quarta-feira, 11 de novembro de 2015

seis anos depois...





... a Esteira ainda mexe.

Nasceu, propositadamente, num dos dias mais emblemáticos e representativos do Outono: o dia de São Martinho.
O aroma das castanhas assadas envoltas na nuvens cinzentas traçadas pelas fagulhas libertas do carvão, pelo voltear dos assadores. A cor da casca castanha tornada superficialmente cinzenta, pelo carvão dos mesmos, os cones de papel dobrados no topo destinados a manter a temperatura das castanhas, que outrora eram feitos das listas das páginas amarelas (e também das brancas), e que agora contam notícias antigas de jornais diários.
Com muita sorte, ainda se ouvirá o pregão rouco dos homens e estridente das mulheres, que empurram os carrinhos onde assam as castanhas.


Por cada ano que passa, mais surpreendido fico com a resistência da Esteira.
Ela tornou-se parte de mim. Ao longo destes seis anos de matraquear teclas, foi tendo várias crises existenciais. A infância foi difícil.
Mas foi na adolescência que a Esteira ajoelhou algumas vezes e teve as suas maiores crises. Esteve para acabar. Chegou a ter data marcada um par de vezes.
Enfrentar uma folha de papel digital em branco é algo que intimida muito.
Ela é para mim como o zero da matemática, é o meu elemento absorvente da literatura.

Se fosse verdadeiramente uma folha, e não digital, de papel branco, elas seriam amachucadas, amarrotadas, ainda em branco e atiradas para o caixote dos papeis. Uma, e outra, e mais outra.
Mas nessas vezes, nesses becos escuros e aparentemente saída, algo surgia, um pensamento inquieto, irrequieto ou inspirador, uma poema sentido, uma música atraente ou uma fotografia poderosa, evitava o colapso silencioso do teclado.


A idade de um blog talvez seja como a dos animais. Lenta e titubeante no seu início e depois acelera, à medida que o tempo passa.
Com seis anos, a Esteira talvez esteja agora na sua meia-idade. Mais experiente. Mais sábia.
Até ver, sabe equilibrar-se na corda bamba da ausência de ideias.
Não é um blog de grandes e complexas reflexões, de tratados filosóficos ou textos mordazes e acutilantes. Não tenho essa habilidade ou capacidade. É apenas um... blog.

Acredito convictamente que um blog é algo profundamente autobiográfico. Qualquer que ele seja, seja quem for que o escreva, o quer que seja escrito, descrito, opinado ou ainda ilustrado.
A Esteira é o meu espelho sem que veja o meu rosto. Escrevo para me conhecer.
O que é capaz de demorar uma eternidade. Se ela for o suficiente...


Obrigado por andarem por aí :)


1 comentário:

  1. Parabéns! À Esteira e ao autor :)
    Não lhe conheci a infância nem sequer a adolescência. Conheço-a agora, adulta. E gosto. Muito.
    Tornou-se minha companheira nestes últimos tempos.

    "A Esteira é o meu espelho sem que veja o meu rosto. Escrevo para me conhecer.
    O que é capaz de demorar uma eternidade. Se ela for o suficiente..."

    Belo! E mais não digo porque não tenho palavras...

    Obrigada por estares aí:)


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