sábado, 6 de maio de 2017

uma música para o fim de semana - Mayra Andrade


De novo o português com sotaque cabo-verdiano na Esteira.
Uma grande canção tem que ser grande em três vertentes: na voz, na música e na letra.

A voz. A cabo-verdiana Mayra Andrade nascida em Havana, Cuba, tem todo o calor envolvente do mundo exótico na sua voz.
Fascina e prende-nos como o aroma a pão quente que nos arrasta até à padaria onde este começa.

A música. Branko chama-se João Barbosa. Para fãs (não é o caso) do kuduro dos Buraka Som Sistema, facilmente o reconhecem como o grande motor criativo desta banda portuguesa. É dele que vem os arranjos musicais que complementam e sustentam fantasticamente a voz de Mayra.
Etéreos, espectrais e cheios de fantasia.

A letra. Atrai com o dilema, a contradição, o desconhecimento. O que é bom, o que é mau, a coexistência do dentro e do fora, incerteza do jindungo, uma sobremesa doce, e do quindin, um picante potente e a maravilhosa certeza que se não há o existir, então nada pode acabar.


Em Setembro de 2015, Branko lançava em nome próprio o álbum Atlas. 
Ganhou o seu título porque se tratava de um trabalho que reflectia as sonoridades de cinco grandes cidades: São Paulo, Amesterdão, Cidade do Cabo, Lisboa e Nova-Iorque.
Em Junho de 2016, sai o Atlas Expanded. As músicas do primeiro são remisturadas e é acrescentado um tema original, Reserva Para Dois com Mayra Andrade.

É este novo tema, que se desenrola num ambiente fantasista e tropical, tão atraente que é o escolhido para este fim de semana.


Bom fim de semana ☺




O sentir que trago cresce quando estou longe de mim
Tão perto, mas dentro assim... tão fora daqui
Neste ventre quente e furioso terás sempre um lugar
Além do depois...
Sem ruído, com cor e reserva pra dois

Crescer é saber e amar
Certeza sem fim
Quem me vai dizer no amor
o que é bom ou ruim?

E o sentir que trago cresce quando estou longe de mim
Tão perto, mas dentro assim... tão fora daqui

Crescer é saber e amar
Certeza sem fim
Quem me vai dizer se o meu amor
é jindungo ou quindim?

O que eu sei é que onde nada existe
Nada acaba...
Nada acaba...


quinta-feira, 4 de maio de 2017

a nova praga


Esta imagem é assustadora. Como num icebergue, o que se vê, não corresponde de todo à realidade.
Estima-se que todo o plástico produzido esteja ainda presente no nosso planeta.
A degradação plástico é da ordem dos 500 a 600 anos em média.
Pelo facto de ser um material sintético, criado pelo homem e não pela natureza, esta não sabe como o degradar eficazmente.

As diversa formas de vida estão afectadas pela presença do plástico. Estes já foram encontrados nos estômagos de diversos animais marinhos, terrestres e voadores. A causa de morte por sufocação e ingestão de plástico é cada vez mais frequente.

Ao contrário do que afirmam algumas empresas, o plástico não biodegradável.
O que acontece é que este granula-se, transforma-se em pequenos grãos, pequenos resíduos. Pelo seu pequeno tamanho, a entrada na cadeia alimentar dos animais e logo na do homem é muito mais insidiosa.

Os oceanos estão contaminados de plástico, as lixeiras, as ruas estão cheias de plástico. Os nossos caixotes de lixo estão cheios de plástico, a nossa vida está cheia de plástico. 
A reciclagem deste material, não está tão generalizada como se pensa. E a quantidade de plástico tende a aumentar. Cada vez mais está presente na nossa vida. E nem nos apercebemos disso!

Nós, o nosso planeta está atulhado, está sufocado em plásticos.
Muitos de nós nem temos a noção de quanto isto nos afecta e afectará. E muitos nós não estão interessados em saber.
É uma praga, e é assustadora. Temos um surto de plástico entre mãos e à distância não se percepciona uma forma eficaz, efectiva de controlar, de erradicar esta praga. 





segunda-feira, 1 de maio de 2017

dia do Trabalhador - objectifica-te


Vazio e igual. Mecânico. Pouco humano. Sem emoção, sem características distintivas.
Anulação do indivíduo, do que o distingue, do que o torna único. A diferença não é aceitável.

Na jaula, torna-te enjaulado. Deixa de ser o que és.
Não penses, obedece, obedece, obedece. Objectifica-te.







série "estatísticas da vida" - CCXXII


e se não são os dentistas, são os especialistas ;)




domingo, 30 de abril de 2017

dia mundial do Jazz


Imaginemos uma borboleta que tem as asas magoadas e sabe que se pousar no chão já não consegue levantar mais.
Num esforço quase inglório, ela está prestes, prestes a cair. Nessa altura surge o quinteto do libanês Ibrahim Maalouf.

O piano de Frank Woest gentilmente pega nela, impede-a de cair no chão.
Ibrahim Maalouf com o seu trompete faz o resto. Segura-a, e em segurança leva-a agora pelos ares. Começa a cuidar dela, a tratar das suas asas. Por vezes alterna com o saxofone de Mark Turner.
No entanto o piano sempre de uma forma discreta, transmite uma segurança extra à borboleta.
Ele diz:
"- Se estes tipos dos sopros se distraírem, eu estou aqui e seguro-te. Se eles são o vento que cuida de ti, eu sou as tuas asas"
A bateria de Clarence Penn e o contrabaixo de Larry Grenadier, num sussurro aparentemente distante, confirmam:
"- E nós estamos com ele"

A vigem da borboleta prossegue em segurança, vencendo o tempo e a distância.


Surprises, do álbum Wind do trompetista libanês Ibrahim Maalouf é de uma suavidade, serenidade e beleza quase etéreas.






uma citação no dia mundial do Jazz


Talvez não seja bem assim.

É preciso ouvir, sentir, ver com os olhos de dentro e com os de fora fechados.
E se depois ainda perguntar o que é, então talvez não tenha chegado à sua essência.