domingo, 20 de novembro de 2016

Gogo Penguin - Fanfares


GoGo Penguin é das coisas mais refrescantes, a começar pelo seu nome, que apareceram no jazz nos últimos anos.
E isso é particularmente difícil quando tocam numa formação clássica de trio de jazz, um formato onde a diferença é difícil de ser atingida.

Conseguir encontrar um som próprio, inovaram e renovaram a sonoridade do jazz, conseguindo manter o seu encanto, a sua expressividade, a sua essência.
O piano de Chris Illingworth forte, incisivo, a bateria determinante Rob Turner e o enérgico mas delicado contrabaixista Nick Blacka, compõem a sonoridade do trio inglês oriundo de Manchester.

Entrei no mundo dos GoGo Penguin com o seu terceiro trabalho, o fabuloso e o meu preferido, Man Made Object de Fevereiro 2016, da mítica etiqueta Blue Note.
Depois regredi no tempo e comprei o segundo trabalho, o V2.0 de Março 2014 da bem mais desconhecida etiqueta Gondwana Records. Mais arrojado, mais interventivo, que o mais consensual, e reconhecido, recente trabalho.

E sem ter procurado por ele, veio ter às minhas mãos o álbum de lançamento (Novembro 2012), o primeiro trabalho dos GoGo Penguin, o Fanfares, também ele assinado pela Gondwana, em que tudo o que me atrai neles já estava presente: a sofisticação, a elegância, o jazz musculado e energético misturado com o jazz mais suave e sedutor, a electrónica feita de sons acústicos, o vigor do piano e da bateria.

HF é a faixa que fecha o álbum Fanfares. Tudo o que escrevi sobre o jazz de GoGo Penguin está bem ilustrado neste tema.






sábado, 19 de novembro de 2016

uma música para o fim de semana - No Project Trio


Há drama e tensão nesta improvisação do No Project Trio.
Alguém busca com ansiedade algo que não encontra, uma chave, um recado escrito, uma memória que devia estar presente e que não surge.
A urgência, uma corrida ziguezagueante por entre carros, ou para fugir a poças de água, apesar da chuva que cai a tornar inútil, para chegar a tempo de uma entrevista de emprego, por não haver lugares disponíveis para estacionar perto
O pânico da branca que se instala, no momento em que se lê a primeira pergunta do exame e percebemos que a aposta feita em estudar a parte mais provável de sair nesse exame caiu por terra.

O No Project Trio é um trio clássico de jazz nacional de luxo.
João Paulo Esteves da Silva a dominar o piano, Nelson Cascais contrabaixista e João Lencastre sentado na bateria.

Este trio já tinha estado no placo da Esteira, aqui


Bom fim de semana 😃




terça-feira, 15 de novembro de 2016

um poema de... Carlos Drummond de Andrade


AUSÊNCIA

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade