sábado, 23 de maio de 2015

uma música para o fim de semana - D.A.M.A





Talvez o que atraia mais em D.A.M.A - Deixa-me Aclarar a Mente Amigo - é a sua simplicidade. De alguma maneira associo-os aos alentejanos Virgem Suta. Não tanto no género musical, bem longe felizmente mas mais na sua construção.

Arranjos simples, sonoridades trabalhadas para agradar e letras de interpretação directa.
São três putos jovens, a rondar os vinte e alguns anos e discretos maneirismos a roçar uma boys band que começaram a dar os seus primeiros passos no youtube.
Foi com esta plataforma que saíram do anonimato. É no formato digital que claramente se movem ou não fossem uma com ligações à MTV.
Movem-se no mundo do pop e do hip-hop, e caem na batida clássica, diria cliché, da música ritmada e sincopada com rimas a saírem não em catadupa mas com alguma suavidade.
É pelo Tweeter, Instagram e Facebook que divulgam as suas músicas, que fazem a sua propaganda e até as disponibilizam para download.

Se as plataformas digitais os suportaram nos primeiros tempos da sua vida, é quando fizeram o concerto de abertura dos One Direction no estádio do FCP em Julho do ano passado, que se tornaram conhecidos à escala nacional e ganharam verdadeiramente visibilidade. Especialmente no público jovem e cheio de acne e em particular no feminino, onde o pronto a ouvir é tão fácil como desbravar estantes e cabides na Mango, Salsa e afins.


D.A.M.A é um acrónimo de Deixa-me Aclarar a Mente Amigo. Eles próprios dizem que é um nome apalermado mas que de alguma maneira vai no sentido daquilo que escrevem em termos das letras das suas canções, baseadas no dia a dia.


Bom fim de semana :)




sexta-feira, 22 de maio de 2015

dia mundial do Abraço


É o que há de mais puro que se pode oferecer a alguém: um abraço.

Um abraço no seu estado mais sentido, mais protector, mais terno, marca geografias, marca estrelas, marca nasceres ou pores-do sol, marca um momento.
Consegue acalmar tempestades, dores físicas e mentais, reconfortar e ligar profundamente duas pessoas.
É um manto protector lançado sobre nós por alguém podemos até não conhecer, mas que esse alguém, naquele momento, estabeleceu uma empatia poderosa connosco, os que precisam dele. Um abraço.
Dure uns segundos ou uns extensos minutos, é no silêncio que um abraço melhor funciona. As palavras são desnecessárias. Atrapalham, são desajeitadas.
É pura energia positiva.

Quando os prisioneiros dos campos de concentração foram libertados, ao contrário do que se pensa, não pediram de imediato, comer, roupas. Pediram protecção, pediram afecto, pediram contacto humano, pediram um abraço.

Algo que um beijo pretende almejar mas que fatalmente não consegue alcançar.
Se dermos um beijo a um desconhecido, será assédio, mas se for um abraço, será... Impulse ;)


Hoje, a Esteira distribui abraçinhos a quem passar por aqui :)





quinta-feira, 21 de maio de 2015

Quina


Uma jovem carteirista de 84 anos roubou a carteira de uma outra jovem, ma um pouco mais velha que ela, tinha 92 anos.
A Joaquina Gonçalves, Quina para os amigos, já tem um longo historial de furtos e é bem conhecida da polícia do Porto.
Tem um vasto território. Além do Porto, a Quina estende a mão às carteira de quem anda por Fátima, Santo Tirso, Viana do Castelo, Espinho e certamente por Ermesinde, onde vive.

Esta jovem carteirista tinha um cúmplice que a apoiava. Um puto quase imberbe com 54 anos.
Como a moça que foi roubada que estava a assistir à Queima das Fitas do Porto, desistiu da queixa, a Quina saiu em liberdade.
Caso contrário apanhava uma pena de prisão até três anos.

Grande Quina. Gosto de ti miúda!






Notícia do JN. Aqui

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Para ali não, para ali não!



Nem sempre é preciso ver, mas ajuda muito, sangue, cenas cruéis e maltrato dos animais nos matadouros para percebermos o quanto a proximidade da morte assusta um animal.

Neste vídeo, temos a consciência do que sente um animal que está literalmente no corredor da morte.
Esta vaca sabe o que está à frente dela. Sabe o que acontece, o que se passa por trás daquela porta para a qual olha fixamente e não se quer aproximar. Está assustada.

Quer voltar para trás mas o cruel corredor de cimento está desenhado para que ela não consiga. É estreito para o seu corpo. Tenta por tudo voltar para trás, recuando. Mas nem isso lhe é permitido.
É picada, é magoada, forçada a ir para a frente, para a porta que não quer cruzar. Para o destino que não escolheu.
Um estouro e vemos as suas patas, está caída no chão.

