sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Grande Ecrã - Blade Runner 2049


Há filmes que não são para ser mexidos. Sequelas, prequelas, spin off, remakes, reboots, o quer que seja, não é para ser feito. Blade Runner: Perigo Iminente de 1982, realizado magistralmente por Ridley Scott, é um desses. Ele é perfeito e dentro da ficção científica não há muitos que sejam capazes de ombrear com ele. Passados trinta e cinco anos alguém pensou o contrário. O realizador canadiano Denis Villeneuve decidiu realizar uma sequela dele: Blade Runner 2049.

Aqui separam-se as águas tal como Moisés fez no Mar Vermelho: os que viram Blade Runner para um lado, os que não viram para o outro.
Para quem não viu Blade Runner, não é fácil seguir o argumento, algo abstracto por falta de uma contextualização adequada.

Os que o viram, vão reconhecer a lógica da caça aos replicants, a linha quase indistinta entre alma e a consciência da inteligência artificial, que tão bem estava trabalhada no primeiro filme mas agora abordada de uma forma atabalhoada e confusa.

Aos que se sentaram pela primeira vez numa sala de cinema Visualmente o filme espanta pelas cores, pela grandiosidade dos cenários, pelo gigantismo dos ambientes de uma Los Angeles distópica e pós-apocalíptica, de ruas cinzentas, plenas de neons e vozes em fundo, e a atmosfera densa poeirenta e avermelhada de Las Vegas.
A música de Hans Zimmer é atmosférica, etérea, mecânica e sombria. Ela é um filme dentro de outro filme
Mas para quem tem Blade Runner na memória, a fotografia e a banda sonora soam familiares. É um regresso a casa, mas não em toda a sua plenitude. Falta o conforto, falta o espanto, falta o deslumbre, o mergulho no vazio da música de Vangelis de há trinta e cinco anos.

É bom rever o Deckard de Harrison Ford, o velho Blade de Runner. Quando este surge, o filme ganha logo outra dinâmica. O mau da fita é desempenhado pelo canastrão e boçal Jared Leto, Ryan Gosling, o actual Blade Runner, o agente K, está em modo piloto automático, Ana de Armas (linda de morrer!), resulta muito bem como Joi, uma inteligência humana virtual a qual K tenta por todos os meios corporizar fisicamente.

Para quem, na separação das águas de Moisés, ficou do lado dos que viram a obra prima de Ridley Scott, percebe perfeitamente que há coisas que não devem ser mexidas.
Talvez não seja de estranhar por isso que Ridely Scott se tenha remetido para a produção, enquanto Denis Villeneuve tentava (honestamente) dar uma continuidade, uma extensão credível e conseguida à história de contada em 1982.
As grandes obras primas só são criadas uma vez. Não lhes é permitida uma segunda vida para elas.
O legado de Blade Runner: Perigo Iminente é demasiado pesado para Blade Runner 2049.







1 comentário:

  1. Sem dúvida, Denis Villeneuve nos dá um trabalho que homenageia Ridley Scott, mantendo a essência do primeiro filme quase fielmente. O filme de blade runner 2 foi um dos mehores filmes de ficção científica que foi lançado. O filme superou as minhas expectativas, o ritmo da historia nos captura a todo o momento. No elenco vemos Ryan Gosling e Harrison Ford, dois dos atores mais reconhecidos de Hollywood que fazem uma grande atuação neste filme. Realmente a recomendo.

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