, morreram 8 mil a 10 mil pessoas por dia. Ou seja entre 334 a 417 pessoas morriam por hora, cerca de 6 a 7 pessoas por minuto.
Isto aconteceu, sem parar, durante 100 dias.

Nem os alemães nazis, com a sua tecnologia e organização conseguiram esta brutal média.
Foi a pior chacina que ocorreu depois da Segunda Guerra Mundial e a mais eficaz depois do lançamento das bombas atómicas no Japão."


Carimba o Passpaporte






sábado, 6 de abril de 2019

uma música para o fim de semana - Tiago Bettencourt


Todos nós conhecemos ou admiramos fotógrafos que de qualquer coisa fotografem, por muito incipiente, desinteressante, banal que pareça conseguem fazer com esse objecto ou tema se destaque.

Tiago Bettencourt não é um desses fotógrafos, mas é um desses músicos.
Não estou a ver que outro conseguiria pegar nesta letra e torna-la numa canção minimamente credível.
Diga-se em abono da verdade que a canção não é dele. O original é de Tiago Guillul que a tinha gravado em 2008, num álbum chamado IV.

Atentem bem à letra de Tiago Lacrau.
Não lembra ao diabo. Palerma até mais não.


Bom fim de semana





quinta-feira, 4 de abril de 2019

A Verdade - parte II


Nunca estivemos tão manietados, tão iguais, tão sem opções, tão escravizados como agora.
Se a tecnologia é algo desejável porque nos facilita a vida, nos permite uma cada vez melhor qualidade de vida, é ela também que nos estupidifica, nos retira a individualidade.

E de novo, se a pretexto das tecnologias da informação desejamos uma sociedade mais aberta, mais ligada, mais global, é exactamente este mesmo pretexto que paradoxalmente efectivamente nos retira da sociedade, nos fecha e isola da mesma.

E retira-nos aquilo, o que à semelhança da personalidade, mais no caracteriza enquanto seres sencientes: as emoções, o amor, o respeito.
Seja relativamente a uma pessoa, a um animal, à natureza, ao que nos rodeia, ao planeta.
Somo cada vez menos pessoas, personalidades e somos cada vez mais informação, cada vez mais número binários.

E o que mais gostamos de pensar que temos, que de facto não temos, ou temos cada vez menos é o livre arbítrio.
A espécie humana é muito patética. E igual. E monótona. E desinteressante. E destruidora.

O planeta devia ver-se livre de nós, desta praga que caminha e se reproduz sobre ele. E a nossa estupidez, cegueira, é de tal ordem, tão suprema que não vamos esperar que isso aconteça, nós próprios estamos a fazer o contrário: a ver-nos livres do planeta.
O mais triste disto tudo é que eu pertenço à espécie humana. Não sou melhor que os outros. Apesar de tentar, de o desejar, de o querer, de acreditar que posso ser.






sábado, 30 de março de 2019

uma música para o fim de semana - Miramar


Já se tinha encontrado antes em 2015. Mas foi em 2017 que a magia aconteceu.
Peixe (Pedro Cardoso), guitarrista dos Ornatos Violeta, sugeriu a Frankie Chavez que tocassem a dois no festival Guitarras ao Alto, um festival onde os guitarristas tocam em duo.
O par resultou muito bem e tomaram a decisão de fazer algo juntos. Esse algo chama-se Miramar.
Lançado bem no final de Março, o disco encanta.

Miramar, porquê? Porque foi numa casa na praia de Miramar, em Gaia, que os dois músicos se juntaram e o trabalho ganhou forma.
O tema que lança o álbum chama-se I'm Leaving, mas Nazaré é de outro mundo. É encantatório, profundamente feérico.

Tremendo o que estes dois músicos portugueses conseguem fazer quando estão juntos.


Bom fim de semana ☺






sábado, 23 de março de 2019

uma música para o fim de semana - Conjunto Corona


Conjunto Corona são dois nortenhos (Logos e dB) que gostam de hip hop mas que não levam a coisa muito a sério.
Ou melhor levam. Mas têm uma visão (bem diferente e) muito descontraída do mesmo.
Eles criaram uma personagem, o Corona que ao longos dos álbuns, saiu o quarto em finais do ano passado, vão contando a sua história.
É alguém cuja vida se desenrola no duvidoso e submundo da noite e das ruas.

Letras castiças e divertidas, música descontraída e muito na boa, ritmos simples e quase hipnóticos.
Título de canção e álbum, Santa Rita Lifestyle pretende (e consegue) satirizar o pessoal do tunning que se junta nas bombas de... Santa Rita. Estamos a falar do Porto. Mais concretamente Ermesinde onde convive um Mc e uma bomba da Repsol.


pi ipi au ipi ou ipi ei
Bom fim de semana 
pi ipi au ipi ou ipi ei






Ipi ipi au ipi ou ipi ei

Trouxe uma Seat de Bombaim
Ipi ipi au ipi ou ipi ei
Duas da matina em Belém

Contigo ninguém vem
Menina do docel
'Tou só a parar na Repsol
'Tou a reparar no rabo, só
Faço duas voltas, duas rodas, sou um pro
Depois estou em Baguim
Quatro da matina jerricã
Quarto da menina com a irmã
Parte da rotina ir para lá
Farto da resina gradual
'Tou só a parar na Repsol
'Tou só a pitar um Happy Meal
Trouxe o meu Civic '92 era de Abril
Vim sem o civil, vim sem o civil
Trouxe o meu Civic '92 era de Abril, ya

Ipi ipi au ipi ou ipi ei
Trouxe uma Seat de Bombaim
Ipi ipi au ipi ou ipi ei
Santa Rita Lifestyle

Ipi ipi au ipi ou ipi ei
Duas da matina em Belém
Ipi ipi au ipi ei
Ipi ipi au ipi ei

Santa Rita Lifestyle
Sente esta merda tipo braille
Duas sapatas
2.1 bar
Engato uma primeira e meto o carro a puliçar
24/7 eu 'tou no Mac
No Rafael a comer um pastel com o Zé Miguel
Na VCI, dou tanga ao GTi
E saio em Santa Rita sempre a cagar p'ra ti

Ipi ipi au ipi ou ipi ei
Trouxe uma Seat de Bombaim
Ipi ipi au ipi ou ipi ei
Santa Rita Lifestyle
Ipi ipi au ipi ou ipi ei
Duas da matina em Belém
Ipi ipi au ipi ei
Ipi ipi au ipi ei
Ipi ipi au ipi ei

Ipi ipi au ipou ipi ei
Trouxe uma Seat de Bombaim
Ipi ipi au ipou ipi ei
Santa Rita Lifestyle
Ipi ipi au ipou ipi ei
Duas da matina em Belém
Ipi ipi au ipi ei
Ipi ipi au ipi ei
Ipi ipi au ipi ei