sábado, 24 de setembro de 2011

uma música para o fim de semana - R.E.M.


Tudo o que é bom, um dia acaba. Foi o que aconteceu com os R.E.M quando no passado dia 21 de Setembro anunciaram na sua página o seu fim, após 31 anos de existência.

Pelo meio editaram 15 álbuns, o último deles lançado em Março deste ano chamado Collapse Into Now e venderam cerca de 50 milhões de álbuns.
Começaram como um quarteto e acabaram como um trio. Michael Stipe, Peter Buck, Mike Mills e Bill Berry começaram a banda, mas este último, o baterista, sairia em 2007.
Temas como Everybody Hurts, The One I Love, Stand, Loosing My Religion,  Man On the Moon e Nightswimming, entre outros estão no meu top dos R.E.M.

Escolher a canção que mais gosto não é fácil, mas claramente uma delas é Man On The Moon do álbum Automatic for the People. Pessoalmente é para mim um dos melhores discos do grupo.
Seria também o tema do filme Man on The Moon que conta a vida do comediante americano Andy Kaufman, realizado por Milos Forman e com o actor Jim Carey a ter um dos seus melhores papeis da sua carreira.

Mas alguém disse "Os REM não acabaram. Apenas deixaram de fazer músicas novas".
É uma excelente de forma de não dizer adeus aos Rapid Eyes Movement.



sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Canção de Outono


Começou hoje a estação mais bonita, suave e aveludada do ano, o Outono. :)




Canção de Outono

No entardecer da terra,
O sopro do longo outono
Amareleceu o chão.
Um vago vento erra,
Como um sonho mau num sono, 
Na lívida solidão.

Soergue as folhas, e pousa
As folhas volve e revolve
Esvai-se ainda outra vez.
Mas a folha não repousa
E o vento lívido volve
E expira na lividez.

Eu já não sou quem era;
O que eu sonhei, morri-o;
E mesmo o que sou hoje
Amanhã direi quem era
Volver a sê-lo! mais frio.
O vento vago voltou.


Fernando Pessoa

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Thor


Quando olho para trás, para os meus últimos quinze anos, tudo mudou. Não houve nada que se tivesse mantido constante e estável. Mesmo aqueles projectos e pilares de vida que pensamos que são para... a vida. Excepto ele.
Quando tudo caiu ele esteve sempre lá. Ficou preocupado e ansioso quando chorei e desesperei, brincou e ficou feliz comigo quando a minha alma andava primaveril e jovial.
Sabia aquecer e curar o meu coração (e o dos outros) quando ele andava frio e magoado. Cheguei a ir para casa na necessidade de o ver. Partilhei com ele segredos que mais ninguém conhece. Abracei-o como abracei pouca gente.

Não ladrava muito, mas "falava" imenso e expressava-se como poucos.
Falava com as imensas vocalizações que fazia. Falava com as patas, com os seus olhos castanhos (os mais doces e meigos do mundo), na maneira como levantava as orelhas. Falava quando punha o seu focinho nas pernas e nos joelhos ou como nos pedia festas (nunca eram as suficientes) e onde queria que elas fossem feitas. Fixava a sua atenção em nós e tentava perceber-nos.

Era um cão que tanto precisava de companhia como fazer companhia.
Personalidade meiga, delicada e paciente - mas nem sempre - mas muito teimoso e determinado. Sabia o queria e muitas vezes conseguiu o que pretendia e tinha uma deliciosa capacidade quase exasperante de se colocar e atravessar no nosso caminho e das portas.
Adorava a sua cama e a sua manta e ficava absolutamente maluco com bolas. Fossem elas grandes ou pequenas, saltassem ou não. E se tivessem um apito...
Ao longo da sua vida de quinze anos suportou a dor e o incómodo físico de uma maneira que frequentemente me perguntei como seria possível.
Muitas vezes olhei para ele tentando perceber se era verdadeiramente um cão. Se lá dentro dele morava uma alma de cão, ou se algo ou alguém teria insuflado mais do que isso dentro do seu ser.

Thor, o meu cão, foi uma das pessoas mais importantes da minha vida.
Foi ele quem partiu ontem à noite.



ontem à noite ;(



segunda-feira, 19 de setembro de 2011

The Sounds of Silence - 30 anos a ouvir os sons do silêncio




Há 30 anos, no dia 19 de Setembro de 1981, Paul Simon e Art Garfunkel davam um concerto único, gratuito e memorável para mais de 500 mil pessoas no Central Park de Nova Iorque.

Entre as canções cantadas ao vivo pelo duo, está The Sounds of Silence, a única canção que eu na altura conhecia e também foi ela o único motivo que alguns anos depois me levaria a comprar dois duplos álbuns ao vivo no Central Park - por ter arrasado com as espiras do primeiro - na altura de vinyl.
Só em Dezembro de 2000 eu compraria o respectivo cd. 

E ainda hoje eu oiço - escrevo este post ao som dele - todo o álbum antecipando a chegada de The Sounds of Silence. E por vezes até é difícil essa espera. Chega a ser ansiosa.
Quando finalmente chega e começa a tocar, surge aquele sorriso de conforto que levemente se desenha nos nossos lábios enquanto os olhos se fecham por um breve segundo. A curta interjeição mista de prazer e da tensão aliviada. A sensação de chegada a casa. Do "home safe". Está tudo bem porque tudo acaba bem.

The Sounds of Silence, é uma canção eterna. Não é uma canção dos anos oitenta. Será sempre de todos os anos que estejam para vir.
Terá sempre um conselho, uma mensagem escondida dentro dela, para quem tiver o privilégio de a saber ouvir e de a sentir.
A canção que nos diz que a escuridão é uma velha amiga com quem podemos falar e confiar, que as palavras dos profetas são escritas nas paredes do metro e que o silêncio é um som que não deve ser perturbado.