terça-feira, 16 de junho de 2015

álcool


álcool 

Amante das artes de esconder
álcool desejado que se faz desejar
vem aos meus lábios dar de beber
na minha companhia vem caminhar.

Infame companheiro de dores e desgraças
longos goles de mentiras sem necessidade
álcool que não ajudas mas trespassas
o não querer da ausência de vontade

Vã liberdade que turvas os ideais
sempre tão falsa e insidiosa
és a miragem de um falso cais
em letras de poema e de prosa

Álcool que amarrotas a minha cama
onde nela se deitam as esperanças
em teus lençóis não arde a chama
não há músicas nem danças

O que tu fazes é despertar
pensamentos escondidos e desarrumados
tristes alegrias em gavetas por fechar
memórias perdidas de tangos não dançados

Tentadoras as tuas iníquas gargalhadas
de luzes desfeitas em breves fogachos
as palavras pelo chão são arrastadas
deitado, adormeço em sujos capachos


Inkheart




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