Esta é a grande lição que aprendi. Os animais sabem o que é a morte. Têm a noção dela.
Sabem que aquilo não é bom para elas, não o desejam. Provoca-lhes, medo, stress e angustia. Querem fugir.

Há uma palavra que descreve a capacidade que esta vaca, como todos os outros animais e logo nós próprios, de sentir, de fazer uma escolha, de reagir e interagir com o ambiente que os rodeiam.
Escolher o que é melhor para elas.
O que é bom e mau. O que dói e o que conforta. O que é a agressão e o carinho. O que é liberdade e o enjaulamento. Que sabem o que é perder as sua crias, serem separadas delas e a ansiedade que sentem por isso.

Essa palavra, bonita, poderosa, comum a milhares espécies e de novo, a nós próprios, chama-se Senciência.
Exactamente aquilo que somos e egoisticamente não reconhecemos, negamos e ignoramos nos animais não humanos.

Pela beleza desta palavra, pela reacção desta vaca, e de porcos, e galinhas, e patos, e coelhos, e peixes, e polvos e incontáveis outros seres vivos que são desrespeitados, que têm uma vida miserável, que enfrentam a morte quando não a desejam, por eles todos, que não são menos que cães ou gatos, me tornei vegetariano.

É bom sê-lo, porque preservo a vida, porque contrabalanço a atrocidade e crueldade praticada nos animais, porque protejo e respeito o mundo à minha escala, torno um pouquinho melhor este planeta que é tão bonito.
E sinto-me tão bem por isso.







terça-feira, 19 de maio de 2015

Grande Ecrã - Mad Max 4 (Estrada da Fúria)



“Num  mundo de loucos só os loucos têm juízo” - não sei quem é o autor desta frase deliciosa, mas uso-a muito para justificar a minha própria loucura.
O cartaz de Mad Max - Estrada Furiosa, invoca à sua maneira esta mesma citação.

Tendo por premissa esta frase, George Miller, o realizador de Mad Max - Estrada Furiosa, e de todos os anteriores, é o rei deles.

Esqueçam a introdução às personagens, à história, aos ambientes. Esqueçam se vão perceber ou se é relevante o que está para trás. Nada é.

O que conta é acção e somos mergulhados de imediato nela. Uma respiração mais funda e já está. Só acaba no fim.
Saímos do filme cansados, suados e a cuspir areia.

A imaginação de George Miller parece não ter limites. Para orquestrar tudo o que acontece, como se desenrola, como é filmada, é como a acção em que nos mergulha, desenfreada, vertiginosa.

Consegue construir uma narrativa coerente tendo por base apenas uma estrada num deserto (foi rodado no deserto do Namibe) que é feita nos dois sentidos, ida e volta, à procura de uma terra prometida, a Terra do Verde.
Tudo girando à volta de uma santíssima trindade: água, combustível e armas.

A fotografia é excepcional. Cromatismo diurno composto exclusivamente de cores quentes, a transmitir a aridez do deserto: laranjas, amarelos, vermelhos, bem saturados.  
E a noite, cai nos azuis desmaiados e cinzentos dessaturados.

Há dois contrapontos máximos as estas cores. 
As mulheres de Immortan Joe, as sensuais, reprodutoras e escravas sexuais, que Furiosa rouba a este, o mau dos maus e a figura mais louca e repelente do filme, são de uma alvura imaculada. George Miller teve o cuidado de ser ecléctico com elas. Foi ao catálogo e foi a todas: louras, morenas, ruivas e mulatas.
O segundo contraponto é o guitarrista com tiques de metaleiro, de guitarra vermelho vivo, a deitar chamas, que toca como se não houvesse amanhã. Claro que um dia ele acerta.

Mad Max é parco em diálogos, mas para a narrativa do filme e como ela se desenrola, também não são necessárias muitas palavras.
O guarda roupa e acessórios é brilhante, a caracterização de toda a fauna que pulula e uiva ao longo de todo o filme é exuberante e... louco.

Charlize Theron constrói solidamente o papel, Tom Hardy e o seu Mad Max fica na sombra de Charlize e até do divertido e louco Nux de Nicholas Hoult, que se torna um inesperado aliado de Furiosa e de Max.

Mad Max é pintado como um cowboy do asfalto, melhor das areias, solitário, que não acredita na esperança e que no fim parte de novo solitário. 
Só falta o pôr do sol, uma mota artilhada e cheia de caveiras a cruzá-lo, para dar a eterna imagem do solitário romântico que casou com a mota e viveu com ela para sempre.


Agora que deve ter sido uma loucura para George Miller fazer este Mad Max 4 certamente que foi. Deve ter curtido à brava, poder usufruir de toda a panóplia de efeitos especiais digitais que no final da década de 70, o primeiro foi em 1979, e meados da década de 80, o terceiro foi em 1985, não tinha.
Sem contar com os acrobatas que foi buscar ao Cirque du Soleil. 
Ah pois é!






SPOILERSSPOILERSSPOILERS!





domingo, 17 de maio de 2015