sábado, 26 de dezembro de 2015

uma música para o fim de semana - Legendary Tiger Man


Estamos no rescaldo do Natal. Não morro de amores por esta data. Portanto das três uma: ignoro, alinho ou subverto-o.
Faz sentido que uma música para o fim de semana, reflicta o espírito destes dias, portanto não vou ignorar, nem alinhar nele, vou por isso... subvertê-lo.
Nem todas as músicas de Natal têm que ser bonitas, ter títulos apelativos, falar da neve branca, paz, com guizos, sinos, montes de jingle bells e afinados coros angelicais

The Lengendary Tiger Man (Paulo Furtado) já tinha andando por aqui com Do Come Home, agora, regressa aos palcos da Esteira para me ajudar na música de Natal.

Musicalmente tenho duas grandes paixões: o jazz e a música clássica, e dois flirts: blues e trance (psy e Goa).

Legendary Tiger Man é um alter-ego criado pelo Paulo Furtado, precisamente numa altura em que os blues o fascinavam particularmente.
Actualmente, não é, e não está, muito ligado pelo público a este género musical, mas este cantor é de facto um blues man.
Em 2003, Paulo Furtado edita o seu segundo álbum - Fuck Christmas, I got the blues.
E é precisamente este tema (de blues) que escolho para este fim de semana.

Porque as canções de Natal, não têm que ser sobre Natal, cantadas com vozes melosas e harmoniosas de crooners, ou em sonoridades de pop, mas podem ser tocadas com o som predominante de uma harmónica de uma "bluesada" à antiga.


Bom fim de semana :)





sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

O melhor do Natal? É o dia 26!





É difícil compreender para quase todos, que o Natal não seja uma data de alegria, mas sim um peso tremendo aos ombros. É difícil perceber que o 25 de Dezembro seja uma data vazia e ausente de significado. Que tudo que aquilo que esta data supostamente deve representar, não represente efectivamente.

Nem que seja pela perda de alguém importante para nós que deveria estar presente, pelo cansaço que o mercantilismo do Natal provoca ao obrigar-nos a chafurdar em lojas lotadas, à procura de algo que muitas vezes não sabemos, ou apenas vagamente. Que tudo é para trocar, guardar fundo numa gaveta ou descarregar e vingar num desgraçado qualquer Natal do ano seguinte
Por isso comprar, dar e receber prendas, são autênticos fretes, vazios de qualquer significado. Uma exclamação aliviada de missão cumprida.

Porque há a obrigatoriedade da família, de termos que andar felizes da vida, mostrar boa disposição e sorrir, caso contrário, há uma enxurrada de perguntas idiotas a perguntar porque não o estamos a fazer.
Porque isso rouba-nos o espaço que precisamos, invadem-nos a privacidade, não nos deixam ser quem somos. Andamos cansados e tornam-nos ainda mais cansados.

E porque todos se esquecem que há quem não tenha mesa farta e aquecimento no Inverno.
Que há quem procure as refeições em lixeiras ou caixotes de lixo, o calor em caixas de cartão, e crianças que lhes dão uma arma mortífera que têm que usar, em vez de um merdoso e ultra-sofisticado boneco de brincar aos soldados e pistolas que disparam dardos de borracha.


O melhor do Natal? É o dia 26!


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Solstício de Inverno - soneto do Rio de Inverno


soneto do Rio de Inverno

olha a paisagem de inverno
distante e perdida na estrada
na folha lenta cai o tempo
no vidro da janela embaciada

belo rio oco da leve chuva
ruidoso em cores mudas
derrama na montanha curva
correntes de lágrimas miúdas

que belo és orgulhoso rio
no inverno das árvores vazias
quente é a face macia do frio

esconde os segredos que me dirias
meu confidente do lívido martírio
os desejos perdidos que não querias

Inkheart