quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

contradições


A emissão da dívida de hoje terá corrido bem a Portugal. Os juros baixaram e o Sócrates está feliz com isso...

...mas a Europa prepara para breve ajuda de 100 mil milhões de euros a Portugal e BCE prevê futuro negro para 2011.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

dislates do Alegre


O pobre do Manuel Alegre anda desorientado.
A prova disso é a ideia peregrina de interromper a campanha presencial para que Cavaco desenvolva contactos internacionais para evitar a entrada do FMI em Portugal e assim "defender a soberania" do país. Patriotismo bacoco diria eu.

Mas porquê defender a soberania??? Portugal aderiu a esta instituição há quase 50 anos, de livre vontade e paga quotas! Porque Alegre não defende antes a sua saída?
E para que serve o governo?? E o primeiro ministro?? E o ministro das finanças??

O homem está mesmo de cabeça perdida. Patético!


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Cavaco, Alegre, os seus bancos e o FMI

Continuo a pensar que Cavaco vai ganhar as presidenciais. Mas já não na primeira volta.
E vai ter que se esforçar um pouquinho mais para ganhar na segunda.
A coisa correu-lhe mal com a divulgação das mais valias de 140% que realizou com a venda das acções do BPN.
Deixou de ser um passeio no parque para passar a ter que ser um jogging ligeiro.

Naturalmente que acredito que este seja um negócio razoavelmente pouco transparente e para sempre mal explicado, mas não ilegal.
E continuou a correr mal com o veto ao diploma que simplifica a mudança de sexo e nome próprio no registo civil. Deu motivos para a esquerda moderada que não se revê em Manuel Alegre e que potencialmente poderia canalizar em Cavaco o seu voto, se virar para o inofensivo Fernando Nobre.

Por sua vez Manuel Alegre precipitou-se ao atirar pedras ao telhado do seu vizinho e concorrente às presidenciais do dia 23 deste mês. Esqueceu-se que tinha telhados de vidro.
O agora famoso texto que escreveu enquanto deputado a fazer publicidade para o BPP a pedido de uma agência de publicidade (BBDO) e pelo qual recebeu 1500 euros foram dois tiros no próprio pé.
O primeiro, porque enquanto deputado e ao abrigo do Estatuto dos Deputados, está proibido de participar ou praticar actos de publicidade.
O segundo, quando diz que devolveu o respectivo cheque, mas que afinal parece que não chegou a sair da sua conta. Mal explicado portanto.

Claro que há diferenças de escala. Cavaco ganhou qualquer coisa como 147 mil euros e Manuel Alegre apenas 1500 euros. O caso BPN é muito mais mediático que o BPP e é de reter que o governo injectou 5 mil milhões de euros de dinheiros públicos no primeiro e está expectante em relação ao segundo.
Alegre ao divulgar e empolar este caso, deu sensação que estava a servir de moço de recados do governo. Talvez em busca de um empurrão, de um apoio do PS mais visível e de um BE mais interventivo. Mas também isto lhe correu mal. O PS não lhe fará esse favor tão facilmente. Além que este não se reconhece em Alegre. É uma relação cordial, de circunstância.
Quanto ao BE está mais preocupado com Sócrates que com o Cavaco.

A política nos dias de hoje está longe de ser transparente. Por definição é uma actividade obscura e de tortuosos meandros.
Não valorizo os valores envolvidos ou as entidades em causa, mas sim os actos em si. Não acredito na isenção de nenhum deles, ambos são políticos. No fundo, é tudo farinha do mesmo saco. Nada a fazer ou a dizer.
Estes casos rapidamente vão ser esquecidos e serão apenas (re)lembrados como um fait-divers político de uma vulgar campanha eleitoral presidencial em risco de ser secundarizada pelo ressurgimento do fantasma do FMI.

Historicamente os portugueses elegem para segundo mandato o presidente em exercício.
E continuo a pensar que quer para Sócrates, quer para um próximo e muito provável novo governo, quiçá ainda este ano, Cavaco é claramente mais experiente e será um presidente mais estabilizador e cooperante que Alegre.
Potencialmente poderá ser um trunfo maior se o tivermos como presidente, quando... o FMI chegar.

Portanto, se os portugueses previsivelmente mantiverem Cavaco como presidente eu não tenho nada contra.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Grande Ecrã - O Mágico


Dificilmente teria escolhido um melhor filme para começar 2011 que O Mágico de Sylvain Chomet.
É um filme de animação nostálgico e melancólico. Enternecedor. Um filme de época dos anos 50 que cheira deliciosamente a pó.
O argumento é de Jacques Tati, escrito em 1956 e nunca tinha sido anteriormente passado para o grande ecrã.
Conta a história de um mágico francês alto e desengonçado, Jacques Tatischeff - nome próprio de Jacques Tati e cujos traços foram baseados igualmente na sua figura - em fim de carreira, ultrapassado pelo advento da cultura rock/pop, que se retira dos grandes palcos franceses.
Como ele está um palhaço que se tenta suicidar, um ventríloquo que não consegue vender o seu boneco e um grupo de acrobatas que tem procurar alternativas de trabalho.

Para sobreviver, enceta uma viagem que o leva para Londres, passa pela Escócia e acaba na cinzenta e chuvosa Edimburgo.
Pelo meio vai dignamente actuando num mundo poeirento e bafiento de salas de espectáculos secundárias, bares e cafés, festas de jardins e pequenas lojas.
Numa pequena ilha na Escócia conhece uma rapariga que foge de casa para o seguir. O mágico adopta-a e protege-a e as suas vidas mudam-se pouco a pouco. Ele tem que entrar na vida real e aprender outro tipo de trabalhos, bem longe do seu dia a dia habitual e para o qual não está talhado.

O que é marcante neste filme é as suas cores e simplicidade da sua animação e dos seus planos. É uma animação em estado puro e visualmente muito clássica, mas muito rica e cheia de pequenos pormenores.
Está longe das cores exuberantes, das complicadas e rápidas cenas de acção, da espectacularidade dos renders 3D.
É um filme que nos permite, que nos dá tempo para apreciar tudo o que se passa à frente dos nossos olhos.
Através da lindíssima banda sonora, composta também pelo realizador desta pérola, Sylvain Chomet, somos transportados para a suave atmosfera nostálgica e melancólica que atravessa todo o filme.

Na parte final do filme, o mágico quando se vai embora, deixa uma lacónica nota escrita à jovem rapariga que ele acarinhou dizendo "os mágicos não existem". A nossa alma sente um baque, um balde de água fria cai sobre nós.
Mas felizmente existem. Jacques Tati e Sylvain Chomet provam-no com este filme.