sábado, 8 de junho de 2019

uma música para o fim de semana (no dia mundial dos Oceanos) - Roberto Carlos


Dificilmente, no dia em que se comemora os Oceanos, que eu escolha outra música para este fim de semana que não As Baleias de Roberto Carlos.
Data de 1981. Não há nenhuma outra música brasileira, que me emocione tanto como esta.

Matamo-las, exploramo-las e colocamo-las em oceanários e em zoomarines.
Fazemos tudo a elas menos respeitá-las, protegê-las, deixa-las em paz.

É mais um pontapé, mais uma imensa agressão, ao sítio onde todos nós pertencemos, onde a vida, onde nós começámos, esse imenso caldeirão de cheio de vida que tão empenhadamente estamos a destruir: : os mares, os oceanos.

Japão e as Ilhas Faroe (Dinamarca) são dois dos maiores assassinos de cetáceos do mundo.
Em prol de uma tradição sanguinária, cruel, atroz, ausente de sentido, de consciência, centenas de seres vivos são chacinados.
O ser humano é vergonhoso. Somos o maior erro da evolução da vida. Não somos dignos de sermos filhos do mar.

O gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar de volta ao mar e à furia louca
De uma cauda exposta aos ventos
Em seus últimos momentos
Relembrada num troféu em forma de arpão






dia mundial dos Oceanos


Estima-se que em 2050 haverá nos oceanos mais plástico que peixes.
Em 2019, não há nenhuma evidência de que esta previsão esteja errada.

Na verdade o plástico já entrou na alimentação humana. Quem consome regularmente peixe, consome regularmente... plástico.
A vida marinha, peixes e não só, confundem o plástico com a sua alimentação regular e incorporam-no em seus corpos. As toxinas acumulam-se igualmente.
E não é só por via do peixe ou do marisco que ingerimos plástico com origem oceânica.
Análises laboratoriais ao sal marinho revela a presença deste material na sua composição.

Não só destruímos a biodiversidade oceânica com a pesca destrutiva, intensa e exaustiva, com despejo de poluentes, como com o lixo, plástico ou não, que são atirados aos oceanos.

Triste, triste, triste.





quarta-feira, 5 de junho de 2019

19


Saudades

Saudades! Sim.. talvez.. e por que não?...
Se o sonho foi tão alto e forte
Que pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah, como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão.

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar
Mais decididamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais saudade andasse presa a mim!

Florbela Espanca