sábado, 21 de maio de 2016

uma música para o fim de semana - Mahogany


É muito fácil de gostar deste cd. É directo, sincero, linear. Não existem grandes floreados técnicos efeitos sofisticadissímos de som ou pós produções.
Mas recorre frequentemente a samples de vozes que de algum modo, pela sua história, pela vivência e influência ajudam a construir e a dar coerência a uma narrativa musical.
Manoel de Oliveira, Martin Luther King, Dalai Lama, Frank Lloyd Wright, António Pinho Vargas, John Lennon e vários outros.

O primeiro álbum de Mahogany, parece que Duarte estava sem grande ideias de dar um nome artítisco e lembrou-se que a sua guitarra era essencialmente feita por mogno, que em em inglês se chama... Mahogany. ;)
 A House in Iceland, do guitarrista Duarte Ferreira, é um conjunto de colagens destas samples auditivas que se apreciam num quadro pendurado numa parede.
Há um conteúdo histórico a que não se consegue fugir, mas não são colocadas despropositadamente, servem uma lógica que ajuda à narrativa.

É um álbum que está dessintonizado, as frases vão se se sucedendo umas às outras aleatoriamente sem nexo.
Mas numa segunda análise a maneira como vão surgindo, reparamos que fazem o resumo de um ano que acaba de findar. Assim é A House in Iceland.

O que me ocorre de imediato é o quanto deve ter sido difícil compor este álbum. Não apenas na vertente musical, mas principalmente no que diz respeito à escolha dos diversos samples, das ideias que estas transmitem e depois construir uma narrativa musical estruturada e coerente.

A faixa All That is Right and Beautiful é uma faixa curta, que não chega aos dois minutos. É o que é. É doce, é simples.
Foram usadas samples de Henrique Medina Carreira, António Pinho Vargas e Manoel de Oliveira.




A contraposição surge com o tema Of Human Evils and Divine Contemplantions.
As samples da Mahogany introduz são mais densas, são de líderes mundiais, religiosos, lendas da música e idealistas - Robert F. Kennedy, John Lennon, Dalai Lama, George W. Bush, Martin Luther King.

São consentâneos com o título que oscila entre o bem e o mal, com a guitarra eléctrica aos 2.14 min a dar sinais de vida de querer saltar a cerca, a criar a tensão e stress, a marcar transições, linhas que se ultrapassam e contradições para aos 2.31 acentuar ainda mais essa... irritabilidade.

As bases que estão por detrás da construção de A House in Iceland tornam-no absolutamente fascinante.


Bom fim de semana :)







quinta-feira, 19 de maio de 2016

soneto da Morte


soneto da Morte


morte, canta-me uma canção
lenta, bonita de não esquecer
cede o teu frio coração
para o meu sorrir e aquecer

morte, pálida de olhos doces
negros cor de jazigo
quem dera que tu fosses
o corpo que se deita comigo

morte, segura o meu rosto
em mãos ternas de carinho
quentes de fogo posto

no teu colo ter o meu ninho
alma que sufoca no desgosto
tão perdida e sem caminho


Inkheart


quarta-feira, 18 de maio de 2016

uma mãe sofre


Vitelos, leitões, cabritos, cordeiros.

Nunca nos lembramos que há uma mãe que chora, que fica perturbada, em stress, por as suas crias, os seus filhos lhes serem retirados, por assistirem aos actos de violência sobre eles, por ouvirem os seus pedidos de socorro e não poderem fazer nada por eles, por não poderem, não as deixarem proteger os seus filhos.

Nunca nos lembramos, não que uma mãe não humana, sente, sofre e ama exactamente o mesmo pelos seus filhos que uma mãe humana.
Subestimamos, ignoramos, pomos de lado, a capacidade de um animal poder sentir porque pensamos nele apenas como um animal, não como um ser vivo senciente.



Nunca nos lembramos que uma cria que é separada à força da sua mãe sente a falta da sua protecção, sente-se desamparada, sente-se perdida.
Ela chora como qualquer criança que chora pela sua mãe ou pai por estar só, causa a mesma aflição e ansiedade na progenitora, da mesma maneira que uma criança perdida causa nos seus pais.

Quando se come, um vitelo, um leitão, um cabrito ou um cordeiro, há uma mãe que sente a falta, há uma mãe que chorou, stressou pelo desaparecimento da sua cria, do seu filho. E reciprocamente.
Tal como qualquer mãe, tal como qualquer filho.





segunda-feira, 16 de maio de 2016