sábado, 20 de agosto de 2016

uma música para o fim de semana (silly season) - Luís Jorge


Admito que admiro esta gente, os cantores pimba.

Sabem perfeitamente que valem pouco e que são mal amados, sabem perfeitamente qual o seu nicho de mercado, sabem perfeitamente o que escrever, o que cantar e portanto como cativar o seu público durante um breve mês num ano inteiro.
Seguem uma receita que está bem estudada e que os resultados são garantidos.

Nesse aspecto não diferem muito das canções pop cantadas por cantoras e cantores que ganham ziliões de dólares, que só têm corpo para mostrar e coreografias que se fazem valer dele e cujo sucesso é medido pelo número de visualizações na primeira hora que colocam o vídeo na internet.

Luís Jorge, se tivesse um manager à altura provavelmente teria sucesso interestelar com a Mota do Amor. Pelo menos na letra. Falta-lhe a coreografia ;)
Mas podemos ajudar o rapazinho a atingir um milhão de visualizações. Quando coloquei hoje o vídeo ele já tinha 870 155 almas que o tinham vista.
A Esteira vai dar uma mãozinha ao Luís Jorge.


Sobe, sobe para a minha mota
Sobe, sobe o meu calor, 
sobe, sobe, cara laroca
sobe sobe para a mota do amor


A mota do amor do luís Jorge é uma Sachs.
Já estou a imaginar o pessoal das Famel Zundapp e das Sachs V50 a fazerem-se valer dos seus maquinões de altíssima cilindrada, para atrair o mulherio. ;)


Bom fim de semana :)




sexta-feira, 19 de agosto de 2016

dia mundial da Fotografia 2016 - David Alan Harvey



O que mais me agrada em David Alan Harvey é a espontaneidade, a simplicidade e a despreocupação com que fotografa.

Para este fotógrafo norte americano da National Geographic e da agência Magnum, nascido em Junho de 1944, a composição é importante, mas não essencial. O que é verdadeiramente essencial é a história que se quer contar, a forma como esta é fotografada é (quase) secundária, é sentir a paixão, o amor que se sente pela fotografia e pelo objecto que se fotografia.
Na sua opinião mais do que a técnica, são estes dois pontos que devem estar presentes, que devem tutelar e transparecer na fotografia.

Uma das características mais identificáveis em Alan Harvey, e que o torna singular é a composição das suas fotografias. Vê magistralmente o mundo por camadas. Uma sucessão de primeiros e segundo planos, e até mais. Não são meramente bidimensionais, confere-lhes tridimensionalidade. O nosso olhar começa mesmo à nossa frente e depois somos conduzidos para o fundo da fotografia. Não é um olhar estático.

Pode não emocionar, nos atirar, empurrar para dentro da fotografia da mesma maneira que Steve McCurry sublimemente consegue, mas tem o dom de nos pôr a apreciar as sua fotografias como se de quadros numa galeria se tratassem,
Inclinamos a cabeça para um lado, para o outro, uns passos para frente, uns quantos para trás. Vemos o todo e depois procuramos detalhes.
Não é por acaso que David Alan Harvey consegue esta proeza.
Desde cedo que estudou e procurou inspiração nos mestres da escola de pintura impressionista.

Afirma convictamente que tal como um músico, um pintor, um escultor, começa por estudar os clássicos, a história da arte, um fotógrafo tem que começar por aí também.
Perceber o que está por trás das grandes fotografias, estudar os grandes mestres e copiá-los até para perceber o que pensaram e o que viram. Depois naturalmente o seu olhar, a sua visão, as suas características, aparecem naturalmente.

Neste aspecto David Alan Harvey é realmente único.















quarta-feira, 17 de agosto de 2016

a matemática é um dó colorido


A matemática é um dó colorido roubado às insustentáveis nuvens mudas,
as cinzas que amargam a minha inconsciência singular.

Traço a dor em auroras boreais no zénite do dia diurno.
O céu é de um azul infantil pintado por um velho num piano de oitavas sujas do branco sem limites.

Sou pesado, voo se quiser. Sou leve, caminho se quiser. Sou o que quiser, se quiser.
Nego o querer.
Por isso não quero nada, no tudo que não existe por este ter o nada que não sou.

Atravesso a montanha da mentira falsificada, fluindo em ideias curvas barrando o seu que
é meu conhecimento vertical.
Fundo-me com o gelo azul dos glaciares paralelos, movimentando-me de braço dado com
um livro sem destino.

Vou ao fundo dos oceanos apenas com um trago de olhar, flutuando lado a lado com o amanhecer
lúcido de ausência. No ponto mais fundo, do mais fundo ponto do inexistente paramos.
Adeus porque somos eternidade.

Acelero estaticamente muito, muito, na queda.
Estou cego, fico cego pelo zero absoluto da relatividade pintada pelo poema da
concentricidade inconstante.

Tão bonita que és cegueira esclarecida. Tens letras loucas, sem religião, sorrindo para
quem não passa, com lábios sem virgulas ou pontos finais, apenas borrões em notas não paridas
da pauta que chora procurando a clave do sol que ainda não nasceu.


Inkheart