sábado, 4 de fevereiro de 2017

uma música para o fim de semana - José Cid



Gosto sinceramente de José Cid. É um castiço e um desbocado.
Diz o que pensa sem grandes pruridos e sem olhar a quem. Tem um ódio de estimação a Toni Carreira que o ignora olimpicamente. E isso faz umas grandes comichões ao nosso amigo José Cid.
Diria que é uma questão de ciúmes.

O chamusquense sabe, e muito bem, que é melhor que o cantor da Pampilhosa da Serra. É mais versátil, mais sofisticado e a sua música mais genuína.
José Cid está como peixe na água em géneros musicais muito diferentes entre si. Rock progressivo, jazz, bossa nova, fado, world music, pop, baladas.

No entanto e apesar de ter uma audiência tão diversificada e alargada como os géneros musicais que toca, dificilmente consegue encher o Atlântico com a facilidade e a frequência com que o cantor romântico o faz.
E apesar de aparentemente não o incomodar, é algo que o seu ego não consegue lidar muito bem.


Vou dar a mão ao José Cid. É verdade que Tony Carreira esgota todos concertos, vende mais, é mais famoso, é mais mediático, ninguém tem mais mulherio, dos 8 aos 88 anos, que ele nos seus espetáculos e ainda conseguiu pôr todos os filhos a cantar e a serem famosos, mas a contribuição deste cantor piroso, para a música nacional, para a sua história, para o seu desenvolvimento, começa e acaba aqui.

Se olharmos para a carreira de Cid, ela é longa, prolifera e relevante. Dificilmente ouviremos alguém dizer que não se lembra de uma qualquer canção dele.

Recentemente lançou o tema "Se o Chico Buarque me cantasse um fado".
Foi super fácil para mim gostar desta canção. Tudo nela tem a cara de José Cid. A letra e a rima descontraída, uma canção que é cantada com prazer. E as sonoridades são diversas e sabiamente misturadas. Encontramos tudo o que a canção fala, o jazz, o fado e o samba.
E convenhamos que isto está bem para além que o Tony Carreira seria capaz de fazer.

José Cid que antes de fazer carreira na música foi professor de Educação Física, faz hoje 75 anos. 👍

Em 2003, José Cid declarou: "Se Elton John tivesse nascido na Chamusca, não teria tido tanto êxito como eu."

Bom fim de semana  😀






terça-feira, 31 de janeiro de 2017

sábado, 28 de janeiro de 2017

uma música para o fim de semana - You Can't Win, Charlie Brown


Sabem a aquela cena de avançar de o relógio uns quantos minutos para ficarmos, esses mesmos minutos na cama, ou utilizamos o snooze e vamo-nos aguentando na cama mais cinco ou dez minutos, até que o inevitável se torna urgente??

Isso é procrastinar.

Ou quando um estudante, sabe que tem um mês para preparar um exame e vai adiando e adiando e acaba a estudar na semana anterior ou até na véspera??

Isto é procrastinar.


Procrastinar. É dar tanto tempo ao tempo que este este fica sem ele. Adiar as coisas, atrasamos as coisas, sabemos quais as consequências de o fazermos, mas algo mais forte que nós empurra-nos para esse empurrar interminável.
Perdemos um prémio de produtividade, a desorganização aumentou, o que podia ser feito em cinco minutos precisa agora de quinze, uma reunião que podia ser facilmente dominada, passou a ser um pesadelo.
E então arrependemo-nos, depois prometemos que tal que não volta a acontecer. e até somos genuínos na promessa. A promessa é exactamente cumprida até à próxima oportunidade de procrastinar.

Procrastinar é o diabo! Não é preguiça, é pior que preguiça. É algo que vem profundamente do nosso interior. É uma resposta emocionalmente negativa. É uma resposta defensiva a algo que nos pode magoar, algo que pode correr mal, ou uma situação cuja complexidade nos atemoriza.

Os lisboetas You Can't Win Charlie Brown, formados em 2009, lançaram o seu terceiro álbum em outubro do ano passado, Marrow.
O terceiro tema chama-se Pro Procrastinator, e a letra está sublime no conceito que está por trás do titulo, da música para este fim de semana.


Bom fim de semana 😀





got a little more time 
but I've little affection 
and I've got nothing more to do 
but I've made up my mind 
I'm the middle of nowhere 
so I'll be certain not to lose 
the whole where I've sunk my head 
seems to go nowhere

I've got plenty of time 
so a little deflection 
won't hurt my chances of success 
now I'm taking a break 
to remind me I need to 
go back to straying in my bed 
the trick I've got under my sleeve 
seems to go nowhere 

the hole that's stuck around my head 
seems to go nowhere 

well we know where we are 
we're not sure if we're going 
but we can't say the things we've seen 
got a couple of things 
that we better delay too 
just give us time to work it out 
the road I chose to lead ahead 
seems to go nowhere 

Oh, give me your breaks 
your hesitative waits
oh, don't jump ahead of course 
the way is here 

I've got more time till time itself is up 
so I won't 
make the use of that time for your own good 
no sir, I don't wanna 
‘cause I've got something inside,
yeah I've got something inside 
telling me I better just wait for better days 
I'm sure there's gonna be a better day 

I've got more time til time itself is up 
more till time is up 
and something inside 
yeah, I've got something inside 
and I've got time to give time to work its part 
got time until time is not enough 
I'm rooting for mine 
and I am losing my mind 

I've got more time till time itself is up 
so I won't 
make the use of that time for your own good 
no sir, I don't wanna 
‘cause I've got something inside,
yeah I've got something inside 
telling me I better just wait for better days 
I'm sure there's gonna be a better day 

got a little more time till time itself is up 
more time till time itself is up 
more time till time itself is up 
more time till time itself is up 


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

ironia


Quando penso em tudo aquilo que o desprezível Donald Trump representa, na forma como a Europa lida com os refugiados, na forma como milhares de refugiados morrem no mediterrâneo às portas da Europa;

Quando penso na anexação selvagem da Crimeia ucraniana ao território russo pelo czarista Putin;
na forma como o mundo assobia para o lado relativamente ao que se passa na Síria, na destruição despudorada da floresta autóctone da Indonésia pelas palmeiras da industria do óleo de palma;

Quando penso nas alterações climáticas e pela inércia do mundo desenvolvido em as resolver, pelo empenho da prepotente Angela Merkel em arrasar economicamente com a Europa, na inércia e falta de empenho por parte dos países desenvolvidos em resolver a questão das alterações climáticas;

Quando penso nos genocídios da Arménia, Ruanda, Camboja, Timor Leste, no holocausto nazi, entre tantos outros, no fanatismo religioso, na exploração do trabalho infantil, no tráfico humano e nas abjectas touradas...


...só me ocorre agradecer...