quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
um poema de... António Feijó (no dia de São Valentim)
Em inglês chamam-lhe "guarded heart"
A Armadura
Desenganos, traições, combates, sofrimentos,
Numa vida já longa acumulados, vão
— Como sobre um paul contínuos sedimentos,
Pouco a pouco envolvendo em cinza o coração.
E a cinza com o tempo atinge uma espessura
Que nem os mais cruéis desesperos abalam;
É como tenebrosa, impávida armadura
Ou couraça de bronze em que os golpes resvalam.
Impermeável da Inveja à peçonhenta bava,
Nela a Calúnia embota os seus dentes ervados;
Não há braço que possa amolgá-la, nem clava
Que nesse duro arnês se não faça em bocados.
E no entanto, através dessas rijas camadas,
Ou rompendo por entre as juntas da armadura,
Escorrem muita vez gotas ensanguentadas
Que o coração verteu dalguma chaga obscura...
Numa vida já longa acumulados, vão
— Como sobre um paul contínuos sedimentos,
Pouco a pouco envolvendo em cinza o coração. E a cinza com o tempo atinge uma espessura
Que nem os mais cruéis desesperos abalam;
É como tenebrosa, impávida armadura
Ou couraça de bronze em que os golpes resvalam.
Impermeável da Inveja à peçonhenta bava,
Nela a Calúnia embota os seus dentes ervados;
Não há braço que possa amolgá-la, nem clava
Que nesse duro arnês se não faça em bocados.
E no entanto, através dessas rijas camadas,
Ou rompendo por entre as juntas da armadura,
Escorrem muita vez gotas ensanguentadas
Que o coração verteu dalguma chaga obscura...
António Feijó, in 'Sol de Inverno'
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
sábado, 11 de fevereiro de 2017
uma música para o fim de semana - Miguel Ângelo
Começou pela guitarra e pelo rock. No entanto sentiu-se atraído pela elegância e subtilezas do jazz, e entrou nas escola de jazz do Porto, escolhendo um instrumento com qual já tinha alguma afinidade: o baixo eléctrico. Evolui nele, mas no fim, os seus dedos vão brilhantemente dedilhar as quatro cordas de um contrabaixo.
Miguel Ângelo tornou-se um contrabaixista conhecido no jazz nortenho.
Quando editou o seu primeiro álbum, Branco, viu crescer a sua reputação e influência a nível nacional.
Rodeou-se de músicos competentes. No saxofone alto tem um dos nomes mais respeitados na cena jazzística nacional, João Guimarães, Joaquim Rodrigues foi o pianista escolhido e completa o quarteto, o baterista Marcos Cavaleiro.
O jazz de Miguel Ângelo é um jazz muito fixe, solto e enérgico. É honesto e linear.
O contrabaixista portuense não complica as coisas e consegue um álbum equilibrado capaz de agradar a quem gosta de um jazz atrevido, improvisado e libertador, mas também a quem está a percorrer pelas primeiras vezes os trilhos do jazz.
Maior, um dos temas que constam no alinhamento do álbum, é perfeito para um dia de sol, frio e com algum vento.
Bom fim de semana 😀
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
Grande Ecrã - Rogue One
Rogue One é um filme para encher pneus. Um spin-off bom para entreter a malta beata (admito que sou um deles) da saga Star Wars, angariar audiências novas e pelo meio sacar umas massas ao povo.
Apesar de cronologicamente o seu lançamento se situar entre O Despertar da
Força de 2015 e o episódio VIII (O Último Jedi) que vai ser lançado no final
deste ano,
Rogue One não pertence à saga. É um filme colateral que pretende explicar
como é que os rebeldes encontraram a forma de destruir a Estrela da Morte no primeiro filme, o episódio IV – Star Wars.
A narrativa, diálogos e a dinâmica de realização de Gareth Edwards não têm consistência, Rogue One tenta
posicionar-se próximo da lógica da trilogia original da saga, mas falta-lhe sal
e originalidade.
É salobro e algo claustrofóbico. Frequentemente recorre a planos
muito fechados, que não dá espaço às personagens, aos ambientes que os rodeiam.
Diálogos pobres e
Visualmente a fotografia não tem nada de extraordinário, os efeitos especiais
vulgares, as personagens centrais – Felicity Jones
em Jyn Erso e Diego
Luna como Cassian Andor – andam perdidos e desinteressados nos seus papeis e Forest Whitaker
se tivesse juízo não tinha sequer aparecido.
O K-2SO, um antigo e desbocado andróide imperial reconvertido, ainda é o melhor que se encontra nas looongas duas horas e quinze de bocejos sucessivos e espreitadelas ao relógio.
Só mesmo os guerreiros agarradinhos e os incautos é
que irão ver Rogue One, mesmo sabendo que ele ainda é mais secundário que as
três prequelas (Guerras da Estrelas I, II e III) e que o valor acrescentado ao
universo Star Wars é praticamente nulo.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
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